Work Text:
"Eu gosto de você", Kit fala. "Tipo, romanticamente?"
Tem um livro aberto no colo do Ty. É um dos seus favoritos, e tinha sido a coisa mais interessante no mundo até mais ou menos dois segundos atrás. Agora as palavras não fazem nenhum sentido. Ty as encara, esperando que elas voltem a ser frases coerentes.
"Isso é uma pergunta?" Ty diz, devagar.
Kit gosta de se esconder. Ele gosta de se esconder ainda mais quando ele está constrangido, e agora ele encontrou seu novo lar pela próxima meia hora encolhido entre a lateral da estante de Ty e a parede, cabeça encostada na superfície de madeira. Seu olha nunca encontra o de Ty, olhos desviados para o buracos desfiados nos joelhos dos seus jeans. Geralmente, Ty prefere a falta de contato visual. É um pouco estranho ter outra pessoa evitando seu olhar.
"Não. Não, é uma- afirmação? Uma afirmação. Eu estou. Te informando. Sobre… informação relevante."
"Isso é geralmente como informar funciona", Ty afirma. Ele fecha seu livro, se vira completamente para olhar para Kit. "O que… você quer que eu faça sobre isso?"
Kit franze a testa, ainda se recusando a olhar Ty no rosto. Ele cutuca o osso do seu próprio joelho.
"Eu não estou realmente esperando alguma coisa de você? Só… me fala se você se sente do mesmo jeito ou não. Você sabe. Tome seu tempo."
Ty pensa sobre isso.
"Eu acho que eu quero que você me beije", ele diz, um pouco surpreso.
"Oh! Mm. Tipo… Agora?"
A resposta para isso é um talvez . A resposta para tudo , agora, parece um talvez- como se as regras do universo tivessem mudado quando Ty não estava olhando.
"Me deixa pensar sobre isso primeiro, okay?"
Kit vira a sua cabeça um pouco contra a madeira, língua pressionando contra a ponta dos dentes. Ty se pergunta qual seria o gosto dela na sua boca.
"Okay. Claro."
E assim Ty pensa. Sobre isso, quer dizer.
Aqui está uma lista de coisas Ty sabe sobre Kit.
(Não é uma lista literal, escrita- Ty acha que isso seria esquisito, provavelmente. Talvez? Definitivamente. Além disso, uma lista escrita nunca é segura- ele leu livros de detetive o bastante para saber daquilo -e Ty odeia a ideia de que alguém poderia aprender todas essas coisas sobre Kit só de encontrar uma folha de papel. Isso não seria justo. Ty foi quem se dedicou a notar todas essas coisas; elas são dele , guardadas ciumentamente e mantidas seguras em um lugar escuro na mente de Ty, onde é muito improvável que alguém as encontre.)
(Além disso, Kit provavelmente não gostaria de Ty deixando todo o seu conhecimento dedicado onde qualquer um pudesse achar.)
A coisa sobre o Kit é que ele não guarda muitos segredos, exatamente, agora que sua própria existência não é mais um segredo que ele precisa guardar. Ele só não se toca que as pessoas possam fazer perguntas. Ele não se toca que alguém possa notar.
Tipo: Kit tem esse sorriso que ele desembainha como uma arma, uma ferramenta de barganha composta de charme e carisma, perfeitamente equilibrada- um flash de dentes brancos, e a vítima cede. Ele parece genuíno. O sorriso até alcança os músculos ao redor dos olhos, aqueles que devem tensionar em um sorriso de verdade. Kit é um profissional, afinal.
Ty, que não é, teria sido enganado por isso. Exceto: ele tem feito Kit sorrir, quando eles estavam sozinhos, e a sua expressão então era… ela era diferente.
Objetivamente mais feia, pra começar.
Quando Kit sorri - quando ele sorri de verdade, porque ele está genuinamente feliz ou achando graça, e não tentando atuar - o seu rosto todo tenciona, como se ele estivesse tentando evitar sorrir. Os seus olhos fecham completamente. É quase uma violação de privacidade, a maneira como sua boca se estica como uma ferida, seu canino torto à vista para variar.
