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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2025-01-11
Updated:
2025-01-11
Words:
1,401
Chapters:
1/?
Kudos:
1
Hits:
113

Dragões Devem Voar Juntos, Especialmente Filhotes Machucados

Summary:

O fogo em suas veias não mais aquecia
Queimava
O arrependimento queimava
Tudo começou quando Viserys afastou Rhaenyra de Porto Real
Não começou quando Rhaenyra e Aegon não se casaram?
Ou foi quando Viserys se casou com a melhor amiga da filha?
Que seja, oque importa é que Rhaenyra e Aegon destruíram a se mesmos e a família
Destruíram o reino, o seu coração e a mente de Aegon "III"
"Não há guerra tão odiosa aos deuses como uma guerra entre parentes"
Como se eles se importassem
Os dragões morreram
O orgulho dos Targaryen nunca mais voara nos céus
Oque está morto não pode voltar a vida
Nunca mais voar em sua estrelinha doía
Mas conseguia ser mais doloroso era ver seus parentes tão destroçados
Não só suas mentes, mas também seus corpos
Os corpos dos seus parentes mortos durante a Dança...
Não foram nem serão cremados, não foram nem serão enterrados, sequer foram ou serão enviados rio abaixo, terão o mínimo.
Alguns de seus corpos jamais serão encontrados, apodrecerão em algum canto imundo, apodrecerão e nunca saberemos onde eles estão, definharão como qualquer um.

Ou, em que Daenys precisa impedir que sua família se mate.

Chapter 1: Capítulo 1

Chapter Text

109, ՏᎬХͲϴ ᎪΝϴ Ꭰϴ ᎡᎬᏆΝᎪᎠϴ Ꭰϴ ᎡᎬᏆ ᏙᏆՏᎬᎡᎽՏ Ꮖ ͲᎪᎡᏀᎪᎡᎽᎬΝ

   O vento batia em seu rosto, sentia o coração pulsar em seu peito.

   Não sentia essa liberdade há anos, essa paz só vinha quando montava em Saegelle, enquanto voavam.

   A névoa da manhã já não estava lá, como quando alçou voo, o sol brilhava como ouro.

   Só ela estava ali com sua menina, cortando as nuvens, sua pele era beliscada pelo frio do céu azul-bebê.

   Seu estômago poderia revirar quantas vezes fosse, mas nada se comparava com a sensação quente da cela da sua Estrela Vermelha.

   — Embrot! Geptot!

   Baixo! Esquerda!

   Fizeram um mergulho leve, deslizando sobre a água.

   Voaram baixo, a asa esquerda de sua Estrelinha tocou na água, as gotas respingaram em seu rosto, o cheiro salgado de mar encheu seus pulmões, lhe enchendo de felicidade.

   — Vēzot!

   Subir!

   Em uma curva brusca, elas voltaram para cima, achou melhor fechar os olhos, o vento ficou seco.

   Não via nada, mas sabia que estavam subindo rápido.

  Tudo oque sentia era a palpitação nos próprios ouvidos, o coque que havia feito antes de subir já solto a muito tempo, os fios brancos batiam em seu rosto e pescoço como mini chicotes, mas já havia aprendido a ignorar a pseudo dor há anos.

   — Kelīs...

   Pare...

   Sua dragoa parou de bater as asas, começaram a cair em queda livre.

   Seu coração bateu como nunca, estava desesperadamente empolgada, essa manobra sempre foi um desejo, mas também tinha medo.

   — Gimī...

   Você sabe...

   Quando estavam alguns metros acima da água, sua Estrelinha se estabilizou e seguiu voo.

   Ainda sentindo a emoção, ela gritou, acompanhada de Saegelle.

   Toda baia poderia ouvir as duas, mas aquele fato havia lhe escapado da mente.

   — Va lentāzmot, ñuhys Qēlos!

   Para casa, minha Estrela!

   Viu o vermelho-pálido da Fortaleza Vermelha, o contorno imponente erguendo-se sobre a Colina de Aegon.

   Uma única lágrima escorreu por sua bochechas, as imagens do pequeno Jaehaerys decapitado, sua doce sobrinha Helaena e a jovem Jaehaera cheias de buracos e Aegon com sangue nos lábios azuis apareceram como uma assombração em sua mente.

   Ouviu sua Estrelinha ronronar, as vibrações leves percorrendo seu corpo até seu coração, o aquecendo.

   — Ñuha sȳz riña...

   Minha boa garota...

☆✯۞✯☆

   Andou pelos corredores sinuosos, seus passos ecoando pelo labirinto que era a Fortaleza Vermelha, os murmúrios eram interrompidos pelas reverencias das empregadas, que a seguiam por toda parte.

   Tentou distrair a mente com imagens de voo com sua Estrela Vermelha, mas o pensamento de que faltavam apenas alguns dias para o parto de Aemma e o Torneio do Herdeiro quase a fazia ficar sem ar.

   Todo o mal-estar que seria das manobras parecia surgir com aquela informação, tentaria avisar as parteiras, mas também tinha que estar com sua sobrinha naquele momento, não deixaria que ela ouvisse de outros oque aconteceu com a mãe.

   Rhaenyra merecia algo melhor do que meias palavras e ausências de lords que se importavam apenas o próprio beneficio.

   Entrou em seu quarto, vendo duas de suas damas sondando o trabalho das criadas com sua caixa de joias e seu guarda-roupa, se virando e dizendo o "minha senhora" enquanto abaixavam a cabeça.

   — Já estão liberadas.

   Dispensou as 4 camareiras.

   Imediatamente abrindo um sorriso para suas damas de companhia, Auréria e Evelyn.

   — Minhas queridas.

   — Minha Senhora, eu vi parte do seu voo matinal, fabuloso! Sua habilidade é inigualável!

