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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2026-07-06
Updated:
2026-07-09
Words:
33,797
Chapters:
2/?
Kudos:
3
Hits:
65

Nobre loba

Summary:

Shin Yuna e Jang Wonyoung não se dão muito bem; nunca se deram, desde que passaram a dividir o dormitório caro de Wonyoung como punição para alguns mau comportamentos desta alfa descarada. Yuna, uma ômega de que guarda sua linhagem nobre como um segredo, quer o máximo de distância possível da destruidora de corações; Wonyoung, claro, não deixa barato ser desgostada sem o que acredita ser um bom motivo.

Até que Yuna precisa de ajuda. E, bom. Ela está logo ali.

Chapter 1: I.

Chapter Text

Yuna estava fazendo seu café da manhã quando a porta do quarto de Wonyoung abriu.

E quem saiu dele não foi Wonyoung.

Uma ômega tropeçou suavemente através do portal, a maquiagem borrada, o cabelo totalmente bagunçado e roupas de festa mal colocadas de volta no corpo. Seus saltos na mão balançavam, e seu cheiro, Yuna não soube reconhecer de imediato, porque estava todo misturado com a cereja característica da alfa com quem dividia o apartamento.

— Bom dia, — Ela cumprimentou, porque tinha sido bem educada por sua mãe, claro, mas isso espantou a loba, que não havia notado outra presença no apartamento.

— Minha Deusa! Bom dia… — Ela parou, ali, entre as portas dos quartos e a cozinha, assistindo Yuna.

— Não precisa sair assim, tome um café antes. Você parece de ressaca. — E o cheiro dela, mel, ela detectou, estava também misturado com um certo teor alcoólico. Com certeza ela tinha sido a conquista da noite de Wonyoung, se houvesse alguma dúvida antes.

Nem sabia que a alfa tinha saído pra uma festa, mas não se surpreendia, nem um pouco. Yuna chegou tarde depois de perder a hora fazendo um trabalho na biblioteca, e nem tinha conseguido terminar, então passou na casa do primo para ver se continuava, já que estava no fluxo do estudo e não queria perder uma coisa boa. Chegou por volta de umas 22h no apartamento, e quando chamou o nome de Wonyoung, ela não respondeu; como não era sua mãe, Yuna só deu graças pela paz que teria e foi dormir.

Dormiu tão pesado, pelo jeito, que nem ouviu a habitual barulheira da alfa quando ela levava ômegas para o apartamento das duas. Tudo bem, nem sempre ela era escandalosa, dependia muito da mulher que ela trazia, mas aquela moça não tinha cara de ser calada.

Yuna engoliu seu ressentimento quando a ômega sentou à sua frente e se moveu para apanhar uma xícara e servi-la de café. Odiava quando seu rancor por Wonyoung era tanto que transbordava e se tornava em veneno contra as ômegas que ela ficava: você não sabe com quem está se metendo? Tenha dó! Procure algo melhor pra si, tenha algum respeito! Sentia-se omegafóbica, mesmo sendo uma, e sacudia a cabeça para se livrar daquela misoginia.

Quando ouviu a porta abrir de novo, seu ventre retraiu de um certo jeito, e Yuna entendeu consigo que, é, o seu cio estava chegando, merda.

— Bom… Ah. — Wonyoung, seu longo cabelo castanho e seus olhos enormes e redondos e sua boca perfeita e cheia e suas pintas adoráveis pararam a meio caminho, assim como a ômega tinha feito, olhando as duas na bancada. — Yuna.

— Bom dia, — Ela resmungou. Era educada, mas a contragosto. — Tome café.

Muito mais seca do que havia falado com a ômega; a tensão começou a crescer, mesmo com aquelas poucas palavras. Wonyoung cheirava a cereja e mel, e Yuna queria esfregar a cara dela no balcão para ver se aquele cheiro saía.

A alfa, já frustrada, revirou os olhos e andou a passos pesados para o rack em que penduravam as canecas, pegando a sua favorita e a enchendo até o talo de café. O cheiro de canela de Yuna estava mais forte, mais doce e mais… Pungente, e Wonyoung registrou aquilo em sua mente enquanto dava a volta por trás dela para chegar na outra ômega e beijá-la no pescoço.

— Ah…

Wonyoung murmurou algo que Yuna não quis ouvir, e ela fechou os olhos para poder revirá-los com alguma paz e sem grosseria. Ouviu um beijo estalado, e seu estômago revirou, quente de raiva; Yuna não era obrigada a aturar aquilo numa manhã-quase-tarde de domingo. Wonyoung não tinha nada que estar se esfregando numa vagabunda, quer dizer, numa pobre coitada antes mesmo do almoço.

— Fiquem à vontade, — Ela pulou da banqueta, pegando sua tigela de iogurte e frutas. — Vou comer no quarto.

Wonyoung desatracou do pescoço da ômega que ela passou a noite pirocando, enfim, olhando para Yuna como se fosse um desaforo ela se afastar daquele jeito. E nem Yuna entendia porquê se sentia tão agressiva; não lembrava de se sentir competitiva nos seus outros cios…

Mas, também, seus outros cios tinham sido diferentes. Ela ainda não convivia com Jang Wonyoung na época, não tinha uma alfa cuja atenção ela desejava disputar instintivamente, não importasse o quanto ela a odiasse logicamente. A mente era uma coisa, os instintos eram outra, e às vezes, eles colidiam em rotas totalmente opostas.

— Ei, venha tomar café aqui!

— Não quero, — Yuna fechou a porta atrás de si com um puxão pelo pé, livre, enfim, do cheiro tantalizante de cereja.

Suspirou, sentindo algo em si afrouxar, mas aquele algo, infelizmente, não foi seu ventre.

Fazia quase exatos três meses desde que se mudou para o dormitório de Jang Wonyoung, um dos mais bem equipados, e que nem configurava só dormitório, mais; com dois quartos e uma sala-cozinha, era um apartamento-estúdio por si só. A alfa havia aprontado algo, que Yuna não sabia bem o quê, ainda, pelas costas do pai, e ele entrou em contato com seus pais para fazer a oferta de Wonyoung ter uma colega de quarto. O que Yuna ganhava com isso? Acomodações muito melhores, não ter mais que pagar a taxa de dormitório, estar mais próxima da universidade, e, ou pelo menos o senhor Jang havia dito, "a proteção de uma alfa forte".

Essa última parte não tinha saído bem como o esperado.

Jang Wonyoung era uma alfa descarada, que sabia da sua posição social como uma filha de um homem riquíssimo e como alfa: não era uma bully, mas não era flor que se cheirasse, com pouquíssimos amigos e muitíssimas roupas de marca, e era uma playboy (ou seria playgirl?) de marca maior. Não tinha um fim de semana em que ela botasse o pé para fora de casa que ela não voltasse com uma ômega feminina no braço, no colo… Yuna se surpreendia que ainda tinha quem ela comesse.

Nunca ligava depois, nunca dava a mínima. Algumas sabiam, outras não. Algum crédito tinha de ser dado: Wonyoung nunca prometia mais que só uma foda, mas algumas ômegas queriam, achavam que seriam capazes de prendê-la se o sexo fosse bom. Óbvio que nenhuma conseguiria: Wonyoung gostava mais de si mesma e da própria liberdade do que de qualquer ômega que pudesse foder.

Bastava dizer que Yuna não gostava disso. Da arrogância, dos hábitos de promíscua, da frieza com que ela tratava as ômegas (apesar de que, neste caso em específico, ela não a julgava; não gostava, mas não tirava a razão dela). A inimizade começou instintiva e rápida, surgindo como autoproteção, e elas viviam se engalfinhando, brigando; o dormitório era um lugar tenso por isso.

Mas não queria dizer que não havia certos… Momentos entre elas. Quando Yuna tinha o desprazer de ver Wonyoung trazendo uma ômega pra casa, mais de uma vez trocaram olhares antes da alfa se tornar intencionalmente provocativa. Agarrar a bunda, beijar o pescoço, lamber a pele visível, tudo olhando Yuna nos olhos enquanto a ômega infeliz da vez estava de costas para ela, o cheiro da outra só não se tornando mais forte que o da alfa que a beijava. E Yuna…

Não podia dizer que não se sentia provocada. Que não se sentia atraída. O aroma de cereja de Wonyoung… Era bom, era atraente, e seus feromônios de alfa eram fortes, fora que a alfa era belíssima e Yuna não era cega. Mas os supressores continham bem seus instintos em relação ao cio, então ignorava a lubrificação que escorria à demonstração de tesão de Wonyoung e ia pro seu quarto, mal humorada. Não queria Wonyoung mais do que queria nunca ser uma das ômegas com quem ela brincava.

Porém, seus supressores exigiam uma pausa a cada três meses. Já havia tentado ignorar a pausa, e o cio que se seguiu, forçando-se através do quinto mês, foi terrível, doloroso, desastroso. Não faria mais aquilo, não sofreria mais duas semanas de cio nem que lhe pagassem. Então, após cinco dias cortando os supressores ao meio, havia enfim acabado com o frasco… E já sentia ele se aproximando. Seu ventre aquecia, entesava-se numa sensação de nó, e ela já temia acordar no dia seguinte toda molhada e quente.

E seus instintos de ômega estavam hiperfocando na alfa deliciosa e canalha que estava beijando outra mulher na cozinha.

Precisava sair, pedir da enfermeira o atestado por cio. Nessas horas, ter se mudado era bom: chegava na enfermaria com menos de 10 minutos de caminhada. Sentou para terminar de comer, pernas cruzadas na cama, seu iogurte e suas frutinhas, desejando não pensar em cereja, cereja, cereja. No quanto queria sentir o sabor de cereja em sua boca, no quanto…

Grunhiu. Seu cio ia começar muito mais rápido do que esperava, se já estava se sentindo daquele jeito. Se seu desejo de cruzar estava tão intenso que queria ignorar o quanto Wonyoung era escrota e só queria dar pra ela. Terminou de comer com pressa e trocou de roupa, suspirando ao sentir uma pequena umidade em sua calcinha. Nada de mais, pelo menos: considerando a situação atual, era pouco ainda.

Vestiu-se com roupas que cobrissem seu pescoço e seus pulsos, ou seja, um moletom de lã grosso e justo, e um shorts fresquinho pra equilibrar; manteve o cabelo solto, decidiu que lavaria a louça depois, quando tivesse certeza de que Wonyoung não estaria na cozinha, e saiu, bolsa no braço. Precisava estocar seus supressores pro próximo mês, também.

Wonyoung estava sentada no sofá pequeno, pernas cruzadas, braços cruzados, e o pescoço dela estralou com a velocidade que ela virou a cabeça para olhar para Yuna.

— Vai onde?

— De que te interessa? — Yuna rosnou, já frustrada. — Cadê sua namoradinha?

— Ah, vai se foder, Yuna, vai, — Wonyoung ficou de pé como um furacão. — Me interessa porque você tá fedendo a cio!

Fedendo. Nossa, Wonyoung era insuportável.

— E, de novo, o que isso tem a ver contigo? — A ômega cruzou os braços, sentindo a briga entre seu desejo de cruzar e seu desejo de se impor como loba. Fechou os olhos, longamente, tentando controlar a transformação. Sempre teve o sangue quente para isso…

— Você é doida, por acaso? Vai sair por aí atraindo todo e qualquer alfa num raio de 100 metros? — Ela bateu os pés até estar na frente de Yuna, seus três centímetros a mais fazendo-se evidentes. — Você não deveria sair sozinha. Você tá… Indefesa.

