Chapter Text
Kisa tomou mais um gole da tequila em seu copo, sentindo o sabor amargo descer pela garganta. Ao levantar os olhos encontrou outro olhar que o observava de longe. Um sorriso surgiu em seu rosto pela atenção que recebia. Era um rosto bonito com certeza. Ele tinha um maxilar forte e olhos castanhos atraentes. Fazia bem o seu tipo. Suas bochechas queimaram com o rubor tanto pelo álcool quanto pela troca de olhares.
Shouta manteve o olhar enquanto o homem desconhecido caminhava em sua direção, sentindo o frio na barriga crescer. O estranho se sentou ao seu lado no balcão e se virou para Kisa:
_ Posso te pagar uma bebida? _ a voz saiu baixa perto do seu ouvido, enviando um arrepio pelo seu corpo.
_ Por que não? _ Kisa respondeu lançando mais um olhar pelo corpo do outro homem.
Kisa sentiu seu corpo bater na parede, enquanto os dois exploravam a boca um do outro. Suas mãos agarraram o cabelo do outro, completamente entregue àquelas sensações. Finalmente os dois se separaram um pouco quando o outro começou a beijar o pescoço de Shouta, ainda segurando com firmeza a cintura dele. Entre os suspiros, Kisa relembra de olhos fechados:
_ Sem compromisso.
O outro apenas murmurou em resposta, antes de voltar a juntar seus lábios com entusiasmo. Shouta imediatamente toma a iniciativa e o empurra até a cama, sem quebrar o beijo.
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A tela do computador continuou brilhando na frente de Shouta sem qualquer progresso na proposta. O cursor piscando parecia estar zombando dele. O homem deixou a cabeça cair na mesa, suspirando.
Ele precisava terminar aquela tarefa até o final do dia. Engolindo em seco, Kisa se forçou a voltar a digitar. Conforme as linhas cresciam no documento, os olhos de Kisa caíam de cansaço. Ao ter acabado finalmente, Shouta jogou a cabeça para trás e esticou os braços para o alto. Ele olhou ao redor, observando seus colegas de trabalho ainda ocupados com suas funções. Pelo menos eles ainda não estavam naquela época em que os prazos se apertavam e as horas extras aumentavam.
De repente, um de seus colegas largou uma pilha na mesa com um estrondo, fazendo Kisa pular no assento. Ele se virou para o lado, observando Onodera, o mais novo integrante da equipe, encarar uma enorme quantidade de storyboards antigos.
_ O que é isso, Ritchan?
_ Todos os storyboards da revista nos últimos 5 anos. O editor-chefe me mandou verificar cada alteração e explicar por que foi feita.
_ Isso é impossível. _ comentou Takano ao passar atrás deles.
_ Você que me mandou fazer isso! _ Onodera rosnou.
Kisa observou a discussão mas sem realmente prestar atenção. Seu olhar estava focado no seu companheiro de trabalho mais novo. Devia ser tão bom ter toda aquela animação e determinação. A vontade de que seu trabalho alcance um nível mais elevado. Shouta já tinha sido assim quando começou, mas com o tempo esse sentimento acabou morrendo.
Afinal ele percebeu que era só um cara normal. Seu trabalho é bom, mas assim como o de muitos da sua equipe. Ele com certeza não entra no grupo das pessoas especiais.
Diferentemente de Takano, pensou olhando de canto para o seu chefe.
Takano que em um ano como editor-chefe transformou uma revista morta em top de vendas. Devia ser bom ser alguém assim.
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Quando Kisa finalmente conseguiu sair do trabalho, as ruas estavam praticamente vazias. O departamento deles foi um dos últimos a ir embora e mesmo assim, na hora que Shouta estava saindo, Onodera ainda estava sentado em sua mesa trabalhando nos storyboards. O homem apertou os lábios, mas rapidamente sacudiu a cabeça tentando se distrair daquele pensamento. Era melhor ele se apressar para ir para casa.
Enquanto caminhava, uma notificação do seu celular chamou sua atenção. Shouta franziu o rosto já imaginando quem era. Mas antes que enviasse uma mensagem irritada mandando o outro esquecê-lo, seu corpo paralisou vendo qual conversa era.
“Quando você vai vir visitar?”
Shouta engoliu em seco observando mais uma mensagem chegar.
“Você não pode continuar me ignorando, Shouta.”
Seus dedos tremeram inquietos tentando segurar o celular. Ele respirou fundo de olhos fechados para se acalmar, antes de guardar o celular no bolso sem responder e voltar a andar para casa.
