Actions

Work Header

under your waters

Summary:

"O dedo de Minho se pôs em cima do botão no canto superior direito da câmera, pressionando levemente como uma pena, esperando o momento que Christopher terminasse seu caminho antes de finalmente se levantar da água e então ele estava clicando.

Os olhos castanhos de Christopher fitavam a água cristalina da piscina, brilhando de paixão. Ele exalava a energia de alguém dedicado, profissional e profundamente orgulhoso do que faz.

É uma foto e tanto."

-

Um dia, Minho está fotografando um treinamento de natação para ajudar seu amigo a atualizar a coluna esportiva do jornal acadêmico deles. No outro, ele é o fotógrafo principal da nova sensação do momento da Yellow Wood University em formato de nadador, Bang Chan, e percebe que está se apaixonando por ele. Minho não tem ideia do que diabos está acontecendo.

Notes:

oi!
antes de tudo, feliz aniversário Minho!
segundo, muito obrigada por dar uma chance pra minha primeira long fic e sem pseudônimos (criei coragem pela primeira vez rs), tô morrendo de medo e vergonha mas tô com grandes expectativas no meu potencial como escritora então espero mesmo que gostem!
vou tentar atualizar às sextas e tentar não enrolar muito, mas não prometo nada porque sou péssima com rotinas e calendários
versão em inglês sai logo logo. boa leitura!

Chapter Text

O ginásio inteiro cheirava igual cloro como se fosse um vírus contagioso. Outro espirro escapou do nariz irritado de Minho enquanto ele fungava um pouco forte demais contra o cheiro intenso do produto recém aplicado.

 

Quando finalmente se recuperou da sessão de espirros, Minho ajustou o brilho do ambiente na tela minúscula e deu zoom na câmera assim que os nadadores começaram a praticar suas sequências de mergulhos por sabe lá quantos metros. Ele esperou o nadador do lado oposto terminar e então – clique! –, abriu a galeria para examinar a fotografia minociosamente. Perfeito, exatamente como as catorze outras fotos que ele tirou com sua câmera cerca de 20 minutos atrás.

 

Honestamente, Minho está se odiando por saber que ele próprio se colocou nessa situação.

 

Esse não era seu local de trabalho fixo. Minho jamais teria pisado de bom agrado em uma piscina universitária com seus pézinhos de princesa e o clube de fotografia tem, pelo menos, 10 pessoas além dele que talvez sejam tão habilidosas quanto ele nessa área. Ele nem era da seção de esportes do jornal, pelo amor de Deus.

 

No entanto, ele é um universitário pobre e falido, então dinheiro fácil sempre é bom, especialmente quando vem em um hobby que você já conhece e domina. Por isso que Minho sempre cai como um perdedor quando o dinheiro entra em jogo.

 

Bem, você deve estar se perguntando: Minho deve ser um idiota por estar lá apesar de odiar qualquer esporte. Por que mais ele estaria ali agora?

 

“Minho! Minho! Espera, Minho!”

 

Ele tentou ignorar, jura que tentou. Continuou seguindo pelo corredor, aumentando discretamente o volume da música nos fones de ouvidos para fingir que não estava ignorando de propósito, mesmo sendo óbvio que estava. Talvez se ele conseguisse chegar à sala de som da rádio da universidade a tempo, Minho poderia ter um pouco de paz por algumas horas. Mas, infelizmente, Changbin não parecia compartilhar a mesma ideia de paz com Minho.

 

– Minho?! Por favor, me ajude – a mão no ombro direito de Minho, infelizmente, o fez parar.

 

Minho suspirou enquanto colocava o telefone de lado e se virou para seu colega de curso:

 

– Sim, Changbin? O que você precisa desta vez?

 

O outro deu um sorriso sem graça e então Minho soube que estava ferrado.

 

Seo Changbin é um estudante do segundo ano de jornalismo com altura abaixo da média e uma montanha de músculos. Além de sua paixão obsessiva um tanto assustadora pelos personagens da Sanrio — Minho não julga, já que é igualmente obcecado por gatos, especialmente se forem os seus — Changbin também é apaixonado por esportes. Ele ama todos os esportes, embora o futebol seja o seu favorito, e ele não esconde isso. O problema começa quando o departamento de jornalismo esportivo da YW está sofrendo cortes de bolsas de estudo, com muitos alunos abandonando os estudos, mas ainda com alta demanda pelos times esportivos que a YW apoia. Mas Changbin, o atual chefe do departamento, não desiste e valoriza tantos empregos quanto pode... e até mesmo aqueles que não pode.

 

Aqui começa o inferno da vida de Lee Minho. Bem, não exatamente.

 

Minho também é um estudante de jornalismo – a única exceção é que está no terceiro ano – e também participa do jornal online independente ‘Blueprint News’. É técnico de som na rádio, junto com Seungmin, que faz parte dos seus amigos próximos, assim como Yongbok e Hyunjin.

 

Tudo isso desencadeia em: ele não se importa com esportes ou um estilo de vida ativo a ponto de atualizar um jornal dedicado sobre. Não sabe nem andar de bicicleta ou chutar uma bola — o que rendeu muitas boladas no seu rosto na escola primária e atualmente gosta de não levar mais, muito obrigado —, então ele prefere cobrir outras coisas. Embora tente se manter saudável, ou aparentemente saudável até que meu corpo não reclame da falta de um estilo de vida ativo hoje em dia, ele simplesmente não se importa. Changbin não ajuda Minho a manter essa mentalidade sedentária. Ele tem pedido diversos favores para seu departamento ultimamente, especialmente com fotografia, desde que Mingi deixou seu cargo como um bom fotógrafo de campo para viajar em um programa de intercâmbio. E quem é um dos melhores fotógrafos do programa?

 

Exatamente, Lee Minho, o próprio.

 

No entanto, embora não dê a mínima para esportes, ele se importa com dinheiro. Muito. E Changbin tem bastante porque sua família é dona de uma empresa de transporte de gasolina ou algo assim, o que combina com a astúcia e bolso de Minho, é claro.

 

– Eu preciso mesmo, mesmo da sua ajuda.

 

– Ah, Deus. Não me diga que você perdeu seu vibrador de novo? Eu já te ajudei a procurar três vezes essa semana – Minho mente em voz absurdamente alta, somente para chamar atenção de terceiros, que começaram a lançar olhares repreensivos para ambos. Changbin automaticamente ficou vermelho, e Minho não se aguentou, permitindo sua risada que assustava metade da população de medo ecoasse por todo o corredor.

 

– O-o que? Não! Para de falar tais mentiras assim em público, seu maluco – ele gaguejou, completamente constrangido – O que eu preciso é somente algumas fotos tiradas por você. Só isso. Apenas!

 

– De novo? – Minho limpou a lágrima do olho direito que ficou marejado de tanto rir.

 

Tentando recuperar sua dignidade ainda que suas orelhas estivessem vermelhas, Changbin se recompôs e continuou:

 

– Bom… sim. Você já sabe de toda a história com as bolsas e também sabe que eu tô atolado, então não vou enrolar: vou precisar ir para um ginásio de vôlei mais afastado no dia que eu também precisaria ficar para fotografar a rotina de treinamento de natação para os campeonatos que começam daqui dois meses. E é aí que você, meu amigão do coração, entra – Changbin dá um soquinho no ombro do mais velho, o que faz Minho erguer uma sobrancelha. – Para me ajudar a fotografar o treino de natação para a coluna esportiva da Blueprint.