— Indefe- — Yuna bufou, surpresa com a ousadia. — Eu não preciso de proteção de ninguém.

Uma narina de Wonyoung tremeu.

— Talvez não. Mas… Vai precisar de ajuda com seu cio, — Um passo a mais, para mais perto. Mais próximas. — E o seu cheiro está… Delicioso. Qualquer alfa tentaria algo com você.

Qualquer alfa tentaria te comer.

— Eu não quero. — O lábio superior de Yuna tremeu, ameaçando revelar os dentes num aviso. — Passo meus cios sozinha, sempre passei, nunca quis alfa e não vou querer agora. E, pra não te provocar com meu cheiro, vou tomar os inibidores hoje também. Sabe, porque eu sei me proteger de alfas canalhas que só querem uma foda fácil.

Wonyoung só sorriu, cínica.

— Então tá. Boa sorte amanhã.

Yuna grunhiu.

— Vá se ocupar com a próxima coitada que abrir as pernas pra você, — Yuna cuspiu, sentindo um ácido revolto no fundo de seu estômago desconfortavelmente parecido com ciúmes. Deu as costas, pisando forte até a porta, então não viu o rosto de Wonyoung cair, incrédula, com aquela frase. — Ou vá atrás da que te deu, ontem. Você deve estar entediada.

Bateu a porta atrás de si na saída, deixando Wonyoung furiosa, surpresa, de sangue quente e o pau meio duro na calça moletom. Bufou, contando alguns segundos para ter certeza de que Yuna não voltaria por ter esquecido nada, e girou nos calcanhares para ir ao quarto dela.

Dela. De Yuna.

Desde que ela havia se mudado para morar com ela, Yuna havia sido uma pedra no seu sapato e um desejo secreto que Wonyoung não conseguia se convencer de não alimentar. A ômega tinha um dos cheiros mais deliciosos que ela já havia sentido, se não o melhor, e seus feromônios eram fortes: Wonyoung precisava de muita concentração pra não ceder aos seus instintos base e sair por aí, atrás de Yuna, perseguindo todo e qualquer alfa que olhasse para ela; precisava de muita força para não cair de joelhos, para não sentir o impulso de servi-la, de protegê-la, de prover para ela. A mera visão de Yuna cozinhando fazia Wonyoung salivar pensando no gosto dela e seu membro ficar meia bomba nas boxers, querendo saber a sensação de estar dentro dela, enchê-la, fazer filhotes nela, dormir e acordar com ela ao seu lado e seu pescoço com…

Mas Yuna a odiava, e Wonyoung nem sabia direito porquê. Ok, ela já havia dito, mais de uma vez, que a achava arrogante e canalha, que ela era uma solteirona que gostava de rodar na mão de toda ômega que desse a ela a oportunidade, e que achava que ela era incapaz de sentimentos genuínos, mas de onde vinha tudo aquilo? Ela podia ser tão fervorosa em relação aos próprios princípios? Ou ela era alguma bobona romântica que achava mais do que ruim, acreditava ser uma falha de caráter não ser uma bobona romântica?

Independente, Yuna não gostou dela de primeira, e Wonyoung não cederia fácil, não se faria palatável. Pela Deusa, ela era Jang Wonyoung! Em breve seria CEO da empresa do pai, rica, teria o mundo na palma da mão. Ela se recusava a ser feita menor do que era. Não tinha porquê ficar triste que uma ômega gostosa, poderosa, cheirosa não gostava dela.

E ainda assim.

Wonyoung se sentia tão atraída por Yuna, queria tanto ela, e queria tanto provar que ela era tão humana quanto si própria, que ela era tão falha, tão carnal, tão imoral quanto ela própria, que tudo se juntava no desejo uno de conseguir fazer sexo com ela. Quando conseguisse, pela Deusa, foderia ela de tantos jeitos que Yuna nunca teria uma parceira, parceiro, parceire, o que quer que fosse; ela nunca acharia um melhor que Wonyoung, nunca esqueceria dela. E ela nunca esqueceria de Yuna.

Porque já não estava conseguindo esquecer muito, mesmo.

Entrou no quarto dela. Deusa, o cheiro de canela foi como um murro em seu rosto, dentro de seu nariz; ela sorriu, satisfeita. Melhor que aquilo, só se o provasse direto das glândulas olfativas dela. Era intenso, doce e…

Wonyoung farejou um pouco a mais. O que era aquilo? Suas narinas tremeram com as inspirações curtas e rápidas. Um toque… Algo frutado, fresco, logo embaixo daquele cheiro pesado e intenso da canela, algo leve…

Tangerina?

Os olhos de Wonyoung quase caíram da cara. Canela e tangerina. Não lembrava de ter sentido aquele cheiro em Yuna antes, não naquela intensidade, mas algo frutado já tinha detectado, sim; porém, nunca claro o suficiente para distinguir o que era, já que os feromônios de Yuna amargavam assim que Wonyoung entrasse no cômodo.

O cheiro dela ficava cada vez melhor, mais delicioso, mais poderoso, indicativo da força da linhagem dela. Shin Yuna era cada vez mais tantalizante.

Começou sua busca pela escrivaninha. Ela era bem organizada, até, livros e cadernos separados por matéria, o notebook alinhadinho no meio… Que gracinha. Folheou um bloco de notas de coração e resistiu à vontade de tirar uma notinha e escrever algo para a ômega, algo como um simples ♡ ou "bom cio, querida". Mas resistiu, e o que procurava não estava nas gavetas da escrivaninha.

O outro lugar que fazia sentido era na sua mesa de cabeceira. E bingo: um vidrinho de inibidores olfativos, já nas últimas. Abriu o tubinho e o esvaziou em sua mão, colocando os comprimidos no bolso da calça.

Queria sentir o cheiro dela pelo dormitório inteiro. Queria que ela precisasse dela, e não podia mais interferir no ciclo de supressores (nem que pudesse o faria), mas pelo menos no cheiro, ela podia. E Yuna ou a confrontaria, exalando aqueles feromônios maravilhosos, ou teria orgulho demais para encará-la com seu cheiro tão fora de controle.

Ao lado do vidro menor de inibidores, um maior, gordinho, de supressores de cio. Pegou-o; estava vaziozinho. O rótulo rosa e roxo mostrava um coelhinho com cara de sofrimento, com as letras "suppressor de cio ômega" em letras garrafais, logo embaixo, e pequenos bullet points listando os benefícios de controle dos impulsos sexuais, redução de emissão de feromônios e alívio de estresse físico e emocional. "AVISO: NÃO USAR NO PRIMEIRO CIO" estava numa caixinha rosa escuro logo abaixo.

Yuna não deveria suprimir seu cio. Não sabia qual era a linhagem da matilha dela, da família dela, mas era forte; Wonyoung sabia porque alfas e ômegas mais fracos dobravam o joelho metafórico numa briga com ela, sentiam a imposição de sua família de sete gerações de alfas no seu cheiro. Era ela forçar um pouco mais seus feromônios e já era intimidadora. Yuna tinha peito de confrontá-la, encará-la, e não cedia não importava o quanto Wonyoung fizesse o dormitório impregnado de cerejas. Já havia pedido para o pai pesquisar quem era a família Shin, mas ele estalou a língua e a repreendeu, dizendo que ela deveria aprender humildade uma vez na vida depois do que o aprontou.

Quem liga para um Porsche batido quando se é rico e um suborninho pra polícia, minha Deusa? Ela só quis livrar o nome do pai, o seu, e ainda recebia ingratidão! E o policial nem aceitou o suborno! Dinheiro não deveria comprar tudo? Que saco. E a perda do Porsche valeu à pena; teve que fazer uma tomografia e levar medicamentos na veia para a sua concussão, mas ver o horror no rosto de Sunghoon fez tudo valer à pena.

Com o resto dos inibidores de Yuna no bolso, Wonyoung deu a volta; já iria sair, mas olhou para a cama da ômega e não resistiu. Tirando os chinelos que usava dentro de casa, da Chanel, jogou-se na cama macia, exalando canela para tudo que é lado.

Concentrou-se em controlar seus próprios feromônios: se ela deixasse um cheirinho de cereja que fosse, estava ferrada, então precisava não marcar a cama, o ninho de Yuna com sua presença. Inspirou fundo; ai, aquele cheiro… Suas boxers rendadas ficavam cada vez mais apertadas.

Wonyoung gostava de se divertir: não era vagabunda, estudava bem e tirava boas notas, mas cria piamente que o mundo era seu e a vida, uma só, principalmente sendo a filha mais nova e mulher de seu pai, então faria o melhor uso de tudo que tinha disponível. Adorava sexo, adorava festas, adorava estar por cima e conseguir o que queria. Por que deveria parar? Ela tinha sede por viver, e no momento, viver para ela implicava ter Yuna na sua cama, no cio dela, para ela cuidar. Para comer e prover.

Wonyoung sentou, parando para verificar consigo o que sentia. Era vingança? Era posse? Era instinto? Era uma quarta coisa secreta? Não tinha ódio de Yuna, só raiva de ser odiada de graça, mas nem isso era tão sério. Posse, hm, talvez fosse. A ideia de outro alfa com Yuna fazia Wonyoung querer arrastar quem quer que fosse de cima dela com os dentes, com as unhas, com as garras. Mas não era só posse: era amargo e pesado e retorcido. Ciúmes dela? Bom…

Instinto? Apesar de que existia uma camada disso, não era o motor de suas intenções. O instinto só tornava tudo mais irresistível, intenso, mas não era o que fazia Wonyoung querer Yuna.

Então, o que era? Uma atração misteriosa e inexplicável… E, sinceramente, isso sozinho bastava. Bastava para ela querer Yuna para si, para trabalhar para, amanhã, estar fazendo ela gozar com a boca.

E, sinceramente… Yuna era a única que Wonyoung não sentia vontade de fugir como o diabo na cruz depois. A única que a poderia fazer dormir na mesma cama duas vezes; tal era o encanto de Shin Yuna. Mas ela não precisava saber daquilo, ou ficaria mais ego inflado contra Wonyoung ainda.

Inalou o cheiro de canela uma última vez; considerou surrupiar uma roupa dela para levar para seu quarto e bater uma sentindo aquele aroma delicioso, mas isso já era um território meio assustador, então só levantou, a pressão sanguínea em seu membro batendo recordes, e saiu do quarto. Seu tesão estava subindo rápido, e era melhor ela estar controlada e impassível de novo quando Yuna chegasse.

Já no seu quarto, jogou o resto dos inibidores olfativos no lixo. Compensaria Yuna, compraria um vidro novinho pra ela dos inibidores bons, mesmo, A-1. Era um crime esconder aquele cheirinho de canela do mundo, mas Wonyoung não daria nada de segunda classe pra sua ômega-

Sua?

Sacudiu a cabeça. Estava com muito dela nos seus pulmões; fechou a porta de seu quarto e tirou a calça de moletom, a ereção visível em suas boxers brancas rendadas. Jogando-se na cama, fechou os olhos e imaginou aquela mulher linda em cima de si antes de enfiar a mão por dentro do tecido apertado.

Yuna voltou, infelizmente (ou felizmente?) para Wonyoung, antes de ela se satisfazer por completo, então chegou no seu dormitório com o cheiro pungente e poderoso de cereja, tão forte que pareceu recobrir sua língua, ouviu os gemidos e os sons da loba com sua audição aguçada e quase quis vomitar, bater na porta dela mandando ela parar, ou…

Não, que porra de ajudá-la? Droga, seu cio a deixaria doida.