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_ Tenho certeza que vocês vão adorar. _ o rapaz deu mais um sorriso galanteador para as duas garotas ao entregar as sacolas com suas compras.
_ Obrigada, Yukina-san! _ as duas responderam em uníssono, antes de saírem dando risadinhas animadas.
_ Sério, Yukina. Você sempre fica flertando com as clientes!
_ Hikigaya, essa é a estratégia de vendas dele. E está funcionando bem. _ o gerente da livraria disse apaziguador.
_ Pelo menos ele podia mudar as recomendações. Ele só fica vendendo esses mangás shoujos de romance.
Yukina Kou apenas encarou o colega de trabalho, sem ligar muito para a reclamação:
_ Eu recomendo os mangás que eu gosto. _ Kou ergueu uma sobrancelha para o outro _ Além disso, eu sou responsável por esse setor, esqueceu? Se você quer vender mais shounens, você deveria se esforçar mais.
Os olhos de Hikigaya se estreitaram, mas antes que ele pudesse retrucar o gerente o interrompeu:
_ Parem vocês dois e voltem para o trabalho. Temos novos clientes.
Yukina acenou em concordância, antes de voltar para o seu setor com um sorriso encantador.
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Kisa respirou fundo para se acalmar enquanto se dirigia para o setor de vendas da Marukawa. Ele nem conseguia imaginar por que Yokozawa o chamou. Ele estava verificando suas vendas do último volume regularmente e elas estavam boas. Claro que não chegavam nem perto de nenhum dos mangás editados por Takano, mas isso não era nenhuma surpresa.
_ Kisa. _ de frente para Yokozawa, Shouta reprimiu uma careta. O homem era muito bom em seu trabalho, mas como sua carranca era assustadora.
Yokozawa o encarava com as sobrancelhas franzidas de sempre mas pelo menos ele estava sentado à sua mesa. Kisa com certeza não suportaria se o homem se erguesse sobre ele, exibindo a diferença de altura.
_ Você deu uma olhada nas vendas?
O peito do editor apertou e ele engoliu em seco. Sua intuição estava certa, mas Shouta não entendia o que poderia estar errado.
_ Sim… _ ele respondeu hesitante.
Yokozawa virou o notebook para ele e acenou para que se aproximasse. Percorrer aquela curta distância era uma tarefa impossível já que seus pés pareciam de chumbo, mas ainda assim ele se forçou a andar. Seu olhar percorreu as estatísticas de cada livraria. Shouta não entendia. Tudo parecia normal, até…
Ele arregalou os olhos para aquela loja em específico, os valores eram cerca de 3 vezes mais do que o resto.
_ Essa livraria está vendendo muito bem o novo volume e acabaram de pedir para repor o estoque. _ Yokozawa disse chamando a atenção de Shouta. E se o mais baixo pudesse dizer, havia quase um brilho de satisfação na expressão do outro _ Por isso, você deveria passar comigo para cumprimentar os funcionários depois.
_ O quê? _ ele exclamou desconcertado pela reviravolta dos eventos.
E foi assim que depois do expediente, Shouta se viu acompanhando Yokozawa, entre todas as pessoas possíveis, até a frente de uma livraria bem iluminada chamada Marimo Books. Ao entrar, Kisa observou o interior da loja buscando entender o que fazia aquela ser diferente das outras. Sim, ela era grande e pelo visto recebia bastante clientes, mas várias outras também.
Distraído, Kisa perdeu Yokozawa parando e por pouco não trombou com ele. Aparentemente, ele estava conversando com um funcionário. Shouta se voltou para frente e seu coração perdeu uma batida.
O homem era perfeito como se tivesse saído das páginas de um mangá shoujo. Cabelo castanho brilhante, olhos castanhos encantadores, um sorriso bonito.
O rosto de Kisa enrubesceu ao se ver perdido observando o outro e quase que ele não ouviu a conversa:
_ Este é Kisa Shouta, o editor de “Girl’s Master” de Morimoto Kana.
Percebendo que estava sendo apresentado, Kisa se atrapalhou para buscar seu cartão. O funcionário pegou o cartão o encarando a ponto de deixar Kisa inquieto.
_ Meu nome é Yukina Kou, muito prazer.
Pegando o cartão de apresentação ofertado, Shouta acenou com a cabeça em concordância:
_ Muito prazer.
Yukina se voltou novamente para responsável pelo setor de vendas.
_ Se você está procurando o gerente, Yokozawa-san, ele precisou sair para resolver um problema e deve voltar logo.
_ Ok, vou esperar então. _ ele acenou com a cabeça e puxou o celular, digitando uma mensagem.
Um sino soou sinalizando a chegada de clientes e Yukina se despediu para ir atendê-los.