 

Minho cruzou os braços, insatisfeito com a proposta. Onde está a parte boa para ele?

 

– E onde isso vai ser benéfico para mim? Você sabe que o rádio também é importante e tem demanda.  Além de que estão precisando de qualquer um para escrever artigos para a Blueprint, então meu tempo é precioso, amigão — Changbin encara o colega por alguns segundos, tentando encontrar algum traço de piada no rosto de Minho, até bufar e dizer:

 

– Você é um mercenário de merda, sabia? Eu te pago dez quando receber as fotos. E só se eu gostar delas, já aviso.

 

– Dez? Tenho medo de água e não sei nadar, veja bem. E você sabe que vai adorar as fotos, assim como adorou as outras, pare de fingir! Ainda me lembro dos seus infinitos elogios quando consegui tirar a foto do gol “espetacular” – fez aspas no ar com os dedos, irônico – da turma de Arquitetura no interclasse do semestre passado. Acho que mereço mais…

 

Começou a examinar as cutículas bem cuidadas de suas unhas pintadas, tentando parecer desinteressado. Changbin bufa mais alto, já estressado.

 

– Tá bom, porra. Eu te pago vinte pratas, e aí?

 

– Fechado. Adorei fazer negócios com você, Binnie. Me mande um e-mail com os detalhes depois. – Minho sorri inocente e dá um tapinha no ombro do jovem como despedida, assim como ele fez antes.

 

Pôs o fone de ouvido de volta e foi para a sala de som, não antes de ouvir Changbin resmungar sobre contratar um novo fotógrafo o mais rápido possível. Apenas riu levemente para si.

 

Isso foi há uma semana. Agora, aqui está ele, quase um quilômetro de distância da piscina, com a aparência mais pálida que nunca teve antes. Quando chegou, suas pernas tremiam como um graveto bambo de tanto nervosismo por se aproximar daquela piscina enorme e funda. Felizmente, ele é tão bom no seu trabalho que, mesmo distante do local apropriado, as fotos permaneceram com a mesma qualidade de sempre do seu portfólio. Avaliou as quinze fotos que já havia tirado. Dois tinham um ângulo estranho devido a falta de atenção — o que levou a um breve e irritado murmúrio de um palavrão, uma senhora idosa que estava saindo da aula de hidroginástica da faculdade ouviu e encarou feio, mas Minho conseguiu se desculpar a tempo —, porém nada que uma pequena edição não pudesse consertar depois.

 

A maioria das fotos eram de nadadores. Felizmente ele não precisa fotografar o ginásio recém-reformado na área da piscina, construído especificamente para aprimorar o treinamento de natação da universidade, já que ele fez isso antes. Bastava agora tentar fotografar alguns treinadores ajudando seus alunos.

 

Meh. Não foi ruim sair da zona de conforto, mas é ainda mais divertido quando Yongbok modela as roupas que Hyunjin produz para sua loja de inspiração punk e Minho se oferece para ajudar.

 

Caramba, certamente não tem a mesma sensação louca de posicionar a câmera e ver uma notícia atípica para avisar a população sobre, um evento histórico, um movimento social.

 

Minho fechou os olhos, cansado. Mal podia esperar para terminar seu turno nesse lugar. Ainda precisa terminar um relatório sobre economia política que deve ser entregue na sexta-feira, editar as fotos para ganhar o dinheiro o mais rápido possível, comprar gotas para os ouvidos do seu gato Dori e ainda quer comprar um pudim em uma loja de conveniência no caminho para casa.

 

Minho tentou posicionar a câmera no seu rosto novamente. Afastou o zoom, ajustou a iluminação local e o ângulo. O ginásio inteiro estava no enquadramento necessário, a luz do sol da tarde entrando pela janela e os nadadores na piscina.

 

Clique!

 

Perfeito, de novo.

 

— Ugh, ver você tão concentrado me deixa fisicamente enjoado. Você parece uma pessoa normal e trabalhadora — a voz de Hyunjin veio ao lado, assustando Minho a ponto de quase deixar a câmera cair.

 

— Que porra é essa?! Quase deixei a câmera cair por sua causa, seu idiota! Sabe quanto custa uma dessas?! — Minho quase grita, irritado.

 

O mais novo riu, ignorando as reclamações válidas, forçando Minho a tentar chutá-lo na canela. Hyunjin conseguiu se esquivar.

 

— O que você está fazendo aqui?

 

Hyunjin deu de ombros e sentou-se no banco de plástico próximo para observar os nadadores na piscina. Ele fez uma careta.

 

— Credo, eles não cansam não? Eles estão treinando a quantas horas?  — Hyunjin perguntou, curioso.

 

— Não faz nem quarenta minutos, eu acho. Você é sedentário e não suporta ver nem alguém se exercitando.

 

— É. Como se você não fosse igual.

 

— Touché — Minho ri, enquanto avaliava a nova fotografia novamente.

 

— Só acho que é cansativo. Minhas pernas já dão câimbras só de caminhar pelo parque perto do dormitório quando o Yongbok cisma que quer ser saudável, imagina se eu tivesse que treinar natação por horas!

 

Minho se virou para Hyunjin, que estava completamente vestido em seu estilo punk de sempre. Ele usava calças pretas rasgadas com coturnos grosseiros, toneladas de acessórios prateados, uma gargantilha com tantos spikes que Minho ficou até mentalmente preocupado que Hyunjin machuque o pescoço, e seu cabelo raspado agora estava loiro. É meio engraçado vê-lo todo arrumado em um ambiente tão fora do círculo social deles.

 

Hyunjin é um dos seus melhores amigos. Minho o conhece há pouco tempo, mas sente como se ele estivesse em sua vida há anos. Eles se encontraram quando Hyunjin estava no primeiro ano como calouro em uma palestra sobre evolução jornalística, o que rendeu em uma conversa tagarelada por Hyunjin, que logo convidou Minho para ir ao estúdio de moda dele e ver seu portfólio ao vivo. Naquela tarde, o garoto de cabelos pretos e longos na época, com piercings na sobrancelha e tantas pulseiras nos braços entrou na vida dele para nunca mais sair.

 

— O que você está fazendo aqui? — perguntou novamente, esperando que desta vez Hyunjin não mudasse de assunto como costuma fazer.

 

— Ah, eu só vim te fazer companhia.

 

Minho apenas levantou uma sobrancelha, desconfiado. Hyunjin gemeu, esfregando as mãos no rosto e no cabelo, envergonhado, para enfim assumir:

 

— Ok. Tudo bem! É sobre o Yongbok. Mal posso esperar para te atualizar sobre as fofocas. Eu tive que vir aqui.

 

— Deixa eu adivinhar — Minho inicia, posicionando a câmera mais uma vez para outra tentativa de foto — Vocês saíram juntos depois da faculdade, fizeram suas rotinas habituais, o que significa que você foi para o estúdio e o Yongbok seguiu para casa dele. Então, mais tarde, o Yongbok apareceu no seu estúdio enquanto você estava terminando um projeto para uma nova peça que você está produzindo. Ele se ofereceu para ser seu modelo. Deve ter rolado algum tipo de tensão, e você ficou nervoso, até que o Yongbok te atacou e vocês tiveram uma sessão de amassos intensa até ele ter que ir embora.

 

Clique!

