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O Legado de Togā

Summary:

Anos depois da Batalha contra Naraku, Rin completa vinte anos. Ela sente-se em casa na aldeia de Inuyasha, onde encontrou amigos, vocação e diversão como nunca tinha imaginado desde a perda dos pais e a partida de Lorde Sesshoumaru. Tudo parecia em ordem, até que Sesshoumaru deixa de enviar as cartas de sempre por meses. A aflição em sua rotina cresce e quando Rin não considerava que as coisas poderiam piorar, os pesadelos e as sensações estranhas retornam. A jovem miko acreditou que podia ignorar as habilidades que surgiram após sua volta do submundo. Mas, agora ela pode sentir a morte ao redor das pessoas como nunca antes. E quando Rin encontra um Youkai Tigre ferido na Floresta Dos Lírios, todo seu destino finalmente se torna inevitável.

Notes:

Ei ei! Como vão? Essa é minha primeira fanfic aqui no ao3. Finalmente criei coragem e tempo para postar. Não falo inglês e espanhol ainda, mas pretendo um dia traduzir todo esse trabalho para as duas línguas. Por enquanto, peço aos que não falam português que utilizem o tradutor automático do Google. Ainda não consigo escrever para vocês. Para meus irmãos falantes de português, sejam vocês também bem-vindos! ❤️

 

Essa fanfic nasceu da minha ideia de como o relacionamento de Sesshoumaru e Rin deveria ter acontecido. Acredito que Rin tem muito potencial e não vejo exatamente o que eu quero em outras histórias. Quis trazer aqui a Rin doce de sempre, mas também perspicaz e articulada. Mostrar exatamente a transição na mente de Sesshoumaru onde ela passa de uma humana amigável e tolerável para a mulher que conquistou seu coração. * teremos também um pouco de ciúme hehe *

Vamos ter muito sobre outros youkais, cortes youkais, um novo vilão, e claro, os Inuyoukais e a diva Inukimi e menções sobre Toga.
Inuyasha e Kagome também tem destaque na história, principalmente a relação de Rin com Kagome, mas o foco é em Sessrin.

Desejo uma leitura divertida a todos ❤️

(See the end of the work for more notes.)

Chapter 1: Mudança de Clima

Chapter Text

Capítulo 1

 

Rin ainda pensava no orvalho da manhã mesmo após o entardecer. Ela gostava de observar os pequenos detalhes aparentemente insignificantes que compunham o mundo. Deleitava-se em desvendar os mistérios desses detalhes mundanos, como as nuances de uma bela pintura. Se não tivesse observado tanto as gramíneas, as flores comuns, os campos de cultivo e até as canções populares, nunca teria criado seus próprios remédios.

Kagome a apoiava mesmo que duvidasse inicialmente de suas descobertas. Já Kaede, só esboçou seu semblante típico de satisfação ao ver os primeiros curados pelos métodos de Rin. “ Você é uma curandeira por vocação.” Disse a velha senhora. Rin recebeu cheia de alegria as palavras de sua tutora, além de uma intensa confirmação de Kagome, Sango e Miroku. Ela sabia que Inuyasha tinha dado um leve aceno de cabeça sem mesmo olhar para ele e soube definitivamente, aos 14 anos, que iria curar todas as coisas que pudesse pelo resto de sua vida. Foi durante essa época que Kaede finalmente cedeu aos seus apelos e a iniciou como sacerdotisa. Estava longe de ter a extensão dos poderes de Kagome, mas procurava compensar as lições com muito esforço.

Mesmo agora aos 20, não deixava de voltar-se demoradamente à paisagem não só procurando coisas novas, mas apreciando o prazer das antigas.

Ela chegou na cabana mais afastada ao leste, ouvindo as conversas abafadas das mulheres. Kagome abriu a porta e Rin sorriu plenamente para sua grande amiga.

 

— Kagome-sama! Cheguei atrasada mais uma vez! Peço desculpas a todas.

 

— Ah, para de bobagens, Rin! Você está entre irmãs. Não é, meninas?

 

As mulheres da aldeia confirmaram rindo e dando as boas-vindas calorosas à Rin. Logo, estava ouvindo as novidades.