Shouta observou o outro se aproximar de algumas garotas que olhavam para a área de mangás com uma expressão bem galante. Mesmo daquela distância Shouta pôde ver como as adolescentes coraram e suspiraram com a visão daquele “príncipe encantado”. Ah. Uma nota de decepção surgiu em seu peito. Independente de qualquer coisa parecia que suas personalidades eram muito conflitantes. Kisa odiava aqueles caras perfeitinhos.
Imediatamente Shouta sacudiu a cabeça para acordar. O que ele estava pensando? Personalidades conflitantes? Os dois tinham acabado de se conhecer.
_ Kisa. _ Yokozawa chamou sua atenção _ Vá para casa. Você pode encontrar o gerente outra noite.
_ E você?
_ Vou esperar mais um pouco. Preciso passar a informação hoje.
Kisa acenou em concordância e se virou para sair. Antes que pudesse abrir a porta, a voz do vendedor soou em seus ouvidos:
_ Essas são as recomendações da semana, mas eu indico principalmente esses dois que saíram essa semana. Esse aqui tem uma história muito boa.
Olhando por cima do ombro, Kisa viu o atendente segurar “Girl’s Master” e entregar para uma das jovens. Shouta perdeu o passo, tropeçando e atraindo a atenção do outro. Envergonhado, ele rapidamente saiu da loja. Kisa sacudiu a cabeça para se recompor. Era melhor ele ir logo para casa.
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Kisa nem sabia o que estava fazendo lá. Ele devia voltar para casa para descansar depois do dia longo, mas lá estava ele na frente da livraria de novo e por quê?
Porque o vendedor era muito atraente? Porque era seu tipo?
Shouta só podia estar louco ou muito solitário. Ele suspirou e se virou para sair, quando alguém o chamou:
_ Kisa-san?
Ele engoliu em seco, se virando para ver Yukina parado na porta da livraria com um olhar surpreso. O rapaz se aproximou dele com aquele sorriso perfeito:
_ Que coincidência te encontrar aqui. Eu queria conversar com você, mas ontem não deu tempo.
_ O quê? _ Shouta deu um passo para trás sem entender.
_ Você tem um tempinho agora? _ Yukina perguntou, confundindo Kisa ainda mais.
De novo, o que Kisa estava fazendo concordando em sair com Yukina, ele pensou ao se sentar em uma mesa pequena próxima a janela. A cafeteria era um lugar bonito e aconchegante, mas ainda assim.
Uma garçonete veio recolher os pedidos imediatamente. Kisa observou o sorriso deslumbrante do outro para a mulher com certo amargor, antes de pedir um café preto puro.
_ O que foi? _ ele perguntou ao notar a expressão surpresa do mais alto.
_ Nada. Eu só fiquei um pouco chocado.
Kisa riu:
_ Quando você tem que lidar com prazos terríveis, essa é a única coisa que te mantém acordado. Acabei acostumando a só tomar assim. Nem lembro quando tomei um capuccino pela última vez. _ falou pensando no pedido de Yukina.
_ Não deve ser fácil trabalhar como editor.
_ Não mesmo.
_ Era sobre isso mesmo que eu queria falar com você. _ Yukina se inclinou sobre a mesa para encarar o editor _ Kisa-san, você também editou Kihara Natsu e Mizushima Yoko?
_ Sim. Como você sabe?
_ Eu sabia! _ o outro exclamou animado _ Esses mangás tem a mesma atmosfera.
_ Atmosfera?
_ Eu não sei como explicar. Foi a impressão que eu tive lendo.
_ Então você lê shoujos?
_ Eu sempre gostei desse amor brilhante dos shoujos. Como o Girl’s Master. Eu o acompanho desde o lançamento na revista.
Shouta arregalou os olhos, surpreso, se lembrando do outro recomendando o mangá para aquelas garotas na loja.
_ Eu fico feliz, mas isso é graças à autora e não a mim.
_ Não é verdade. Um editor é muito importante para uma obra. Você ajuda a fazer a composição das cenas para passar as emoções para o leitor. Eu acho isso incrível.
Olhando para a sinceridade no rosto de Yukina, Shouta deu um leve sorriso:
_ Obrigado.
_ Na verdade, eu acho impressionante que alguém tão jovem já editou tantos mangás. Eu ainda estou na faculdade.
_ Jovem? _ Kisa piscou surpreso.
_ Eu acho que nós temos idades próximas. Eu tenho 21. E você, Kisa-san?
Kisa apertou os lábios, sentindo o coração cair. O outro era mais jovem do que ele pensava. Ele se forçou a responder em voz baixa:
_ Tenho 30.
