Chapter Text
"The exodus is here
The happy ones are near
Let's get together
Before we get much older."
—Baba O'Riley, The Who
"O êxodo é aqui
Os alegres estão próximos
Vamos ficar juntos
Antes de ficarmos velhos demais. "
-Baba O'Riley, The Who
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CaptnAmazing: Hey, Billy. Você já está acordado?
Avngerfan2119: Hey, Jamie. Acordado o suficiente. Tudo certo pra amanhã?
CaptnAmazing: Yeah-meu trem chega em torno das 16:00. Te encontro as 17:00. Mal posso esperar para estar de volta na cidade. Internato é uma merda.
Avngerfan2119: Quer dizer que vocês não se sentam em circulos e trançam o cabelo um do outro o dia todo?
CaptnAmazing: Se fode ai, Kaplan. Hey, não se esqueça do Capitão América.
CaptnAmazing: E não aja como se você não soubesse do que estou falando. Eu sei que você ainda tá com ele.
Avngerfan2119: Sim, eu estou. Mas você não pode apenas pega-lo quando você vir por qui?
CaptnAmazing: Eu quero mostrar pro Joseph. Ele tem um Cap, mas é uma porcaria e eu quero apresentar-lhe o significado de qualidade. Basta trazer ele, ok? Você pode contrabandea-lo em sua mochila.
Avngerfan2119: Blz.
CaptnAmazing: Tudo bem? O Idiota não tá te incomodando de novo, né?
CaptnAmazing: Quer que eu chute a bunda dele? Posso ser menor, mas sou determinado.
Avngerfan2119: Não, tá tudo bem. Vejo você amanhã. Noite, Jamie.
CaptnAmazing: Você tem certeza que está tudo ok?
12:23: Avngerfan2119 saiu.
CaptnAmazing: Noite.
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14:41 e contando.
Billy olhou para o seu livro História dos Estados Unidos e tentou se concentrar, mas as palavras continuaram nadando na frente de seus olhos. Ele estava dolorosamente consciente do relógio contando os minutos para o feriado de inverno - três semanas inteiras de liberdade, longe da escola, longe do Kesler, longe de tudo.
14:49 e contando.
Sr. Carlson não tinha sequer se incomodado tentando fazê-los fazer o trabalho. "Vocês vão esquecer tudo durante o feriado de qualquer maneira", ele disse com um suspiro, ombros caídos debaixo de um suéter argyle desbotado. "Basta lerem o Capítulo Seis e tentem não fazer muito barulho."
A maioria dos garotos não tinha sequer aberto seus livros. Eles estavam todos amontoados em pequenos grupos, inclinando-se sobre os braços de suas mesas e sussurrando. As vozes que se levantavam ocasionalmente recebiam uma repreensão tímida, mas o Sr. Carlson se mantinha em sua própria mesa, ignorando as pequenas colmeias de atividade.
Billy assistia como uma das meninas cobria um riso com a mão, cabelo avermelhado caindo sobre os ombros. Ela olhava ansiosamente para o relógio e ele ouviu algumas palavras soltas: "cerveja", "esta noite", "beijar", "festa", "Fraca". Ele inclinou a cabeça, curioso, mas voltou-se para o seu livro rapidamente quando ela pegou seu olhar e estreitou os olhos, pesadamente delineados, para ele.
Certo. Não. Leia.
Virou a página, deslizando sobre as sentenças de forma aleatória. Ele não se importava que tivesse uma festa; ele nunca foi convidado e não sabia o que faria se ele fosse. Provavelmente ia passar a noite inteira firmemente preso em um canto esperando o sangue de porco vir chovendo. Não que ele queria ia dar uma de Carrie na bunda deles. Na maioria dos dias, de qualquer jeito.
Billy olhou para cima. 14:58 e contando.
Ele fechou o livro e enfiou na sua mochila, ansioso para o som do sinal. Três semanas inteiras, ele disse a si mesmo, ignorando a onda de sussurros aumentando progressivamente em volume. Seu melhor amigo estaria em casa, e eles passariam as férias indo de loja de quadrinhos em loja de quadrinhos e manteriam seus olhos abertos em caso de Vingadores. Seria ótimo.
15:00.
Billy estava de pé no primeiro toque estridente, correndo na frente da multidão de alunos. Sr. Carlson gritou algo sobre terem cuidado e tenham um ótimo feriado, mas Billy perdeu as palavras ao som de portas abrindo e estudantes fluindo para fora de suas classes. Ele deslizou em torno de uma menina de óculos e se pressionou contra o banco de armários para evitar uma líder de torcida e seu namorado, os músculos se apertado em uma mistura inebriante de ansiedade e expectativa. Era uma loucura, emoção pesando no ar. Ele praticamente podia saborear a liberdade.
Se eu me apressar, pensou Billy, talvez eu possa sair daqui sem uma briga.
Ele agarrou sua mochila perto contra o seu corpo e teceu o seu caminho através da massa de jovens. Armários batiam de cima a baixo no corredor e as escadas ecoavam com gritos de "Nos vemos às 10!" e "Não esqueça o você-sabe-o-que!"
