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The Funeral | Eddie Munson

Summary:

Ruby Hargrove era muitas coisas - exceto feliz por ser a gêmea de Billy Hargrove, o maior babaca que ela conhecia. Ainda assim, bem no fundo (bem no fundo mesmo), Ruby sabia que ele tinha um lado decente.

Em 1983, os Hargrove chegam a Hawkins com a esperança de recomeçar e deixar para trás os problemas que os gêmeos arrumaram na Califórnia. Mas Ruby não se inscreveu para participar de um clube secreto de luta contra monstros de verdade. Entre provas do ensino médio, a complicada relação com Eddie Munson e a missão constante de evitar que Billy dê uma concussão em Steve Harrington (o babá) Ruby descobre que sobreviver em Hawkins é muito mais difícil do que imaginava.

Notes:

Inspirada na música The Funeral de Yungblud.

Chapter Text

Capítulo I

1984

Ruby Hargrove estava acostumada com o barulho de pessoas bêbadas. Entretanto, ela não podia fazer muita coisa sobre aquilo, sendo a contraparte levemente mais sóbria de seu gêmeo, que estava de cabeça para baixo, bebendo cerveja como se fosse água, enquanto pessoas gritavam o nome dele com animação, ela gostaria de saber se algum deles sequer os conhecia de verdade, mas não importava.

Suspirando, Ruby resolveu simplesmente sair dali, passando por bêbados e garotas com sorrisos falsos, perguntando sobre seu irmão – e não, ela não estava inclinada a ajudar ninguém a ficar com ele, sentia pena de cada uma delas.

Billy Hargrove não era exatamente material para namorado – e Ruby tinha a infeliz carga de conhecimento sobre isso, além do histórico de mulheres de seu irmão não ser exatamente bom.

Ela sorriu quando finalmente achou um canto solitário, descendo a pequena escada que dava acesso à parte de trás do jardim daquela casa – que ela não sabia de quem era. Billy nem sequer a perguntou se queria ir, apenas a derrubou da cadeira, dizendo para vestir algo confortável, porque iriam a uma festa.

— Irmão idiota. — Ruby resmungou.

— Opa, se não é a novata...

Ruby virou o rosto em direção à voz, avistando um garoto de jaqueta de couro e cabelos compridos, notando que ele usava uma camiseta do Scorpions – a única banda em que Billy e Ruby entravam em acordo sobre tudo.

— Eu te conheço? — Questionou, o vendo sorrir.

— Acho que não... Eddie Munson, ao seu dispor. — Com uma reverência exagerada, ele se apresentou, mantendo o sorriso ladino, parecia estar se divertindo.

— Ruby Hargrove. — Ruby fez a mesma reverência, achando cativante quando ele riu, parecia certo. — Então, fugindo da festa também?

— Mais ou menos, este é meu ponto de venda hoje. — O olhar dele recaiu sobre os olhos claros de Ruby, e ela notou um certo brilho de interesse ali, mas resolveu ignorar.

— Tem maconha?

Eddie piscou, acenando em concordância.

— Tenho, sim... — Respondeu, já levando a mão ao bolso da jaqueta. — Só um segundo, e são 20 dólares.

— Sem problema. — Respondeu, encostando no corrimão baixo, observando o movimento distante da festa, enquanto Eddie procurava o baseado com uma calma quase cerimonial.

A música vinha abafada, misturada a gargalhadas e gritos indistintos – e o nome de Billy ainda sendo dito pela multidão. Ruby não ficaria surpresa se metade daquelas pessoas, acorda-se sem voz no outro dia.

— Então.. — Eddie comentou, ainda revirando os bolsos. — Você apareceu do nada, xingou a festa inteira com a cara e já veio direto ao fornecedor oficial, eu respeito isso, mas devo dizer, sua reputação vai pro poço.

Ruby deu de ombros.

— Não tenho paciência pra fingir que tô me divertindo — Retrucou. — Billy é melhor do que eu nisso, além do mais, nunca tive uma reputação boa, então não faz diferença, faz?

— Justo. — Ele concordou. — Hawkins exige uma tolerância alta para sobrevivermos.

Foi nesse momento que uma sombra maior cobriu parte do jardim, Ruby nem precisou virar o rosto para saber quem era.

— Sou o novo rei de Hawkins agora. — Billy anunciou, a voz carregada de álcool e ego.

Ruby fechou os olhos por meio segundo – estava quase rezando por paciência, pra qualquer divindade que fosse, porque ela ia bater em Billy, se sua adorável paciência se esgotasse.

— Quer uma estrela por isso? — Ruby respondeu, virando-se para ele. — Pra enfiar no rabo, juntamente com a coroa?

Eddie congelou no lugar, o baseado finalmente encontrado entre os dedos, mas esquecido no ar. Billy sorriu torto, inclinando a cabeça, analisando a cena – a irmã, o cara estranho de jaqueta de couro, o canto afastado da festa, Billy poderia montar uma cena e tanto, mas sabendo da capacidade da outra, para pular em cima dele e começarem a rolar no chão, socando um ao outro, ele preferiu deixar passar.

— Bela irmandade a sua. — Respondeu, escolhendo não cutucar a onça naquele momento, tinha presas melhores – como um certo servo.

— Tem sorte que eu não chutei você no útero. — Ruby retrucou, sem piscar.