_ O que?
_ Tenho 30 anos. _ ele repetiu de forma contundente.
Yukina arregalou os olhos para Kisa, claramente chocado com a revelação. Shouta observou, exasperado, o rapaz assimilar a informação.
_ É impressionante parecer tão novo, Kisa-san.
_ Você acha? _ Shouta respondeu com voz repleta de sarcasmo.
_ Claro!
A resposta genuína arrancou um bufo divertido do editor, que ergueu as sobrancelhas pela fala.
De repente, Yukina se debruçou sobre a mesa, encarando Kisa com expectativa:
_ Kisa-san, posso pedir seu número?
_ Meu número?
_ Sim. Eu estou pensando em algumas ideias para promover Girl’s Master e gostaria de ouvir sua opinião.
Shouta piscou sendo surpreendido novamente pelo outro.
_ Tudo bem. _ Kisa acenou, recebendo um sorriso brilhante em troca.
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Kisa se distraiu do arquivo que verificava quando uma notificação soou do seu celular.
Era uma mensagem de Yukina, percebeu com um suspiro surpreso.
“Estou trabalhando em uma ideia para divulgar o mangá.”
Quando o rapaz disse aquilo no dia anterior, Kisa achou que era só conversa. Por que ele estava indo tão longe para vender o mangá? Ele tinha gostado tanto assim?
“Quando eu terminar você viria aqui para ver?”
Shouta mordeu o lábio, contendo um sorriso. Por que não? O outro estava ajudando nas suas vendas sem pedir nada em troca. Isso era o mínimo que Shouta poderia fazer.
“Claro!”
Deixando o celular de lado, o homem voltou a trabalhar, mas logo sentiu o cansaço afetar sua vista. Piscando para aliviar os olhos ardendo, resolveu fazer uma pausa e tomar um café.
Ele estava chegando na sala de descanso do seu andar, quando uma voz irritada e alta o parou antes de abrir a porta.
_ Você é impossível! _ a voz alta de Onodera arrancou um suspiro surpreso de Kisa. Com quem ele poderia estar discutindo?
_ E você é um covarde! _ a voz retumbante do chefe da Emerald só confundiu mais o editor preocupado.
Houve uma pausa em que a apreensão de Kisa cresceu assim como o silêncio sufocante.
_ Quem é você para me chamar de covarde? _ raiva e mágoa tomaram a fala do mais novo _ Você não sabe de nada!
Antes que Shouta tivesse a chance de se afastar, Onodera saiu da sala e o encarou com uma expressão chocada. Ele imediatamente desviou o olhar e se afastou para evitá-lo, mas o mais velho ainda conseguiu ver as lágrimas se formando em seus olhos.
Antes que Takano o encontrasse também, Kisa se virou para voltar para sua mesa esquecendo completamente do café e se sentindo extremamente desconfortável com o que tinha visto.
Mesmo quando os outros dois voltaram para a sala, Shouta se manteve olhando para o seu trabalho para evitá-los. Sério, no que ele tinha se metido?
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Já fazia horas que Kou trabalhava sem parar. Era comum que, enquanto estava inspirado, a pintura fosse a única coisa que ele pensava. A tela na sua frente recebia toda a sua atenção, mesmo quando sua melhor amiga estava sentada em sua cama o observando.
_ Você não tem que entregar um trabalho importante daqui a 3 dias? Por que você tá focado nessa pintura? _ Kojima Rio não pode deixar de perguntar, sentindo sua curiosidade crescer.
_ Você sabe bem que eu só faço meus trabalhos quando o prazo tá acabando. E eu não posso fazer nada se tive um surto de inspiração.
_ Mas por que esse shoujo específico? Você nunca fez isso antes.
Yukina parou o pincel perto do quadro, hesitando por um momento. A memória de Kisa olhando para o nada com um sorriso triste voltou à sua mente.
_ Eu só não tinha motivação antes.
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Dizer que o clima estava pesado no grupo Emerald era eufemismo. Claro, sempre que chegava o final do ciclo o local parecia uma bagunça e todos ficavam iguais a zumbis. Mas aquilo era completamente diferente. A tensão presente oprimia os não envolvidos e só gerava nervosismo.
Fazia uma semana desde a briga entre Onodera e Takano e a situação não tinha melhorado. Cada vez que eram obrigados a falar um com o outro, trocavam farpas e palavras espinhosas.
Nenhum dos outros funcionários sabia o que fazer. Sendo assim, eles se mantiveram em silêncio apenas torcendo para acabar logo.