— PELO MENOS BOTA UMA MÚSICA! — Gritou, sacudindo a bolsa como se fosse atirá-la na porta mas se conteve no último segundo, e fechou a porta de seu quarto com tudo para cortar o som, mas, de algum modo, ainda ouviu a gargalhada atrasada de Wonyoung.

Aquela alfa desgraçada tinha alegria em atormentá-la, a maldita.

Jogou-se em sua cama, ainda sentindo os feromônios da alfa impregnados em seu nariz; estava se sentindo frustrada, em todos os sentidos, e não conseguiu ficar cinco minutos deitada na cama antes de ter que se levantar para fazer algo. Buscou um livro para tentar tirar a mente de Wonyoung, mas quem disse que adiantou?

Seus olhos viam as palavras na página, mas ela só conseguia enxergar Wonyoung em sua mente. Imaginava se ela era proporcional lá embaixo, sendo ela alta e magérrima, e se as ômegas que ficavam falando dela em sua turma estavam exagerando o quanto ela era bem dotada. Diziam que ela sabia fazer absurdos com aquele pau, que ela metia rebolando e sabia acertar todos os pontos certos, e que era uma delícia de grosso, apesar de sua dona ser esguia…

Grunhiu. Não passou de dez páginas antes de, aparentemente, seus pensamentos invocarem a desgraçada para seu quarto: sua porta abriu, lentamente, e Wonyoung sorria como uma sacana para a ômega de cabelos loiros, deitada reta na cama como se não conseguisse relaxar (porque não conseguia, mesmo).

Ela estava com uma blusa preta, solta, que não escondia nada a curva de seus seios, cheios e bonitos, e boxers azuis rendadas, com um volume muito mal disfarçado, se é que ela tentou disfarçar. Pelo exercício físico, a chapinha em seu cabelo havia desfeito, ou a escova, o que quer que fosse, e agora o ondulado natural de Wonyoung estava dando as caras, deixando ela ainda mais linda…

O olhar de Yuna caiu para as boxers antes de ela conseguir controlar e forçá-lo a subir para o rosto dela, mas seus instintos a faziam querer olhar. Encarar. Admirar com vontade, com desejo, com curiosidade, e não conseguia disfarçar o impulso, o que deu uma enorme satisfação para a alfa.

— Ouviu tudinho? — Até a voz dela era de sacana.

— Que inferno, viu. — Fechou o livro com frustração. — Você é indecente. Ninguém quer ouvir você gemendo igual uma atriz pornô.

— Você que tá manjando minha rola. E seu cheiro tá incrível. Já almoçou? Posso fazer algo pra gente.

— Nem que eu não tivesse almoçado ia comer o que você cozinha, vai que me envenena. E você não tinha dito que eu estava fedendo?

— Eu, te envenenar? Você que me odeia de graça. E seu cheiro é ótimo, você sabe disso. — O sorriso de Wonyoung cresceu com malícia. — Ainda dá tempo de pedir minha ajuda e a gente se aninhar juntas pra esperar amanhã, sabe. Meus feromônios te ajudariam muito.

— Prefiro a morte.

— Ai! — Ela dramatizou, erguendo a mão ao peito. O cheiro de cereja começou a intensificar; Wonyoung, graças à Deusa, era uma boa atriz, e conseguia disfarçar o nervosismo do verdadeiro motivo pelo qual foi ali logo depois de gozar. Seu cheiro estava grosso e delicioso, a cereja tendo um quê de calda, e ela esperava que estivesse irritante o suficiente para Yuna não perceber caso ela tivesse, acidentalmente, marcado sua cama com seus feromônios. — Você realmente prefere sofrer cinco dias a trepar comigo?

— Sim, sua nojenta. —Resistiu à vontade de apertar as coxas com as imagens que o palavreado grosseiro lhe trouxe.

— Isso é ilógico. Não tô te pedindo em casamento, não vou te marcar. Posso até colocar mordaça em mim ou coleira em você. É só pra gente foder.

— Olha como você fala, Wonyoung! Você é babaca, rude, por que eu ia me sujeitar a ser mais uma que você deve falar que comeu sem se apegar?

— Ok, não é porque eu sou desapegada que sou escrota. — A alfa deu um passo à frente, cruzando os braços na frente do peito. — Não saio por aí difamando as mulheres que eu fico. É o mínimo. Pior não sou eu, que fico com todas?

Yuna ergueu uma sobrancelha, surpresa. Aquilo era… Um nível de autoconsciência que ela não esperava daquela alfa vagabunda, cachorra vira-lata.

— Huh. — Bufou. — Mas ainda não tenho interesse.

— Ah, que ódio! — Wonyoung ergueu as mãos ao céu como se pedisse paciência à Deusa. — Seu sangue é forte, eu sei. Eu não te suporto, mas seu cheiro me deixa doida. Eu saí do quarto hoje e fiquei de pau duro quando te senti. Me faz querer te emprenhar. Que matilha é a sua família?

— E ainda pergunta por que eu não quero dar pra você? — Yuna sentou, cruzando as pernas, exasperada. — Você é asquerosa. E de que te interessa de que matilha vem minha família?

Yuna não gostava de comentar. Não que não tivesse orgulho; tinha, e muito, mas achava que era o tipo de informação que mudava tudo. Que não deixava que a vissem da mesma maneira antes e depois de saberem. Preferia ficar quieta e deixar seu poder falar por si.

— Porque você é forte, e eu quero saber. — A alfa avançou um pouco mais. — Você não abaixa a cabeça pra mim, e isso me irrita tanto quanto me interessa. E eu consigo sentir no seu cheiro o quanto você é forte. Não me culpe por estar intrigada.

— Você só quer me comer pra ter mais uma conquista no seu nome, — A ômega esbravejou, teimosa e nervosa, quase tropeçando em si ao sair da cama para encarar a alfa mais de perto, cara a cara. — Duvido muito que você não vai sair falando merda ou se gabando, até porque todo mundo sabe que eu não te suporto.

— Você não faz questão de esconder, — Os olhos de Wonyoung caíram dos seus para seus lábios, sorrindo. Antes de Yuna poder rosnar ou avançar, ouviu um ping em seu fone de ouvido, sinal de que tinha chegado mensagem.

Deu as costas para a alfa, pegando seu celular para ver quem era, e sorriu ao ver o contato.

teu cio

eh amanha ne

quer q eu te leve algo

Sorriu enquanto digitava a resposta para seu primo.

oi oppa <3

eu quero :( traz um ibuprofeno, um saco de gelo e uns moletons pfvo

e a unnie

— Quem é?

Yuna quase foi no teto com o pulo de susto que deu quando a voz de Wonyoung soou tão próxima de seu ouvido. Quase esbarrou na sua mesa de cabeceira, e não deu pra controlar-

— Você é louca, porra?! — Gritou. — Não te interessa!

Mas seu cheiro avançou como uma onda, o aroma da canela agora queimado, amargo, confrontando a alfa; seus olhos brilharam, azuis, como os olhos de todo ômega, mas os de Yuna-

Wonyoung devia estar louca, mas não teve tempo de confirmar, porque Yuna desviou dela, batendo o pé, furiosa, indo na direção da porta. Precisou fugir, ou Wonyoung teria reparado em seus olhos, e saberia, na hora, de que matilha Yuna tinha descendido para ser tão poderosa. Qual era o sangue de sua família.

Parou logo antes de sair.

— Não que eu te deva nada, mas é meu primo, e ele é alfa. Ele vai vir me trazer umas coisas. Então se comporte, sua doida intrometida. — Sentindo seu sangue esfriar, e seus olhos voltarem ao normal, Yuna tornou a olhar para Wonyoung e abriu a porta. — Cai fora daqui, e vê se aprende a controlar seu cheiro.

— Olha quem fala. — Wonyoung avançou em direção à porta, mas parou diante da ômega. — Vê se desce desse seu pedestal de grandeza. Você não é melhor que ninguém, Shin Yuna.

— Que você, eu sou, sim. Com certeza. Sai daqui.

Wonyoung bufou, irritada, mas não teve muita escolha a não ser sair. Pelo menos o real motivo de ter ido tinha se cumprido, e Yuna nem sabia: enchendo o quarto dela com seu cheiro, se Wonyoung tivesse acidentalmente marcado os lençóis da ômega, agora, seria imperceptível. Todo o cômodo cheirava a cereja, agora.

Cereja e canela… E aquele tiquinho de tangerina, que combinava com o seu tiquinho de laranja. Wonyoung sorriu; os cheiros delas iam perfeitamente bem juntos… E, mesmo assim, aquela ômega teimosa e deliciosa não cedia.

Jogou-se no sofá. Que tédio; não tinha mais nada a fazer. Yuna estava ocupando sua mente, seu cio iminente avultava-se sobre elas, e esse fato sozinho estava deixando Wonyoung paralisada de antecipação. Parecia que fazer qualquer coisa era inútil quando Yuna, a qualquer momento, poderia precisar de uma alfa, de si.

Mas, quando o diabo não te alcança, ele manda pensamento intrusivo.

E se Yuna não gostasse de alfas femininas?

A ideia fez a diversão e a antecipação sumirem de Wonyoung com um balde de água fria. E se Yuna não se sentisse atraída por alfas mulheres ou que se apresentassem femininamente? Nunca havia visto ela ficar nem com alfas femininos, nem com alfas masculinos, mas… Puta que pariu, diria muito… Explicaria muita coisa.

Pelo menos, na cabeça de Wonyoung, explicaria, afinal, ela sabia que era linda e gostosa. Que muita gente a desejava. Mas Yuna? Nada, nadica de nada. E se ela só gostasse de alfas masculinos? Homens, ou não binários alinhados ao masculino… E por isso não se sentisse atraída por ela…

A ideia a deixou tão mal humorada que, quando Yuna saiu do quarto para descer e abrir a porta do dormitório para o primo, Wonyoung nem olhou na direção dela, emburrada, assistindo um dorama qualquer. A ômega estranhou, mas para ela, pitis de uma alfa de nariz empinado como Wonyoung não eram nada surpreendentes, então só abriu a porta e desceu os lances de escada até o térreo, onde rumou à sala comum e à entrada, onde viu seu primo e a parceira dele esperando.

Yuna sorriu. Adorava Kai; ele era como um irmão mais velho que ela não teve, e ela era como uma irmãzinha que ele não tinha. Tinha Ryujin, e amava sua irmã mais velha, mas tinha uma dinâmica entre Yuna e Kai que era única. E, realmente, eles três, todos, na verdade, cresceram como irmãos na mansão da família, todos criados juntos, se metiam juntos em confusão, brincavam juntos, brigavam, tudo mais como irmãos do que primos. E, nessa confusão de parentes, Kai e Yuna cresceram mais próximos um do outro que dos outros lobinhos filhotes da época. E, quando ele encontrou sua parceira, Yuna sentiu que ganhou uma irmã.

A parceira de Kai era uma ômega adorável, mas de personalidade forte, que havia transferido para a faculdade dele; depois que encontrou seu alfa, e depois de alguns (muitos) desencontros, desentendimentos e paixão mútua dos dois, marcaram um ao outro. E tudo bem que a família deles era toda alta, enorme, mas ela era muito baixinha, tinha só 1,54m, então foi apelidada por Chaeryeong de Munchkin (apelido que pegou e todo mundo usava, agora). Até Kai chamava sua parceira de Munchkin, pela brincadeira, e ela se acostumou.

