Chapter Text
Pet Shop XJ Land - Gatinhos Apaixonados by mildangz_
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Ryusei literalmente tropeça no amor de cachorrinho, e é mais ou menos assim que ele se sente em geral, completamente sem graça e fazendo papel de bobo.
Uma olhada ao redor da loja de animais diz a ele que provavelmente ninguém viu isso.
Com o rosto fechado, ele lança um olhar traído para a soleira da porta, que deveria ter algum tipo de aviso que havia um pequeno degrau ali ou algo assim. Ou talvez Ryusei devesse começar a levantar os pés quando anda ao invés de rastejá-los por aí como uma serpente ou o preguiçoso que era.
“Isso é o que você ganha quando anda feito uma tartaruga em vez de andar como pessoas normais.” Ryuguji Ken, ou Draken como preferia que fosse chamado por conta da tatuagem bem feita na lateral da cabeça, que definitivamente viu isso, comenta atrás dele.
"Você vai ser morto se tropeçar novamente na soleira de uma porta, em uma pedra, na ponta de um tapete ou na droga dos próprios pés qualquer dia desses.”
Takemichi que está alcançando-os, tendo corrido de volta para o carro para pegar seu celular, solta um gemido desapontado.
“Ryusei fez algo embaraçoso? Não posso acreditar que perdi isso, a única vez que decido ser legal e tirar fotos de bichinhos para o Mikey. Faça de novo Ryusei, por favor.” Juntou as mãos em um pedido desesperado.
“Tsc, o caralho que vou.” Ryusei responde secamente, e entra apropriadamente na loja. Seus amigos nem sempre eram de grande ajuda.
Não há funcionários à vista, o que seria revigorante depois de uma vida inteira sendo emboscado cinco segundos depois de entrar em uma loja como se ele fosse roubar alguma coisa – sabe, era muito rude julgar alguém por sua aparência –, exceto que desta vez Ryusei realmente precise de algum atendente para lhe vender um peixe.
Dessa forma, seus amigos irão parar de falar para ele como sua vida é triste e solitária, enfurnado o ano todo em seu trabalho e como um animal de estimação seria tão bom para lhe fazer companhia.
No entanto, eles precisam parar de usar principalmente a palavra solitário porque, honestamente, Ryusei está começando a concordar com eles.
"Você já mudou de ideia sobre ter um gato ou um cachorro talvez?” Draken pergunta enquanto segue atrás de Ryusei, sua altura elevando sobre as estantes e prateleiras.
“Não, ainda estou pegando um peixe.” Suspirou em aborrecimento.
“Hum." Draken assentiu. "Com todo respeito, e sem ofensa, mas o que um peixe faz?” Balança a cabeça em confusão. "Eles são escamosos, viscosos e úmidos. Você não pode nem pegá-lo na mão porque senão ele vai morrer. Não vai poder tirá-lo do aquário, e ninguém vai falar: Oh, seu peixe é tão fofo.”
Ryusei para em seus passos e o encara.
"Essa é a única razão pela qual você quer que eu pegue um cachorro? Para me ajudar a transar?" Franze o cenho enojado. "Além disso, você realmente acha que isso é uma coisa que acontece? Pessoas querendo transar com você só porque tem um cachorro fofo?”
Dessa vez foi Draken quem fechou a cara.
“Só estou dizendo cara, você precisa de toda a ajuda que conseguir," Resmungou irritado. "e um peixe é uma ideia terrível para alguém que carece de atenção." Terminou solenemente, passando um braço em volta do pescoço de Ryusei enquanto o mesmo lhe devolve com uma careta descontente.
“Estou brincando. Bem, mais ou menos. Obviamente eu quero que você encontre o amor, mas eu realmente preciso de um de vocês para conseguir um cachorro com quem eu possa realmente sair. O cachorro de Takemichy me odeia, não tanto quanto ele odeia Takemichy, no entanto.”
“Menchi e eu estamos constantemente trabalhando em nosso relacionamento.” Takemichi anuncia logo atrás se infiltrando na conversa enquanto os empurra. “Na verdade, estamos progredindo muito. Ontem mesmo ele não saiu imediatamente da sala quando entrei em casa."
“Isso é tão triste Takemichy.” Draken suspira, e se separa do lado de Ryusei para se juntar a Takemichi em frente a um terrário cheio de vegetação ambígua que parece vazio, mas quase certamente não está. “O que você acha que tem aí?”
"Não sei." Takemichi murmura em questão.
Mais uma vez, Ryusei respirou fundo.
“Vou encontrar um funcionário,” Disse enquanto se afastava dos dois, decidindo que os idiotas são homens adultos que podem ser deixados por conta própria.
“Eu te desafio a colocar sua mão aí.” Ryusei ainda pode ouvir Takemichi dizer um pouco distante.
Certo, ele apenas dirá à equipe de funcionários que não os conhece caso perguntem.
Navegando pelos corredores sem direção, Ryusei descansa as mãos nos bolsos da calça enquanto olhava em volta com leve curiosidade. Ele nunca esteve nesta loja de animais em particular, mas parece bom o suficiente, embora vazio de pessoas.
Ele não tem animais de estimação desde o peixinho dourado no colegial, e é por isso que ele está pegando um peixe agora para apaziguar seus amigos e tornar seu apartamento de um quarto menos solitário. Ele pode cuidar de um peixe.
Depois que resolveu deixar de morar com sua mãe após conseguir um dinheiro extra trabalhando no salão de cabeleireiro da família, Ryusei conseguiu um pequeno apartamento em Shibuya que pudesse o acomodar sem muito luxo, mas o suficiente para o manter satisfeito.