 

— Eca, a câmera borrou no momento exato. Vou apagar…

 

Ele olhou para o amigo que estava em silêncio há muito tempo, porque Hyunjin estar em silêncio por muito tempo era preocupante. A cena era hilária: Hyunjin estava completamente chocado, com a boca aberta e as bochechas coradas, apenas para finalmente tossir na mão e limpar a garganta.

 

— Não é bem assim…

 

—  Não? E como foi? — Minho soltou uma risada irônica.

 

— Bem, foi mais ou menos assim mesmo. Mas — Hyunjin imediatamente acrescentou o protesto, o que fez Minho rir de novo — Finalmente criei coragem e o convidei para sair.

 

A risada foi interrompida pelo engasgo que Minho teve. Felizmente, a piscina é tão barulhenta com tantos alunos nadando que é fácil os ignorar neste canto. Quando finalmente se sentiu confortável como antes, segundos depois questionou, completamente surpreso:

 

— O quê? Por que você só disse isso agora?!

 

— Ainda não caiu a ficha.

 

Hyunjin ainda estava parado ali como uma pedra, completamente tenso, com um sorriso bizarro no rosto. Os olhos do mais velho piscaram.

 

— E como foi isso?!

 

— Não faço ideia.

 

— Hã? Que diabos? Não foi você quem perguntou, Hyunjin?!

 

— Foi… — Hyunjin confirma. E foi isso.

 

Os olhos de Minho piscaram novamente em descrença.

 

— Você só pode estar brincando comigo. Se não me responder como deve, vou te jogar nessa piscina agora mesmo, com roupa e tudo — ameaçou, irritado, não sem antes dar um tapa forte na cabeça de Hyunjin.

 

— Ai! — Hyunjin massageou a cabeça, finalmente voltando ao normal. — Ok, ok! Não foi nada grande nem muito uau, eu nem entendi direito como aconteceu, na verdade. Ele estava se preparando para sair e as palavras simplesmente... saíram da minha boca. Ele estava animado, mas não tenho ideia se ele realmente sabe que o convidei para sair como um casal, não apenas como amigos próximos. Eu nem me lembro das palavras que eu disse...

 

Minho assobiou enquanto fotografava um nadador ouvindo o incentivo do seu treinador antes de pular na piscina. Esta deve ter ficado ótima.

 

— Acho que ele entendeu, você que é um otário e não percebe que o Yongbok está tão apaixonado por você quanto você por ele. Mas se isso te incomoda tanto, é melhor pedir para esclarecer tudo e ter certeza disso logo.

 

Hyunjin gemeu de desgosto, deitando-se no banco.

 

— Que vergonha. Eu sou realmente patético. — o mais novo resmunga.

 

— Ainda bem que o Yongbok é tão patético quanto você, então é por isso que vocês dois se dão tão bem.

 

Hyunjin mostrou o dedo do meio.

 

— Talvez eu tenha que criar coragem e mandar uma mensagem. Teria que mandar de qualquer jeito. Eu tenho um projeto para finalizar até a semana que vem e preciso pedir para ele ser o modelo. Você vai me ajudar, né?

 

— Claro, seu idiota — surge um vislumbre estressado no rosto de Minho — Como se eu fosse negar algo assim.

 

Em segundos, Hyunjin estava agarrado como um bicho-preguiça ao pescoço de Minho, choramingando pitangas. O outro revirou os olhos e deu uma rápida e reconfortante massagem nas costas de Hyunjin, enquanto ele continuava declarando seu amor infinito por ele.

 

— Eu te amo! Eu te amo muito, Min!

 

— É, é. Agora, tá, eca, quanta emoção! Me deixa trabalhar e aproveitar a oportunidade para enviar essa mensagem logo — Minho diz enquanto beliscava a pele de Hyunjin e o mais novo sibilou, se afastando dele.

 

Hyunjin xingou, esfregando as costas onde o mais velho beliscou. Até que ele ofegou e bateu na nuca  de Minho sem parar, tentando desviar a atenção da câmera.

 

— Pare de me bater, porra! — Minho reclama, abaixando a câmera impaciente.

 

— Oh? Ah. Ah, meu Deus, é o Christopher Bang! — Hyunjin sussurrou ansiosamente. — Oh, meu Deus, ele seria um modelo maravilhoso…

 

— Quem?! — Minho franze a testa. De quem diabos ele está falando?

 

Hyunjin colocou as mãos no rosto do amigo e virou à esquerda em direção à entrada da piscina. Um nadador de altura média, vestindo apenas um calção de banho e ombros tão largos que davam inveja, entrou. Ele ouviu atentamente seu treinador, que tinha o mesmo porte físico, enquanto se aproximava da piscina para começar a se alongar e exibir todos aqueles músculos definidos que possuía. Minho se inclina um pouco, tentando ter uma visão ampla de uma parte específica.

 

— Uau, ele tem uma bunda enorme — declara. É uma bunda incrível.

 

Hyunjin dá uma leve cotovelada em Minho que gemeu dolorido.

 

— Você é tão depravado, sinceramente. Tanta coisa para olhar e você decide só olhar para a bunda dele.

 

— Vai me dizer que não percebeu?

 

— Não é esse o ponto — Hyunjin desvia do assunto, ainda observando Christopher se espreguiçar. Minho revira os olhos por causa de Hyunjin de novo. — O ponto é que esta é a primeira vez que o vejo começar a treinar. Isso é interessante.

 

Um ponto de interrogação provavelmente apareceria acima da cabeça de Minho como nos desenhos animados infantis.

 

— Ok, e quem é Christopher Bang?

 

O amigo esfregou os olhos, no limite da paciência.

 

— Para o seu próprio bem, você precisa se envolver mais nas conversas e fofocas desta universidade — Hyunjin aconselha e Minho responde com uma cara de nojo, que ele prontamente ignora para continuar revelando: — Aparentemente, ele é bem conhecido no campus. Christopher é o aluno da Yellow Wood com mais medalhas de ouro em torneios estaduais de natação, se não me engano. Ele até competiu em campeonatos nacionais uma vez. E aquele treinador dele é o próprio pai; a escola de natação dele é filiada à academia e a usa para aulas.

 

— Como diabos você sabe de tudo isso?

 

— Somos jornalistas, querido. Sou eu quem deveria estar surpreso por você não saber tudo o que acontece nesta faculdade.

 

— Talvez porque eu não sou desocupado por tipo... 90% do tempo? E, por favor, não me chame de querido.

 

— Bobagem — replica Hyunjin, indiferente — Eu tenho uma loja e sou um jornal-humano-vivo. Você é simplesmente sem talento comparado a mim, essa é a verdade.

 

— Você parece mais um blog de fofocas, na verdade — o outro revida, totalmente sarcástico.

 

— Para mim, não tem problema. Sempre fui muito fã de Gossip Girl, de qualquer forma. — Hyunjin sorri, sem estar nada abalado com as espinhas de Minho.

 

O som de algo espirrando na água ecoou alto pela área, chamando a atenção de Hyunjin e Minho. Christopher agora nadava com tanta facilidade, como se fosse apenas respirar no dia a dia, e se você piscasse por um segundo, poderia perdê-lo de vista por causa da velocidade dele. Ele é definitivamente muito talentoso. Seu pai o avaliava atentamente, braços cruzados e pernas abertas, olhar afiado e meticuloso. Honestamente, era um pouco assustador, mas é claro que o ego de Minho jamais admitiria.

