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Falha ou memória não contada?

Summary:

Ayla ainda estava se acostumando com o novo grupo de amigos e parceiros de trabalho, mas ainda havia uma coisa que a incomodava. Ela não sabia exatamente o que mas algo em Lucas a deixava com um sentimento esquisito. O grupo estava indo investigar o novo caso dado por Adélio sobre uma família que desapareceu misteriosamente. Quando chegam lá, Ayla percebe que esta missão pode estar envolvida com algo muito maior que apenas um caso paranormal

Notes:

Essa história se passa no "novo mundo" do episódio 21 de X da questão. Não parava de pensar nele e fiquei criando mil rumos diferentes que a história podia ir. Essa foi uma delas, (qualquer informação sobre a missão em si foi tirada das vozes da minha cabeça)

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Os cinco estavam na van em direção a nova missão. Uma família que desaparece misteriosamente sem sequer deixar vestígios não é um caso que se vê no dia a dia. Mas casos como esse eram exatamente o tipo de coisa com que eles lidavam. "Eles" ainda não tinham um nome propriamente dito mas, no momento, a preocupação era outra.

- Eu já disse que não fui eu que roubei seu chocolate. - Lucas dizia na defensiva enquanto sua prima agarrava a gola de sua camisa.

- Não se faça de sonso Lucas, o chocolate que o Krave me deu sumiu e você é o mais guloso dessa van. Se você tiver comido, eu juro que te mato aqui e agora.

- Espera pessoal, primeiro temos que respirar, sentar e conversar para solucionar o problema. - Benício disse, tentando acalmar a situação, o que fez Nina revirar os olhos. - Vamos lá, Lucas foi você que pegou o chocolate da Nina?

- Eu já falei que não. - Lucas insistia.

- Mentiroso!

- Nina, eu tenho mais chocolate aqui, não precisa se preocupar- Krave fala, estendendo outro para ela, dessa vez, o seu favorito.

- Obrigada Krave! Viu Lucas, você faz a besteira e deixa tudo pro Krave resolver.

- O que? Mas eu nem fiz nada .

Ayla dirigia enquanto olhava para o retrovisor, vendo a situação cômica na parte de trás. Era engraçado pensar em como sua vida mudou de cabeça pra baixo desde o dia que se intrometeu naquela situação da Loira do Banheiro. Ela ouvira alguns clientes da antiga cafeteria em que trabalhava falando de rumores de uma cada mal assombrada, como ela não se interessaria? E agora ela iria atrás desses acontecimentos sobrenaturais como uma trabalho, dava pra acreditar? Mas não podia negar que, pela primeira vez, tinha um mal pressentimento sobre esse caso.

Enquanto estava perdida em seus pensamentos, ouviu sons de alguém se aproximando.

- Tem espaço pra mais um? - Krave perguntou, olhando para a ruiva.

- Claro, senta aí.

Ele se senta e os dois começam a conversar sobre várias coisas. Krave contava dos diferentes tipos de cafés que carregava em seu cinto, discutiam sobre os esportes que costumavam praticar, além de várias outras coisas. No meio da conversa, Nina se junta à eles e os três se aprofundaram ainda mais nos assuntos que falavam.

Em alguns momentos, não podia deixar de verificar como estava Benício. Ele havia cometido um erro muito perigoso no dia anterior e estava se sentindo muito culpado. Ela entendia que o mesmo tinha dificuldades em se enturmar com outras pessoas mas nem todos ali pareceram ter a mesma compreensão que ela. Aparentemente só outra pessoa teve.

Lucas

Lucas conversava com Benício, tentando fazê-lo falar sobre seus gostos e parecia estar sendo bem paciente com o loiro. Ele era uma incógnita para Ayla de uma forma que ela ainda não conseguia desvendar. Não havia falado com ele tanto quanto o resto pois não conseguia entender os sentimentos que surgiam quando estavam juntos. Era como se o conhecesse há muito mais tempo do que parece.

Depois de uma longa viagem, eles finalmente chegam no local do caso. Ela estaciona a van e enquanto eles iam saindo e se organizando, Ayla vai se aproximando de Lucas.

- Oi Lucas

- Eae Ayla, beleza?

- Ah sim, tudo bem. Eu só queria te agradecer.

- De nada! Mas pera, pelo o que exatamente?

