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Rating:
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Fandom:
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Characters:
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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2021-02-06
Words:
1,406
Chapters:
1/1
Kudos:
6
Hits:
46

Dilúculo

Summary:

Pesadelos. Às vezes são tão vividos que Katsuki não consegue voltar a dormir ou se manter em seu quarto. De vez em quando acaba topando com o meio em suas madrugadas mal dormidas, mas por que será que o bicolor também permanece acordado?

Notes:

Oi gente! O plot do Shoto com pesadelos é do meu mutual do Twitter @/yowaitsu_
Eu acabei achando que seria mais interessante que ambos tivessem pesadelos, mirei numa história triste e acertei um fluffy quase nada melancólico. Espero que vocês gostem.

Ps: fiz algumas alterações na linha do tempo da história oficial. Exemplo: o estágio deles com o Endeavor joguei pro segundo ano e outras coisinhas.

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Desde a adolescência acordo no meio da noite. Algumas vezes cheio de suor em meio a memórias vividas dos dias em que fui sequestrado pela liga dos vilões, outras costumava acordar sem ar, sentindo-me como se ainda estivesse envolvido no lamaçal que era aquele vilão sem nome pelo qual fui atacado antes de me tornar estudante da Yuuei. 

Quando acontecia, eu raramente conseguia voltar a dormir. Gostava de ir até a sacada do quarto e pegar um ar fresco, ou optava por sair de lá perambulando pela cozinha e sala nos dias em que o cômodo parecia me sufocar. Torcia intimamente para não dar de cara com nenhum daqueles extras, definitivamente não queria falar com ninguém. Não confiava o suficiente na capacidade de ocultar estar abalado após esses episódios.

Ocasionalmente topava com o meio a meio indo ou voltando. Fingíamos não nos ver enquanto seguíamos nosso caminho. Conforme o tempo passava, tornou-se comum ter a presença dele ali, resolvemos então parar de nos evitar e começamos a dividir o mesmo cômodo, a mesma mesa, o mesmo sofá... sempre em silêncio. Ele se mantinha inexpressivo como de costume, e eu não achava que deveria ultrapassar o limite que sentia existir. Acreditava que, se eu não queria falar dos meus motivos para estar ali, certamente não deveria perguntar os dele. A vida do bicolor não era da minha conta, não éramos amigos e eu obviamente não me importava.

Certo dia, quando acordei mais aflito que o normal, fui cozinhar algo na tentativa de me distrair e acabei derrubando alguns utensílios. Por alguma razão que desconheço, na madrugada o som parece se propagar bem mais, o que inevitavelmente ocasionou em uma zoada altíssima. Automaticamente olhei pra minha companhia e afirmo que nunca tinha o visto tão… assustado? Foi como se ele despertasse do transe que parecia estar naquelas noites. O vi olhando para todos os lados e respirando muito rápido e acredito que tenha sentido o cômodo mais frio. Não sabia se falava algo, se perguntava o que estava acontecendo ou se tentava ajudar, esses poucos segundos de confusão acabaram com um Todoroki correndo de volta para o dormitório e em mim sem entender porra nenhuma.

Na manhã seguinte ele estava normal e eu não notei sinal algum do que quer que tenha acontecido nessa madrugada. Passou-se quase um mês até que o visse de novo durante a noite, e dois até que ele voltasse a dividir um cômodo comigo. Isso por alguma razão desconhecida me incomodou, mas resolvi deixar pra lá, afinal, não era da minha conta.

Em uma excursão de inverno do nosso segundo ano, acabei dividindo um quarto com ele e o Kirishima. Nesse período, eu possuía uma certa dificuldade para dormir em locais diferentes dos quais já estava acostumado, o que ocasionava em noites pessimamente dormidas. Durante essas madrugadas, percebi que o meio a meio sempre acordava assustado com qualquer barulho acima do normal, e ficava exatamente da mesma maneira daquele incidente da cozinha. Guardei isso na memória por alguma razão desconhecida. 

Nesse mesmo ano acabamos nos aproximando bastante, mas isso resumia apenas a fins acadêmicos. Treinávamos juntos, fazíamos dupla juntos e alguns trabalhos em grupo também. O bicolor até me convidou para fazer estágio na agência do pai dele — na época era o herói número um — e convidou também o nerd, uma vez que sempre foram amigos. Confesso que não esperava por isso, mas aceitei por acreditar que ajudaria bastante na minha caminhada ao pódio, já que sempre mirei em ser o melhor de todos oficialmente.

Nesse período comecei a conhecê-lo um pouco mais e criamos uma certa amizade. Uma vez após sairmos da agência fomos convidados pela irmã dele para jantar, acabei ouvindo uma discussão da família Todoroki sem querer. Descobri nessa noite que o Endeavor era uma bosta de pai e de marido. Cheguei até a me perguntar sobre a cicatriz. Como será que ele a conseguiu? 