 

— Finalmente terminei de pintar os vasos e cada uma de vocês vai receber um! — Mayumi exclamou, entregando um pequeno vaso de barro para cada uma das 14 mulheres. Consistia numa pintura simples, de um dente de leão no centro. Todas agradeceram, e tanto Kagome quanto Rin a abraçaram em agradecimento.

A noite seguiu com Miyuki falando de suas meninas e a rotina delas nas aulas de Kagome, do monge Miroku e de Rin, que se reuniam como podiam juntos ou separados uma vez na semana para ensinar seus conhecimentos às crianças da aldeia. Contou que as meninas a estimularam a começar a ler, então a mulher escreveu com um graveto seu nome próprio na terra e o sorriso de Kagome não poderia ser mais orgulhoso.

Rin também sentiu aquele prazer do dever no coração. Houve muito esforço da parte delas, em especial de Kagome de convencer as mulheres a buscarem uma vida de mais possibilidades na medida do possível e agora a irmandade se reunia uma vez por mês, muitas vezes por puro companheirismo mesmo sem terem aprendido coisas novas.

Rin elogiou a canção que Sakura vinha trabalhando nos últimos tempos e depois Hana mostrou a ela o que havia memorizado de defesa corporal. Sango a corrigiu em algumas coisas, mas ela com certeza tinha evoluído bastante para uma garota que começou temente da própria sombra.

Quando o anoitecer enfim se aprofundou, Mio fez todas rirem ao contar a história de um rei sapo tirano que perdeu todo o reino do lago para uma carpa muito inteligente. Foi quando as risadas acalmaram que Kiyoko, pousando a mão na barriga onde esperava seu terceiro bebê, comentou:

 

— E você, Rin? Está mais quieta que o normal hoje.

 

— Isso é porque ela está pensando em que lindo kimono vai vestir quando Kohaku chegar no final da última colheita! — A voz sugestiva de Mayumi provocou risinhos por todo o ambiente.

 

— Não é nada disso! — Disse Rin, arrancando ainda mais risadinhas.

 

— Se não é sobre ele, é sobre quem?

 

— Por que tem que ser sobre alguém? Na verdade, estou muito ocupada com minhas novas anotações sobre o orvalho.

 

— Orvalho? — Kiyoko franziu a testa. — Mas, isso não faria você falar menos, faria você falar ainda mais.

 

— É verdade, Rin. Não precisa ter medo de nós, podemos ajudar com o Kohaku! Sabemos que você tem dificuldade no amor e ficaremos muito felizes em ajudar você.

 

— Dificuldade no amor? — Perguntou Rin, corando um pouco as bochechas.

 

— Claro! Você é a única solteira. E recusou três pedidos de casamento! — Respondeu Mayumi.

 

— E um deles foi um senhor de terras. — Kiyoko reforçou. — Pobrezinho. Toda vez que falamos dele só consigo me lembrar das lágrimas.

 

— Ainda bem que temos um protetor poderoso graças a Kagome. Depois do choro ele quis devastar a vila. — Mayumi pareceu estremecer assim como Hana e Sakura.

 

— Eu não tenho culpa se não gostava de nenhum deles e sinto muito que eu os tenha magoado. E nada teria acontecido com a vila, nem com as vilas vizinhas, não se preocupem.

 

— Você é muito corajosa e muito tola. — Apontou Kiyoko. — Poderia ter sido uma princesa ao lado dele. E Inuyasha é apenas um, não poderia proteger todas as vilas ao mesmo tempo.

 

— Não há nada que ele possa me oferecer que eu já não tenha. E Inuyasha não estaria sozinho. Temos Sango, Kagome, Miroku, eu e Lorde Sesshoumaru. — Um silêncio cortou a sala. As chamas crepitavam na lareira central. O movimento do vento lá fora fez subir um forte cheiro de petricor no ar. Nenhuma das mulheres deixou de olhar, de diferentes maneiras, o kimono dela. Depois de todos esses anos, para Rin, elas haviam esquecido o receio com os youkais. Falavam tão carinhosamente com ela e Kagome. Sem contar na naturalidade ao falar de Inuyasha. Rin havia se acostumado com sua realidade confortável. Mas, as mulheres olhavam, e dentro de seus olhos havia uma distância receosa. Com a visão inegável do kimono, por mais que Rin optasse pelos modelos mais modestos que recebeu de presente, não podiam contestar o tratamento privilegiado sobre ela. E nem fingir que Lorde Sesshoumaru não existia.

