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Atlantis

Summary:

Now all the birds have flyed
The hurt just leaves me scared
Losing everything I've ever known
It's all become too much
Maybe I'm not built for love
If I knew that I could reach you, I would go
...
I can't save us, my Atlantis, oh, no
We build it up to pull it down
Atlantis- Seafret

 

Alastor olhou para o anjo caído com nada além de indiferença, uma voz no fundo da sua mente sussurrava que aquilo não precisava acabar assim, que ele poderia envolver aquele ser quebrado em seus braços mais uma vez antes de tudo desmoronar levá-lo de volta aos lençóis quentes e macios onde ambos poderiam ser envolvidos pelas assas protetoras e se encolherem em uma fortaleza de penas, com nada além de calor, palavras calmantes e toques doces. Talvez em outra vida, talvez outra pessoa que não Alastor teria feito isso, mas não o orgulhoso e teimoso demônio do rádio, não ele já havia tomado sua decisão, ele observou apenas por mais um momento as feições retorcidas de dor do pequeno anjo caído, as guardando em algum canto egoísta de sua alma de seu coração, antes de dá as costas para ele, para o hotel, para Charlie, para tudo.

Notes:

Espero que gostem...

Chapter 1: Capitulo 1. Memorias de uma amiga?

Chapter Text

 Capítulo 1. Memorias de uma amiga...? 

 

A gosma negra que escorria pelo ferimento aberto encharcando as roupas de Alastor, ele tentava inutilmente estacar ou conter suas tripas dentro do tórax aberto com um antebraço, seu corpo sendo apoiado pelas paredes do alçapão escondido em sua torre de rádio, as escadas o levariam a uma dimensão de bolso, muito mais simples do que seu bayou, a sala que o esperava no final das escadas era circular, preenchida por celas, gaiolas elaboradas, jarros de vidro e microfones, um único gravador em uma mesa central onde todas as correntes pareciam se conectar o brilho verde delas dispensavam a necessidade de qualquer outro tipo de iluminação no cômodo. A sombra de Alastor o seguia com olhos preocupados enquanto ele se afastava da parede que havia sido seu apoio até então para caminhar com olhas atentos a cada cela e prisioneiro algo parecido com fome, contrastando com a dor quase insuportável de sua ferida, remexeu em seu estomago, a sala estava terrivelmente silenciosa o ferimento exigia muito mais atenção de seus poderes do que torturar aquelas almas miseráveis que ele tinha em sua posse, isso não era importante de qualquer forma, a maioria das almas presas ali nem recuperaram qualquer sentido algumas permaneceram despedaçadas com nada além das linhas verdes do contrato as mantendo presas e aquelas tiveram forças ou consciência o suficiente para se reunirem em mais do amontoados embaralhados de carne e alma estavam  perdidos em medo e dor, alheios demais para notar a presença de seu carrasco ferido entre suas celas. 

 

Alastor parou diante uma cela, o eterno sorriso se alargando um pouco mais, ele servira aquela alma já havia se mostrado mais de uma vez inapta para serviços simples como servir um simples copo de água e ser torturado por sua querida ex esposa. A cela foi aberta em um estalar de dedos, o homem era grande demais para o espaço pequeno que Alastor o confinava por isso assim que ganhou um pouco de liberdade seu corpo deslisou para fora como uma massa mole de geleia. Os olhos perdidos e distantes pareceram ganhar algum grau de consciência por um breve momento quando focaram na figura rubra do demônio, mas especificamente em seus olhos que lembravam os botões de rádios antigos, toda a geleia que um deveria ser o seu corpo estremeceu no chão, a boca de Alastor encheu-se de água em expectativa, não seria a primeira vez que ele usaria aquele recurso para obter mais poder, mas sempre era uma experiência nova já que cada alma carregava um sabor único, uma experencia única de memorias e sentimentos maravilhosamente deliciosos, no passado ele precisou de muito autocontrole para que aquilo não desabrochasse em um vício extremante desnecessário e custoso, já que consumir almas para obter poder não um método desconhecido, mas poucos sabiam como realizá-lo corretamente para que o efeito fosse eterno e não até a alma se reorganizar em algum novo lugar no inferno. Uma pontada de dor que o fez se curvar sobre o próprio corpo e dar alguns passos para trás o despertou do breve devaneio, a estática preencheu a sala ocultando o som dolorido que saiu dos lábios cerrados, fazendo também cada alma dali estremecer de medo a sombra se aproximou tento fornecer o máximo de apoio que ela conseguia oferecer, algumas respirações lentas para estabilizar e tentar diminuir a dor, Alastor estava pronto para começar o ritual. 