Desbloqueou a porta com o cartão, e a puxou para que os dois entrassem. Kai estava carregando uma bolsa térmica enorme, provavelmente recheada de gelo, e Munchkin, a sua bolsa da faculdade, que parecia recheada de qualquer outra coisa.

— Que bom te ver! — Munchkin avançou em Yuna primeiro, e as duas se abraçaram, rindo. Kai bufou, ajeitando a bolsa térmica no ombro. — Ai, que saudades eu tava da minha bebezinha!

— Oi, unnie!

— E eu que sou primo que me foda, né.

— Eu já te vi minha vida inteira. — Mas Yuna falou sorrindo, e ele também ouviu sorrindo. Ela avançou e se deixou ser envolvida por só um braço dele. — Então é você que carrega o peso nesse relacionamento?

— Esse estereótipo de gênero, eu reforço, — Munchkin brincou.

— Nem é porque ela não aguenta, é porque ela é preguiçosa.

— É porque eu sou franga. Que bom que eu tenho um alfa. — Yuna notou, pela visão periférica, Kai e Munchkin dando as mãos, os dedos deles se entrelaçando, antes de ela dar a volta e indicar para eles a seguirem.

— E eu que não posso dizer o mesmo? Obrigada pela ajuda adiantada, oppa, unnie.

— Que nada, quando eu lembrei que seu cio tava chegando, cobrei o Kai pra ele te perguntar se precisava de algo.

— Como que a sua parceira que lembra que eu vou entrar no cio e você, não? — Ela abriu a porta corta-fogo para que eles subissem as escadas.

— Porque ela é boa de memória, eu não. Meu amor lembra datas com uma precisão bizarra. — Munchkin deu uma risadinha, e eles não soltaram as mãos nem para subirem as escadas. — E aquela sua colega de quarto insuportável?

— Kai-yah.

— Ah, noona, pelo amor da Deusa, — O alfa rosnou. — Essa garota é uma insuportável. Arrogante e cheia de si como se ela fosse a alfa mais forte da Coreia. A Yuna já me disse o suficiente sobre ela, e mesmo que não tivesse dito nada, da última vez que eu vim aqui, ela ficou exalando o cheiro dela como quem queria brigar. Ela acha o quê, que eu tô invadindo algum território? Essa é minha prima, porra. Não engulo essa garota.

Yuna sorriu de canto; Kai tomava seu partido mais que todos os outros. Havia queixado para vários de seus primos como Wonyoung tinha o ego inflado, se achava a bam bam bam, a gostosona, e como ela era insuportável de egocêntrica. E morreria antes de confessar para Kai o que ela sabia, o que ela tentava sufocar sob a raiva e o desprezo: que ela tinha uma nota secundária cítrica, como laranja, em seu cheiro. E o que aquilo significava.

Porque Yuna já lutava demais com a existência de Wonyoung em sua vida: recusava-se a admitir que ela deveria existir mais ainda. Nem fodendo. Morreria sem ela, mas não aceitaria, não cederia pro fato de que, se seus feromônios olfativos tinham notas tão compatíveis, elas eram parceiras. Parceiras destinadas, com genéticas tão complementares que dariam crias fortes; e, para os supersticiosos, como ela e sua família, casais perfeitos, almas gêmeas… Lobos já eram monogâmicos, mas alguns davam mais certo que outros. Os cheiros secundários buscavam por isso; alguns, como a família Shin, criam que indicavam, determinavam isso. Como um sinal divino.

Mas era impossível que a parceira de Yuna fosse a vagabunda de Jang Wonyoung. Recusava-se a admitir, não importava quantas provas a oferecessem.

Chegaram no seu andar, e logo, no seu apartamento; assim que abriu a porta, Wonyoung não estava mais no sofá, mas seu cheiro estava por todo o apartamento, e Kai engasgou.

— É tão ruim assim pra você? — Yuna olhou para trás, surpresa ao ver não só Kai, mas Munchkin cobrindo o nariz. Ué. Uma coisa era um alfa não gostar do cheiro de outro alfa, mas uma ômega?

— Não é que é ruim, é que tá ácido, — Munchkin queixou. — Você não tá sentindo?

— Tô, mas meio que já tô acostumada. Acho que já tava assim antes de eu sair. — Deu de ombros, e Kai grunhiu.

— Claro que está. Ela deve dar esses ataques de pelanca o tempo todo. Ridícula.

Os três andaram em direção à cozinha; Kai começou a descarregar os sacos de gelo que ele tinha comprado, armazenando-os no freezer, enquanto Munchkin tirava sacolas de compra pequenas de sua bolsa.

— Aqui. Eu trouxe barrinhas de cereal, chocolates, sanduíches naturais embalados à vácuo, guarde eles na geladeira; trouxe biscoitos, algumas frutas… Tenha tudo consigo pra hora do cio, pra ter coisas leves e fáceis de comer.

— Minha Deusa, não precisava, unnie…

— Precisava, sim. — A ômega marcada sorriu. — Os cios sozinha são péssimos. Antes do Kai, eu me sentia quase vazia. Eu trouxe também uns dois moletons dele; acha que o cheiro dele te ajudaria a se acalmar?

— Não sei; querendo ou não, vocês são marcados… e nós somos família.

— É, eu acho que não rola. Já passei uns cios em casa, e o cheiro dos ômegas da família não me acalmava. — Kai guardou o último saco de gelo. Aparentemente, não era estranho que sua parceira andasse com moletons extras dele pra cima e pra baixo, pra Kai nem ter estranhado. — Mas pelo menos fica de enchimento pro ninho.

Munchkin mexeu um pouco mais na bolsa até achar as cartelas de ibuprofeno, entregando-as à Yuna. Ela assumiu, guardando os sanduíches na geladeira, enquanto Kai sentava um pouco.

— Tem alguma alfa em mente pra pedir ajuda? — Ele questionou. — Posso falar com nossos outros primos, ver se conhecem alguém…

— Eu não tô muito a fim de passar meu cio com nenhuma alfa. Só queria se… Fosse uma namorada, uma ficante, algo assim. Alguém em quem eu confiasse.

Kai fez um awnnn de deboche e Munchkin bateu em seu ombro, sorrindo. Yuna revirou os olhos, mas era verdade: o cio era um momento tão delicado, que ela ficava tão desprotegida e frágil… Sem contar o lado emocional. Queria se sentir amada, protegida, cuidada. Queria uma alfa que pudesse fazer ela se sentir bem, e não conhecia nenhuma alfa solteira que fosse próxima o suficiente dela para aquilo.

Seu primo inclinou-se e farejou o ar, as narinas tremendo enquanto ele inspirava.

— Ah, ih, rapaz, é. Já é amanhã, mesmo, seu cheiro tá fortíssimo. Você não quer mesmo ir pra casa? Passar seu cio lá, pelo menos ter a companhia da nossa família…

— Pra casa, a casa de vocês dois, ou…

— Pra casa. A do vovô, — Kai enfatizou. — Ryujin está chegando amanhã com Yeji e as filhotes delas, e sempre posso chamar os meninos de volta. Fica um pouco mais longe da faculdade, mas eu e a noona acordamos mais cedo e tudo certo.

— E filhotes ajudam! — Munchkin adicionou. — Quando eu passei um cio na casa da família de vocês, quando cedia um pouco a febre, o cheiro dos filhotinhos me ajudava a me acalmar.

— Mas você já tava com o Kai…

— Já, mas, nessa época, os instintos… Os cios estavam sendo difíceis. Nossos hormônios afetavam um ao outro demais, não abatiam fácil. E a gente mais tretava do que transava.

— Você que queria brigar comigo, na época.

— Você não queria ser um alfa que prestasse. — Munchkin sacudiu a cabeça, sorrindo. — Eu tava te cobrando de me ser um parceiro que prestasse, ou eu não ficaria com você.

Yuna sorriu. Para ela, eles eram uma prova viva e ambulante de que parceiros de alma eram reais: mesmo tendo brigado, se estranhado e resistido, haviam desejado e amado o outro mais que qualquer outra coisa. E não eram o único caso em sua família: Yeji e Ryujin, Chaeryeong e Jisu, Soobin e Yeonjun, Beomgyu e Taehyun… Tantos primos seus tinham relacionamentos bons, estáveis, sua irmã e sua cunhada já tinham filhotinhas lindas. E todos eles tinham se escolhido, ou ce aceitado, pelos cheiros, mesmo que não tivessem notado de imediato…

Sacudiu a cabeça. Ela seria, mesmo, a única loba da família com quem seu cheiro secundário falharia?

— Talvez eu precise mesmo da ajuda do vovô, — Yuna pensou consigo. — Do faro dele. Eu não sei…

Só que Kai era esperto demais; pra ele, meia palavra bastava. Só a menção do faro do avô deles o fez franzir as sobrancelhas; olhando para o súbito abatimento de Yuna, onde eles estavam…

— Você acha que achou seu parceiro, — Ele deduziu, e Yuna deixou a cabeça cair contra o tampo da ilha. — Puta que pariu, Yun. Quem é?

— Quem é, eu não quero que seja, — Yuna suspirou, e os parceiros trocaram um olhar preocupado. Só tinha uma pessoa que Kai desconfiava que traria em Yuna uma recusa tão ferrenha, mas talvez ele não conhecesse todos os desafetos da prima. Torcia pra não conhecer.

— Tem algo com o cheiro da pessoa?

— Vou arrumar. Quando eu for pra lá. Mas vou passar o cio aqui, — Ela ergueu a cabeça, assentindo. — Eu vou ficar bem, sério.

— E a filha duma puta dessa tua colega de quarto não vai querer te perturbar, não?

A raiva de Kai foi tão rápida e sincera que Yuna caiu na gargalhada, surpresa, e Munchkin mirou um tapão no ombro de seu parceiro.

— Hyuka, para de exagero!

— Ah, noona! — Kai jogou as mãos pro alto, exasperado. — Eu não suporto essa mulher! E metade da nossa família também não, eu não sei onde o tio tava com a cabeça quando deixou a Yuna se mudar pra cá!

— Ok, eu também não gosto dela, mas fala baixo! — A ômega protestou, e Yuna riu mais ainda. — Querendo ou não, aqui é a casa dela! Parece até que você quer comprar briga!

— Com ela, eu quero! Talvez umas rosnadas façam ela ficar longe da Yuna.

Yuna quase abriu a boca para dizer que não tinha perigo do contrário, mas… Não era como se Wonyoung não estivesse insistindo para passar o cio com ela, e por quê? Yuna não conseguia conceber outro motivo (e isso a doía) que não uma sensação de conquista, de dizer que havia conseguido comer Shin Yuna. Sua inimiga. Talvez fosse isso, também: não para se gabar para os outros, mas para vencer a guerra nem tão fria assim entre elas. Se Yuna desse pra ela, então seu desafeto não era maior que seus instintos de cruzar com uma alfa forte; Wonyoung sairia como a mais poderosa entre elas. E não era isso que todo alfa queria: se provar o líder?

— Eu não sei se ela tem interesse real nisso, oppa, — Yuna mentiu para tranquilizá-lo. — Tipo, eu não suporto ela, e é meio que mútuo. Não acho que ela ia me aguentar no cio; eu fico grudenta.

— Parece alguém que eu conheço.

— Vai te fuder pra lá, — Mas Munchkin sorria. — De qualquer maneira, se mudar de ideia amanhã, eu venho te buscar. Só tenho aulas de tarde. Certeza que vai ficar bem?

— Vou, unnie, oppa. Eu prometo.