No terceiro ano posso afirmar que de fato viramos amigos próximos. As madrugadas já não eram mais cercadas de silêncio, começamos a conversar sobre tudo. Primeiro apenas assuntos leves, depois evoluímos para informações mais pessoais. Mesmo assim, nunca me senti no direito de perguntar por que o bicolor sempre se assustava fácil de noite ou a razão por estar sempre ali acordado.

Com nossa aproximação percebi que ele não era um robô de fato, só era péssimo socializando mesmo. Comparado ao Todoroki primeiranista, esse do último poderia ser considerado super extrovertido. Ele me contou sobre o que aconteceu no campeonato do primeiro ano, falou do motivo pelo qual não estava usando todo seu poder e o que o nerd tinha dito pra ele. Fiquei surpreso e contei também como havia me sentido ao ganhar a luta, disse que toda a raiva naquele evento foi por não ter achado ela justa, uma vez que ele não deu tudo de si. Pensei em falar sobre como me senti de verdade, daquele sentimento além da raiva… mas de última hora decidi que não. Aquela conversa já estava me deixando um pouco desconfortável por falar de sentimentos abertamente.

Em outra madrugada descobri que o bicolor era totalmente uma pessoa de gatos e confessei que também preferia eles. Na semana seguinte falamos sobre música, vi o choque estampado na cara dele quando descobriu que meu estilo favorito não é rock — apesar de saber tocar bateria muito bem, obrigado — e sim clássico. Sério, que inferno de imagem eu passava? O meio a meio ficou todo eufórico quando começou a contar que sabia tocar inúmeras canções no piano, achei engraçado e sorri. Ele parou de falar quando eu ri, ficou me encarando, depois voltou a falar nada com nada, desistiu, se levantou e saiu. Fiquei sentado sozinho e confuso na sala.

Certas madrugadas não queríamos conversar e optávamos pelo silêncio, nem sempre estava no clima de ser sociável, às vezes os sonhos eram muito intensos e eu acordava péssimo, ficava feliz por não precisar fingir estar bem. Não me sentia na obrigação de mascarar o que sentia perto dele nessas horas.

Nossas interações pararam de acontecer apenas nas madrugadas quando começamos a almoçar juntos, passar fins de semanas juntos, jogar videogame, tocar, cozinhar e outras mil coisas. Começamos também a nos chamar pelo primeiro nome, e foi ali que a chavezinha da amizade pareceu virar pra mim, mas eu não fazia a menor ideia se ele gostava de garotos também. 

No começo do segundo semestre do último ano, tivemos um outro festival cultural e acabamos dançando juntos. Aquilo foi mágico pra caralho, ele estava lindo e eu deslumbrante. Quando ele me olhou eu me senti invencível, naquele dia descobri que o sentimento era recíproco, poucas semanas depois começamos a namorar. Assumimos o relacionamento na festa de formatura e decidimos dividir um apartamento depois que saímos da Yuuei.

Na segunda semana juntos, tivemos um pequeno incidente: o meio a meio acordou assustado olhando fixamente para a porta do quarto quando eu abri a do banheiro, e quase destruiu nossa cama usando a quirk dele. Rapidamente retornei, deitei com ele, trouxe pra perto, fiz cafuné e esperei ele se acalmar.

Essa noite finalmente descobri o que acontecia quando perguntei se ele gostaria de conversar sobre o assunto, pois me preocupava e queria de saber se poderia fazer algo para ajudar. Ele falou tudo, me contou pela primeira vez sobre sua cicatriz e como tinha acontecido o acidente, me falou sobre sua infância conturbada. Lembrei da briga de família que ouvi anos atrás e tive mais certeza ainda que meu sogro é um filho da puta. 

O motivo dele acordar sobressaltado e se assustar quando ouve alguma zoada de noite é por lembrar de tudo que passou, do pai brigando com ele e o forçando a treinar até a exaustão. Caralho, ele era só uma criança! Nunca quis tanto explodir um velho como no momento em que soube de tudo. Aproveitei a conversa para contar o que acontecia do lado de cá, disse os meus motivos de ter pesadelo, e finalizei dizendo que somos dois fodidos da cabeça que precisam de terapia. Ele disse que faria se eu fizesse também, terminamos a noite rindo muito imaginando como essa notícia sairia nos jornais.

Estamos fazendo acompanhamento profissional há dois anos, a frequência dos meus pesadelos diminuiu bastante, dos dele também. Nas noites em que não conseguimos fugir de nossos fantasmas, sabemos que sempre temos alguém do outro lado da cama disposto a nos cuidar e apoiar. 

Notes:

Se você leu até aqui, espero que tenha gostado. Beijinhos!