Chapter Text
Lucas podia não ser o melhor em muitas coisas, mas era um fotógrafo excelente.
Tinha ganhado a câmera da avó pouco depois que sua mãe faleceu num acidente de carro e guardava a máquina quase como um pedaço da mãe, que era pintora. A câmera era sua versão de guardar os momentos exatamente como sua mãe fazia com as pinturas.
Foi a câmera também que deu um norte à vida de Lucas depois do luto que quase o fez afundar, o fazendo ter realmente um incentivo pra acompanhar Krave na faculdade. Agora ele cursava cinema, usava sua câmera em um ato muito maior, tinha um grupo de amigos sólido, fazia parte do jornal da faculdade e estava se apaixonando de novo, pela vida talvez, mas por alguém, por uma garota.
Ayla Navarro.
Aluna de Relações Públicas, 20 anos e absolutamente a melhor parte do dia dele era ter ela como sua parceira no jornal. Bem não exatamente, eles eram um trio, mas Benício ainda mentia pros pais que não fazia parte do jornal e era só aluno de Engenharia então o loirinho passava muito tempo com Krave falando de números. Por isso a parceira de Lucas era efetivamente Ayla.
Ela escrevia, ele fotografava. Nos jogos do time universitário, ele tirava fotos e organizava a live, que transmitiria tudo enquanto ela fazia anotações, postava stories e narrava o que acontecia.
Os dois funcionavam bem juntos e foi natural pra Lucas se apaixonar por ela. Mesmo sendo prima de sua ex ficante, mesmo que ela disesse que não pretendia namorar, mesmo com todos os caras do jornal e do time dando em cima dela, todos opções melhores. Mesmo com tudo isso, Lucas se apaixonou por Ayla.
- Ayla! - ele chamou, colocando a câmera na frente do rosto e apontou pra garota que imediatamente sorriu e tombou a cabeça pra ele, como um reflexo de quando seu nome era chamado por ele
O clique soou rápido e ela voltou a olhar pra quadra.
- Você veio pra tirar fotos minhas ou do jogo, Lucas? - ela perguntou, anotando rapidamente a escalação inicial do jogo de vôlei no caderninho
Os dois estavam numa posição privilegiada na quadra de vôlei, Lucas soltou a câmera pra que ficasse pendurada no pescoço e voltou a sua função de arrumar o tripé que gravaria o jogo para as redes sociais da faculdade. A função dos dois ali era clara, ele gravava e tirava as fotos do jogo e dos jogadores enquanto ela narrava. Funcionava, Ayla e Lucas, sempre funcionava.
- O jogo ainda não começou - ele deu de ombros e dessa vez apontou a câmera pros jogadores se aquecendo, mais alguns cliques soando - E eu tiro foto de coisas bonitas
O rosto de Lucas queimou atrás da câmera mas ele não ousou olhar pra Ayla naquele momento, não queria ver a reação dela depois de um flerte inocente porque tinha medo demais de ser rejeitado por ela. Era mais fácil se esconder atrás da câmera e fingir que era só uma brincadeira entre eles.
- Lucas? - ela chamou
- Oi! - ele pulou quando ela tocou o ombro dele
- O Maurício tá pedindo pra você tirar foto dele - Ayla apontou pra onde o levantador estava e fez Lucas revirar os olhos
- Se ele quiser foto dele, que pague um fotógrafo exclusivo.
- Lucas! Você faz fotos individuais de todos os jogadores, principalmente do Krave. Porque não dele? O que ele fez pra você não gostar dele?
- Deu em cima de você - Lucas respondeu sem pensar
- O que?!
- O que?! - ele arregalou os olhos, tropeçando e quase derrubando o tripé, todo o sangue subindo pro rosto - Eu não disse isso! Eu não disse nada! Quem disse que eu não gosto? Eu adoro ele! MAURÍCIO, EU SOU SEU FÃ!
A tentativa era tão desesperada que era quase cômica, Lucas se atrapalhou todo e o rubor em seu rosto ficou visível, assim como todo o pânico. Seus pensamentos estavam confusos e ele mal conseguiu formular uma desculpa.
Ele foi salvo pelo gongo, literalmente, de ter que se explicar pra Ayla. Porque os jogadores entraram em quadra e o juiz subiu em seu palanque, apitando pra dar início ao jogo.
- A gente ainda vai conversar sobre isso, Lucas! - Ayla falou em tom de ameaça pra então começar a live no celular e a narração
Mas se dependesse de Lucas, ele nunca iam conversar.
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Ayla ainda se lembrava do dia em que conheceu Lucas e foi como se uma peça se encaixasse em seu coração.
Ele entrou desajeitado e nervoso na sala do jornal da faculdade, dizendo que a prima tinha dito pra ele ir até ali e mostrar suas fotos. E ele tinha um portfólio muito bom pra um aluno universitário.
E dada a ausência de qualquer fotógrafo no jornal até então Ayla imediatamente entregou um formulário pra Lucas preencher.
Ele se demorou com a caneta na mão, lendo cada trecho lentamente pra ter certeza. Durante todo o tempo, a ruiva manteve os olhos dele, nos olhos escuros se mexendo pelas letras, os cabelos longos com as luzes descoloridas, e os dentes nos lábios enquanto preenchia.
Ayla não pensava em relacionamento desde que havia terminado seu último namoro, seis meses antes, mas quando viu Lucas, pareceu até mesmo destino.