O silêncio que se seguiu foi pesado. Eddie alternava o olhar entre os dois, completamente perdido, tentando entender se aquilo era uma piada interna, uma ameaça real ou o tipo de conversa normal entre irmãos que ele definitivamente não tinha – única bênção de seu não adorável pai, não lhe deu irmãos.

— Eu só... — Eddie começou, levantando levemente o baseado. — Vou... ficar aqui... até você pegar a maldita maconha? — Sua afirmação parecia mais uma pergunta, Ruby balançou a cabeça em divertimento, estendendo a mão e pegando o baseado, entregando a Eddie o dinheiro, sem olhar nenhuma vez para Billy, ela não dividiria a maconha, ele que comprasse a sua.

Billy soltou uma risada curta, seca, balançando a cabeça antes de se afastar, já sendo puxado de volta para a casa por alguém gritando seu nome outra vez – provavelmente Tommy Hagan, Ruby não sabia dizer.

— Desculpa por isso. — Ruby comentou, acendendo o baseado com o velho isqueiro.

Eddie piscou, acenando. — Tranquilo. — Respondeu, ainda confuso. — Eu acho, isso foi... intenso pra caralho, vocês são sempre assim?

Ruby deu um meio sorriso.

— Normalmente também saímos na porrada, mas acho que Billy tem outro alvo essa noite, então sim, normalmente somos assim. — Tragando um pouco da maconha, Ruby sentiu seus nervos se acalmarem. — Então, Munson, curte Scorpions pelo visto. — Ruby balançou a cabeça na direção de Eddie.

— Gosta de Scorpions? — Questionou, surpreendido.

— É a única banda que Billy e eu entramos em consenso, depois brigamos com as demais... eu prefiro Mötley Crüe e ele Ratt, e por ai vai. — Ruby afirmou, sentando-se nos degraus. — Se importa de eu ficar por aqui?

— A vontade, o movimento tá fraco hoje. — Eddie respondeu, sentando-se ao lado de Ruby, mexendo nos próprios bolsos, buscando o seu baseado, que estava fumando mais cedo, achando o mesmo em segundos, aceitando o isqueiro de Ruby. — Então, porque saíram da Califórnia pra cá? Viraram assunto do momento.

Ruby sorriu, ladeando a cabeça para e esquerda, num movimento fraco, expelindo fumaça como uma chaminé – Neil a mataria se a visse usando drogas.

— Digamos que Billy e eu, fizemos algo que causou grandes problemas, apesar de Billy dizer que é culpa de Max. — Respondeu.

— Max?

— Minha irmã menor, ela é demais. — Ruby sorriu com orgulho, diferente de Billy, Ruby adorou ter uma irmã menor, Max era simplesmente incrível, o tipo de garota forte que Ruby admirava, ela sabia que sua irmã seria alguém incrível quando se tornasse adulta. — Mas não fale dela com Billy, vai receber o retorno do babaca dele.

— Hum... — Eddie tragou um pouco do baseado, deixando a fumaça ser expelida por seus lábios com calma. — Eu não tenho irmãos, sou só eu e meu tio.

— Quer Billy como irmão? Vendo por um baseado facilmente! — Eddie riu, enquanto Ruby gesticulava, apontando na direção dos sons. — Ele vem com seus próprios seguidores de brinde.

Tendo que tirar o baseado dos lábios, Eddie agarrou a barriga, rindo da sinceridade com que a garota falava, claramente pronta para vender o irmão por maconha.

— Belo amor de irmãos.

— Conviva com aquele idiota e o amor fraterno sai pela culatra. — Ruby afirmou, sentindo a maconha a acalmar, finalmente a dando paz. — Às vezes, penso que Billy só quer brigar.

— Muita raiva?

— Muita é eufemismo, ele é quase composto disso. — Afirmou. — Às vezes eu acho que sou o quinto doutor, com meu irmão sendo um cybermen conspirando para sabotar uma conferência de paz na Terra no ano 2526.

— Pera... você conhece Doctor Who? — Ruby piscou, vendo a expressão de choque de Eddie.

— Mas é claro que conheço. — Ruby arqueou a sobrancelha, o baseado pendurado na mão direita, o olhar quase perguntando se Eddie Munson havia batido a cabeça na parede. — Você acha que eu sou o quê, um ser humano sem cultura?

— Ei, calma aí, não disse isso! — Erguendo as mãos em sinal de paz. — Só estou surpreso, a aparência não condiz muito com o gosto, só isso, você me surpreendeu.

Agora foi a vez de Ruby rir, balançando a cabeça em divertimento.

— É, eu imagino isso, foi minha falecida mãe que me apresentou Doctor Who, ela gostava, e depois que ela se foi, passei a gostar também, é legal imaginar um mundo fora da realidade, ajuda a não surtar.

— Concordo. — Eddie assentiu. — Já jogou D&D?

— Nem uma vez, parece que eu assusto garotos nerds. — Ela pontuou, o olhar cruzando-se com o dele.

— Muito bem, Hargrove. — Eddie sorriu. — Você não me assusta, vou te ensinar a jogar Dungeons & Dragons como uma profissional!

O sorriso dele era tão vivo que Ruby se perguntou como alguém conseguia sorrir daquele jeito – e, pela primeira vez naquela noite, sentiu-se genuinamente animada com a ideia.

— Muito bem, Munson. — Respondeu. — Conto com você.