O ar estava elétrico.
Billy olhou para o relógio enquanto ele virava uma esquina, abraçando a parede para evitar uma colisão. 15:03. Não era possivel Kesler sair da classe de Inglês e passar pelos corredores lotados a tempo. Ele já podia sentir a tensão derretendo, a emoção se construindo. Seria bom estar em torno de amigos novamente. Amigo. Seu único amigo de verdade, de verdade. Deus, ele sentia falta de ter alguém com quem conversar.
Ele deixou cair sua mochila no linóleo rachado e se agachou na frente de seu armário. Eles iriam primeiro na Midtown, é claro, antes de fazerem seu caminho até a Cosmic Comics. Provavelmente seria uma boa idéia deixar The Strand para o início do dia, assim eles poderiam evitar os turistas na Union Square. Talvez eles pudessem passear pelo Village, Billy considerou. Havia algumas boas lojas de segunda mão lá. Poucos lugares mais picantes, também, com vitrines excitantes que ele nunca conseguia levar-se a olhar diretamente apesar dos pequenos adesivos de arco-íris sobre as portas.
Bem. Talvez por causa deles.
Billy corou e empurrou seus livros em seu armário, batendo-o. Ele olhou para o corredor que ele estava, atirando uma alça por cima do ombro, mas ele só tinha dado quatro passos rápidos antes que sentisse o zumbido de seu telefone contra sua coxa. Billy se mexeu e enfiou a mão no bolso, observando ansiosamente os corredores enquanto ele abria.
212-555-9078: Traga-me o Cap ou enfrentará a minha ira
Billy hesitou, ansiosamente roendo uma unha mastigada antes de voltar, empurrando o telefone no bolso. Se ele se apressasse... Se ele se apressasse... Agachou-se na frente de seu armário e girou a tranca com os dedos trêmulos de repente. 8, 22, 10. Não, porcaria, ele tinha girado demais. Billy abafou uma maldição irritada e tentou de novo, mais uma vez, obrigando-se ir devagar enquanto girava o trinco.
8 ...
22 ...
10 ...
Ele não se preocupou em colocar seus livros organizadamente então tudo veio caindo em um emaranhado, derramando sobre seu colo e espalhando-se pelo chão. "Foda-se," Billy gemeu, agarrando a figura de ação cuidadosamente embalada e o pôs de lado antes de empurrar todo o resto para trás. A pilha quase caiu novamente, balançando ameaçadoramente, mas Billy conseguiu fechar a porta a tempo, girando a tranca com mais força do que o necessário. Ele pegou o pacote e ficou de pé, olhando para o relógio. Merda merda merda. Se ele não correr, ele seria pego com certeza. Ele correu para a multidão, ombros curvados apertados, mas Billy sabia que era tarde demais, mesmo antes da grande, mão áspera aparecer para agarrá-lo pelo colarinho.
Maldição. Maldito seja.
"Você está com pressa, Kaplan", disse Kesler, arrastando Billy de volta para a linha de armários brilhantes cor de laranja. Um sorriso torto esticado no rosto e as sobrancelhas escuras levantadas em uma preocupação fingida. "Arranjou um encontro?"
Billy encolhido em si mesmo, segurando sua mochila na frente dele como se fosse um escudo: O escudo do Capitão América, só que o Capitão América não estava aqui e Billy não era nenhum tipo de herói. Ele não conseguia nem responder, Billy percebeu afundando em pavor; sua garganta estava seca, e tudo o que ele queria fazer era correr.
Kesler olhou para seus amigos, dois caras musculosos em jaquetas Lettermen. "Aposto com vocês qualquer coisa que o Kaplan tem um encontro. Qual o nome dele?"
Eles estavam circulando perto, fechando-o. Billy olhou desesperadamente para o corredor, mas ninguém estava prestando atenção. Ninguém se importava, ou se se importassem, eles estavam com muito medo para se envolver. Ele não os culpava; ele se sentiria da mesma forma, se os papéis estivessem invertidos. Ele odiaria a si mesmo, talvez, mas ele desviaria o olhar.
Droga, por que isso sempre tem que acontecer com ele?
Billy fechou os olhos, murmurando baixinho, mas isso apenas fez Kesler sacudi-lo com tanta força que seus dentes bateram, antes de dizer numa estranha leve voz, num tom quase de dialogo, "O que você disse, Billy-Boy? Você vai ter que falar mais alto do que isso. "
Billy não olhou para cima. Ele se encolheu ainda mais para baixo, como uma tartaruga tentando desesperadamente rastejar em seu casco, e segurava apertado a figura do Capitão América escondida em sua embalagem de jornal. "Nada", ele disse, arqueando os ombros para frente. "Eu não disse nada."
"Foi o que eu pensei."
Um dos outros meninos, Slatterly, estendeu a mão para arrancar casualmente a mochila de seus braços. Billy tentou agarrá-la de volta, mas Kesler estava lá para bate-lo de volta contra o banco de armários, seu grande corpo prendendo-o com uma quieta, força ameaçadora. "Verifique os bolsos internos", ele instruiu, olhos nunca deixando o rosto de Billy. Sua respiração era quente e doce. "Billy-Boy tem o mau hábito de tentar esconder sua cota."