 

Ele estava de sunga agora, porque o calção tinha evaporado. Minho achou importante pontuar isso na sua cabeça. A voz de Hyunjin o traz de volta do delírio.

 

— Puta merda, é tão rápido — Hyunjin afirma o óbvio, completamente perplexo.

 

Após uma volta completa, Christopher ergueu a cabeça e os óculos de natação ao tocar a parede. Seu pai se aproximara e parecia estar dando conselhos com voz calma, enquanto seu filho concordava com a cabeça e entendia o que o pai ensinava.

 

— Bem, se fosse eu, eu já teria me afogado, já que não sei nadar — mencionou Minho seu medo deprimente, como sempre — Mas isso nunca aconteceria porque eu nunca mergulharia em uma piscina, certamente. Ele é talentoso e destemido.

 

— E você é um cagão assustado — Hyunjin ri. Minho imediatamente franze a testa.

 

— Você pode ir se fuder? — Minho revirou os olhos pela milésima vez e empurrou Hyunjin. — Vá embora, preciso terminar essas fotos e você está me atrapalhando com toda essa conversa fiada.

 

Colocou a câmera em direção ao rosto e ajustou o desfoque. Christopher havia retomado a natação, ágil como antes, mas de alguma forma mais concentrado do que na volta anterior. Seus braços estavam firmes enquanto se moviam em braçadas alternadas, e suas costas estavam tensas, suas pernas chutando em rápida sucessão. Ele tocou a parede e girou, retornando ao início com o mesmo ritmo apressado, mas não menos habilidoso. O cérebro de Minho gritou e ele soube que tinha que capturar isso. O dedo de Minho se pôs em cima do botão no canto superior direito da câmera, pressionando levemente como uma pena, esperando o momento que Christopher terminasse seu caminho antes de finalmente se levantar da água e então ele estava clicando.

 

Metade do seu corpo estava fora d'água e sua mão tocava firmemente a borda da piscina.

 

Sua boca estava aberta, provavelmente controlando a respiração ofegante, mas ainda com um breve sorriso de satisfação; o nariz comprido brilhava vermelho, os óculos molhados recém colocados em cima da touca de natação. Os olhos castanhos de Christopher fitavam a água cristalina da piscina, brilhando de paixão. O início de seu peitoral definido estava proeminentemente exposto e gotas d'água escorriam pela nuca, peito, ombros e por todos os outros lugares visíveis. Ele exalava a energia de alguém dedicado, profissional e profundamente orgulhoso do que faz.

 

É uma foto e tanto.

 

— Uau! Você arrasou, Min — elogia Hyunjin com sinceridade, espiando a foto na tela da câmera por cima do meu ombro — Essa ficou linda.

 

— Bom, você tem razão. É realmente muito boa — Minho concorda, ainda admirando na minitela.

 

Ele não sabe o que há de tão especial nisso, mas lhe deu uma sensação inexplicável. Changbin com certeza escolherá esta e, sem dúvida, até a colocará como a primeira foto na coluna de esportes universitários só para chamar a maior atenção possível. O coração do fotógrafo bateu mais rápido só de pensar em ver esta foto em HD no site da Blueprint.

 

— Ha! Toma essa, Seo Changbin, eu mereço mais de vinte pratas — sussurrou seus pensamentos para ninguém, como um completo arrogante. Minho piscou ao ouvir meu estômago roncar alto, tentando retirar seu corpo dali. Ah, sim! Ele tem que comprar seu pudim!

 

Observou Hyunjin, que estava digitando em seu celular um comentário em alguma postagem aleatória do Instagram.

 

— Acho que terminei por aqui — informa, o que atraiu a atenção do amigo — Quer ir à loja de conveniência comprar pudim comigo?

 

— É claro!

 

Hyunjin sorriu e desligou a tela do celular, esperando por Minho enquanto guardava a câmera cara na mochila, depois de cobrir a lente.

 

Conforme Hyunjin e Minho se aproximavam da entrada da área da piscina, o barulho alto dos mergulhos frequentes ficava mais fraco e distante. Antes de sair, Minho conseguiu dar uma última olhada no lugar ao redor com o canto do olho. As costas de Christopher eram apenas um lindo borrão antes que ele inclinasse o corpo com os braços estendidos e mergulhasse, desaparecendo da minha visão. A porta se fechou atrás de Minho.

 

Ele nunca mais colocaria os pés naquele lugar, com certeza.

 

~~

 

Depois de uma hora e meia na loja de conveniência com Hyunjin tagarelando sobre notícias de entretenimento — ou, bem, fofocas — enquanto Minho se deliciava com vários mini-pudins, ele voltou para o seu apartamento compartilhado.

 

Ao entrar na casa, notou que Jeongin não estava lá, pois é comum encontrá-lo jogando seu Nintendo Switch no meio da sala de estar a essa hora. Ele provavelmente estava na casa do namorado, cuja cara Minho ainda não sabe, mas sabe que ele existe. Pelo que se lembra, Jeongin estava ocupado com algum projeto de pesquisa envolvendo máquinas, terras férteis, maçãs e Deus sabe o que mais com seu professor de agronomia. O problema é que isso estava deixando o seu colega de quarto mais estressado do que o normal, e Jeongin não é uma pessoa fácil de irritar, então sim, todo esse estresse que Minho o viu tendo por causa das maçãs que ele não compra mais agora, embora ele as amasse tanto antes, é um pouco preocupante. No entanto, aparentemente, apenas seu namorado sem rosto chamado Jisung conseguia acalmá-lo. Bom, isso significa que Minho não tem mais necessidade de se envolver nisso, mas isso não o incomoda.

 

Ao andar pela sala de estar, encontra seus gatinhos dormindo em cantos espalhados. Minho sorri abertamente, coçando a cabeça de cada um e dizendo que estava em casa. Ele dá um aviso breve para Dori que trouxe o remédio que ele precisava, enquanto o gatinho cinza apenas miou preguiçoso de volta.

 

Ele joga a mochila no sofá depois de trancar a porta e vai para o banheiro. Enquanto a água morna escorria pela pele suada, se sentia revigorado.

 

Meu Deus. Ele está tão cansado. Além desses trabalhos irregulares como fotógrafo freelancer, os artigos do Blueprint estão se acumulando conforme a semana de provas se aproxima, e só de pensar nos projetos que a professora de redação jornalística dele está planejando para a turma o transforma em uma gosma ansiosa. Ainda tem a maldita prova.

 

Não que ela seja uma vadia pessoalmente, aposto que não é, mas ela certamente é uma vadia como professora. Minho colocou um lembrete mental no fundo da minha mente para ler o material dela esta semana.

 

Enquanto lava o cabelo, a imagem de Seungmin acidentalmente derramando suco na mesa de som do rádio ontem ainda o assombra. Por pouco não perderam nada, mas esse imprevisto os forçou a reservar um tempo para verificar se havia danos em cada peça, o que atrasou a programação da rádio. Pelo menos a mesa de som ainda está viva; Minho não tem certeza se teriam orçamento suficiente para consertar ou comprar um novo se as consequências tivessem sido piores. Hoje mesmo, o professor de jornalismo da rádio colocou uma placa proibindo bebidas na sala prática, o que fez as orelhas do Seungmin formigarem de tão vermelhas de manhã cedo.