- Por ter ficado ao lado do Benício durante a viagem. Eu estava preocupada com ele com tudo que aconteceu ontem. Ele não tem muito jeito pra se enturmar mas ele tenta o melhor dele, de certa forma.

Ayla percebe um leve rubor nas bochechas dele e ela sente um leve nervosismo repentino. Ela tinha que admitir que ele ficava uma graça envergonhado.

- Ah, isso não foi nada. Ele até que é bem legal quando não tá tentando matar a gente.

- Lucas!

- Ok, foi mal, desculpa não está mais aqui quem falou. - Ele se distanciou, se reencontrando com o restante.

Se Ayla já estava com mal pressentimento antes, agora ela sentia uma certa hesitação para entrar na casa. Olhando pelo lado de fora, é uma casa bem comum, um pouco maior que outras na redondeza mas nada que se destacasse tanto. Não parecia tão abandonada quanto imaginara, talvez pelo sumiço ter sido recente.

- Acho melhor nos separarmos para procurar por pistas. - Lucas fala, com um sorriso de orelha a orelha. - Eu sempre quis falar isso.

- Lucas, a gente não tá no Scooby doo. - Nina falou, arrumando algo no porta malas da van. - Mas concordo, vai ser mais rápido assim. Eu fico com o Krave.

- Por que? - Lucas dizia indignado.

-Porque eu acabei de decidir isso.

- Então nós três ficaremos juntos. - Ayla fala, apontando para Benício e Lucas.

- Ah não ser que você queira vir com a gente Ayla, fica contigo. - Krave diz, dando um sorriso de lado para Nina.

- Eu... - Ela olha para Benício que ainda estava meio cabisbaixo. - Vou com eles mas obrigada.

Krave dá de ombros olhando para Nina, que estava com alguns utensílios na mão.

- Seguinte, isso aqui são pra nos proteger se tiver alguma coisa lá dentro. Não é nenhuma mil maravilhas mas conseguirão escapar e se reunir para acabar juntos com o que é que for. - Nina diz, entregando o aparelho para cada um.

- Beleza turma, vamos desvendar esse mistério! - Lucas fala, apontando para a entrada e indo em direção a ela.

- Lucas, para. Ninguém tá achando graça. - Nina o repreende.

- Tá... chata.

- Eu achei legal. - Benício se aproxima de Lucas e sussurra para ele.

- Valeu cara.

Finalmente eles entram e, ao contrário do lado de fora, o interior parecia que um tornado havia passado por ali. Muitas mobílias viradas por toda a parte, paredes com buracos enormes e todas as lâmpadas estouradas.

- Meu deus, o que poderia ter causado essa bagunça toda e sem afetar nada do lado de fora? - Ayla se questiona, falando mais consigo mesma do que com os outros.

- Isso que vamos descobrir. - Benício diz, com um humor completamente diferente de alguns minutos atrás. Ayla o conhecia o suficiente, estava usando o caso para distrair sua mente. - Como estamos em maior número, podemos olhar o segundo andar enquanto a Nina e o Krave vasculham por aqui.

- Por mim tudo bem.- Krave fala e Nina concorda com a cabeça.

Ayla, Lucas e Benício sobem as escadas e o segundo andar não estava tão diferente do primeiro. Quadros e vasos de planta destruídos, todas as portas dos corredor abertas e as paredes estavam com rachaduras e manchas de umidade.

- Isso vai ser bem mais difícil que eu pensava. - Lucas olhava para o local com uma expressão de curiosidade. - O que vocês acham de nos separarmos também, deve ter pelo menos uns 3 quartos aqui, aí cada um de nós vê um quarto.

- Tem certeza? - Ayla pergunta, eles já tinham se separado uma vez, uma segunda não parecia ser uma ideia boa. - E se alguma coisa acontecer?

- Ayla, não tem por que se preocupar, seja lá o que causou isso tudo, aparentemente já cumpriu seu objetivo. - Benício tranquiliza Ayla, colocando a mão em seu ombro. - Além de que temos o que a Nina nos deu pra nos protegermos

- Falou e disse loirinho. - Lucas fala, indo em direção ao cômodo maior. - Eu vou investigar por aqui, vão nos outros e qualquer coisa gritem.