Estando ali naquela loja, começou a pensar que ter um animal não é uma má ideia, na verdade, ele está agindo como se seus amigos o estivessem forçando a isso, mas ele pensa que pode gostar de cuidar de alguém, além de ter que cuidar de si mesmo.
Ryusei passa por gaiolas de pássaros e hamster, algumas camas e casinhas para cachorros e gatos, alguns tanques de répteis e alguns peixes à mostra.
Deve ser tão fácil roubar animais de estimação daqui. Pensava na medida que se afundava no interior da loja. As mãos nos bolsos da calça e sua postura despreocupada demonstrando seu relaxo e desinteresse ao andar.
De repente, ele ouve um barulho não muito longe de onde estava. Ryusei cogitando seriamente se deveria ir até a origem do som ou não. Ele pensou muito sobre até no fim decidir escolher seguir em frente. De fato, ele não estava com muita pressa.
Como imaginou, há alguém lá. Atrás de um vidro do chão ao teto, dentro de uma pequena sala iluminada calorosamente em comparação com o tipo de iluminação estranha da seção do tanque de peixes de costas para Ryusei.
O homem estava vestindo uma camiseta branca social sem gravata com os dois primeiros botões abertos, por cima usava um avental azul com o logotipo do nome da loja, Pet Shop XJ Land, o desenho de uma patinha ao lado. É assim que Ryusei sabe que ele trabalha aqui, além do fato de que ele está cuidando de três a cinco gatinhos, claro.
Todos estão agarrados a seus braços e emitindo pequenos ruídos de miados que saem da porta entreaberta enquanto ele os coloca em suas casinhas para gato alinhadas na parede em duas fileiras, uma empilhada em cima da outra.
O outro está dizendo algo baixinho para eles, mas Ryusei não consegue entender as palavras suaves, ele está distantemente ciente de que está olhando nas minúsculas cabeças de gatinhos passando pelos braços levemente tonificados. Eles são bonitos e têm gatinhos neles. Isso é simplesmente devastador.
Dizer que Ryusei está apenas olhando para seus braços seria subestimar o quão assustador ele está sendo. Ryusei está apenas verificando descaradamente sua relação ombro-cintura, suas pernas e coxas e pensando: Alguns caras realmente são construídos assim hein… pequenos, suaves e com essa áurea gentil e fofa, mas fortes a sua maneira.
Bem, não é como se ele ficasse muito para trás também. Considerando suas corridas matinais, treinos físicos e os extras que sem pensar muito abatia pelas ruas de Shibuya a Tokyo o lembrando de seus dias na adolescência como um delinquente juvenil.
De qualquer forma, seria estranho quando o outro se virasse e lhe percebesse o encarando até mesmo a alma.
Acontece que Ryusei é um maldito gênio porque depois que o loiro fechou a última porta da gaiola, o cara torna seu olhar para longe do vidro como se não tivesse descaradamente olhando para o funcionário a instantes.
Contudo, se Ryusei fosse um ser humano funcional, ele poderia simplesmente deixar isso de lado e fingir que ele estava apenas procurando por alguns... vermes liofilizados para seus peixes. Mas, Ryusei nunca em sua vida evitou com sucesso de se envergonhar e fazer papel de idiota quando um cara atraente de repente direciona seu foco de atenção para ele.
Ah, não. Ele é, tipo, muito bonito. Muito mesmo. Tudo o que Ryusei queria era pegar um peixe e partir. Ele certamente não queria que o cara saísse pela porta, ficasse do lado de fora, sorrisse para ele e dissesse “Oi” tão brilhantemente.
Não é um sorriso falso de atendimento ao cliente, o que Ryusei não o culparia por isso. O varejo é um inferno. Mas é uma coisinha tímida nos cantos de sua boca em forma de arco, e Ryusei está repentinamente ciente de quão ruim sua aparência era naquela hora.
Ele apenas passou meia hora no carro com os dois falsos loiros sem sequer ter se arrumado adequadamente para uma saída.
O cabelo dele igualmente descolorido por branco – mas que ganhava um leve tom rosa nas pontas graças ao shampoo errado que comprou recentemente – com algumas mechas pretas tinha dedos visíveis corrido por ele a ponto de parecer que tem consciência própria, como algum animal fofo que pertence a esta loja talvez.
Para complementar, Ryusei ainda vestia uma camisa preta surrada qualquer com uma de suas calças brancas largas. Seus chinelos faziam piorar ainda mais sua situação. Ficava cada vez mais deprimente ao pensar que ele os usava apenas para levar o lixo para fora.
Se socou mentalmente por no mínimo não ter colocado um de seus tênis que havia pago uma fortuna antes de sair de casa.
Então sim, este é o pior momento possível para conhecer homens bonitos.
Ryusei ainda permanecia com as mãos dentro dos bolsos, lutando contra o desejo de correr ou pelo menos se afastar.
"Oi." Comprimenta de volta em voz baixa.
O loiro pareceu ganhar ainda mais vida ao ouvir a voz do mais alto.
"Posso ajudar? Você está procurando por algo em específico ou um animal de estimação?” O cara mordeu o lábio inferior carnudo. “Um gato, talvez?”
Um peixe. Ryusei está aqui para pegar a porra de um peixe.
“Hum, sim.” Sua boca diz. “Eu estou… considerando isso.”
O sorriso do cara se alarga. Deus.
“Você gostaria de vê-los?” Seus dedos se prendem na maçaneta da porta. “Posso apresentá-lo aos gatinhos.”
Ryusei esfrega a lateral do pescoço onde permanecia sua cobra tatuada, pouco envergonhado.
"Certo. Gostaria disso."