 

— É verdade, Rin tem seu próprio Lorde. Mesmo que ele seja assustador. — Mayumi comentou pouco antes de Hana deixar escapar um sussurro.

 

— Ainda bem que ele não aparece mais.

 

— Eu acho que R... — Kiyoko começou, porém Kagome se levantou antes.

 

— É verdade que Rin é muito amada e cuidada e não precisa se preocupar com casamento pelo tempo que ela quiser. Não é verdade, meninas?

 

A resposta das mulheres foi bem menos calorosa dessa vez, porém todas estavam mais do que felizes em trocar de assunto e esquecer da história. Aos poucos, foram retornando às suas casas. Kagome, Sango e Rin ficaram para organizar brevemente o recinto.

 

— Rin-chan, não se preocupe com o que elas disseram, tudo bem? Temos certeza que Sesshoumaru se preocupa com você. — Kagome tocou o ombro de Rin com cuidado procurando seus olhos para passar o máximo de conforto que podia.

— Isso mesmo, Rin. Os youkais tem uma visão diferente de tempo, na mente dele deve ter sido apenas apenas alguns meses. — Sango havia retirado o pó da brasa no chão antes de falar.

Rin suspirou. Havia 3 anos e meio desde sua última visita e estaria mentindo descaradamente se afirmasse não ser afetada por isso. Ela ansiava por vê-lo tanto quanto desejava o amanhecer.

A causa de sua ansiedade, contudo, vinha do conteúdo de sua última carta meses atrás. Isso estava a deixando cada vez mais estressada. Notava-se cometendo deslizes aqui e ali e se ela percebia isso, com certeza os olhos perspicazes de seus amigos também.

As primeiras cartas trocadas entre eles foram há 4 anos, e desde então, Lorde Sesshoumaru lhe enviava pergaminhos sobre ervas medicinais, venenos, estudos agrícolas, astronomia, literatura, pinturas e os mais diversos assuntos. Eles conversavam sobre esses assuntos, claro, e Rin nunca foi tão feliz por descobrir o quanto ele poderia não ser só inteligente, coisa que ela já sabia, mas que ele compartilhava suas opiniões com ela. Ela se sentia não só ouvida, como apreciada. Nos últimos tempos, começou a perceber até piadas sutis vindo dele e se pegava rindo discretamente delas durante os afazeres do dia.
Rin não deixava de lhe contar sobre sua própria rotina e em seu coração sabia que ele considerava suas palavras. Porém, uma das poucas coisas que a irritava, era não saber muito sobre a rotina dele e por mais que se esforçasse em conseguir mais informações Lorde Sesshoumaru fora vago com ela.

Rin se manteve focada então nas preciosas conversas entre eles, em suas descobertas intelectuais e na intimidade que eles formavam durante os anos. Então, apareceu a última carta. E a frase “Farei uma longa viagem e ficarei sem responder as cartas por um tempo. “ fizeram a mente de Rin focar o tanto quanto possível no orvalho, na paisagem e na conversa jogada fora na noite das mulheres para que aquelas palavras não pudessem se repetir tortuosamente.

Jaken quem trazia e levava as cartas, numa frequência de duas vezes por mês atrás da cabana de Kaede, onde Rin dormia. Kagome sabia das cartas, mas apenas Kaede tinha conhecimento da frequência delas e que Rin muitas vezes as relia sozinha. Não era porque não confiava em Kagome, muito longe disso, Rin a amava, mas também desejava que aquilo fosse apenas dela. Dele e dela.
A jovem miko tentou arrancar informações de Jaken e o que conseguiu foi um frustrante “Tenha paciência, Rin, Lorde Sesshoumaru é muito ocupado!”.