Kai sorriu, e escorregou para fora da banqueta em que havia sentado; Munchkin pegou de volta a bolsa térmica vazia e sua tote bag com a estampa da UNS.

— Então, tudo certo. Já me vou, que não aguento mais o fedor daquela cadela de segunda categoria, — Ele disse, batendo as mãos nas coxas como se tivesse feito tanto esforço, oh Deusa, e as duas mulheres se entreolharam como se dissessem "ah, esse leonino".

Porém, foi a gota d'água pra Wonyoung, que tentou, pela Deusa, ela tentou se comportar, não comprar briga, ficar quieta na sua; Yuna a tinha pedido, e Wonyoung não era nenhum cão de briga, não se metia enquanto pudesse se conter. Mas ele tentou demais.

Cadela de segunda categoria? Ela ia mostrar quem era o cachorro.

Abriu a porta com tudo, avançando a passos largos e pesados, fazendo a maçaneta bater contra a parede adjacente, e o alfa sorriu enorme quando a viu, o canalha, o merdinha. Mas ele podia ter o tamanho que for: Wonyoung amassaria aquela cara de pastor alemão no chão.

— Quem que é a cadela, hã? Seu filho da puta! Tá falando muita merda e apanhando pouco!

— Ah, mas então, não seja por isso!

— Kai!

Ele avançou na direção dela, e as duas ômegas correram, desesperadas pra conter algo pior. Munchkin agarrou o braço de seu namorado, e Yuna se meteu entre os dois, encarando Wonyoung.

— Bora ver se tu encosta a mão em mim!

— O que foi que eu te pedi, porra?! — Yuna gritou.

— Ah, então eu tenho que ficar ouvindo esse vira-lata falar merda de mim na minha casa? — Wonyoung avançou, mas Yuna veio de encontro a ela, ambas as mãos em seus ombros e a empurrando para trás. O cheiro de cereja ficou mais ácido ainda, contrastando com o cheiro de sândalo de Kai: a briga era bem mais que por território: era por ego, honra de alfa. — Você vai sair daqui ganindo!

— Vem pra cima, porra! Solta ela, Yun, essa vagabunda vai levar a sova que merece!

— Você que vai!

— Eu não te suporto! — A voz do homem saiu quase rosnada, e seus olhos brilharam: dourados, a cor de todo alfa, mas com as faíscas roxas que Yuna tanto batalhava pra esconder. A marca de um lobo com sangue nobre. — Desde que Yuna disse que você largou ela e ela se atrasou pra aula! Você é uma vagabunda de merda que acha que é melhor que todo mundo!

— A aula era aqui perto! Eu tava de mal humor!

— VAI SE FUDER! — Ele avançou, e Munchkin tropeçou na tentativa de segurá-lo, gritando de surpresa; foi só a sensação da mão de sua namorada apertando ao redor do seu braço, pesando, que quebrou sua fúria, e sua direção se redirecionou a ela. Antes de qualquer coisa, precisava garantir que sua parceira estava segura. — Noona, me solta. Eu não quero te machucar. Você tá bem?

— Seu lixo! — E foi Yuna que teve que impedir Wonyoung de avançar. — Ache o que quiser de mim, eu tô pouco me fudendo, mas se ficar falando mal de mim na minha casa, eu vou acabar com a sua raça!

— Acha que consegue encostar um dedo em mim? — Kai gargalhou, mas ele não avançava mais, com medo de machucar sua parceira em meio à sua fúria. — Você não ganha de mim em nada! Você é a mais fraca de qualquer ninhada!

— EU VOU TE MATAR!

Wonyoung quase derrubou Yuna, cujos pés escorregaram na tentativa de segurá-la e impedi-la de se atracar na porrada com o primo. Sentiu o cheiro de Munchkin engrossar, junto com o dela, as duas instintivamente tentando acalmar os alfas, apaziguar os ânimos. Kai estava parado, ainda, mas sua parceira sentia quão tenso ele estava embaixo de suas mãos, firme como um muro, quão pronto ele estava pra sair na porrada com ela.

E os olhos dele… Mas Wonyoung estava furiosa demais pra notar.

— Me solta, ou eu vou dar motivos desse teu primo de merda achar que eu sou ruim!

— Se você machucar minha prima, eu como teu fígado viva!

— PAREM COM ISSO! — Munchkin gritou, frustrada. Nem mesmo ela estava suportando o cheiro do parceiro, afetada demais com o quão agressivo ele estava, e como ele estava dominando o ambiente; não conseguia sentir nada além dele, e sabia onde aquilo ia dar. — Kai, chega! Vamos pra casa!

— Só depois que essa frouxa entender o lugar dela. — Ele acenou com a cabeça. — Vem aqui! Mas não me rela um dedo. Vamo ver quem é o alfa mais forte, cachorra.

— Impossível eu não querer bater nessa sua cara de cretino!

O cheiro de sândalo e de cereja avançou, um contra o outro: queimado, ácido, desagradável. Yuna não conseguiu evitar de cobrir o nariz, tentando evitar sufocar no cheiro da alfa que estava tentando impedir, mas outra coisa era notável se você conseguisse aguentar os cheiros deles por mais que cinco segundos: o de cereja estava sumindo embaixo das ondas de sândalo. Mais fraco.

Mais fraco.

Wonyoung tentou empurrá-la; não iria admitir que era a alfa mais fraca, a não ser que não tivesse mais escolha. Poderia ser humilhante, mas iria até o fim: só pararia se apanhasse. Até lá, ela não cederia. Não podia ceder.

Seu orgulho era grande demais para aquilo.

— Vem! Vem! Eu quero mesmo ver quem é o alfa mais forte, seu merdinha!

Yuna olhou para o primo. De longe, era difícil dizer, e quem sabe, se ela negasse muito, conseguiria fazer gaslighting em Wonyoung, caso ela tivesse reparado; mas, se a alfa realmente chegasse perto pra confrontar Kai só na base do feromônio, ela ia notar que os olhos dele eram de nobre. E não seria difícil deduzir que, se eram primos, Yuna também era de linhagem real…

Isso deu a Yuna uma energia nova pra terminar aquela briga.

— Parem, já, mas que merda! — Ela empurrou a colega de apartamento para trás. — Oppa, unnie, podem ir, a porta abre por dentro sem o cartão!

— Quem disse que eu quero ir?

— Mas você vai! — A imposição de sua parceira, novamente, quebrou um pouco o foco furioso de Kai em Wonyoung, e ele tropeçou quando ela o puxou. — Chega! Vamos pra casa!

— Eu te pego na próxima! — Wonyoung disse, ainda resistindo a ser arrastada pela ômega mais nova. — Segunda categoria é você, seu vira-lata de esquina!

— É assim que você fala com um-

Mas Munchkin fechou a porta e cortou Kai e o que quer que ele fosse dizer, graças à Deusa. Wonyoung deixou de resistir tanto, e Yuna conseguiu empurrá-la de volta pro quarto dela, onde o cheiro de cereja ainda prevalecia.

Onde Wonyoung não sentiria que perdeu seu território.

— Eu só te pedi uma coisa! — Yuna gritou, irritada, nervosa, tensa, exausta. — Que não brigasse com meu primo!

— Eu não sou obrigada a ouvir um lobo estranho falando merda de mim na minha casa! — Wonyoung bateu o pé. — Por que você não calou ele, hein? Só eu tenho que me fuder?

— Eu não tenho tanto interesse assim em te defender, — Yuna rosnou. — Não sei porque você esperou isso de mim.

Wonyoung avançou, o castanho de seus olhos lentamente dando espaço para o dourado furioso de uma alfa ferida. Parou a centímetros de Yuna, seus três centímetros de altura a mais dando a ela alguma vantagem.

— Você se acha tão melhor do que eu, — Wonyoung rosnou. — Tão mais cheia de moral e maravilhosa. Você é uma loba de carne e osso igual eu, Yuna unnie. Eu teria me controlado e ficado no meu canto, eu não gosto de briga, mas me diga se você ia gostar de ouvir alguém falando merda de você? E você ter que ficar quieta? Me cobrou tanto que eu me comportasse, mas nada do seu pastor alemão ser adestrado, né?

Yuna engoliu em seco. Posto daquele jeito, ela realmente se sentia injusta; não podia julgar Wonyoung por ter querido se defender, e ao sentir a presença de outro alfa em sua casa, por ter querido se impor como mais forte. Rangeu os dentes; podia saber que estava errada, mas não admitiria que estava errada.

— Ah, — A alfa adicionou, com um sorrisinho. — Você sempre controla sua transformação, como se quisesse parecer maioral, superior, acima dos seus instintos. Nunca vi seus olhos ficando azuis. Mas amanhã, eu vou.

— Eu já disse…

— Pois veremos, — Wonyoung clicou a língua. — Se você fosse tão melhor assim, não teria cio como todos nós. Mas, quando estiver toda molhada e desesperada por um nó, então vamos saber, mesmo, se você é melhor do que eu.

O lábio superior de Yuna se ergueu, mostrando os dentes.

— Se você me forçar…

— Quê? — A sugestão realmente pegou Wonyoung de surpresa, deixando-a enojada com o que a ômega estava sugerindo. — Porra, não! Eu não sou um monstro, Yuna, que merda! — Ela se recompôs. — Mas você vai implorar. Ou não. E eu posso deixar meu orgulho de lado, afinal, eu não ia querer ver uma ômega sofrendo quando posso ajudar.

O cheiro de cereja, então, mais neutro, mais natural, doce e fragrante como era quando Wonyoung não estava alterada, floresceu. Encheu o espaço entre elas como uma onda suave, quebrando contra seu olfato, e Yuna odiou como seu corpo reagiu.

Ela salivou. Salivou, sentiu sua boca encher de água só com o cheiro de cereja; antecipando a presença da alfa, sentiu-se derreter entre as pernas, lentamente, e sua cabeça ficou leve. Girando.

Sua mente parecia querer reconfigurar sob as necessidades, os impulsos do cio. Pareça frágil e necessitada, faça ela querer cuidar de você, curve as costas suavemente, finja uma fraqueza e se apoie nela, sinta o cheiro dela direto do pescoço…

Yuna sacudiu a cabeça. Seus olhos ardiam daquele jeito que a dizia que iriam se transformar: suas pálpebras se fecharam e ela olhou para baixo, recuando, não vendo o sorriso vitorioso de Wonyoung.

— Tenha um bom cio amanhã! — Ela debochou, tomando o cotovelo de Yuna em sua mão, com um cuidado inesperado, e guiando-a até a porta para que ela saísse. — Se mudar de ideia… Estou do outro lado da sala. Te esperando.

— Por que… — Ela não podia abrir os olhos ainda, mas seu corpo não deixava de reagir: ela estava escorrendo lubrificante entre as pernas, sentia sua buceta implorando por atenção, os feromônios de canela queimavam a pele sobre as glândulas de tanto que exalavam. De tanto que tentava chamar a alfa para seu quarto, seu ninho, sua cama… — Por que você quer tanto isso?

Wonyoung sorriu. Dizia a verdade? Eu quero ver você ser humana. Dizia o segredo? Eu quero você pra mim. Ou dizia…

— Você é forte, — Optou pelo elogio. — E eu gosto de parceiras fortes.

A porta fechou entre elas, fazendo Yuna se sentir tonta, sozinha e fria na sala do apartamento delas. Wonyoung deixou a ômega molhada, carente e…

E uma pancada de dor a pegou, bem no ventre, fazendo-a se dobrar ao meio, desesperada; mas logo passou. O alívio que sentiu foi absurdo; se fosse o cio, mesmo, não teria passado tão rápido. Mas era o prelúdio daquela merda.