Ayla entrava sozinha no quarto, enquanto Lucas e Benício investigavam os outro quartos. Tinha desenhos de giz espalhados pela escrivaninha, alguns com um rabisco enorme no meio, a cama cheia de pelúcias completamente destruídos e partes de brinquedos espalhados no chão. O que antes era um quarto de uma criança, agora era apenas destroços. Enquanto procurava por qualquer coisa que fosse ajudá-los no caso ela acaba tropeçando nas ruínas, caindo no chão. Ao olhar para frente, encontra um baú rosa com detalhes prateados escondido debaixo da cama. Ela vai em direção ao objeto que estranhamente já estava aberto, e o que estava dentro a surpreende.

Uma adaga.

Não era como qualquer adaga. Ela tinha uns detalhes macabros, o punho vermelho, um símbolo de olho no meio e uma chaveiro da 'olá gatinho'. Que tipo de criança teria uma coisa daquelas? E que tipo de pais deixariam isso com a própria filha? Ayla estava indo pegar o objeto misterioso quando aparece algo na adaga. Parecia estática? O que fosse, tinha que avisar os outros imediatamente. Ela levanta com o baú em mãos e, de repente, um barulho na janela a faz parar.

Um corvo.

Ayla sabia que não existia corvos ali, era impossível uma coisa dessas. Mas ele estava logo ali, na sua frente e fazia um barulho ensurdecedor, parecendo a alertar de algo. Mas apesar dos gritos da ave, ninguém apareceu no quarto, como se só ela o escutasse. Ele também estava com a mesma estática ao seu redor. Ela estava apavorada, mudando seu olhar entre a porta, o corvo e a adaga em suas mãos, sem saber exatamente como prosseguir. Ia gritar por ajuda mas o corvo voou em sua direção, a distraindo e fazendo com que derrubasse a caixa, para proteger seu rosto. Quando abre seus olhos novamente, o corvo e a adaga haviam desaparecido completamente, como se nunca estivessem lá.

Ela estava paralisada, processando o que tinha acabado de acontecer. Ela deveria contar para os outros mas por algum motivo sentia como se seu próprio subconsciente a impedisse. Ela então, se lembrou dos desenhos e foi diretamente à eles. Eram bem coloridos e com bastantes detalhes mas dois específicos chamaram sua atenção. Um deles era dois adultos e seus filhos e, entre eles tinham uma casa e uma árvore, enquanto o outro tinha a mesma adaga e o corvo com uma seta apontando para a ave escrito "amigo". Porém tanto a família quanto a adaga e o corvo estavam cobertos por rabiscos, estes que com certeza não haviam sido feitos por uma criança. Mas aquilo já lhe dava algumas informações.

Ou a criança tinha visto a mesma coisa que ela viu e, talvez tenha contado para o resto da família, ou todos eles viam aquelas coisas bizarras e isto de alguma maneira, ocasionou no desaparecimento de todos da família. Algo que, provavelmente, nem eles e nem Ayla deveriam ver. Como falhas.

Mas então, o que a torna como um deles? Será que seria a única do grupo a conseguir enxergar essas coisas? E sem contar na estática que havia neles. Nenhum outro lugar ou objeto da casa, pelo menos o que ela reparou, tinha esses glitch.

- Ayla, tá tudo bem? A gente estava te chamando mas você não respondia. - Lucas aparece na porta, com um olhar preocupado.

Quando se virou para olhá-lo, tomou um susto. Seu rosto estava aparentemente normal mas suas mãos e seus braços estavam cobertos pela estática. Mas ele não parecia nem notar, o que leva a teoria de que, por algum motivo, era a única que conseguia vê-los.

- Ayla?

- Desculpa, é que eu me assustei. Eu só achei esses desenhos, imagino que tenham sido feitos pela filha do casal. - Ela entrega os papéis pra ele. - Cadê o Benício?

- Ele desceu com o resto, não encontrou nada que nos ajudasse. - Ele disse, vendo os papéis. - Olha, essa criança era bem artística, se eu fosse os pais, colocava esse da família toda na parede. Mas pq vc me deu uma folha em branco?

Lucas virou a folha pra ela ver. Ela via exatamente o desenho da adaga e do corvo rabiscados mas ele não? E ele não enxergava o rabisco na família?

- Estava tudo junto, imaginei que tivesse algo ai também. - Não sabia por que estava mentindo, ainda mais para Lucas, mas sua intuição dizia que não era uma boa ideia contar nada por agora.