Esse cara extremamente lindo quer mostrar gatinhos para Ryusei. E o que ele poderia fazer, dizer não? Atualmente ele sequer consegue lembrar o que é um peixe, então como ele poderia contrariar o outro?
O mais baixo o leva para o mesmo quarto dos gatinhos onde estava há alguns minutos. Ryusei segue hesitante atrás, seu tique nervoso não permitindo que ele abaixe a mão, as unhas arranhando levemente a concha de sua orelha com seu brinco de corda.
“Que tipo de gato você gosta? Você tem alguma preferência?" O cara está apoiando o antebraço contra as gaiolas, os dedos enganchados na malha. A frente de sua camisa também diz Pet Shop XJ Land. Seu crachá, que só agora Ryusei pode ler por estar perto o suficiente, diz Matsuno Chifuyu, abaixo o título de gerente chefe expondo seu grande cargo.
“Eu não sei muito sobre raças.” Ryusei não sabe nada sobre gatos na verdade. Mesmo que ele já tivesse um, quer dizer, o gato não lhe pertencia exatamente, mas se lembra das vezes que o animal adentrava sua casa apenas em busca de comida.
Além disso, foi ele quem acabou com seu peixinho dourado, mas Ryusei não iria culpar a cadeia alimentar que a natureza trouxe – não que ele não tenha ficado deprimido por dias com a morte do seu único bichinho na época.
Agora ele vai parecer um idiota que gosta de desperdiçar o tempo das pessoas por não saber o básico sobre um animal que parecia ser tão simples de cuidar.
"Tudo bem." A ponta de uma língua espreita rapidamente enquanto Chifuyu molha os lábios. Ele estende a mão para Ryusei, e Ryusei olha para sua mão. Ele automaticamente pensa em segurá-la contra a sua, mas provavelmente não é a intenção de Chifuyu. “Todos os gatos compartilham características semelhantes, mas há pequenas diferenças entre as raças. Você pode vir ver.”
Ryusei vai. Poucos centímetros mais perto do outro e seu coração era como um terremoto.
Ele olhou curiosamente para os gatinhos fazendo coisas de gatinho em suas casas. Cada gaiola tem dois ou três deles. Os que eles estão olhando estão rastejando por toda uma torre de jogo.
“Todos os nossos gatos, e o resto dos nossos animais são de origens variadas porque todos vêm de abrigos ou grupos de resgate, mas são todos vacinados e bem cuidados." Chifuyu parece terminar de explicar antes de se virar e olhar nos olhos escuros de Ryusei. "Poderia me dizer algo sobre você? Ou o que você gostaria em um animal de estimação em geral?”
"Huh? Algo sobre mim?..." Ryusei estava surpreso. Ele se sentia errado, porque de repente, se viu em um encontro com o outro desfrutando de um tempo em uma cafeteria pela manhã ou um jantar chique com o anoitecer para se conhecerem melhor. "De que maneira, exatamente?..." Perguntou ansioso, tropeçando em suas palavras.
Chifuyu arregalou os olhos, entendendo o que havia acabado de dizer. "A-Ah, desculpe! Não queria soar assim..." Chifuyu se apressou em corrigir sua fala. "Geralmente sou muito bom em combinar pessoas com seus animais de estimação só de saber um pouco de sua história."
Ryusei olhou para o outro atento, umedecendo os lábios. Estava estranhamente nervoso.
“Eu trabalho muito.” Mordeu o lábio. “Então não estou por perto muito tempo. Na verdade, estou meio que sempre trabalhando, mesmo quando estou em casa. Eu sou um advogado. Então eu acho que seria bom... ter algo... para me tirar disso?”
Chifuyu respira fundo, segura a respiração, estreitando os olhos levemente enquanto considera Ryusei, este que o observa soprar pelos lábios com uma baforada suave.
“Ok.” Chifuyu respira. “Deixe-me apenas tentar isso." O loiro destranca a gaiola na frente deles e enfia as duas mãos. “Me diga se eu entendi completamente errado se ele não parecer como ser seu, mas parece que um gato é o animal de estimação perfeito para você, principalmente esse carinha.”
Chifuyu puxou uma pequena coisa preta, aninhada em suas mãos como se fosse o lugar mais seguro para se estar, o delicado tufo de uma cauda pendurada entre seus dedos. Ele embala o gatinho perto de seu peito. Ryusei está em algum tipo de transe pensando em como aquela cena parecia ser tão familiar e apaixonante a ponto de ser a sua queda.
“O nome dele é Excalibur. Eu acabei nomeando-o eu mesmo.” Chifuyu diz, olhando para Ryusei com um sorriso torto. “Não conte aos outros mas,” Se aproximou do mais alto. “ele é meu favorito…” Sussurrou.
"Entendo..." Também sussurrou.
“Excalibur é muito tímido com estranhos, mas muito afetuoso com as pessoas de quem gosta. Ele é um dos nossos mais independentes, então ele ficará bem sozinho se você se ausentar muito. Mas ele ainda precisa de amor e atenção de vez em quando. Excalibur começa a gritar com uma voz muito estridente. Fora isso ele é bem tranquilo e muito bom em sentir emoções, então o pequeno aqui saberá quando você precisar de consolo.”
O coração de Ryusei bate estranho e rápido, e quando Chifuyu diz para ele estender as mãos uma segunda vez, ele simplesmente o faz.
“Excalibur é realmente tanto assim?” Pergunta enquanto o gatinho é cuidadosamente colocado em suas mãos.
“Sim,” Chifuyu confirma com absoluta convicção. “ele faz as pessoas terem A Reação.”
Ryusei levanta uma sobrancelha para ele.
"A reação?"