Cotas. Como se fossem uma espécie de senhores feudais, Broncos e grandes e sempre ameaçadores. Billy quase riu com a imagem, mas ele mordeu de volta violentamente, mantendo sua expressão em branco, com os olhos baixos. Normalmente Kesler ia apenas atrás da sensação de poder e de todo o dinheiro solto. Se ele pudesse só-
"O que é isso?" o terceiro rapaz, Jones, perguntou, pegando o embrulho do aperto enfraquecido de Billy.
Billy se sacudiu numa posição vertical numa ansiedade doente, olhos voando até o rosto do menino, e reagiu sem pensar: ele arrancou o Cap de volta com um movimento extremamente rápido. "Não", disse ele, tentando empurrar o pacote para trás das costas, mas Kesler o agarrou pela frente de seu colarinho e o sacudiu como uma boneca de pano. Billy tentou ficar tenso contra o ataque, mas foi inútil: Sua cabeça pendeu para trás quando foi arrancado de seus pés. A parte de trás de seu crânio bateu contra os armários fazendo um Crack doentemente familiar.
Ele desesperadamente fechou os olhos, o coração batendo tão rápido em seu peito que ele pensou que iria estourar. Havia uma parte dele que quase quis que isso acontecesse, pelo menos, em seguida, eles o deixariam sozinho.
Ele cerrou os dentes enquanto ele caía de volta para os seus pés e era empurrado contra o metal frio. Um dos armários beliscava seu ombro, e outro seu quadril. Sua cabeça estava começando a doer tanto que ele não podia sequer protestar quando a figura era retirada dos seus dedos e passada de volta para o amigo de Kesler.
"O que é isso?" Kesler perguntou, com os olhos focados no rosto de Billy. Ele finalmente o soltou, mas Billy se sentia tão preso quanto antes. Ele não podia correr, ele nunca conseguia escapar. Eles eram maiores, eles eram mais fortes, e, o mais importante, eles estavam dispostos a machucá-lo.
Billy olhou para o terceiro valentão, Jones, e observou com crescente aceitação enquanto ele desembrulhou o papel de jornal para expor a figura vermelha-branca-e-azul, criada por um artista local e habilmente esculpida para parecer exatamente como um homem real, não apenas em suas características (embora tudo estava correto até a força em suas mãos e o quadricular de sua mandíbula), mas também de alguma forma, o sentimento de Capitão América: Força. Coragem. Orgulho. Possibilidades sempre-duradouras.
Ele parecia um herói. E Billy queria arrancar-lhe das mãos de Jones com uma ferocidade que o consumia.
"Ah. É apenas uma boneca", disse Jones, soltando o Cap descuidadamente sobre os azulejos sujos. Billy fez um ruído estrangulado e se moveu como se para agarrar ele, mas Kesler o bateu de volta contra os armários com outra guinada que penetrou seus ossos. "Eu acho que não, Kaplan," ele rosnou, chutando o Cap naquela multidão de alunos que agora afinava.
Onde estão todos os professores? Billy pensou descontroladamente, desesperadamente, e olhos seguiram de volta para o rosto de Kesler. Ele pairava sobre ele, muito perto - características familiares, odiadas torcendo-se em um sorriso divertido de escárnio.
"Bem?" Kesler disse, dedos musculosos torcendo a gola da camisa de Billy e o corpo ameaçador perto o suficiente de maneira que era quase sexual. "Algo mais?"
"Tem alguns dólares", Slatterly disse enquanto ele jogava a mochila de Billy, a carteira derramando-se. "É isso aí. Vamos sair daqui, ele não tem mais nada que valha a pena pegar."
Kesler não quebrou o contato visual. Ele estendeu uma mão para o dinheiro, em seguida cegamente o empurrou no bolso quando entregue. "Parece que você está livre para ir", disse ele levemente, o aperto no colarinho de Billy se afrouxando. Ele deu um passo para trás para dar espaço a Billy e depois riu quando ele não se mexeu. "Bem, vamos lá", disse ele com um sorriso feio. "Fuja, Kaplan. Feliz Hanukkah."
Billy engoliu, as palmas das mãos apoiadas contra os armários de metal frio, em seguida, se pôs em movimento. Ele pegou sua mochila e empurrou sua carteira de volta para dentro enquanto passava apressado, pelo trio de meninos. Ele só deu dois passos antes de uma perna esguia disparasse e o mandasse se alastrando pelo chão sujo. Risadas altas ecoaram pelo corredor e Billy engoliu uma onda de pura raiva, que surgia dentro dele branca e quente, como um relâmpago.
Mas ele não se levantou, nem sequer se moveu, e, eventualmente, eles viraram e foram embora deixando Billy esparramado desajeitadamente em todo o piso de linóleo, olhando para o rostinho de plástico do Capitão América e desejando com todo seu coração que ele, Billy Kaplan, saco de pancadas de toda a porra do universo, tivesse o poder de fazer alguma coisa.