Ela quase deu outro suspiro. Pelo que podia supor das informações reunidas durante aqueles 4 anos, ele estava numa longa empreitada de consolidação de poder no Oeste, e Rin sabia como todos, que havia de ter mais 4 direções ao leste, sul, centro e norte existindo e o ocupando com conflitos e politicagem de alguma forma. Rin esperou em vão que ele procurasse sua opinião, dividisse o fardo e não a deixasse no escuro. “Por que ele faria isso?” pensou. “ O que eu poderia oferecer que ele já não saiba?” Mesmo assim, a tristeza insistia em morar nela e por mais que ele pudesse a estar poupando de preocupações maiores, Rin queria saber de tudo. Rin queria estar com ele. Pelo menos, vê-lo mais uma vez. Não estaria pedindo demais, certo? Tinha pedido isso a ele em sua última carta, porém ela ainda estava enrolada em seus pertences esperando a visita de um Jaken que não viera. Estavam fazendo a viagem.

— Rin-chan? — Chamou Kagome. — Vamos. Você precisa descansar.

Sango se espreguiçou, projetando ainda mais seus 7 meses de gestação. Ela e Miroku nunca deixaram de lado seu empenho em fazer uma grande família. Isso esquentou um pouco o coração de Rin. Uma vida nova sempre trazia esperança e iria estar lá para ajudar a trazer o novo bebê ao mundo.

— Precisamos descansar mesmo, Kagome. Minhas costas estão me matando.

— Eu disse para pegar leve, Sango. As aulas de defesa podem esperar.

— Você diz isso porque ainda não foi sua vez, Kagome. Vai ser mais teimosa que eu, não é, Rin-chan?

— Kagome-sama nunca deixaria de fazer o que seu coração manda. Mas, ela tem o Inuyasha-sama, tenho certeza que ele cuidará muito bem dela.

Rin viu o rosto de Kagome corar. Ela adorava vê-los juntos, o quanto os dois cuidavam e compreendiam um ao outro, apesar das constantes discussões que particularmente Rin achava engraçadas. Por mais que se deixassem levar pelos seus gênios, ninguém podia dizer que não havia muito amor entre eles. Rin percebia quando Inuyasha suavizava o olhar, pensando não estar sendo observado, quando Kagome separava as ervas no chão falando das propriedades de cada uma. Havia os momentos em que a Miko corava ao receber sempre uma lembrança das viagens com Miroku e Inuyasha que ela não podia ir, mesmo que das mais estranhas.
Aquela pontada de tristeza bateu no peito de Rin de novo e ela afastou a sensação conforme caminhava de volta com suas amigas.

— Vamos torcer para que o futuro bebê de Kagome não puxe tanto o Inuyasha, acho que ela iria perder a voz de tanto gritar! — Sango respondeu com uma risada abafada e Rin também se deixou levar.

— Meninas! Ainda não é a hora para um bebê.

— Não é hora? Kagome, entendemos que na sua era poderia não ser mas, você sabe que aqui não é assim.

Kagome grunhiu e envolveu os braços ao redor de Rin.

— A única que me entende é a Rin. Nem tudo são bebês e homens. — Rin arregalou um pouco os olhos. Poderia passar despercebido para a maioria, mesmo Sango, mas estava lá e Rin sentiu. Um indício de melancolia na voz. Será que Kagome-sama…? Uma lista das principais ervas e métodos estimulantes de fertilidade passou pela memória de Rin. Em resposta, apertou levemente a mão de Kagome. Ela não pareceu notar seu apoio mais específico.

— Bom, essa hora vai chegar. E nossos filhos brincarão juntos.

A Miko ainda se manteve próximo a Rin após a promessa de Sango, a mão no ombro direito com o corpo próximo. Kagome olhava para os próprios pés e Rin inclinou um pouco a cabeça em sua direção.

— Os filhos sabem a hora certa de vir, Kagome-sama. Nosso dever é estar com nossos corações cheios de amor para quando eles vierem. — A voz de Rin falou suavemente fazendo Kagome erguer a cabeça. Ela lhe deu um sorriso de compreensão ao apertar seu ombro.

— Obrigada, Rin-chan. Você se tornou muito sábia.

Sango se aproximou das duas, abraçando o ombro esquerdo de Rin, ficando a direita e deixando a jovem curandeira no centro.