“A Reação.” Chifuyu repete com letras maiúsculas.
Naquele instante Ryusei se sentia minúsculo como as patas igualmente minúsculas e macias sobre suas mãos. Até o arranhão inofensivo de unhas na carne de suas mãos eram fofos.
Um miado gentil é soprado por meio de seu polegar – ele olha para o caroço preto-azulado, quase sem peso, balançando em suas palmas. Ryusei puxa o gatinho para perto porque tem medo que ele caia, e ele se enrola em seu peito com um ronronar baixo.
“Oh,” Ryusei respira e ouve como Chifuyu ri baixinho e desvia os olhos do gatinho para inclinar o rosto para cima. Sua mandíbula não segue o movimento, a boca ainda aberta em admiração.
"Lá está a reação." O loiro retorna outra vez com os olhos brilhando e sorrindo da maneira mais terrível, aberto e largo, todos os dentes à mostra, olhos enrugados. Ryusei sente uma espécie de soco no coração enquanto sua boca também se estende em um sorriso.
Chifuyu suaviza o seu gradualmente, e ele pisca como se estivesse experimentando algum tipo de epifania. O loiro não percebeu como estava observando Ryusei tão gentilmente e atentamente quanto naquela hora, ele corou com um lindo rosa quando notou suas ações. O mais alto era incrivelmente charmoso.
Ryusei pegou aquele olhar para ele, então tentou disfarçar olhando para Excalibur, mas sabia que era uma tentativa falha quando não conseguiu esconder seu próprio nervosismo.
"Você tem mãos grandes." Diz Chifuyu, então. De alguma forma, parece que ele realmente não quis dizer isso em voz alta. Antes que Ryusei pudesse sequer olhar para cima, ele se apressou em acrescentar, "Quero dizer, isso é apenas… uma observação, ele se encaixa bem nelas." Se referia apropriadamente a Excalibur.
Realmente, Ryusei sentia o mesmo. Algo ali parecia se encaixar de uma maneira inexplicável, e não era apenas do gatinho que ele estava falando.
“Sim,” Ryusei murmura, o polegar acariciando a cabeça macia do felino com ternura. “ele é incrível.”
“Ele é tão calmo com você,” Chifuyu também murmura não percebendo o quão próximo estava do mais velho à medida que também acariciava a cabeça do gato.
Os olhos de Ryusei vaga para cima novamente e ficam grudados nos leques de seus cílios contra suas bochechas.
“Ele está até ronronando.” Seus lindos olhos verdes esmeraldas voam para Ryusei, pegando ele em flagrante. Chifuyu prende a respiração em sua garganta. “Entendi certo? Ou não? Sinto muito por ter me equivocado, eu não deveria.”
Ryusei engole.
"Não se preocupe, você fez certo." Tão uniformemente quanto ele é capaz, ele devolveu Excalibur a Chifuyu. E voltou a dizer, suavemente. “Obrigado por me mostrar ele. Eu tenho que ir agora."
“A-Ah, o que?” Surpresa e confusão passaram pelo rosto de Chifuyu enquanto desesperadamente tentava equilibrar o pequeno animal nos braços. “Mas–”
Ele parece que está prestes a dizer mais alguma coisa, porém Ryusei já está no meio de seu famoso ato de desaparecimento que ele tende a realizar em situações como essas.
O verdadeiro truque que às vezes ele faz mesmo quando não quer. Mesmo quando ele quer ficar e segurar gatinhos com o outro cara. Seu corpo apenas se move por conta própria como instinto de sobrevivência, como se soubesse que é isso ou Sato Ryusei – neste caso raro de combustão humana espontânea – não saberia o que mais poderia fazer para controlar suas futuras ações que poderiam ser facilmente perturbadoras para o loiro.
Ele vê Takemichi e Draken perto da saída, conversando com dois funcionários – também jovens, como Chifuyu, talvez um ou dois anos mais velhos.
Um deles com cabelos escuros e compridos com algumas mechas amareladas sorri para ele brevemente, seu brinco na orelha esquerda tilintando com a leve ação. O outro, alto e moreno parecia um pouco carrancudo e seu olhar pesava sobre ele, mas fazia o mesmo movimento que seu colega, amigo, ficante, amante, namorado, noivo, esposo, marido, tanto faz! Isso pouco importava para ele naquele momento. Ryusei só precisa sair dali o quanto antes.
Educadamente ele devolve o sorriso e então agarra o braço mais próximo com rapidez, Takemichi sendo seu infeliz alvo. O mais baixo considera que acabou de sentir seu braço deslocar para outra direção.
Ryusei não se importa, apenas continua conduzindo eles até a porta de saída.
"Vamos embora. Agora.” Ele sussurra com rigidez.
"O inferno?" Guinchos vem de Takemichi. “Onde está o seu maldito peixe? O que aconteceu? Estamos roubando um animal de estimação agora? Tem um gatinho debaixo da sua camisa agora? Além de você mesmo?” Takemichi solta com um tom malicioso por meio de suas incontáveis perguntas. Ele tem andado muito com Mikey para puxar suas brincadeiras até aquele ponto.
"O que? Não! Que porra Takemichi, vamos logo embora."
Ele ouve Takemichi se despedir alegremente dos funcionários e Ryusei só solta sua manga quando eles estão do lado de fora respirando o ar puro. Ryusei exala pela primeira vez em cerca de vinte minutos.
“Kazutora-kun e Baji-kun disseram que você estava sendo ajudado por alguém chamado Chifuyu lá trás.” Takemichi diz enquanto caminham rapidamente para o carro do bronzeado. “O que houve? Ele não te ajudou?”