Havia gastado tanta energia, e ficado tão estressada, e as horas haviam passado de tal maneira, que já estava com uma fome dos diabos. Decidiu fazer um omelete besta e rápido pra se entocar logo em seu quarto e comer, quietinha, tentando fugir do cheiro de cereja que Wonyoung havia feito o favor de impregnar na casa toda. Porra, pior que até em seu quarto, ele estava. Agora, o lugar mais livre dela era na sala, onde Kai que havia dominado o espaço, e cheiros familiares realmente não atiçavam o cio.

Mas não queria esbarrar com Wonyoung de novo. Não queria correr o risco…

Talvez o cheiro dela, sozinho, não fosse tão ruim. Até ajudasse. E não era como se ele fosse desagradável. Então, decidindo assim, Yuna pegou sua refeição e foi se isolar em seu quarto, ignorando a queimação no rosto devido à sensação molhada, excitada entre suas pernas.

— É só o cio, — Disse a si mesma entre garfadas do omelete. — Só o cio. É porque ela é alfa. Não é nada demais, eu estaria assim com qualquer alfa do cheiro bom.

Naquele estado, naquele pré-cio, Yuna ficava um pouco agitada demais e um pouco nervosa demais pra não estar fazendo algo que a distraísse do próprio corpo. Abriu a Netflix pra maratonar um dorama; se já não estivesse ficando toda molhada, ainda tentaria se cansar com um cardio ou uma yoga, mas não queria sentir a sensação de suas glândulas trabalhando em excesso para querer prepará-la para uma alfa que não estava ali. Tentaria dormir, se distrair. Tentaria não estar em si até que fosse inevitável.

As horas se arrastaram; a noite veio. Yuna foi ficando cansada, sentindo o corpo esquentar, e ligou o ar condicionado; o contraste a fez se sentir fria e preguiçosa. Já sabia que, quando acordasse, estaria no cio plenamente. E o cheirinho de cereja havia atenuado, mas agora, era tão confortável quanto era torturante, fazia ela querer ir chamar a alfa para si, e nem morta que se permitiria isso.

Antes de apagar de vez, ficou de pé, sentindo o corpo pesado. Arrastou-se até a porta, com planos de pegar todo seu estoque que Munchkin e Kai haviam trazido para ela passar os dias, mas quando abriu a porta, achou um moletom.

Uma jaqueta da Miu Miu. Wonyoung era obcecada pela Miu Miu. E o cheiro de cereja estava melhor do que antes: quente, aberto. Convidativo.

Não era uma imposição; Yuna poderia ignorar a jaqueta, e meio que assim o fez: passou por cima dela para pegar a água, o remédio e todas as comidinhas, que colocou num bowl enorme pra facilitar o transporte. Mas, na volta…

Não era uma obrigação. Yuna poderia ignorar a jaqueta. Nunca teve alfa antes, e não morreu. Não precisava de-

Chutou a jaqueta para dentro de seu quarto e entrou com pressa, fechando a porta atrás de si com medo de Wonyoung ver e ter aquela pequena vitória para si. Yuna deixou a bacia na escrivaninha, pegando a jaqueta do chão e se jogando na cama com ela, enfiando o nariz no tecido macio.

Cereja.

Cereja por toda a parte.

Cereja recobrindo cada centímetro de suas narinas, boca, pulmões.

Cereja e laranja e alfa, e sua buceta molhou mais ainda, um esguicho suave de lubrificação, desesperada para ter aquela alfa dentro de si. Ter aqueles feromônios em seu sistema. Enrolou-se na cama, abraçando a jaqueta, praticamente, e focou tanto em respirar tudo da cereja que podia ali que apagou naquela posição, a exaustão a tomando por completo.

Não ouviu a porta da frente se abrindo, Wonyoung espiando. Sua jaqueta tinha sumido, e ela sorriu.

Aquela ômega seria toda sua.

α Ω α

O dia seguinte foi exatamente como Yuna sabia que seria.

Ela acordou quente, suada, o ar do seu quarto abafado e grudando em sua pele. A cama abaixo de si estava molhada, parcialmente pelo seu suor, parcialmente porque sua buceta não parava de escorrer aquele mel, já tendo empapado sua calcinha e seus shorts do pijama, e sua boca estava seca. Tentou se levantar, mas assim que sentiu a textura diferente do casaco abaixo de si, e o movimento trouxe à tona o cheirinho de alfa alfa alfa alfa, Yuna afundou o rosto de volta nele com tudo e gemeu.

Deusa, estava insuportável estar na sua própria pele. Cada movimento doía, e ela queria tirar a própria pele para sentir-se refrescada. Quando enfiou a mão por dentro dos shorts para tentar aliviar a sensação, o tesão, o melado dos tecidos encharcados só a irritou mais, e jogou-se na cama para rolar e tirar suas partes de baixo, que fizeram um som patético ao serem jogadas no chão.

A sensação do ar frio do ar condicionado contra sua vulva ardente só a fez chiar e abrir mais as pernas, aproveitando o pouco alívio que tinha. Só o estímulo do frio a fez escorrer mais, e não conseguia sentir vergonha daquilo enquanto estava sozinha, mas o quarto estava queimando à canela. E não se incomodava com seu próprio cheiro, claro, porém…

Não queria que Wonyoung…

Gemendo, rolou para fora da cama, mesmo, quase não conseguindo amparar o próprio corpo nas mãos e pés; engatinhou até sua mesinha de cabeceira e abriu a gaveta onde guardava seus supressores e inibidores.

Tomou o vidrinho de inibidores na mão, mas a falta de peso e de som de comprimidos dentro a alertou.

— Ué?

Abriu a tampa.

Estava vazio.

O coração de Yuna caiu no peito. Não, ela tinha certeza de que tinha inibidores sobrando; supressores tinham acabado, mesmo, ela sabia, mas… Mas os inibidores olfativos? Ela tinha certeza de que tinha pelo menos cinco comprimidos restando, mas o pote estava vazio.

Virou ele em sua mão, descrente; nada. Largando o potinho, sentindo um pânico crescente em seu estômago, totalmente dissociado da lubrificação que lhe escorria pelas coxas, revirou sua gaveta, jogando fora o pote de supressores, os envelopes, cartelas antigas, canetas, duas fitas washi…

Não estava ali. Não estava.

Sentiu um revirar nauseoso em sua barriga, e seu suor gelou no corpo. Porém, novamente, não tinha nervosismo que reduzisse o desejo do cio, e seu útero contraiu de um jeito que a fez gemer e curvar os quadris, para trás, para cima, se apresentando. Como se não fosse natural que ela estivesse de pé e ereta, e sim de quatro, curvada para melhor ser montada por uma alfa.

A ideia, que geralmente lhe era um pouco pornográfica demais, dessa vez fez sua entrada derramar lubrificação. Estava molhada até o meio das coxas, e seus mamilos estavam duros, esfregando contra o tecido macio do seu pijama de um jeito que ia deixá-la doida.

O que tinha acontecido com seus inibidores? Não podia ter errado a conta e lembrado errado, podia? Droga, agora ela não poderia sair do quarto mesmo, ou seu cheiro ia lavar o apartamento, ameaçaria escapar do dormitório… Não podia.

A melhor coisa que podia fazer era se meter embaixo do chuveiro… Droga, porra, se tivesse escutado Kai e Munchkin; seu quarto na casa de seu avô, o banheiro de seu quarto, ele tinha uma banheira. Ela estaria mais confortável se pudesse se afundar em água…

Seu ventre retorceu de desejo de novo, e Yuna desistiu; largou a mesinha de cabeceira, o corpo inteiro ardendo e doendo, e se jogou de volta na cama, buscando o casaco da Miu Miu marcado com o cheiro de cereja da alfa irritante. Nunca admitiria em voz alta, mas ela a fez um favor…

Enrolou-se no casaco de novo, e não conseguia mais resistir: o rosto apoiado no tecido, ergueu os quadris, seguindo os instintos de se apresentar; parecia certo estar naquela posição… Sua mão direita escorregou pelo seu corpo, torcendo um seio no caminho, mas logo encontrou o lugar entre suas pernas que implorava pra ser tocado.

— Ah! — Arrepiada, Yuna enrolou a jaqueta e enfiou parte do tecido na boca para abafar os próprios gemidos, porque se conhecia bem, não conseguiria calar a boca. A mão esquerda foi a seu seio, a sensação boa demais pra ela não continuar, e os dedos de sua mão direita voltaram a circular seu clitóris, lentamente de início, mas estava com tesão demais pra manter um ritmo calmo: acelerou, até que seu pulso doía, e seu pescoço também, por estar apoiando seu peso, e ela estava suando…

Inalou, e o cheiro de cereja foi o que a fez gozar estupidamente rápido, foi o que elevou o prazer até seu limite: suas pernas fecharam contra seu pulso, mas ela não conseguia parar de esfregar aquele ponto enquanto gozava, derramando mais e mais daquele líquido grosso, que a deixava se sentindo meio grudenta e com mais tesão ainda. No cio, Yuna se sentia uma pervertida, uma tarada.

Mas não conseguia se conter. Deslizou a mão além de seu clitóris, e seus dedos entraram tão facilmente que, se não fossem os hormônios, teria sentido um pouco de nojo de si mesma. Naquele estado? Ficou mais molhada ainda. Estava lambuzada de prazer e tesão.

Mordeu o casaco em sua boca, tentando aliviar aquela sensação de pressão nos dentes que só passava com a mordida, com a posse de um parceiro; afundava os dedos num ritmo firme em sua entrada, três, contraindo contra os dígitos e causando arrepios de prazer em si mesma. Sua cabeça girava, mas diferente de antes, era de deleite, uma sensação leve e deliciosa. Yuna sorria, inconscientemente e boba, e só seria melhor se fosse um alfa, uma alfa, se fosse…

Aqueles pensamentos eram comuns do cio, ela não se surpreendia. Ainda mais tendo uma alfa disponível, tão próxima. Seu corpo pedia pelo sêmen, pelo nó, pelos hormônios da alfa em si, e sua mente delirava com a ideia do que ela podia fazer consigo. Mas era a carência e o tesão típicos de qualquer cio, e no segredo de suas quatro paredes, Yuna se recusava a ter vergonha por qualquer coisa que passasse em sua cabeça.

Porque, deixando de lado a escrotidão, Wonyoung era linda. Seu corpo e proporções, cada curva, e seu rosto… Ela era, definitivamente, a alfa mais bonita que Yuna já havia visto. Os olhos de anjo, os lábios tão carnudos e com aquele arco de Cupido tão bem desenhado… Ela queria a boca de Wonyoung em todo o seu corpo, não sabia se queria aqueles lábios mais em seus seios, selados ao redor de seus mamilos, ou em sua buceta, chupando e estimulando seu clitóris, com força, com vontade…

— Porra, porra, ah! — Gritou contra a jaqueta em sua boca enquanto arqueava mais as costas, ao ponto de sentir a coluna protestando pelo ângulo, enquanto gozava mais, sentia-se melando seus dedos, sua vagina contraindo, tentando tirar mais e mais a porra do pau de sua alfa…

Toc toc toc

Yuna pulou, seu sangue gelando e o susto fazendo o milagre de quebrar a névoa de desejo. Engasgou contra a jaqueta; só tinha uma pessoa que podia ser, e Yuna estava com seu casaco enfiado todo na boca, havia acabado de gozar duas vezes com os feromônios dela. Esperava que ela pelo menos tivesse a decência de não entrar sem aviso, mas nunca haviam tido aquele nível de respeito uma pela outra-

Yuna? Você viu minha jaqueta?