Como se ela já o conhecesse de outras vidas e fosse questão de tempo até que o encontrasse nessa.
Ele sorriu ao lhe entregar o formulário preenchido e quando começou a trabalhar dois dias depois, parecia estar sempre sorrindo. Ou brincando, ou tentando ver o lado positivo das coisas.
Foi inevitável que Ayla se apaixonasse, que caísse por cada uma das cantadas brincando que Lucas fazia. Que ficasse vermelha toda vez que ele dizia que era bonita. Ou que congelante quando ele disse que não gostava de Mauricio porque o atleta tinha dado em cima de Ayla.
Quer dizer, ele não gostava dela de verdade, certo? Não podia estar com ciúmes!
Mas descobrir estava ainda mais difícil, porque depois que deixou escapar sobre Maurício, Lucas começou a fugir descaradamente de Ayla.
Foi por isso que ela o encurralou na sala do jornal, entrou de fininho na ponta dos pés na sala onde Lucas editava as fotos que iriam pro jornal. Ela planejava surpreendê-lo mas quando viu a tela do computador, foi Ayla quem se surpreendeu, acabando por fazer barulho.
Na tela do computador de Lucas, havia dezenas de fotos dela, de jogos e atletas sim, mas dela, de Ayla. Dela olhando pra câmera e sorrindo pra ele, dela distraída narrando algum jogo ou entrevistando alguém, dela apenas existindo.
Por toda a tela, intercalando entre fotos realmente profissionais, havia cabelos ruivos, óculos de coração, unhas feitas e sorrisos contidos. Ayla estava estampada em todas as fotos de Lucas.
Quando ela bateu a porta sem querer, Lucas pulou da cadeira e se virou pra ela, arregalando os olhos e com as mãos rápidas pra fechar a aba.
- Eu posso explicar! - ele exclamou
- Eu adoraria ouvir! - ela devolveu, se recompondo e trancando a porta atrás de si, pra impedi-lo de fugir mais uma vez
Lucas estava ofegando, os olhos na chave que Ayla guardava no bolso e no computador com a aba das fotos ainda aberta.
- Você não vai fugir de novo, a gente vai conversar, Lucas!
- Eu não tava fugindo! - ele disse, a voz aguda e desesperada, cedendo rapidamente quando ela endureceu o olhar - Ta... eu tava...
- Você disse que não gostava do Maurício porque ele deu em cima de mim. Explica isso melhor.
- Ele... ele me perguntou num evento que fui com o Krave do time, se eu podia arrumar o telefone da... foi ele que disse isso ok? Não fui eu! Se eu podia arrumar pra ele o telefone da ruiva gostosa do jornal. E não me leve a mal, você é gostosa, ok? Mas ele falou como se você fosse um pedaço de carne e eu achei isso extremamente desrespeitoso.
Era fofo pra ela lembrar que Lucas fora criado pela avó e apesar de ser um homem, respeitava e tratava as mulheres como rainhas.
- Eu não gostei de como ele falou de você, não gostei de ele ter falado de você!
- Você ficou com ciúmes?
- Sim! - ele exclamou sem perceber e imediatamente tampou os próprios lábios assustado - Ayla...
- As fotos, o ciúmes... me fala, Lucas!
- Eu sou apaixonado por você, ta! É isso que você quer ouvir, não é? Eu sou apaixonado por você, Ayla, perdidamente e fodidamente apaixonado.
- E porque você nunca me contou?
- Porque eu não quero levar um fora, eu não quero ter que ouvir da sua boca que você nunca me veria como mais do que um amigo! Eu fui um covarde em fugir depois de ter deixado escapar, mas eu não queria levar um fora.
- Mas eu não vou te dar um fora, Lucas!
O grito interrompeu a trilha de pensamentos de Lucas, ele se assustou e encarou Ayla, que já o encarava, ofegante.
- Eu não vou te dar um fora, Lucas - ela repetiu - Porque eu gosto de você! Eu também sou apaixonada por você.
- Você... gosta? - ele congelou, sua voze trêmula
- Sim! Lucas, sim! - Ayla se aproximou, tomando coragem de colocar as mãos no rosto de Lucas, a barba por fazer contra suas palmas - Eu sou apaixonada por você. Nunca disse porque achei que fosse só eu...
- A gente podia... estar junto a mais tempo? Ah cara!
Ayla riu com a frustração genuína e se aproximou ainda mais, levando as mãos até a nuca de Lucas pra poder tomar os labios dele pra si.
O beijo começou de forma surpresa, como se até aquele momento Lucas ainda não acreditasse estar realmente beijando Ayla, mas uma vez que percebeu que era real, tudo mudou. Suas mãos grandes encontraram a cintura da ruiva e a puxaram contra si, sua língua contra a dela de forma possessiva e cheia de desejo.
Ayla não podia negar que também estava levemente surpresa com o beijo, ainda questionava sua conexão com ele. Mas quando o beijo com ele encaixou perfeitamente, ela teve certeza de que eles se conheciam de outras vidas, feitos completamente um pro outro.
- Você vai me mandar essas fotos?
- Agora que você sabe delas, eu mando. A gente... ta junto agora? Eu te peço eu namoro agora?
- Você quer namorar comigo, Lucas?
- Quero. Ei! Você me pediu em namoro!
- Sim, namorado - Ayla sorriu, roubando mais um selinho de Lucas e o fazendo também ter certeza de aquela era a garota de sua vida.