“Oh Takemichy, acho que ele foi ajudado sim." Draken bufa. “Olhe como ele está mais estranho que o normal.”
Takemichi suspira dramaticamente. Ryusei evita contato visual e estende a mão para pegar as chaves do carro que Takemichi deveria ter consigo.
"Oh meu deus," Diz Takemichi, encantado. "você está apaixonado."
Ryusei tropeça nos pés ao ouvir a palavra apaixonado voar da boca do oxigênio de quinta. Sua mão se apoiando rapidamente na maçaneta da porta salvando o resto de sua dignidade, ou era o que ele esperava.
Em questão de cinco segundos se viu com o rosto afundado no cimento do chão, o baque de seu corpo caindo foi alto o suficiente para despertar até mesmo um sonâmbulo.
"Caralho Takemichy! Ele caiu." Draken gritou em meio a risadas.
O falso loiro riu ao seu lado, mas ainda era a boa alma gentil do grupo. “Ryusei? Você está bem?" Perguntou preocupado enquanto se aproximava.
Ryusei estava deitado, com o rosto virado para o chão enquanto tentava se levantar, evitando propositalmente o contato visual.
"Estou bem." Respondeu.
Takemichi lhe encarou com pena e lástima enquanto observava o sangue carmesim do outro escorrer pelo nariz.
O bronzeado limpou-se com as costas das mãos com rispidez. Olhou para frente e notou como a maçaneta que deveria ter ao menos salvado a si desse acidente constrangedor estava agora no chão.
Os três olhavam para o objeto em silêncio. Prosperando sobre o que havia de fato acabado de acontecer.
"Viu?" Takemichi pergunta assim quebrando a quietude entre eles. "É isso que acontece quando se está apaixonado."
Ryusei sentiu uma veia em sua cabeça se romper.
"Que merda você está falando Takemichi. Eu não estou apaixonado!" Grita enquanto se virava para pegar a maçaneta do chão e de alguma forma tantar encaixa-lá outra vez na porta.
Os dois que o encaravam como se fosse um idiota não se contiam em dizer:
"Claro, o quê disser." Draken resmunga. Sua cara em tacho.
"Com certeza." Takemichi o segue.
Naquele instante a maçaneta já parecia estável o suficiente enquanto não seguramente presa na porta.
"Tsc," Ryusei estalou. "entrem logo porra." Seu tom normalmente descontraído ganhando uma certa raiva com as provocações dos amigos.
O loiro de cabeça raspada não perdendo a oportunidade da situação continuou. "Você deveria aproveitar e pedir uma vacina contra raiva para sua paixão cara. Seria um grande feito, você sabe."
Ryusei bufou, e deu as costas para eles entrando no carro, as portas batendo em canhão. Comicamente a peça a fora caindo outra vez no chão em um som satisfatório como peças de legos se desmontando.
Ele bateu a cabeça no volante e gritou. Se arrependeu, pois o grito na verdade era a onda de dor que sentiu assim que enterrou o nariz uma segunda vez em um plano duro e compacto.
Era uma cena miserável que Draken e Takemichi assistiam com um sorriso divertido em compadecimento. Ryusei estava completamente perdido.
Draken se dirige ao banco do passageiro, ficando então ao lado de Ryusei para lhe entregar um pedaço de papel para estancar seu sangramento nasal.
Takemichi por sua vez, sendo novamente muito atencioso em recuperar a peça caída tristemente do lado de fora antes de entrar no carro junto aos dois. Contudo, não parece que nenhum deles está no banco de trás com o jeito como o loiro junta seu torso entre os assentos da frente.
"O que realmente aconteceu lá? Por que estamos fugindo? Oh meu deus, não me diga que você tentou flertar e deu errado, então você o matou." Exclamou com preocupação.
"Sente-se corretamente de uma vez." Ryusei implora enquanto sai do estacionamento com o pedaço de papel enfiado em um dos buracos de seu nariz. O mesmo aos poucos ficando cada vez mais úmido e vermelho. "E não, eu não o matei, porra." Ele aperta o volante com mais força e respira fundo. "Tenho que descobrir se posso pegar um gato e saber tudo sobre como cuidar de um."
"Puta merda." Takemichi diz com a mão na boca, surpreso. "Este Chifuyu é poderoso. Acho que ele poderia ter vendido a você umas quinze tarântulas ou uma fazenda inteira de alpacas e você os levaria consigo Ryusei."
"Espere, então você vai conseguir um gato ou um namorado?" Draken não se abstém de perguntar.
“Ele está recebendo os dois. Continue assim Ryusei, estamos aqui para apoiá-lo.” Takemichi diz brilhantemente enquanto solta alguns tapinhas no ombro do mais velho e cai de volta em seu assento.
Ryusei mantém seus olhos fixos na rua. Seu rosto queima, mas ele se sente bem. Estava feliz de uma maneira vertiginosa.
Ele não conseguia parar de pensar em Chifuyu ou em como ele era gentil ou no jeito que ele corou como flores de cerejeira quando fez aquele comentário sobre as mãos de Ryusei.
No banco de trás, Takemichi suspira. “Comprei essas guloseimas caras para o Menchi. Vocês acham que ele vai me dar um pouco mais de consideração por isso?”
Draken joga a cabeça para trás e geme alto.
“Porra, pare de falar sobre o seu cachorro, isso me deixa super chateado.”
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"Ei, Chifuyu."
O mencionado resmunga baixinho e não levanta os olhos para a porta atrás dele, muito focado na gaiola do hamster que ele está tentando consertar.
“Eu não quero ver seu dragão barbudo grávido. Pare de me chamar, estou ocupado."