 

Quinze minutos depois, Minho está secando o cabelo e a camisa do Sasuke que ele tem desde os quinze anos é seu pijama escolhido para hoje. Ele levanta uma sobrancelha para as olheiras enquanto escova os dentes. Desde quando elas estavam ali?

 

Ele tem uma mini luta com Dori enquanto pinga o remédio no ouvido dele, mas é uma batalha bem sucedida, apesar de uns arranhões nos seus braços. Minho passa uns minutinhos dando churu para seus felinos e limpando a caixa de areia deles.

 

Logo depois, Minho pega sua mochila na sala de estar e se deita na cama do seu quarto, abrindo o laptop com um copo com fundo de pata de gato cheio de água ao lado. Retirou o cartão de memória da minha câmera e o inseriu no laptop. Não demorou muito para que inúmeras imagens carregassem em HD na tela.

 

Por alguns bons minutos, tentou considerar quais seriam mais benéficas para enviar sem pensar duas vezes, quais ainda necessitam ser editadas antes de enviar e quais apagaria imediatamente porque nada traria solução.

 

Minho abriu a foto que tirou mais cedo, antes de sair da área da piscina. A tal foto do nadador queridinho e bonito.

 

A foto está impecável, com completo ar profissional, como se tivesse sido retirada diretamente de um livro sobre esportes e campeonatos importantes como as Olimpíadas ou coisas assim. Se assemelhava a um momento de vitória, onde você finalmente se sentia aliviado que todo o esforço foi recompensado, mas era somente uma fotografia de um treino qualquer. O sorriso breve com tanto orgulho por trás atraia os olhos do fotógrafo como um ímã.

 

Minho abriu uma pasta no Google Drive para upar as imagens de hoje e enviar para o Changbin, que estava pedindo atualizações sobre o dia de hoje até um pouco antes de Minho chegar em casa. O mais velho mandou um áudio gritando para ele no chat de mensagens enquanto caminhava para o apartamento e Changbin finalmente entendeu que era para deixá-lo em paz.

 

Enquanto Minho estava escolhendo as melhores fotos e digitando para Changbin, o laptop começou a vibrar e a tela abriu em uma videochamada gigante com o nome "Mamãe".

 

— Oi, mãe, boa noite — Minho a cumprimenta carinhosamente assim que atende, com a visão da sua mãe cortando cebolinha no meio da cozinha.

 

— Minho! Boa noite, meu bebê! Como você está? — sua mãe sorri, largando a faca afiada no meio da tábua de corte para se sentar perto da mesa de jantar com a mão segurando o telefone. — Você não ligou muito este mês.

 

Minho deixa escapar um suspiro cansado.

 

— É. Eu sei, mãe, desculpe. Estou bem, só muito ocupada, mas bem. As coisas na universidade estão pesadas com tanto trabalho.

 

Minha mãe faz beicinho, receosa.

 

— Não se esgote, querido. Não quero passar por aquele susto  de novo como dois anos atrás.

 

— Por favor, não se lembre disso — resmunga, desconfortável. — Eu era calouro, longe de casa, sem amigos, apenas fez sentido surtar na época.

 

A mulher bufa e revira os olhos.

 

— Porque não foi você quem recebeu uma ligação no meio da noite dizendo que seu filho, que mora na capital, estava hospitalizado porque estava tomando remédios prescritos com café extraforte há dias — ela argumenta, irritada.

 

— Tá bem! — Minho interrompe, desesperado para acabar logo com aquele assunto — Eu vou cuidar de mim mesmo, prometo. E você?

 

O rosto da mãe se iluminou, como se ele tivesse feito a pergunta do ano. Ele amava ver essa expressão no rosto de sua mãe.

 

– Ah, eu estou ótima! A academia de yoga está com as turmas lotadas e ainda pretendemos abrir mais uma, além de que estou ajudando uma professora de fisioterapia num asilo próximo de casa. Ainda bebo chá de camomila toda noite e dou ração para os gatos de rua da região.

 

Minho sorri, completamente feliz.

 

— Parece a mulher feliz de sempre, então. Que ótimo, mamãe!

 

Ela sorri de volta.

 

— Acho que sim! — a mulher concorda, carinhosa. — Você vem nos visitar nas férias? Eu, obviamente, estou com muitas saudades, mas as meninas da turma de dança estão perguntando sobre você. Às vezes me sinto mãe de uma super celebridade.

 

Ela gargalha, com um ar juvenil e agradável, e o coração de Minho se aperta em lembrar da sua pequena cidade natal com as pessoas que tanto lhe fazem bem.

 

Antes de Minho se mudar para a capital e dividir um apartamento com Jeongin, ele ajudava sua mãe na academia de yoga. Ele gostava muito de dar aulas de yoga como ajudante da instrutora — a instrutora, é claro, era sua mãe e continua sendo até hoje —, mas um dia, com dezesseis anos, ele deu a ideia para sua mãe criar uma turma de dança urbana para crianças da cidade interiorana e vizinhas, com Minho sendo professor dessa vez.

 

Ele já dançava antes como hobby e gostava de ensinar isso, então o que o impediria?

 

A ideia deu muito certo, o que desencadeou em dois anos simplesmente maravilhosos sendo um pseudo- professor de dança urbana. Infelizmente, o vestibular chegou rápido demais e Minho precisou escolher. O jornalismo e a capital o chamavam mais alto que a dança e a cidade pequena. Eles conseguiram um outro instrutor, meio novo, mas ótimo e bastante habilidoso. E Minho também conseguiu um emprego semelhante em uma escola de dança perto do apartamento nas terças e quintas à noite, visto que ele já tinha experiência nesse cargo, então ele ainda mantém o espírito que trouxe de casa.

 

A turma da sua casa natal, no entanto, parecia ainda morrer de saudades dele. Ele também sentia isso, às vezes.

 

— Jura?! — Minho gargalha, alegre com a informação que sua mãe compartilhou — Isso é divertido. Vou tentar ir sim, não sei quanto está o valor da passagem de trem, mas vou tentar! Quero estar aí no seu aniversário e comer seu bolo de cenoura na sala de yoga.

 

— Que maravilha! Ah, traga meus netos juntos! — sua mãe pediu, lembrando dos felinos que moram com Minho.

 

— Isso, pode ter certeza, que vou levar.

 

— Se der, Hyunjin e os meninos poderiam vir também.

 

— Agora só cinquenta por cento, mas vou comentar com eles sobre.

 

— E um genro, se possível — a mulher acrescenta, sugestiva, enquanto Minho faz uma careta.

 

— Isso está fora de questão — Minho balançou a mão, como se estivesse expulsando o pensamento do cérebro de sua mãe — Não tenho tempo nem para pensar, imagina pra arranjar um namorado. Fica para um futuro distante, mamãe.

 

A mãe de Minho bufou, batendo o pano de prato na mesa, frustrada. Minho levantou uma sobrancelha.

 

— Tá bem — ela concorda, ainda desgostosa — Na próxima eu te cobro de novo. Não sou de desistir.

 

— Pra minha sorte, eu puxei pra você.

 

Ela logo esquece a frustração e sorri, feliz com o comentário do filho.

 

— Nisso você tem total razão.

 

Não demorou muito para ambos se despedirem, sua mãe precisava terminar o jantar e Minho precisava entregar a pasta para Changbin. Ele lê a mensagem enviada que escreveu, com um link anexado.

 

“Tá na mão. Por favor, não esqueça de transferir meu dinheiro o mais rápido possível e não me pede mais favores pelo resto do semestre. Sei que sou excepcional, mas também sou ocupado. De nada, Binnie.”