Para Kisa a situação era ainda pior porque ele tinha sido um telespectador da fatídica briga. Ele era forçado a ver Onodera e Takano se ignorando toda vez que se esbarravam.
Por isso, assim que pode, ele foi se esconder na sala de descanso (dessa vez sem brigas) para tomar um café bem forte.
O som da notificação do seu celular criou uma carranca em seu rosto que logo se desfez ao perceber que o remetente era Yukina.
“Kisa-san, a exibição está pronta. Você pode vir hoje?”
Um sorriso surgiu em seu rosto ao responder afirmativamente ao convite do outro.
O ranger da dobradiça da porta atraiu sua atenção para Onodera entrando na sala. Os dois se encararam surpresos, antes de desviarem o olhar em desconforto. O editor mais jovem se direcionou para a bancada com passos tensos. O som do café sendo servido era a única coisa que quebrava o silêncio incômodo.
Kisa suspirou sentindo sua ansiedade crescer. Ele tentou silenciar o impulso que sentia, afinal aquele não era o lugar dele, mas não era fácil. Desistindo, Shouta largou a caneca e se virou para o outro:
_ Ritchan? Posso falar com você?
Ao som da voz de Kisa, Onodera travou por um momento antes de acenar com a cabeça. Ele parecia exausto e se Shouta fosse apostar, diria que não é só do trabalho.
Kisa engoliu em seco, buscando a coragem para continuar:
_ Eu sei que não é da minha conta, só que eu acabei ouvindo um pouco da sua briga com o Takano naquele dia.
Onodera franziu a testa com a lembrança, desviando o olhar.
_ Eu não sei o que aconteceu entre vocês ou o motivo da briga, mas eu posso ver que ele te magoou.
_ Você vai dizer que eu deveria perdoar ele? _ o outro retrucou com raiva.
_ Não! Olha, eu… _ Shouta esfregou o rosto frustrado. Era tão difícil encontrar as palavras certas _ Eu não vou defender o Takano. Mas pelo que eu conheço dele sei que ele diz coisas muito rudes e muitas vezes é muito duro, mas ele também está sempre tentando fazer o certo. Mesmo que a gente não entenda.
Ritsu o encarou em silêncio, o que Kisa esperava ser um sinal positivo.
_ Independente disso, ele ainda falou coisas que te machucaram e isso não está certo. Mas eu acho que vocês deveriam tentar conversar pelo menos, só assim vocês podem se entender.
_ Eu vou pensar nas coisas que você falou, Kisa-san. _ Onodera disse com um sorriso hesitante e triste que partiu o coração de Shouta.
O mais velho acenou com a cabeça antes de sair da sala para dar espaço para o outro. Ele só esperava que não tivesse piorado as coisas mais ainda.
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Shouta entrou na livraria olhando para os lados e procurando pelo estande, mas antes que visse alguma coisa, a figura de Yukina entrou na sua frente. O mais jovem sorriu animado:
_ Kisa-san! Que bom que você veio.
_ Você me convidou, não tinha como não vir.
_ Fecha os olhos, Kisa-san. _ o jovem disse com um sorriso divertido.
_ Você tá falando sério? _ retrucou sem acreditar.
_ Sim. E não tente expiar.
Kisa bufou, mas obedeceu. Yukina segurou sua mão e o guiou através da loja até o setor dos shoujos, finalmente parando.
_ Pode olhar agora.
Assim que abriu os olhos, Shouta respirou fundo surpreso.
Era um quadro grande com os personagens principais da obra. A identidade visual criada pela autora estava lá, mas o traço na pintura era diferente. Era suave em suas pinceladas e cores emitindo uma fluidez na tela. Mas ia além disso, a pintura transmitia os sentimentos ao ler o mangá.
Kisa olhou extasiado para a obra, sentindo seu coração descompassar de emoção. Shouta virou o rosto para Yukina que o observava ansioso:
_ Então o que você achou?
_ É maravilhoso! Você é realmente incrível, Yukina.
Um sorriso se abriu no rosto dele, não um dos galanteadores mas um genuíno.
Ao lado deles, duas estudantes se aproximaram observando a tela, encantadas.
_ Que mangá é esse? Eu não conheço.
Voltando ao seu modo vendedor, Yukina se aproximou das jovens para apresentar o volume sob o olhar divertido de Kisa. A tela atraia a atenção de outros clientes que queriam saber que obra era aquela, mas também os que admiravam a pintura de Yukina.
Observar Yukina se esforçar tanto por isso, encheu seu peito de um calor confortável e abriu um sorriso alegre em seu rosto. Ele não se importava se aquilo realmente venderia mais volumes, já era mais do que ele poderia ter imaginado.
