Work Text:
5:30
O sol tinha começado a aparecer no horizonte. Esse não era um horário natural para nenhum vampiro estar ainda acordado, e Raphael apenas desejava infinitamente poder ir para sua cama e dormir.
Apertando os olhos, olhou novamente para o documento sua frente e suspirou. DuMort, era uma das boates mais badaladas da cidade, um local de diversão para mundanos e casa e local de alimentação para seu clã. A muito que o Hotel Dumont tinha sido reformado para poderem caçar sem levantar suspeitas, e como estava em seu território estavam seguros.
Apesar de ser bom para o clã, não significava que dava menos trabalho, mas o lado bom, ele já tinha terminado. Juntando os papeis, os colocou na gaveta de sua mesa e se dirigiu ao seu quarto.
No banheiro tira o terno e o coloca no cabide já prontos para o paletó e a camisa. Ele coloca seu pijama de Batman, um presente.
Saindo do banheiro, seus olhos já caiem no emaranhado de cobertas em sua cama e ouve a respiração regular e o leve ronco que vinham deles, fizeram seus olhos suavizarem. Mona ainda dormia pacificamente.
Aproximando-se, pode ver os cabelos castanhos acinzentados espalhados pelo travesseiro branco, ainda de óculos com o celular desligado em sua mão e ele já sabe que mais uma vez ela tentou esperar por ele. A cama balança levemente sobre o seu peso, ele tira seus óculos e os coloca na mesinha de cabeceira junto ao celular e a olha novamente.
Seu rosto está mais suave, sem seu sorriso que poderia iluminar uma sala o que a fazia parecer ainda mais jovem do que era, alguns fios de seus cabelos estão em seu rosto até um grudado próximo a sua boca onde a leve baba escore.
Linda. Esse é seu único pensamento enquanto olha para a mundana.
Raphael nunca pensou que se sentiria assim por alguém, e se perguntou quanto tinha começado a vê-la como algo insubstituível. Talvez quando começou a ansiar seus encontros no parque que tinham se tornado um abrigo, um momento de paz para sua alma velha e cansada. Talvez foi quando começou a confiar nela. Ou talvez quando começou a tentar faze-la ficar daquela bela forma corada e gaguejante quando nervosa e ansiosa apenas para ter aquele sentimento em seu peito que o fazia sentir humano novamente.
Ele particularmente não sabia, e não se importava. Porém, era um fato, Monalisa Simone Lovelace tinha entrado em seu coração sem o seu consentimento, tinha pego as partes de si que nunca tinha mostrado para ninguém a não ser Magnus, e abraçado cada parte de seu ser. Ela tinha começado a entrar em seus pensamentos, e em seus desejos, e sem ele perceber até que fosse tarde demais, Mona tinha começado a segurar seu coração em suas delicadas mãos.
Deitando-se, a respiração de Mona mudou, e ele pode ver, seus grandes olhos de corça enevoados pelo sono olhando-o, e por um minuto ele não duvidaria que ela pode ver sua alma. Seu sorriso foi calmo e sereno, seu corpo se moveu automaticamente, sua mão foi para a cintura dela, e ela virou-se de costas para ele, aconchegando-se perto de seu corpo - ela estava quente - e voltou a dormir quando apitou a cabeça de Raphael em seu ombro.
Mona era estupidamente despreocupada com o fato dele ser um vampiro. A confiança que ela lhe dava sempre era assustadora, nenhum humano confiaria assim em seu predador, mas depois de tudo, ela não era alguém normal. Tinha conseguido se tornar a protegida de Magnus Bane. Mona era algo raro, uma mundana para ter uma visão era raridade, uma que poderia fazer magia era ainda mais rara era.
O som de seu coração batendo e o cheiro de grama molhada, livros e especiarias que o invadiu quando respirava. Era como uma canção de ninar, que o fazia esquecer tudo, os caçadores de sombras, os lobisomens, ate mesmo seu papel como líder de clã. Naquele momento, ele só era Raphael.
E pelo que pareceu um eternidade, finalmente pode dormir sem preocupações.