 

Minho ergueu a cabeça assustado ao ouvir a porta principal abrir estrondosamente — Soonie miou alto em resposta, irritado por ter seu sono atrapalhado pelo barulho —, até ver um Jeongin afobado entrando no seu quarto. Ele ofegava, estava claramente correndo, mas sorria como se tivesse descoberto onde o fim do arco-íris ficava com baú cheio de ouro.

 

— Meu Deus, o que houve? — Minho se levantou, preocupado.

 

Jeongin começou a dar pulinhos com as mãos juntas próximo ao peito.

 

— Minho! Meu coração vai explodir! Você nem acredita!

 

— O quê?! Jeongin, desembucha! — Minho exclama.

 

— Jisung finalmente me pediu para ir morar com ele! — Jeongin revela, completamente feliz e apaixonado. Ele continua, divagando nas informações como se estivesse nas nuvens: — Pensei que isso nunca iria vir, mas veio! Amanhã eu vou levar o resto das minhas coisas para o apartamento dele, já que, bem, a maioria das minhas coisas já estão lá. E caiu no momento certo, já que logo teríamos que renovar o contrato desse apartamento mesmo!

 

Minho não conseguia ouvir mais nada. Seu ouvido chiava e sua cabeça estava puro branco, sem nenhuma informação sendo absorvida além de a voz do Jeongin dizendo “Jisung finalmente me pediu para ir morar com ele”. 

 

— Espera. Calma, calma — Minho interrompe o discurso interminável de Jeongin — Isso foi hoje?

 

— Sim! Eu estava com ele no apartamento, revisando nossos respectivos trabalhos durante nosso café da tarde. Ele simplesmente tomou um gole do americano dele, digitou algo no notebook e me perguntou se eu queria morar com ele. — Jeongin colocou as mãos na cintura, olhando para cima sonhador, com um sorriso no rosto enquanto lembrava do momento citado — Foi uma loucura, eu fiquei sem saber o que responder na hora de tanto choque, mas logo me deu um estalo e aceitei de imediato. Jisung pulou em mim e começou a chorar, me dizendo como estava nervoso para pedir isso e a possibilidade de eu negar que fez sua ansiedade ficar à mil nas últimas semanas. Agora, depois dele basicamente implorar para eu me mudar no máximo até quinta, vou arrumar o resto do que tenho para começar a levar amanhã! Mas, estou aqui para te contar e avisar sobre as mudanças antes, claro.

 

Minho piscou, incrédulo. Isso é… uma baita novidade para uma segunda-feira à noite.

 

A sua cabeça já estava borbulhando em pensamentos. Ele obviamente não teria dinheiro suficiente para pagar o aluguel sozinho, nem a entrada de dois meses que o proprietário do apartamento pede antecipado toda vez que renovam o contrato. Com Jeongin pagando também era tranquilo, já ambos dividiam o valor inicial. Sozinho? A história é outra. No entanto, Minho sabe o quanto o relacionamento com Jisung é importante para Jeongin e ele nunca impediria o mais novo de dar um passo mais sério no compromisso dele. Ele já estava imaginando que o pedido para morarem juntos chegaria logo, visto que era verdade que o amigo dele estava praticamente vivendo na casa do namorado, só não imaginava que seria tão rápido ao ponto de não dar nem tempo de Minho procurar um novo colega para substituí-lo.

 

Minho engoliu em seco. Também foi erro dele não ter contado antes que estava ganhando menos porque tinha largado algumas turmas na escola de dança para focar no jornal universitário, por isso as contas estavam meio apertadas no seu bolso.

 

Ele não seria tão malvado assim contando isso para o outro agora. Jeongin provavelmente falaria para Jisung acalmar e esperar um pouco, talvez até renovasse o contrato somente por causa de Minho e morasse com ele até encontrar outra pessoa, talvez isso demorasse até um ano, mas o mais velho não vai permitir. Ele não seria o motivo que desanimaria Jeongin e seu namorado, mesmo que nem conhecesse o garoto pessoalmente. Ele conseguiria lidar com isso, seria apenas uma fase… complicada. Talvez a sua chefe da escola poderia reconsiderar e adicioná-lo em outra turma extra como tutor.

 

Então, Minho respondeu, angustiado com seu futuro mas ainda bastante contente pelo amigo:

 

— Isso é incrível, Jeongin! Parabéns, espero que vocês sejam felizes morando juntos. Quer ajuda para desmontar alguma coisa? — Minho abraça Jeongin, que começa a tagarelar sobre precisar de ajuda para desparafusar uma prateleira com pregos emperrados.

 

Não seria tão difícil encontrar um colega de quarto por agora, não é? Muitos estão precisando de um lugar para morar atualmente. Além disso, tem muitas lojas e empresas abertas por agora, não é possível que não tenha vagas disponíveis para emprego e Seungmin daria conta da rádio sozinho enquanto ele trabalhava em um segundo emprego. Pelo menos é o que Minho espera. Ele está torcendo muito para que essas possíveis ideias sejam verdadeiras.

 

Minho está completamente ferrado.

 

~~

 

Já se passaram dois dias que Jeongin jogou a bomba no colo de Minho.

 

Minho, no dia seguinte, foi para aula e se amaldiçoou que a conversa com Jeongin o deixou tão bitolado que ele esqueceu de revisar a matéria da professora bruxa para a aula seguinte. Felizmente, ela não fez nenhuma pergunta direcionada à ele. E Minho conseguiu tirar os parafusos emperrados para Jeongin, então ele viu suas escolhas de priorizar pregos invés de estudos como lucro, apesar de não ter entendido nenhuma das siglas técnicas que a bruxa mencionou na aula.

 

Ele também encontrou Changbin que basicamente quase beijou seus pés no corredor, agradecendo pelas fotografias e pelos takes “insanos para caralho” que ele conseguiu capturar — palavras de Changbin. Foi engraçado ser bajulado tão explicitamente assim, Minho só conseguiu rir, tentando não demonstrar as suas bochechas querendo corar. Minho agradeceu por Changbin ter depositado o valor e o mais novo disse que não era nada pelo que Minho entregou para ele. Minho concorda nisso e ainda achava que deveria ter recebido mais – ainda mais agora na situação complicada que ele está atualmente –, porém não comentou nada.

 

Naquela tarde Minho deveria encontrar seus amigos para ajudá-los na sessão de fotos para as roupas da lojinha do Hyunjin, no entanto Yongbok teve que desmarcar porque seu professor marcou aula de reposição durante o horário que deveria acontecer a sessão, o que resultou em um Hyunjin bicudo de tanta frustração e um Yongbok tristonho no chat em grupo deles sobre como queria estar no estúdio invés daquela aula entediante de economia. 

 

Minho ficou desanimado com o imprevisto, entretanto esse acaso também liberou um horário para ele passar a tarde inteira procurando um novo emprego urgente. A esse ponto qualquer coisa já ajudaria, por isso não estava tão exigente como foi antes ao procurar empregos que pudessem ser valiosos para sua trajetória acadêmica.

 

Agora ele tem três e-mails enviados com seu currículo para possíveis propostas: barman aos fins de semana, babá de duas crianças e operador de caixa de uma cafeteria.