Minha Deusa, que mulher sonsa. Jogada na frente de sua porta, tão perto, e marcada com seu cheiro… Óbvio que Yuna havia visto a jaqueta, havia sido deixada para ela. Tinha sido intencional.

Sentou-se e enrolou os quadris no lençol o mais rápido possível para tentar esconder a situação vergonhosa que estava, mas seu rosto estava vermelho, seu cabelo estava um caos loiro e não tinha onde ela esconder a jaqueta. Bom, era seu cio: era vergonhoso por natureza.

Mas Wonyoung não tinha nada que estar se metendo.

Yuna unnie? — Sua voz foi tão doce que ela sabia que ela estava sendo sonsa, intencionalmente inocente. Yuna grunhiu.

— O que é?

Wonyoung tomou aquilo como deixa o suficiente para abrir a porta. E ela estava, já, satisfeitíssima, porque o cheiro de canela estava o melhor e mais forte que ela já tinha sentido, havia conseguido sentir da porta de seu quarto; mas, assim que abriu a porta do quarto de Yuna, os feromônios dela a acertaram como um tijolo.

canela. E tangerina. Uma onda de canela e tangerina, tão forte que a deixou tonta de verdade, meio desorientada. Qualquer outra pessoa teria se sentido sufocada por aquele cheiro, pelo ar tão pesadamente impregnado de feromônios ômega.

Foi tão forte, tão poderoso, pegou Wonyoung tão de surpresa e tão profundamente que, por uns segundos, sua decência e sua humanidade lhe escaparam. Ela salivou, sua boca enchendo de água, e ela era mais animal que humana naquele momento: seu ventre esquentou, aquele tesão crescendo, e seu pau já dava sinais de vida. Só conseguia pensar em botar Yuna de quadril pra cima, empinada, e fodê-la até as duas desmaiaram, não deixar nenhuma gotinha de seu sêmen escapar, sua ômega sua ômega sua ômega… E, depois, quando ela voltasse a consciência, marcaria seu pescoço lindo e teria a marca dela no seu. Nenhum outro alfa na face da Terra merecia aquela mulher, aquele cheiro, ela…

Seus próprios feromônios começaram a responder, queimar seu pescoço. A pele ficou vermelha com o fluxo de sangue aumentado, seu pescoço enrubescendo, e suas maçãs do rosto logo acompanharam… Vermelhas de tesão, de vergonha pelo seu descontrole. Sentia seu corpo querer colocar-se em posição para literalmente pular na cama de Yuna, aconchegar-se no ninho dela, e aí…

— Wonyoung?

A atenção toda de Wonyoung voltou-se para Yuna com um estalo, como um hiperfoco. A voz dela. O chamado dela. Por ela.

— Oi…

— Você tá rosnando, — E a ômega estava com os joelhos encolhidos, puxados até seu peito, e a alfa sentiu tanta raiva de si mesma por assustar sua ômega que se forçou a ficar de pé, ereta, e nem tinha reparado que estava rosnando até sua garganta parar de vibrar. Mas ela se sentia tremendo, e seus olhos estavam daquele jeito que ela sabia que tinha se transformado.

— Desculpa. Não era a intenção. — Sacudiu a cabeça. — Seu cheiro maravilhoso… Quer dizer, ele tá maravilhoso. Tá pelo apartamento inteiro. Bem melhor assim, não? Eu prefiro.

Wonyoung estava claramente perturbada; seus feromônios a haviam afetado, então Yuna trouxe a jaqueta da alfa para seu pescoço e enrolou o tecido ao redor dele, tentando cobrir suas glândulas de cheiro, mas…

Uma ficha lhe caiu.

O cheiro dela… Wonyoung era a única pessoa que morava consigo…

— Wonyoung. — Ela começou, cuidadosa, furiosa. Seu cheiro amargou só com a ideia. — Você jogou fora meus inibidores?

A alfa estava suando, e os cabelinhos em sua testa estavam grudados, mas ela sorriu. Ou tentou sorrir; parecia fraco e meio delirante, e isso tirou 10% da raiva de Yuna. Wonyoung parecia muito afetada, sua típica arrogância corroendo.

— Seu cheiro é maravilhoso, — Ela disse em forma de confissão. — Eu queria sentir ele até dentro do meu quarto.

Yuna odiou que não conseguiu só sentir raiva do que a alfa fez. Sentiu ódio, sim; aquilo era invasivo, sentia-se sabotada. Ela tinha entrado em seu quarto e jogado fora seus inibidores, aquilo não configurava uma forma de assédio ou humilhação?

Mas… Seus instintos só entenderam que a alfa queria sentir seu cheiro, e por isso, sentiu a pele embaixo da jaqueta esquentando, tentando atraí-la mais do que ela já estava. E ela teve medo de que Wonyoung sentiu…

— Sua desgraçada, — Mas sua voz quebrou, e Yuna odiou que era tão chorosa no cio. Sempre foi. Suas narinas tremiam de raiva, mas também para captar o cheiro de cereja, e queria chorar de ódio, mas também de humilhação. Sem temer nada disso, Wonyoung deu um passo à frente, porque ela pareceu… Alarmada? Pelo choro iminente de Yuna. — Sua vagabunda, maldita, nojenta…

Ela deu um passo mais à frente. Seu cabelo estava liso; Yuna grunhiu. Preferia ele ondulado…

— Você não deveria se esconder, — Ela esticou uma mão hesitante. Não se importou que o rosnado da mais velha aumentou. — Você é uma potência de loba, Yuna. Não deveria tomar supressores, não deveria tomar inibidores… Deveria fazer todos se dobrarem aos seus pés…

Wonyoung deu um passo à frente, e Yuna franziu a testa. Ela parecia… Hipnotizada por si. Intensa, mas não antagonista, não raivosa, não com desprezo ou desgosto ou soberba. Ela parecia olhar Yuna… Como alguém poderosa.

Como uma igual. E ela falava como se fosse.

— Wonyoung…?

— Eu joguei fora seus inibidores, sim, porque eu queria sentir seu cheiro, — Ela admitiu. — Não só porque eu acho ele delicioso. Eu não teria jogado fora se fossem seus supressores, se fossem te fazer mal. Inibidores são só pro conforto dos outros, e você não tem que se diminuir para deixar os outros confortáveis.

— Eu não sei se acredito em você.

— Justo. Mas eu não tenho porque mentir, e você não tem ideia de como tá mexendo comigo.

Yuna tinha, sim. Wonyoung não abaixou a mão, mas não a afastou. Seus olhos brilhavam, dourados, e suas pupilas estavam dilatadas, e o cheiro dela, aquela cereja, nunca havia estado tão rico e delicioso, e o cheiro da própria Yuna estava impregnado totalmente em cada centímetro das narinas da alfa, saturava cada nervo olfatório…

— Me pede, — Wonyoung suspirou, e ela estava tão dura que estava doendo, a ereção contida em suas boxers. Estava resistindo herculeamente a se apalpar só para aliviar aquela pressão. — Me pede pra cuidar de você. Ou diz que não me quer. Fala, com todas as palavras, que você não quer minha ajuda. Diga "Wonyoung, cai fora, eu não quero você aqui", e eu vou embora. Não vou forçar nada, nem insistir. Mas você não precisa aguentar isso sozinha. Não deveria.

Wonyoung se abaixou, ajoelhando, ajoelhando diante de Yuna na cama, mas ela não parecia submissa, não isso; parecia uma predadora, de fato uma loba, prestes a pular em sua presa. A mão dela abaixou, um pouco mais perto do pescoço de Yuna…

— Me deixa tirar, — Ela pediu.

A ômega assentiu, entorpecida, encantada pela alfa diante de si, pelo cheiro dela, pelo jeito que ela a olhava. Deveria continuar com raiva pela invasão de sua privacidade e autonomia, mas Wonyoung parecia tão hipnotizada por ela que aquilo a deixava hipnotizada de volta. A jaqueta lentamente foi puxada, desenrolada e tirada de seu pescoço, e a onda de canela que atingiu a alfa a fez grunhir, sentindo o membro fisgar dentro de sua cueca.

— Unnie, — Wonyoung murmurou. Elas não eram íntimas de usar honoríficos, e algumas vezes, se Wonyoung o usava, era ironicamente, mas naquele momento, era devoto. Ela precisava daquela ômega. — Fala.

Yuna engoliu em seco. Deveria recusar, até porque aquilo era Wonyoung querendo pô-la em seu lugar, não? Querendo fazer Yuna se humilhar por sexo com ela, querendo fazer ela ser "tão baixa" quanto as ômegas que ficavam com ela. Queria arrancá-la de um suposto pedestal, não? Yuna deveria resistir. Deveria aguentar, pela sua honra, pela sua certeza, para que Wonyoung estivesse errada.

Porque Yuna não resistia ao cio, não tomava supressores, não tomava inibidores, não fazia nada daquilo porque se cria acima dos instintos de lobo. Muito pelo contrário: ela sentia-se demais à mercê deles. E era porque Yuna não queria passar aqueles momentos com qualquer pessoa, e ainda não havia encontrado nem sequer com quem ter um relacionamento estável, que dirá se confiar no cio. Entre seus instintos violentos, que ela odiava ter que resistir, e a dor de ter que passar seus cios sozinha porque não tinha parceira…

E por isso, também, ela sempre se isolou: porque ela sabia que não poderia manter aquela resolução no cio. Porque ela ômega não teria essa força: só queria ser fodida e ter seus instintos atendidos. Só queria…

Engoliu em seco, sentiu o sabor ilusório de cereja escorregando pela sua garganta. Quis engolir, engolir tudo que Wonyoung pudesse dar a ela. Queria tomá-la, e o pensamento fez sua cabeça rodar.

— Fala.

— Eu não, — Fechou os olhos de vergonha, e lágrimas molharam seus cílios. — Não consigo.

A mandíbula de Wonyoung travou, arrumando autocontrole dos céus e do inferno. Teve uma reação tão violenta de reagir ao choro da ômega que até se assustou, mas não agiu. Não a tomou em seu colo como queria.

— Não consegue me dizer não, ou não consegue me dizer sim?

— Nenhum dos dois! — Ela grunhiu, e abriu os olhos, estressada, seu cheiro amargando, queimando, mas ela não conseguia mais controlar, se isolar, se proteger. Abriu os olhos de raiva, mesmo sabendo que estavam transformados, e avançou à frente como num bote que fez a alfa recuar.

E, àquela curta distância, Wonyoung viu.

Os pontos roxos, como faíscas, como centelhas, como pequenas ametistas, quebrando o azul gelo. Um olhar tão firme, tão furioso, que só aquele peso deveria ter dito, se os pontos roxos não tivessem denunciado.

Yuna era uma descendente da antiga matilha real. Carregando todos os seus poderes, toda a sua força, toda a sua nobreza. Os olhos dourados de Wonyoung, seu dourado de alfa, se arregalaram em resposta.

Aquilo explicava tudo, absolutamente tudo, era a peça faltante chave na dinâmica delas. Como parecia que ela ser ômega não significava nada quando elas brigavam, quando Wonyoung deveria conseguir intimidá-la pelo menos um pouco que fosse. Como parecia que não havia lobo, na face da Terra, que pudesse fazer Yuna abaixar a cabeça. Porque não havia. Porque eles que deveriam abaixar a cabeça para ela.