— Rin será uma ótima mãe. Já posso ver os meus 4 filhos, com os 5 dela e os 6 de Kagome se divertindo e quase causando uma guerra juntos!

Tanto Rin quanto Kagome arregalaram os olhos ao dizer o número 5 e 6 da brincadeira de Sango que começou a rir alto com as expressões espantadas.

— Não é divertido imaginar Inuyasha sendo pai de 6 crianças? — A óbvia imaginação surpresa e indignada no rosto de Kagome foi o necessário para que Rin caísse na mesma risada que Sango. — Inuyasha iria preferir lutar com mil youkais!

Kagome pareceu se recuperar.

— Eu iria preferir lutar com mil youkais! Todas essas crianças sairiam de mim.

Rin afagou a mão de Kagome novamente, dessa vez com um sorriso alegre.

— Kagome-sama, eles não sairiam de uma vez. Difícil é ter gêmeos ou quem sabe, trigêmeos! Isso causa mais medo com certeza.

— Igual ao que aconteceu com Kiyoko da última vez. — Sango grunhiu. — Mas, ela foi abençoada com as três melhores curandeiras do mundo.

Kagome entrou de novo em pensamentos íntimos e Rin preencheu o silêncio.

— E estaremos aqui por você e seu bebê, Sango-sama.

— E eu sempre serei grata a vocês duas por isso e por muito mais.

Antes que Sango continuasse, uma chuva fraca que ganhou força rapidamente começou a cair fria e densa.
A sorte era estarem próximas do destino e depois de uma despedida entraram em suas casas com fôlego rápido.

Kaede repousava em seu próprio futon, no lado esquerdo da cabana. Não havia muitos anos que decidiram aumentar um pouco o espaço por causa dos pergaminhos, pinturas, kimonos e os outros presentes que ganhava de Lorde Sesshoumaru. Rin apreciava essas pequenas concessões que Kaede fazia por ela. A senhora certamente não aprovava luxo excessivo e mesmo assim cedeu aos gostos de Rin com a lógica de que tudo aquilo era por conhecimento. Porém, não era por conhecimento que ao se retirar para dormir Kaede mantivesse uma vela acesa na parte direita, a parte de Rin, onde ela sabia que para dormir a jovem garota costumava reler suas cartas. Aquilo, na realidade, não podia ser mais lógico quando se tratava de amor. Rin acreditava nisso.

Um pouco molhada pela recente chuva sentou-se em seu futon ao reler sua própria última carta que nunca chegaria ao seu destinatário.
No início ela ainda tinha esperanças de que Lorde Sesshoumaru pudesse lê-la, mas com o tempo aceitou e por incrível que possa parecer começou a escrever mais. Ela decidiu fazer daquilo um desabafo pessoal sobre todas as coisas não ditas. Sensações, alegrias, desejos. Rin tinha noção que ele perceberia todos os enigmas do conteúdo e só de pensar naquela possibilidade seu rosto corava por inteiro. Havia muito naquela aldeia tomando o coração da jovem miko. Seus amigos e deveres. E nada lhe fazia sentir falta de ar como olhar para aquela carta e imaginá-la sendo lida.

Ela abriu o conteúdo mais uma vez, deixando os olhos deslizaram sobre as próprias palavras para pousar em “Todas as vezes que vejo a Lua, penso em você. A cor do Sol também é a cor dos seus olhos. E quando caminho depois de um longo dia e ao meu redor estou sozinha, nada me faria mais feliz que tê-lo ao meu lado.” Um grande trovão ecoou do lado de fora e Rin desviou o rosto fechando a carta. Como se estivesse sendo pega no flagra pelo próprio céu, ela escondeu os papéis em uma caixinha por dentro de um de seus kimonos favoritos.

Acalmando-se, apagou as velas e desejou secretamente sonhar com o que imaginou ao ler.

Mas a noite tinha outros planos. Rin nada podia fazer a não ser sonhar com eles, pela primeira vez em anos, pois os sonhos voltaram para ela e não a deixariam tão cedo.

Notes:

Pretendo lançar o capítulo 2 em breve! Deixem comentários se sentirem que devem e compartilhem também ❤️ Obrigada.