 

Durante à noite, Minho foi para a escola de dança que trabalhava duas vezes por semana. Antes de começar as suas aulas programadas para ensinar passos básicos de dança urbana, Minho tentou conversar com a sua chefe sobre possíveis turmas para ele ministrar.

 

A mulher, por mais doce e compreensível que seja, disse que não. As turmas já estavam fechadas e a demanda no momento não estava mais alta como no início do semestre, além de que o próprio Minho havia negado mais turmas para ele no início do ano, por isso ela nem sequer cogitou além das duas habituais.

 

— Talvez se você tivesse vindo no início do mês, eu ainda poderia te encaixar em alguma. Agora é meio impossível. — a chefe informa, os olhos brilhando em compaixão quando Minho murchou com a resposta.

 

Minho quis morrer, mas entendeu o que ela disse. Fazia sentido, afinal ele mesmo tinha dito que queria focar na sua vida acadêmica e por isso não poderia ter mais turmas. No entanto, isso foi antes de Jeongin dizer que iria embora e agora Minho realmente precisa de dinheiro. Não tinha como voltar atrás agora. Sua chefe estava certa, apesar de comentar que estava se sentindo culpada por não conseguir ajudar quando Minho explicou as circunstâncias que ele se encontrava, mas não estava mais nas mãos dela.

 

Por Deus, a cafeteria teria que considerar ele o mais urgente possível.

 

Isso foi ontem. Agora, Minho estava sentado em uma mesa do refeitório da universidade, sozinho. Ele estava lendo notícias sobre a semana de moda em Londres que aconteceria na próxima semana e os preparativos das marcas no seu telefone à medida que bebia uma caixinha de leite de morango. Hoje, se tudo desse certo e Yongbok não tivesse outro imprevisto, eles fariam a sessão de fotos que Hyunjin estava inquieto para finalizar. Logo ele teria que ir para a sala de som da rádio com Seungmin, também.

 

O refeitório ficou mais barulhento e agitado do que o normal, o que fez Minho colocar seus fones de ouvidos para escutar sua querida playlist enquanto se atualiza nas notícias que lhe importavam. Até que ele leu uma notícia que o revoltou, pensando em enviar para Yongbok para comentarem sobre.

 

— Que?! Como assim a Gucci vai mudar de diretor criativo de no-

 

O resmungo baixo de Minho foi cortado ao sentir uma cadeira ao seu lado se mover, o que o assustou. O palavrão estava na ponta da língua de Minho, pois sabia que Hyunjin amava dar uns sustos nele para depois pedir desculpas com medo das consequências.

 

O palavrão morreu na ponta da língua quando Minho levantou o rosto. Porque não tinha Hyunjin à sua frente.

 

Christopher Bang.

 

Christopher Bang estava sentado na mesma mesa que ele. Ok.

 

Que diabos?!

 

— Olá, tudo bem? — o homem à frente cumprimentou, amigável. Minho entendeu a palavra através da leitura labial. Então, perguntou: – Você é o Minho, não é? Do curso de jornalismo? Changbin comentou sobre você. Então vim te procurar.

 

Minho abaixou os fones e desligou a tela do telefone para enfim responder, ansioso por ter que começar uma conversa com alguém que nunca tinha ouvido falar até dois dias atrás e que aparentemente é bastante popular entre os alunos.

 

— Uh.. Oi. Tudo bem sim. E sou o Minho sim, também.

 

Credo, parecia que Minho estava morto. Christopher sorriu de volta à sua fala, pelo menos.

 

Ele usava uma regata preta que revelava seus braços musculosos em toda a sua glória, além de realçar os ombros largos por causa da natação. A sua pele estava pálida e sem manchas, o que Minho achou curioso, visto que provavelmente ele deveria ficar muito tempo na piscina ao sol. Ele tinha uma corrente prateada ao redor do pescoço e usava anéis combinando. Bem casual e básico, ainda que fosse mais estiloso do que outras combinações que Minho já teve o infeliz prazer de ver pelo campus.

 

Ele parecia tranquilo, o que intrigou Minho ainda mais, já que ele estava interagindo com um desconhecido. Provavelmente ele era mais extrovertido do que vereador em época de eleição.

 

— Eu sou Christopher, mas pode me chamar de Chan, se preferir! — ele oferece, ainda sorrindo gentil, e Minho levantou uma sobrancelha.

 

— Tá bem… Chan. Bom, você já sabe meu nome — Minho ri nervoso, pensando em como continuar esse diálogo esquisito sem parecer o introvertido antissocial que ele é, às vezes — Uh, sem querer ser grosseiro, mas o que isso tudo significa?

 

“Que porra de conversa constrangedora é essa que está acontecendo?” Minho se questiona mentalmente.

 

Chan pisca, como se só tivesse percebido agora, até que coça a pontinha da orelha direita com os dedos. Então, ele morde o lábio, respondendo sem rodeios:

 

— Eu vim conhecer o fotógrafo que tirou aquela foto sensacional minha essa semana.

 

Ah, bem.

 

— Ah — ofega Minho, abaixando a faceta desconfiada, se permitindo ficar um pouco corado com o elogio ao seu trabalho — Não foi nada. Sei que seria mais educado ter peço permissão antes, mas achei que isso era trabalho de Changbin, não meu. 

 

Chan concorda.

 

— Sim. Ele pediu e eu liberei, inclusive — o nadador admite, com um ar alegre — Não pude deixar de vir agradecer mesmo assim. Foi uma foto magnífica e acho que nenhum outro profissional tirou uma foto assim minha antes. Na verdade, eu nem curto muito. Se você tivesse pedido lá na hora eu teria negado, e aquela foto ficou muito boa para não ter sido tirada, então agradeço por na verdade não ter pedido.

 

Ele ri brevemente, um tanto constrangido.

 

— Falando desse jeito, soa muito egocêntrico. Na verdade, eu só gostei muito do seu trabalho… — elogiou, desconcertado.

 

Minho não soube o que responder, então só agradeceu e balançou a caixinha de plástico do leite de morango. Chan coçou a orelha novamente, pensando no que poderia falar para continuar.

 

Analisando agora ainda mais de perto, Chan era um homem muito, muito bonito. E o pior: era atraente também. Seu espírito atraia o olhar das pessoas. Talvez fosse a confiança instintiva que ele tem em si mesmo quando envolve o esporte que se esforça muito para ser o melhor, até mesmo fosse uma qualidade que ele trabalhou bastante para melhorar. Minho não tem ideia de como Chan faz isso, era charmoso, como se fosse um superpoder natural. E o nariz longo mais de perto, os olhos castanhos claros, as sardas delicadas davam vislumbres pelo rosto quando a luz refletia e tudo isso se harmonizava de um jeito tão belo. Além do físico corporal que demonstrava ser uma pessoa saudável, que cuidava da sua autoestima e saúde.

 

Hyunjin tinha razão, ele faria um ótimo modelo.

 

Chan pigarreia e tira Minho de sua análise mental de beleza e corpo sobre o outro. Minho percebe duas mesas ao lado observando e comentando sobre eles estarem juntos em público, o que fez um incômodo correr pelo sangue dele, mas logo foi distraído ao ouvir a voz de Chan novamente.

 

— Acho que Changbin não te contou ainda, mas a foto vai ser a principal do jornal no próximo mês. Achei um pouco demais, só que Changbin já havia sido autorizado a usar e só faltava a minha resposta, então decidi autorizar também. Ele estava muito animado que eu não consegui dizer não — Chan tagarelou com as novidades, querendo engatar em uma conversa produtiva.