 

 

 

“Vi, tinha olhos bicolores o direito era castanho mel com três pontinhos prata próximo a pupila e o esquerdo era complemente castanho, sempre que ela usava seus poderes o prata dominava seu olho direito e o esquerdo se tornava totalmente negro, como se a pupila dela dilatasse ao ponto de torna aquele olho um grande buraco negro o corpo pequeno crescia e se tornava maior e as características caninas que Alastor tanto detestava ficavam mais evidentes assim como as vinhas vermelhas que cresciam de seu cabelo vermelho expandiam ao redor para estar ao redor dela. Assim que ela terminou de comer a alma que Alastor trouxera seus olhos e corpo voltaram ao normal, o demônio do rádio que assistia atentamente cada etapa do processo sabendo que aquele conhecimento seria útil no futuro. 

 

—E é assim que você consome uma alma pecadora, de verdade, nada daquela baboseira temporária que aqueles metidos da cidade do pentagrama acham que fazem.  

 

—Você não tem medo de que eu use esse conhecimento sujo contra você Vi? —Um sorriso perverso surgiu no rosto dela enquanto o brilho prata voltava para o olho direito enquanto o outro continuava castanho. 

 

—Eu, ia, adoraaaaar ver você tentar Alastor.” 

 

 

 

Quatro almas, quatro almas, ele precisou consumir quatro almas antes de seus poderes estabilizarem e maldita ferida parar de sangrar! Ela nem havia fechado, o sangue gosma negra apenas tinha parado de sair, ele mesmo precisou costurar a ferida e envolver o tórax em gases e ataduras depois vestir-se de uma maneira que conseguisse esconder o aumento de sua silhueta. Com um suspiro dolorido ele encarou o espelho quebrado entre os destroços de sua torre, ele parecia apresentável o suficiente, o hotel certamente havia sido destruído dado ao estado que sua torra estava o que significado que ele tinha muito trabalho a fazer, já tinha estado fora por um dia inteiro e não poderia dar aquelas pobres almas o luxo de sonhar por mais tempo que ele havia se sacrificado por eles, por sorte, ele chegou a tempo de participar do Granfinale e o hotel estava complemente reconstruído lhe dando uma sensação mista de alívio e descontentamento. A pontada de dor que sentiu ao ser abraçado pela princesa do inferno subsistiu qualquer outro sentimento em seu corpo, agradecendo o seu sorriso eterno não deixar a careta de dor que ele viu refletida em sua sombra se manifestar no próprio rosto, ele deu alguns tapinhas carinhosos nos fios loiros enquanto sentia o corpo tremer contra o seu, em soluços nada silenciosos. 

 

—Pronto, pronto, agora já passou querida, sem choro, sem choro. —Sua voz sou tranquilizadora mesmo com o filtro estático. 

 

—Quando Adão.... eu achei... Serpentius... buáaaaaaaaaa. —Mais uma onda de soluços chorosos fez o corpo da princesa tremer contra o dele. 

 

—Charlie amor, está tudo bem agora... vem querida precisamos entrar comer algo, descansar. —Vagie se aproximou cautelosamente tentando retirar a namorada dos braços de Alastor, que nunca esteve tão grato pela existência da anja caída, logo os braços de Charlie o haviam deixado. 

 

—Vagie está certa minha patinha tem que descansar e se preparar, nós vamos ter muito trabalho amanhã com todo planejamento da reinauguração.  —Lúcifer disse alegremente começando a acompanhar as duas em direção a entrada do hotel. 

 

—Nós? —Alastor não fez nada para esconder a surpresa na voz, recebendo um olhar irritado de Lúcifer. 

 

—Nós. 

 

—Oh entendo, eu tinha a crença que vossa majestade pretendesse manter o estatus quo de total desinteresse em sua filha. 

 

—O que você... 

 

—Ah, eu imaginei que a sua ajuda na reconstrução do nosso pequeno empreendimento fosse o auge de sua manifestação de dever paterno. Devo dizer, quase fez parecer que você se importa. —Talvez não fosse a decisão mais esperta provocar o rei do inferno nas condições atuais dele, mas ele não conseguiu evitar ao ver o pequeno ser tentar avançar na direção dele enquanto sua filha o continha entrelaçando o braço no dele. 

 

—Al, papai ajudou bastante, foi graças a ele que conseguimos derrotar o Adão. —Charlie interrompeu antes que Lúcifer pudesse dizer algo. 

 

—O sério? Que pena que não pude acompanhar nosso majestoso rei chegando nos momentos finais da batalha para recolher a glória após muitos dos nosso caírem... 

 

—Incluindo você, não é? Já, aparentemente Adão foi um desafio tãããão assustador e poderoso que o Bambi precisou fugir para lamber as próprias feridas. —Os olhos rubros reviram enquanto Lúcifer saia do aperto da filha para cruzar os braços na frente do corpo. 

 

—PAI! 

 

O som de estática estourou alto fazendo as luzes piscarem, fazendo Charlie e Vaggie levarem as mãos na lateral da cabeça para protegerem as orelhas, os cifres de cervo crescendo anormalmente junto com o corpo demoníaco fazendo o corte que Adão fez doer, ele ignorou o sentimento crescente de pânico que sua sombra transmitia e convocou tentáculos negros para irem em direção ao rei baixinho e crescessem ao redor dele ameaçadoramente.  