   A loira deu um pulinho.

   — Obrigada, Evy, você é sempre muito espirituosa, mas não posso levar o crédito, minha Estrelinha que fez todo o trabalho.

   — Claro, sinto muito, minha Senhora.

   Abaixou um pouco a cabeça

   — Como está meu pequeno guerreiro e minhas duas princesas?

   — O pequeno Aerion está dormindo com as senhoritas Naella e Maella depois de brincar com as criadas, verifiquei eles a poucos momentos.

   Auré começou a desabotoar os botões de sua roupa de voo com um sorriso satisfeito.

   — Suas "companhias de brincadeira" estão bem?

   — É... pois bem...

   Sentiu o coração errar uma batida quando viu a apreensão no rosto da loira.

   — Eu não sei se isso vai ser do seu agrado, senhora...

   Desviou os olhos azuis para o vestido preto sem alças que Evelyn havia escolhido, tinha a ombreira bordada com hálito de dragão, a flor naturalmente vermelha tecida com linha roxa.

   — O jovem senhor e suas irmãs estão dormindo com o jovem Baerys, enquanto as Safiras Escamadas estão rondando os quatro.

   Suspirou aliviada.

   — Está tudo bem, Auré, acredito que elas estão apenas sendo protetoras, lembro que a Saegelle era igualzinha quando tínhamos acabado de nos unir.

   Seu olhar vagou pela janela, indo direto para a Torre da Mão.

   Aqueles olhos castanhos metódicos lhe davam náuseas, concordava que ele era uma boa Mão do Rei, mas não era alguém ético, usou a filha como um peão no jogo dos tronos, tentou usar o próprio neto, seu sobrinho, para tomar o trono e usa-lo como um fantoche.

   — Parece tensa, minha senhora, algo lhe aflige?

   Evy a tirou dos seus pensamentos.

   — Só estava pensando na minha cunhada, ela dará a luz em breve.

   Suspirou.

   — Isso me lembra... Auré, querida, conseguiu encontrar o que lhe pedi a algumas semanas? Mas mais importante, a encomenda já chegou?

   Seus olhos brilharam, não soube se de preocupação ou de animo.

   — Sim, minha senhora, foi difícil encontrar um joalheiro habilidoso o suficiente para o seu pedido, algo sobre as técnicas e os equipamentos necessários para a lapidação no formato que a senhora pediu, mas consegui entrar em contado com um joalheiro qohorik renomado por meio de seu ilustríssimo marido.

   A loira se aproximou da cômoda de Shizem, pegando uma caixa de joias, não maior que uma caixinha de música, o falcão e a lua Arryn estavam exibidos em prata na tampa azul.

   Ela abriu a caixa, era forrada com tecido azul bebê e bordado com flores vermelhas, mas oque chamava a atenção era o colar.

   — O relicário é feito de ouro branco, a pedra central é uma pedra da lua azul, achei que a senhora iria gostar do ciclo lunar ao redor da joia central.

   — O relicário é feito de ouro branco, a pedra central é uma pedra da lua azul, achei que a senhora iria gostar do ciclo lunar ao redor da pesa central

   Não conseguiu resistir, teve que pegar com suas mãos, apenas para garantir que aquela joia não fosse um fruto de sua imaginação.

   Sentiu o relicário gélido ao toque, um arrepio subiu a espinha, ainda mais ao tocar a joia azul.

   — A verdadeira pesa principal aparece se aperta esse botão, minha senhora.

   Apertou o botão, a portinha se abriu, sentiu seu coração se aquecer quando olhou para o interior.

   O majestoso falcão, inconfundivelmente de safira, planava brilhantemente em direção a lua crescente, que parecia ser um pedaço da verdadeira.

   — São... uau...

   Quase não saiu, sentiu vontade de chorar, aquelas joias eram realmente dignas de Aemma, a lua combinava com seu cabelo e o falcão certamente realçaria seus olhos.

   O falcão era forte e a lua radiante, assim como Aemma.

   — É absolutamente... deslumbrante, perfeito...

   Sentiu um sorriso aparecer em seu rosto, uma alegria inexplicável irradiou enquanto imaginava a reação de sua cunhada.

   — Minha senhora, tenho certeza de que a rainha irá amar.

   A loira de olhos azuis disse, com os olhos brilhantes.

   Decidiu naquele momento-

   Não.

   Decidiu, mesmo sem saber, no momento em que acolheu Aemma sob sua asa, no momento em que seu olhar parou sobre aquele pequeno pedaço da Velha Valíria de apenas 9 ou 10 anos, que cuidaria dela, protegeria ela, garantiria seu conforto e felicidade até o dia em que ela poderá se perder em meio a dor e sangue.

   Aquele sorriso que compartilharam pode não ter sido nada para a Arryn, mas ascendeu uma centelha protetora dentro da Targaryen mais nova da época, algo instintivo, como o instinto de uivar dos lobos e de rugir dos leões.

   Dragões deveriam cuidar uns dos outros, um deveria proteger a retaguarda do outro, claro, eles não eram as criaturas mais amigáveis que já pisaram na terra, mas isso era para proteger o bando, não para se destruir.

   Foi como uma promessa que foi firmada com a inocência e pureza de uma menina que não sabia como o mundo funcionava.

   Faria todo o possível para ajudar aquele falcão com escamas de dragão e seu pequeno legado, avisaria às parteiras que Baelon, seu sobrinho, estava ou poderia estar virado antes do parto, se não conseguisse, estava "tudo bem", lamentaria, choraria, gritaria, expressaria toda a sua dor e seu sofrimento pela dor de uma de suas mais queridas amigas, mas iria cuidar e amar o ultimo resquício de Aemma que havia nesse mundo, o legado que ela deixou.