“Antes de tudo, isso é muito rude com uma mulher grávida.” Baji Keisuke – seu amigo de infância – entra na sala e enfia a mão no cabelo de Chifuyu, despenteando-o.
Sorrateiramente o moreno desliza sua mão até que pudesse beliscar a bochecha macia do mesmo que reage no mesmo instante tentando lhe esfaquear com uma chave de fenda.
Baji ri e foge para além da mesa. Chifuyu jura que está de bom humor desde que descobriram que um dos lagartos da loja estava grávida e a mudaram para o apartamento de Baji e Kazutora.
Baji chama isso de milagre. Chifuyu chama isso de imprudência por um dos machos lagartos ter ficado com tanto tesão que aprendeu a ponto de conseguir operar entre as portas do terrário e adentrar o das fêmeas e acasalar com uma delas. Baji diz que também é uma espécie de milagre.
É como se outro estivesse experimentando de alguma forma o brilho da gravidez. É meio estranho para se dizer a verdade, mas Chifuyu está feliz por ele e Kazutora e sua crescente família.
“Não é rude. Eu só não preciso ver uma nova foto todos os dias. Nada muda em um dia e ela ainda parece a mesma."
"Tsc, seu pirralho ignorante." Baji balança sua cabeça em sua direção.
"Eu ainda sou o seu chefe."
"Bem, você não teria coragem de me demitir." Realmente, Chifuyu não iria conseguir fazer tal feito por respeito e lealdade ao outro.
Ele revira os olhos e volta ao trabalho.
“Além disso, dizer 'antes de tudo' implica que você tem um segundo ponto, cuspa de uma vez Baji-san.”
“Ah, sim.” Baji se agacha para apoiar os cotovelos na mesa e segurar o queixo sorrindo maliciosamente. “Como segundo ponto, o cara bonito que você não conseguiu se calar por duas semanas está aqui perguntando por você.”
Baji não estava realmente exagerando, Chifuyu mencionou muito Ryusei como um adolescente apaixonado desde que ele visitou aqui algumas semanas atrás. “Mas podemos dizer a ele que você está apenas ocupado e voltar numa próxima…" O moreno já se afastava e caminhava de volta do mesmo lugar que havia vindo.
Naquele instante a chave de fenda já havia voado para o inferno, a porta da gaiola pendendo tristemente de suas dobradiças enquanto Chifuyu se levantava e se apressava a ir até a entrada principal da loja.
“Eu pensei que você estava ocupado.” Baji comenta provocativamente ao seu lado.
“Basta colocar fita adesiva nele.” Chifuyu bufa, caminhando em direção à porta, e então girando abruptamente para trás. “Me diz Baji-san, eu pareço bem?"
Baji lhe encara sem expressão alguma.
"Não né? Meu cabelo deve estar tão bagunçado agora e eu estou todo amarrotado, além de suado. Maldita hora que resolvi carregar aquelas caixas.” Estalou a língua enquanto passava as mãos pelo corpo tentando ficar ao mínimo apresentável. “Afinal, por que ele está aqui? Por que ele está perguntando por mim? Qual é o problema de... Oh meu deus, eu nem sei o nome dele!"
O moreno bufou em exaustão. Lidar com pessoas apaixonadas era cansativo.
“O nome dele é Sato Ryusei.” Diz calmamente, endireitando-se ao lado da mesa. “E você deveria ir lá. Kazutora está dando a ele o terceiro round de qualquer assunto que seja. Eles estão perto dos filhotes."
Chifuyu assente em concordância antes de voltar a tagarelar para si mesmo.
“Eu acho que irei desmaiar a qualquer momento. Como consegui conversar com ele em primeiro lugar?" Murmurou constipado. Ele se sente um pouco enjoado enquanto tateia a maçaneta.
"Chifuyu.” Baji o chamou calmamente com sua voz forte. “Você está ótimo. Não se preocupe com isso.” Afastava qualquer ansiedade do outro enquanto bagunçava os fios loiros outra vez com um sorriso confiante.
“Mesmo?” Baji assentiu para os olhos do mais novo que o encaravam aflitos e preocupados. “Tudo bem, estou indo então. Obrigado Baji-san.” Agradeceu verdadeiramente com a ajuda do outro à medida que saia da sala de estoques. Baji sempre funcionava muito bem como uma engrenagem para Chifuyu em momentos como esses.
Apesar do fato de que o loiro só conheceu Ryusei uma vez e não sabia nada sobre o outro cara, até então ele só tinha conhecimento de seu nome que acabou de descobrir através de Keisuke. Porém, de alguma forma, Chifuyu pareceu saber falar muito do mesmo.
Chifuyu gostava de pensar que ele é um bom juiz de caráter. Ele é bom em captar as vibrações mais sutis que as pessoas emitem. Podendo dizer quando elas são confiáveis e quando algo está errado. Se eles devem receber um animal de estimação ou não, e caso devam, então qual seria a melhor combinação entre o animal e seu novo dono.
Ryusei por sua vez pareceu ter essa aura mais escura e animalesca no primeiro instante que o viu, porém Chifuyu logo pode ver sua verdadeira natureza escondida. Era calma, desengonçada e brincalhona, além de claro, parecer tão sonolenta e preguiçosa.
Ainda assim, havia algo tão sinceramente gentil em Ryusei, que Chifuyu meio que queria segurar e nunca mais soltar aquela sensação de conforto.
Mas ele mantém distância como a melhor das escolhas. Chifuyu estava com tanto medo de tocar e perturbar algo tão bom e bonito como a superfície tranquila de um lago ou uma obra de arte no valor de bilhões – contudo, aparentemente tem sido uma missão impossível para si.