- Tudo bem, vamos descer e ver o que o Krave e a Nina acharam.

- Vai na frente, só vou fazer uma coisa antes.

- Beleza.

A última coisa que ela faz antes de ir é pegar seu caderno de anotações de situações paranormais, coloca o desenho da adaga e do corvo dobrado dentro, e começa a escrever:

𝒜 𝒶𝒹𝒶𝑔𝒶 𝑒 𝑜 '𝒸𝑜𝓇𝓋𝑜 𝒶𝓂𝒾𝑔𝑜'
𝒮𝒾𝓃𝓉𝑜 𝓆𝓊𝑒 𝓈ã𝑜 𝒶𝓅𝑒𝓃𝒶𝓈 𝓂𝒶𝒾𝓈 𝒹𝑜 𝓆𝓊𝑒 𝓅𝒶𝓇𝑒𝒸𝑒𝓂. 𝒮𝑒 𝓈ã𝑜 𝒻𝒶𝓁𝒽𝒶𝓈, 𝒻𝒶𝓁𝒽𝒶𝓈 𝒹𝑜 𝓆𝓊𝑒 𝑒𝓍𝒶𝓉𝒶𝓂𝑒𝓃𝓉𝑒?
𝒩ã𝑜 𝓈𝑒𝒾 𝓈𝑒 𝓈𝑜𝓊 𝒶 ú𝓃𝒾𝒸𝒶 𝓆𝓊𝑒 𝓋ê 𝑒𝓁𝑒𝓈 𝑜𝓊 𝓂𝒶𝒾𝓈 𝒶𝓁𝑔𝓊é𝓂 𝓋ê, 𝓂𝒶𝓈 𝒹𝑒𝓋𝑜 𝓉𝑜𝓂𝒶𝓇 𝒸𝓊𝒾𝒹𝒶𝒹𝑜 𝓅𝒶𝓇𝒶 𝓆𝓊𝑒𝓂 𝑒𝓊 𝒻𝒶𝓁𝑜 𝓈𝑜𝒷𝓇𝑒 𝒾𝓈𝓈𝑜. 𝒫𝑜𝓇 𝑒𝓃𝓆𝓊𝒶𝓃𝓉𝑜, 𝓋𝑜𝓊 𝒹𝑒𝒾𝓍𝒶𝓇 𝓇𝑒𝑔𝒾𝓈𝓉𝓇𝒶𝒹𝑜 𝒶𝓆𝓊𝒾.

𝐸𝓈𝓉á𝓉𝒾𝒸𝒶
𝒩ã𝑜 𝓈𝑒𝒾 𝑜 𝓆𝓊𝑒 é 𝒾𝓈𝓈𝑜 𝓂𝒶𝓈 𝓈𝑒 𝑒𝓊 𝓋𝑒𝓇 𝒹𝑒 𝓃𝑜𝓋𝑜, é 𝒸𝑜𝓂𝑜 𝓊𝓂 𝑔𝓁𝒾𝓉𝒸𝒽
𝒢𝓁𝒾𝓉𝒸𝒽 = 𝒻𝒶𝓁𝒽𝒶 (?)

𝐿𝓊𝒸𝒶𝓈
𝒮𝑒𝓃𝓉𝒾𝓂𝑒𝓃𝓉𝑜 𝒹𝑒 𝒻𝒶𝓂𝒾𝓁𝒾𝒶𝓇𝒾𝒹𝒶𝒹𝑒 𝑒𝓈𝓆𝓊𝒾𝓈𝒾𝓉𝒶
𝐸𝓈𝓉á𝓉𝒾𝒸𝒶 𝑒𝓂 𝓈𝓊𝒶𝓈 𝓂ã𝑜𝓈 𝑒 𝒷𝓇𝒶ç𝑜𝓈 (𝓅𝓇𝑒𝑜𝒸𝓊𝓅𝒶𝓃𝓉𝑒!)

Ela fecha-se caderno e vai em direção ao grupo, com mais perguntas do que respostas.

Notes:

Espero que tenham gostado! É minha primeira vez postando algo aqui, queria muito fazer algo relacionado ao novo mundo e esse novo 'X da questão'. Sempre li muitas histórias criativas dentro do universo de equiverso, que me deixaram mais confiante para postar a minha.