Ty pensa um bocado sobre esse canino. Tem uma vontade de enfiar seus dedos na boca de Kit, girar o dente até que ele se alinhe perfeitamente com o resto; tem uma vontade mais forte de cortar a ponta do dedo na ponta desigual do dente e cutucar a ferida até que a cicatriz entalhada se torne permanente. Ele quer que Kit feche os dentes na sua carne até que Ty se torne um documento vivo da sua existência, até que a soma de suas cicatrizes possa ser usada para identificar Kit em uma pilha de cinzas e ossos. Até que apenas Ty possa consertar ele.
É uma coisa toda. Ty está lidando com isso.
(Kit não sorri daquele jeito para mais ninguém. Uma vez, ele sorriu com Livy- mas Livy não conta, tanto uma extensão de Ty quanto as costelas ao redor do seu coração. Era okay.)
Então Kit não guarda segredos. Ele é discreto, no entanto. Ele come todos os biscoitos da jarra na cozinha em um show esquisito de despeito, mas hesita antes de pegar a sua parte da janta. Kit nunca realmente gosta de comer na frente do resto. O telhado se tornou o seu lugar favorito para contrabandear comida, tirando o mínimo possível da despensa para comer sob as estrelas. Ele só meio que some durante a hora das refeições. Algumas vezes Ty o encontra em algum canto esquecido da casa, comendo atrás de uma escrivaninha ou porta, sempre e eternamente surpreso que alguém veio lhe procurar.
Kit come se Ty coloca a comida para ele, no entanto. Isso parece ser okay. Livy também, às vezes, mas é mais provável Kit discutir- mentir e dizer que já comeu, perguntar se é okay ele ter sua parte. Se Ty é a pessoa lhe dando a comida, Kit geralmente confia nisso.
(Ty tenta não ficar orgulhoso demais disso.)
(Ele falha.)
O corpo de Kit é diferente do deles. Não tem realmente muita força escondida debaixo da sua pele. Dru consegue lutar com ele no chão, fácil; a diferença de idade não parece importar, e até Tavy, o caçula, às vezes o pega de surpresa. Alturas das quais Ty estava pulando aos oito anos de idade são assustadoras para ele. Kit não se faz de forte, também; ele facilmente deixa Ty and Livy se colocarem entre ele e o perigo, os deixa ser seus escudos contra o mundo, e nunca tenta fingir o contrário. Ele se esconde atrás de Ty pelas menores coisas. Até Julian, de todas as pessoas, parece lhe intimidar de vez em quando.
É a primeira vez que Ty é o escudo de alguém. É… interessante. Parte dele queria que Kit sempre estivesse meio passo atrás, seus hábeis dedos de ladrão segurando a barra do capuz de Ty.
Às vezes, Ty tem vontade de desenhá-lo. Kit é todo ângulos e áreas suaves em contradição.A maciez da sua barriga contra o formato vívido das suas costelas, ossos do quadril que Ty poderia segurar, a curva suave de um braço com muito pouca definição muscular. Ele quer colocar sua mão nas costas de Kit e sentir a maneira que os músculos se movem debaixo da pele. Ele quer se certificar que os ossos de Kit não sejam mais visíveis.
Julian é o pintor da família, mas Ty acha que ele poderia encontrar os tons exatos do cabelo do Kit de memória. O marrom de suas sardas, espalhadas sobre sua pele, se congregando em grupos de amigos onde quer que a luz do sol beije mais- até o lilás e rosa debaixo dos seus olhos, pintados em tons enferrujados de hematoma que contrastam contra o azul puro das suas íris. O sono atrasado colore a sua pele lindamente, e Ty quer apertar seu dedo contra as margens, sentir o formato da caveira de Kit com as pontas dos dedos. Ele quer mapear a estrutura facial de Kit com visão e toque apenas.
Kit não dorme bem. Não há nenhuma forma de saber se sempre foi assim, mas ele acorda mal e frequentemente durante a noite, um grito preso na garganta. Às vezes sua voz é rouca nas manhãs.