 

— Imaginei que ele fosse fazer isso exatamente quando tirei a foto, sendo sincero. Não entendo nada de natação, mas continua sendo legal você na capa. É… muito legal, acho. Parabéns? — replica Minho, sem saber o que dizer.

 

— Obrigado.

 

E o silêncio esquisito caiu sobre os dois novamente, se mantendo apenas o barulho do refeitório como sempre. Minho decidiu focar em terminar seu leite. Durou uns segundos, até que Chan bufou, agoniado.

 

— Porra, vou ser direto — comenta para ninguém, estressado, assustando Minho um pouco. Ele se ajeitou na cadeira e perguntou: — Eu preciso que você seja meu fotógrafo oficial, você aceita?

 

Minho quase se engasga com a bebida, mas conseguiu se recuperar a tempo. Chan se remexeu, desconfortável, dando tapinhas leves nas costas de Minho até ele melhorar.

 

— Quê?! — Minho exclama, depois de se recompor — Eu? Ser fotógrafo seu?!

 

— É… sim? — Chan hesitantemente afirma — Seria até depois de abril, quando o campeonato nacional de natação acabasse.

 

Só podia ser algum tipo de piada de Changbin. Chan deve ter percebido a incerteza no rosto de Minho, porque decidiu continuar se explicando para tentar convencê-lo:

 

— Eu juro pra você que é até o campeonato acabar. A escola de natação do meu pai está precisando de dinheiro para reformas, já que a maioria dos gastos vão para os treinamentos, e os possíveis patrocinadores querem que eu seja a cara da propaganda. Eu sou meio reservado quando envolve meu rosto, pelo menos eles liberaram para que a equipe seja uma que eu confiasse — Chan suspirou — Changbin te indicou e mostrou a foto que você bateu de mim segunda. Eu achei linda, apesar dos pesares, e Changbin confia muito em você. E se ele confia, por que eu não iria confiar nas palavras do meu melhor amigo?

 

Minho engoliu em seco, pensando na proposta. Era meio difícil negar com os olhos enormes e castanhos o encarando com tanta esperança, mas Minho precisava ser realista. Meu Deus, ele já não vai ter tempo para nada com os dois empregos e a faculdade, imagina ser fotógrafo particular de alguém gratuitamente assim?

 

— Olha, Chan — começa Minho, tentando montar uma resposta decente na sua cabeça — Acho que infelizmente não vou poder te ajudar. Eu estou muito ocupado ultimamente, eu tenho a universidade e meus empregos para lidar antes de pensar em ao menos ser fotógrafo de alguém. Além disso, eu não sou profissional. Eu só tive uma matéria de fotografia no semestre passado, sou um completo amador. Eu sugeria a você procurar alguém que realmente trabalhe com isso.

 

Chan gemeu, insatisfeito.

 

– Você pensa que eu já não tentei? Eu me sinto desconfortável, eles me obrigam a fazer algo que não quero e já tive brigas demais com meu pai por causa desses malditos fotógrafos. Sei que você não é profissional, mas eu gostei do que eu vi. E eu sei que você não vai me obrigar a fazer algo que me deixe desconfortável.

 

Minho esfregou as mãos nas bochechas, analisando a situação que ele está agora a contragosto. Não que Chan não aparenta ser um cara bacana, mas o próprio Minho está com as calças apertadas atualmente – e ele foi descobrir isso há dois dias atrás. E outra, como ele saberia de tal coisa? Tá, Minho realmente não o forçaria a nada, mas Chan nem o conhece para sair afirmando por aí sobre a personalidade dele.

 

– Chan, eu te ajudaria se pudesse, de verdade. A questão é que eu não posso me comprometer com um projeto assim sendo só voluntário enquanto eu tenho vários outros por trás, que exigem tanta dedicação igual as fotos, também – Minho suspira, até que Chan interrompe o discurso do outro para dizer:

 

– E quem disse que seria voluntário? – Chan questiona e Minho se atrapalhou com algumas palavras quando o nadador falou por cima, quebrando a linha de raciocínio que Minho planejou – Você seria um contratado como qualquer outro e receberia seu salário por isso. Nunca falei que seria não remunerado.

 

Chan ri brevemente ao ver Minho desconcertado. Merda, Minho não estava esperando por essa resposta. Talvez isso fosse culpa dele de supor as intenções alheias cedo demais e não confirmar de fato antes de falar.

 

Aproveitando o choque de Minho, Chan remexe no bolso e puxa um papel minúsculo de dentro, com um design em tons de azul e inúmeros desenhos de ondas. Ele pôs o cartão na mesa e empurrou para o outro, que viu números e endereços e um título longo destacado em negrito: “O Coração e Lar dos Nadadores Bang”.

 

Minho quase não conseguiu guardar a careta para si próprio, com um tanto de que Chan pudesse ficar irritado com a gargalhada que ele estava segurando. Pra que um nome tão longo e cafona?

 

Aparentemente Chan concorda.

 

– Eu sei que o nome é brega – Chan comenta, como se tivesse lido os pensamentos de Minho, que soltou uma risada – Mas esse é o cartão da escola do meu pai. Tem o número dele, o endereço da nossa escola e, claro, da piscina compartilhada da universidade. Se você se sentir um pouco, nem que seja só um pouquinho, interessado, manda mensagem. Explica para o que é e diz que fui eu quem sugeri.

 

Minho hesitou por alguns míseros segundos, mas pegou o cartão. Analisou a frente, com uma montagem bem simples de um nadador mergulhando em ondas com o nome cômico da escola. Ao virar o cartão para ver a parte de trás, Minho encontra redes sociais e um fundo azul pastel, exceto que ele estava todo rasurado de caneta preta com outra sequência de número que, com toda certeza, não deveria estar ali. Minho olhou para Chan, que coçou a orelha novamente, com o pescoço vermelho, como se não tivesse planejado Minho ver a parte de trás tão cedo.

 

— Ah. Ah! Pois é, não é? Tem isso aí. Esse é meu número.. Pensei, sei lá, se meu pai não atendesse. Caso de emergência. Se precisar. Só que não fica receoso de me chamar, tá? Ou.. Ou.. não sei – Chan riu nervoso enquanto Minho apenas o avaliava sem dizer nada, segurando o riso. O nadador continuou a gaguejar, desconcertado, se levantando da mesa lentamente ao continuar: – Também não precisa se obrigar a me mandar mensagem. Só se quiser. O emprego, digo! Ou.. se só quiser mandar, também não tem problema, você quem sabe. Ah, bom. Tá bom! Preciso ir. Pensa com carinho, sério! Eh, okay, okay. Acho que é só isso. Tchau Minho!

 

E Chan saiu em disparada em direção à saída do refeitório, sem olhar para atrás.

 

Agora, Minho se encontrava com uma caixa de leite de morango vazia, fones na mesa e um cartãozinho com nome engraçado oferecendo uma proposta de emprego para ele, um universitário falido e chutado pelo colega de quarto em prol do namorado. Proposta essa que envolvia o atleta mais reconhecido do campus no momento que, aparentemente, é um gostoso tagarela socialmente esquisito e ele nem sabia da existência dele até dois dias atrás. Tudo isso e a semana ainda não acabou. Inacreditável.

 

Minho assustou uma garota que passava com a bandeja em mãos com a sua gargalhada basicamente maníaca.