 

O que você disse? 

 

O anjo caído não se mexeu ou esboçou qualquer coisa além de um sorriso presunçoso e arquear de sobrancelha questionado com o olhar se aquilo era tudo que o demônio tinha, fazendo um grito e um rosnado frustrado soar no meio da estática já estourada do rádio que os rodeava.  

 

—Pai! Alastor! JÁ CHEGA! — Charlie havia se fastado do rei e tentado ficar entre ambos em uma tentativa de ser uma barreira física que impedia o avanço de qualquer lado 

 

—Pai? —Lúcifer soou quase ofendido—Eu não fiz nada além de dizer a verdade, não é minha culpa que o Bambi ai é sensível!  

 

ME CHAMA ASSIM DE NOVO E EU VOU... —A voz quase incompreensível ecoou por todo hotel saindo de cada aparelho de som disponível. 

 

—EU DISSE QUE JA CHEGA! —Charlie gritou enquanto os chifres cresciam e fogo tomava conta dos olhos dela. Alastor que já sentia a ferida mau cicatrizada doer e começar a sangrar voltou a sua forma normal abaixando o som da estica até se tornar quase um ruido de fundo. 

 

Lúcifer continuava com os braços cruzados parado no mesmo lugar, sem o sorriso agora apenas uma carranca frustrada. 

 

—Olha, — Charlie começou com uma voz apaziguadora. —Estamos todos cansados, foram dois dias muuuuito longos. Por que não tentamos nos acalmar? Vamos beber algo quente e conversar um pouco e tentar relaxar! 

 

 

 

“—Você obviamente precisa de algo quente agora. Você toma chá? 

 

—Café, puro sem açúcar. 

 

Vi lhe ofereceu um sorriso satisfeito quando se aproximava da mesa que Alastor estava sentado, uma garrafa em sua mão e duas xicaras na outra, ele ergueu uma sobrancelha quando ela se sentou e serviu uma xicara com o líquido negro e colocou em sua frente. 

 

—Achei que sua visão do futuro não pudesse ser usada para coisas fúteis como descobri que tipo de bebida eu vou querer. 

 

—Eu não precisei usar ela para isso, minha intuição é boa o suficiente para ver que você é o tipo de pessoa que toma café ‘amargo como a vida’ —Ela deu uma risada para última parte enquanto se servia, uma risada nostálgica e saudosa. Alastor observou o líquido negro em sua xicara o vapor quente que subia carregava um cheiro forte, mas não queimado o que era raro no inferno aparentemente a danação eterna tirava a capacidade de qualquer um de fazer um bom café.  

 

—Eu prefiro doce como uma promessa. — Eles estavam a tanto tempo em silencio que a voz dela o surpreendeu, ele a procurou com o olhar, mas ela já havia levantado da mesa e caminhava para o arco aberto da porta.” 

 

 

 

—Não, obrigado querida, mas eu acho que vou conhecer meus novos aposentos e descansar para o dia agitado de manhã. 

 

—Tem certeza Al? 

 

— Claro que tenho, recomendo que você também faça o mesmo e não fique acordada até tão tarde! Uma mente descansada é uma mente preparada. 

 

—Tudo bem, nos vemos amanhã então bom descanso Al! —A voz da princesa estava triste quase decepcionada ao se despedir. 

 

Sem demora o demônio se dissolveu nas sombras aparecendo, deslizando pelos inúmeros novos corredores vazios no último andar ele se materializou encostando na parede de vidro frio com a respiração ofegante. Droga aquilo não deveria estar doendo tanto... não é? Ele levou a mão ante o torço sentindo o molhado das roupas, ele estava sagrando novo. A sombra se ergueu no vidro ao lado de Alastor os braços etéreos cruzados o lançando um olhar chateado, o som da estica que rodeava também mudou sutilmente. 

 

—Não preciso lidar com você também! —Com um pensamento ele baniu a sombra de sua vista. 

 

Ele começou a andar em direção a porta do que ele supôs ser seu novo quarto, a dor do ferimento sendo a única coisa que o impedia de desmaiar, a voz de vi soaram na estática quase como um sussurro. 

 

“—Eu sou a Vidente, mas pode me chamar de Vi. É um prazer Alastor” 

 

“—A maioria das pessoas foge do passado, mas é louco para saber o futuro. Até descobri que o destino é tão cruel quando a memória”  

 

 

 

“—Você quer que eu veja seu futuro?” 

 

 

 

“—Morte.” 

 

 A porta atras de Alastor fechou em um baque baixo, ele deslizou por ela ante estar sentado no chão com as costas na madeira, seus olhos encontram na escuridão um ponto de luz prateado familiar. 

 

“—Vamos fazer um acordo Alastor? Um favor e eu salvo sua vida”