Era pior quando ele dormia sozinho, Ty sabe. Suas olheiras eram muito piores, então, escuras e afundadas no seu rosto como um personagem de Tim Burton, até que Ty tinha arrastado o colchão de Kit para seu quarto e o deixado do lado da sua própria cama. Tem certeza? Kit perguntara, sempre hesitante de tomar algo, e Ty tinha apenas assentido, não mencionou que ele ofereceu.
Qualquer outra pessoa no seu espaço teria sido um pesadelo completo. Mas, Kit… Kit é okay. Kit entende, quase, a maneira como Ty precisa ser quem o convida. Ele nunca só espera que Ty esteja okay com algo - então Ty está okay. Ele nunca toca Ty primeiro, então Ty toma o primeiro passo, se enfia do seu lado no sofá, o puxa pela mão para qualquer nova aventura.
Por que Ty pode se afastar, e isso não magoaria Kit. Ele entenderia.
Mesmo agora, Ty tem permissão de se afastar, dizer a Kit que ele realmente não se sente da mesma forma- e Kit ficaria chateado, ele acha, mas isso não os destruiria. Isso não seria culpa de Ty. Kit não pensaria que isso é algum defeito em Ty, alguma rachadura que ele precisa consertar ou sorrir sobre, fingindo que não está lá. Isso seria okay.
Eles estariam okay.
E porque Kit nunca tomaria, Ty quer lhe dar coisas.
E porque ele quer lhe dar coisas, está- se tornando cada vez mais óbvio que ele quer tomar, também. Que Ty esteve roubando: o tempo de Kit, sua afeição, seu espaço; que ele esteve observando , compilando uma lista que nunca verá a luz do dia, porque- por quê?
Por que isso importa? Qualquer parte disso, na verdade; por que é importante que os lugares favoritos de Kit sejam altos, que ele só tem medo de alturas quando se espera que ele caia delas? Por que saber disso é tão importante para Ty?
É… auto evidente. Quando se presta atenção, pelo menos. Ty não esteve prestando atenção- ele não sabia que tinha algo acontecendo .
Ele só… Ele só gosta tanto de Kit.
E, milagrosamente, Kit gosta dele também . Como Ty poderia não se obcecar com isso? Como poderia alguém?
A coisa é: Kit nunca toma o primeiro passo, para nada; por comida, ou toque, ou um lugar onde dormir bem, e ainda assim, ele tomou o primeiro passo com Ty.
O quão incrível isso é?
“Sim”, diz Ty.
Kit pausa. Eles estiveram passando os últimos dez minutos em silêncio, balaçando de um lado para o outro em suas cadeiras- Kit tinha começado, ele acha, imitando um gif de um passarinho, e Ty tinha instintivamente feito o mesmo do outro lado da mesa, uma imagem espelhada em um tipo de jogo de telefone visual. Isso tinha feito Ty se sentir como ele acha que um relógio se sentiria depois de ter seus mecanismos limpos. Certo, e relaxante, e correto. Um planeta em sua órbita.
Então a resposta tinha caído das mãos de Ty.
“Sim?” Kit pergunta, cabeça inclinada um pouco em confusão. Isso é algo que ele tinha aprendido de Ty, ele tem quase certeza, e afeição o enche de calor.
“Sim. Eu quero que você me beije.”
Rosa alaga o rosto de Kit, o mapa mais lindo de sardas e hematomas enferrujados, e Ty observa a cor se espalhar com interesse- sobre suas bochechas e nariz, uma bela queimadura de sol; escala até os fins pontudos das suas orelhas, caindo para o seu pescoço, caindo, caindo até a sua clavícula…
“Tipo”, Kit engole em seco, “agora?”
Ty assente. Kit abaixa sua cabeça (contente?) e-
Devagar, ele sorri- aquele sorriso largo e subjetivamente maravilhoso , canino torto e tudo, e é só- demais, okay, isso não é justo- então Ty pula a mesa, mal evitando jogar tudo no chão e Kit ri e se levanta e-
Uma mão aperta a nuca de Kit, o puxa para perto.
(Ty estava certo. Kit morde , maravilhosamente afiado e com força, mas ele beija a dor, também.)