Chifuyu viu como ele foi tão tranquilo com Excalibur. Atencioso e carinhoso como uma pessoa com muito amor dentro de si.
Quando ele sorriu, Chifuyu quase o pediu em casamento naquele momento. Era tão bonito e completo.
Desde suas roupas desleixadas e casuais que caiam tão bem em sua musculatura corporal até seus cabelos cacheados teimosos, seu brinco de corda tilintante e sua pele escura charmosa com aquela tatuagem de cobra no pescoço. Aquilo tinha sido o estopim para Chifuyu cair em tentação com a beleza do mais velho. Ele se perguntava se o outro havia mais espalhadas em seu corpo.
Agora, Chifuyu vê e reconhece instantaneamente seu cabelo branco despenteado com onduladuras irregulares perto das gaiolas dos filhotes.
Quando Baji disse que ele estava sozinho com Kazutora, Chifuyu esperava o pior já que o mais velho tem o hábito de ficar um pouco intenso com os caras por quem Chifuyu tem uma queda em potencial. Ele é como sua veia protetora. Mas vendo-os de longe parecia que estavam se dando bem.
Ele sorriu grande com o coração aquecido. Ter seus amigos aprovando aquilo ou de quem ele gostava era reconfortante. Claro que nem sempre dava certo, mas ainda assim, Chifuyu preferia receber uma segunda opinião caso não estivesse fazendo uma escolha realmente correta.
Kazutora está com os braços cheios de um enorme cachorrinho vira lata que encontraram recentemente na porta da loja, já Ryusei – de frente para Chifuyu – estava mantendo uma certa distância enquanto ouve Kazutora atentamente com os olhos abertos e a boca fechada em uma linha reta prestando atenção.
Só a boca dele fez Chifuyu perder o sono. E sua voz, profunda e rouca acaloraram seu corpo. Aquele som que saia entre suas palavras era como um ronronar.
Chifuyu trabalha com gatos o dia todo, então sim, ele reconhece um ronronar quando ouve um, e ele cruelmente pensou que estava pronto para isso, mas na verdade não estava.
É tarde demais agora, porque Ryusei já o notou. Seus olhos se encontram, e Chifuyu tenta voltar a respirar normalmente.
"Oi.” Ele cumprimenta como da primeira vez, e não pode deixar de sorrir timidamente.
“Oi.” Ryusei o cumprimento de volta também como da outra vez, e devolve um sorriso suave.
“Bem, já se passaram dois segundos, e eu já me sinto como um terceiro na roda.” Kazutora suspira desnecessariamente alto.
Chifuyu morde os lábios e tenta olhar para Kazutora, mas o de mechas descoloridas está usando o cachorro como escudo. Ele agarra uma pata e faz o pequeno caramelo acenar para eles.
"Então tchau. Vocês, crianças, sejam bons. Estou apenas dizendo, mas não há câmeras de segurança na sala de descanso ou na parte de trás do corredor dos pequenos roedores, porém há câmeras na seção de camas para cachorros. Keisuke e eu aprendemos da maneira mais difícil sobre isso.” Proferiu emburrado as últimas palavras com um bico nos lábios.
Como se concordasse com Kazutora, o cachorro late com o rabo abanando. Ryusei sobressalta no lugar em que estava, seu coração batendo a milhões.
Repetia em sua cabeça "Tô invisível" várias e várias vezes torcendo que ninguém tivesse visto seu constrangimento e principalmente que o cachorro não o notasse ali de forma alguma.
Era terrivelmente vergonhoso pensar como seu pavor pelos cachorros se sobressaia em cima de qualquer outra coisa que ele tinha medo.
“Por favor, vá.” Chifuyu implora, mortificado. Ele se lembra de ter pego os dois mais velhos em uma sessão um pouco quente demais para se dizer quando decidiu passar um pouco as filmagens das câmeras de segurança. Por uma semana ele se recusou a falar com aqueles dois.
Kazutora resmunga outra coisa inaudível e carrega o enorme cachorro com facilidade. Chifuyu cruza os braços, muda de posição e olha para Ryusei, que instantaneamente baixa o olhar, abrindo um sorriso cativante e envergonhado.
O coração de Chifuyu está derretendo em seu peito. Pingando sobre suas costelas como fondue de queijo. “Então, hum…" Coçou a nuca sem jeito. "O que eu posso fazer por você hoje?"
“Eu quero ter um gato.” Ryusei diz com uma determinação surpreendente antes de esfregar o pescoço.
Chifuyu guardou em silêncio e o outro continuou:
“Eu sei que não tenho, tipo, nenhuma experiência, mas quando eu estava conversando com você, e quando você me contou sobre Excalibur, percebi que realmente quero um gato. E acabei fazendo toda essa pesquisa. Sim, estou lendo sobre gatos e seus cuidados por duas semanas, certificando-me de que estou preparado para ter um, até conversei com minha tia que não via a anos apenas porque é dona de um gato que infelizmente morreu por esses dias… mas ainda assim! Eu quero ter um gato.”
Chifuyu ouve com a boca ligeiramente aberta enquanto Ryusei entra em detalhes por alguns minutos, contando a ele sobre sua pesquisa e tudo o que descobriu sobre posse responsável de gatos.
Naquele momento Ryusei conhecia mais do que a maioria das pessoas que iam até o Pet Shop. Chifuyu está impressionado, tocado e em transe, e provavelmente poderia ouvir Ryusei falar por dias seguidos. O jeito que ele fala é tão agradável e engraçado porque suas mãos nunca ficam paradas.
"Ok.” Chifuyu diz um pouco atordoado, então pisca e lambe os lábios. “Ok, sim. Estou feliz, que você decidiu adotar um dos nossos pequeninos. Venha comigo?"
“Claro.” Seguiu o mais baixo. “Honestamente, eu não tinha certeza se você se lembraria de mim,” Ryusei murmura enquanto eles atravessam a loja, “mas, uh… seus colegas de trabalho insinuaram que você se lembra.”
“Insinuaram?” Chifuyu pergunta desconfiado. Kazutora e Baji não são conhecidos por insinuarem.
“Eles me disseram que você fala muito sobre mim.” Ryusei admite. Chifuyu franze o rosto em silenciosa agonia.
“Sinto muito,” Ele diz fracamente. “por eles, e por falar sobre você.”
“Não, tudo bem. Eu não me importo nem um pouco. Nem mesmo que você fale sobre mim.” Ryusei diz baixinho em um tom alegre e provocante. "Isso, na verdade, me deixou muito feliz.” Sua voz cai em um astucioso.
Chifuyu fisicamente não consegue olhar para Ryusei. Sua cabeça parece estar cheia de algodão e seu coração continua pulsando de forma irregular e ele tenta manter o desastrado ao mínimo enquanto destranca a porta da sala dos gatos.
Eles são recebidos pelo som de uma dúzia de gatinhos correndo em suas caixas e um coro de miados. Chifuyu pigarrou um pouco antes de falar.
“Então, já sabemos qual é o seu, certo?” Quando não há resposta, ele se vira, a mão já no fecho da gaiola de Excalibur, ficando imóvel. “A menos que você queira um diferente?”
“Uh?” Ryusei parecia confuso, piscando os olhos arregalados. “Eu não pensei, quero dizer, ele é seu favorito, e eu pude ver o quanto você gosta dele. Como nunca tive um gato antes, pensei que você gostaria de dá-lo a alguém experiente.”
Chifuyu abre a jaula.
“Sim, você está certo.” Ele diz suavemente, persuadindo Excalibur a ir de encontro com suas palmas. “Eu gosto dele e quero que Excalibur tenha uma boa casa. A melhor." Ele o pega com mãos experientes e cuidadosas, e se vira para Ryusei. “Você fez toda aquela pesquisa. Isso mostra que você realmente se importa. Eu poderia esperar, mas não encontraria ninguém para quem eu preferisse entregá-lo, e ele gostou de você, desde o primeiro momento... Excalibur se sente seguro com você.”
Chifuyu entrega para Ryusei o gatinho, que abre os lábios como se fosse protestar, mas o pega mesmo assim. O pequeno bichano se agarra ao moletom dele com suas minúsculas garras frontais, e Ryusei parece absolutamente chocado. Chifuyu sente um sorriso surgir em sua boca.
“Ele é seu agora.”
Alguns momentos depois, Excalibur é o gato de Ryusei legalmente. Chifuyu o ajuda a carregar suas coisas para o carro – ele já havia conseguido muitas coisas de sua tia –, mas Chifuyu carrega um saco de comida de gato e uma caixa de areia no porta-malas.
Ele se agacha para dizer adeus ao gatinho preto em sua “cadeirinha” no banco da frente enquanto Ryusei se inclina contra a lateral do carro e observa a despedida.
“Não seja muito duro com ele,” Chifuyu aconselha o gatinho. “mas seja um pouco se necessário. Grite bem alto quando quiser a atenção dele. Ele é um advogado, você sabe, pode haver incontáveis papéis espalhados e ele pode precisar de sua ajuda para dar uma folga a eles. Então certifique-se de fazer isso." Tocou seu pequeno nariz. "Excalibur, mais uma coisa, não tenha medo de suas mãos grandes, ele ainda vai te segurar.”
Ryusei está observando-o silenciosamente, mas intensamente. Um sentimento de calor e curiosidade passando por todo seu corpo. Era como se Chifuyu estivesse conversando com seu filho no primeiro dia de aula antes de deixá-lo ao cuidado dos funcionários da creche.
Quando o loiro se levanta, Ryusei dá um pequeno passo quase imperceptível em sua direção.
"Você vai sentir falta dele, não é?" Ele pergunta baixinho, com as mãos sob os braços. Chifuyu lambe os lábios. A menos que ele esteja ouvindo isso completamente errado, com certeza há algo mais nessa pergunta.
“Sim,” Ele respira. “sim, eu provavelmente irei." Olhou em volta. Um nervosismo o dominando.
"Algum problema?"
"E-Eu não quero que você ache isso estranho, mas por favor, ligue para a loja ou...” Chifuyu entregou um cartão para Ryusei. "Meu número de celular. Chamada, texto, qualquer que seja. Apenas se não for muito incômodo para você me enviar se quiser uma foto dele de vez em quando. Quero dizer, eu posso te dar meu número para esse propósito ou qualquer dúvida que tenha.” Chifuyu pensou em se esmurrar ali mesmo. O que ele estava dizendo, não, o que ele estava fazendo afinal?
“Claro, para esse propósito.” Ryusei concorda com uma baforada olhando ao redor. “Você é esperto. Mas faremos como quiser, você deve gostar muito de Excalibur mesmo.” Sorriu bonito com um pingo de provocação.
Chifuyu corou. Sabia que tinha sido pego.
"S-Sim, Excalibur…" Desviou o olhar.
Ryusei aproveitou a confusão de Chifuyu e traçou as linhas de seu perfil com os olhos, seguindo a ponte de seu nariz até as linhas de sua mandíbula rosadas e seu pomo de adão que se formava em uma pequena protuberância na extensão lisa de seu pescoço.
Não que ele já não tivesse percebido antes, mas a beleza do outro era sua mais nova perdição.
Continua...