— Você é uma princesa, — A alfa sussurrou, surpresa. — Por que não me disse isso antes? Por que ninguém sabe disso?

— Não é da conta de ninguém, — E Wonyoung a olhava quase que com fome, e Yuna odiou como ela sentiu seu corpo e seu tesão reavivar sob aquela admiração. Como queria relaxar e se deixar ser adorada. — Não tenho que sair falando.

— Não tem mesmo, mas uau, isso é o tipo de coisa que eu não calaria a boca.

— Claro que não.

A alfa se ergueu, reaproximando seu rosto da ômega. Naquele momento, era só a luta de orgulhos e de lobas, do desejo e da timidez, do receio e do instinto. Wonyoung sorriu.

— Eu vou cuidar muito bem de você, Vossa Alteza, — E apesar do tom sarcástico e brincalhão, Wonyoung parecia estar falando seríssimo. Ela lambeu os lábios secos, necessitados da saliva da outra loba. — Só me diga sim.

— E se eu não disser?

— Eu te dou as costas, saio até do apartamento, — O olhar da alfa endureceu. — Eu não vou fazer nada que você não me peça, não queira com toda a certeza. Eu te disse, Yuna, não sou um monstro.

— Não precisa sair do apartamento…

— E ficar doida aqui com seu cheiro, te querendo e não podendo te ter? Não sou masoquista. — Ela deu um sorrisinho de canto. — Adoraria não estar de pau duro pelos próximos cinco dias.

Yuna cometeu o erro de olhar para baixo, de buscar. E, vendo que ela buscava, a alfa perdeu o pudor e apalpou o volume contido em suas boxers coloridas. Chiou com o contato em seu membro tão negligenciado, sem conseguir conter uma massagem.

E os cheiros delas… Yuna cometeu o segundo erro de inspirar fundo. Canela e cereja, tangerina e laranja. Aquela laranja nos feromônios de Wonyoung era tão fragrante, tão boa, fazia ela salivar, e a cereja, a cereja-

Yuna não se aguentou, inclinou-se para mais perto do pescoço dela, das glândulas de cheiro coradas e quentes, e inspirou; o cheiro foi tão bom, fez ela salivar, e o calor da pele dela-

Yuna mergulhou contra Wonyoung, ergueu-se contra ela, e pressionou a boca aberta contra a pele vermelha, apoiou as mãos em seus ombros, lambendo, cedendo, marcando os feromônios dela com os seus, e a força delas se encontrando foi tanta que Wonyoung teve que amparar Yuna e a si mesma, as duas indo para trás. Ela riu, e a vibração foi baixa e gostosa contra a bochecha de Yuna.

— Isso, porra, — Ela gemeu, deslizando as mãos pelos ombros ainda vestidos de Yuna. — Boa garota, que delícia…

— Mhm, — Ela não aguentou o gemido contra o pescoço da mais nova. A mão esguia de Wonyoung veio se entrelaçar nos seus fios dourados, tonta de tesão, as duas. Inclinou o pescoço para dar mais espaço para Yuna, enquanto farejava quão mais delicioso o cheiro dela ficava quando ela se deixava ir.

Ela puxou a cabeça da ômega de volta para encará-la. Os lábios dela brilhando, seu pescoço chupado…

— Isso não é resposta o suficiente, — Ela provocou, mas estava sendo sincera. Queria que Yuna falasse, afirmasse. Pensasse e dissesse com todas as letras que a queria, porque ela não falaria sem querer, não escorregaria e diria que sim sem pensar. — Fala que me quer.

— Wonyoung-ah, — E o jeito que ela gemeu seu nome quase a fez chorar, quase a fez ceder e colocar aquela ômega se apresentando para si, mas não. Ainda não.

— Diga.

— Para de me torturar…

— Não é tortura, princesa, — E desenvolveu um súbito hiperfoco por aquele biquinho, aquele lábio inferior que devia ser uma delícia de morder e chupar… — É certeza de que você vai confiar em mim e não se arrepender.

Yuna engoliu em seco. Só o que precisava fazer… Wonyoung era uma delícia, um tesão de loba, ela poderia saciá-la, e elas… Nunca mais precisavam falar sobre aquilo depois que acontecesse. Se bem que…

— Se você falar uma palavra sobre isso, eu te mato.

— Jamais. Sério, você já ouviu eu, ou alguma amiga minha, falar sobre eu ter dormido com alguma ômega?

Pior que não. As fofocas sempre chegavam por meio das ômegas com quem ela havia dormido, mas nunca tinha visto Wonyoung se gabar sobre. Ela só tinha cara de quem fazia fofoca igual uma escrota… Mas nada garantia.

— Me come, Jang Wonyoung, — Yuna pediu, ordenou, quase a compeliu. — Cuida de mim como uma alfa cuida de uma ômega no cio.

Wonyoung tinha ganhado a briga. Podia ser uma vitória dela, e depois Yuna se arrependeria, mas depois Wonyoung não se sentiria, particularmente, como quem ganhou. Não sentiria que tinha colocado a ômega no lugar dela. Sentiria-se, na verdade, transformada.

— Pensei que nunca ia pedir, princesa, — E ela avançou para tomar os lábios de Yuna nos seus, e ela estava esperando, desejando: recebeu Wonyoung com tanta fome quanto teve a boca tomada.

O beijo foi voraz, intenso; Yuna gemeu quando a língua de Wonyoung deslizou contra a sua, quando as bocas delas se encaixaram perfeitamente, quando sentiu a maciez e a doçura dos lábios da alfa. Como seu beijo, mesmo sendo firme e ela sendo dominante, era suave e… Quase romântico. Retribuiu com todo o desejo que sentia, envolvendo o pescoço de Wonyoung com ambos os braços, encontrando o cabelo dela e o agarrando, chocada com o quanto as madeixas eram macias, também, e a outra mão dela deslizou deliciosamente pelas suas costas, encontrando a barra da blusa…

Wonyoung quebrou o beijo para terminar de despir Yuna, o lençol tendo caído e revelado sua nudez da cintura pra baixo de qualquer jeito. Ergueu a blusa, tirando-a do corpo da ômega, e ela não perdeu tempo antes de avançar para voltar a beijá-la, guiando-a para se deitar.

Wonyoung não achava que já havia ficado tão dura antes na vida. Tinha certeza de que, se batesse seu pau numa mesa, era capaz da mesa quebrar. Mas não se importava: seu cérebro havia focado completamente em dar prazer a Yuna, satisfazê-la completamente antes mesmo de entrar nela. Cuidar dela como qualquer boa alfa faria.

Mas ela não queria ser qualquer boa alfa. Queria ser a alfa dela, tão perfeita pra Yuna que o sexo delas seria inesquecível.

— Wonyoung-ah, — A ômega gemeu contra sua boca. Não achava que sexo entre elas seria daquele jeito: calmo. Lento. Agarrou a blusa dela. — Por favor…

A alfa sorriu. Era aquilo que ela queria: uma Yuna livre, livre de seu próprio controle e de propriedade. Apoiou o peso nos joelhos e agarrou a própria blusa, rasgando-a com voracidade, jogando os trapos pro lado e ficando só com suas boxers listradinhas femininas.

Yuna engasgou de surpresa, e o som do tecido rasgando foi estranhamente excitante. Os seios de Wonyoung pressionaram contra os dela, e ela sentiu um arrepio tão delicioso que lhe escorreu umidade.

E foi a vez da alfa tirar a boca da sua para chupar suas glândulas primárias, selando os lábios ao redor da pele vermelha. Yuna quase gritou, e seus dedos enrolaram quando a língua dela deslizou ali, naquela área tão sensível, e ficou mais e mais molhada, gemia mais e mais quanto mais Wonyoung a provocava e a marcava com seu próprio cheiro.

Canela e cereja, laranja e tangerina, pele contra pele; Yuna estava ficando com a cabeça leve de tanto estímulo. Derreteu contra Wonyoung, que a abraçou, apoiando seu peso e a guiando para deitar devagar na cama dela. E Yuna sentiu suas coxas partirem instintivamente…

Wonyoung parecia que conseguia sentir o gosto da canela e da tangerina contra sua boca. Soltou uma das glândulas e foi para o outro lado, beijando, lambendo, chupando, e conseguia ouvir cada gemidinho de Yuna tão bem, estava sentindo-se tonta.

— Wonyoung-ah, — Ela chamou de novo, e a alfa quase rosnou de prazer. Quando tirou a boca dali, o cheiro delas era indistinto um do outro. Como se elas tivessem se marcado permanentemente, já. Trocado mordidas.

— Eu preciso cuidar de você, — Ela deslizou mais para baixo, beijando com selinhos leves o caminho de sua clavícula até os seios. — Mas aos poucos.

— Wony…

O jeito que seu pau fisgou nas boxers com aquele Wony a deixou louca. E, além da reação sexual, seu coração fez uma coisa meio estranha. Ninguém nunca a tinha chamado de Wony. Wonyo, ok. Suas amigas a chamavam de Wonyo. Wony? Daquele jeito manhoso… Com aquele carinho?

Mordiscou o seio macio, um pouco acima do mamilo, e Yuna choramingou.

— Me chama desse jeito de novo, — E odiou como se sentia implorando, e odiou como ela não se importava de implorar. Seu lado mais alfa ficava revoltado, como poderia ela, uma alfa tão poderosa, abaixar a cabeça? Mas como ela poderia não fazê-lo… Para uma princesa? Para uma loba de sangue nobre? Sangue da realeza?

— Wony…

— Isso, — Sua língua deslizou pela área mordida. — De novo. Só me chama assim…

— Wony- alfa, alfa…

— Porra! — Se Wony era bom, alfa era ainda melhor. E daí que ela literalmente não estava fazendo o que lhe foi pedido?

Abraçou o mamilo dela com a boca e sugou, sua língua correndo com fome sobre a pele, saboreando, deliciando-se, tirando prazer da sensação do mamilo duro contra suas carícias, como ele parecia resistir. E os gemidos de Yuna? Ela arqueou as costas e sua mão foi direto para a nuca dela, tentando segurá-la ali, enquanto a outra tentava abafar os gemidos manhosos de finalmente ter Wonyoung onde ela a queria…

E ela não ia tolerar aquilo, estava trabalhando para ouvi-la, oras. Tomou o pulso de Yuna e o firmou acima de sua cabeça, descobrindo sua boca, e Yuna ficou mais molhada ao se sentir imobilizada, dominada. Estava a mercê da alfa… E não sabia que aquela sensação podia ser tão boa.

A mão livre de Wonyoung foi à cintura da ômega. Sinceramente, se fosse qualquer outra mulher, Wonyoung a estaria dedando pra fazer ela gozar umas 500 vezes, mas sentia-se… Imersa. Perdida na loba abaixo de si; um pouco desnorteada, até. Segurou a cintura dela para puxá-la mais contra si enquanto estimulava aquele seio perfeito com a boca…

— Alfa, alfa, — Yuna choramingou. Jesus, era só uma língua contra seu mamilo, mas ela se sentia delirando. Wonyoung riu contra sua pele, e chupou um pouco mais forte.

— Acho que eu consigo te fazer gozar só assim… — Ela provocou, traçando a língua pela pele que já havia tanto marcado e chupado. Trocou de seio, e Yuna ergueu-se contra ela de desespero.

— Não, Wony, por favor, não me provoca… — Ela precisava de mais. Precisava gozar, precisava do pau e dos feromônios dela em seu sangue, em sua boca, em sua buceta… Beijo, provocação, tudo podia vir depois.

Mas a alfa não parecia ter a mesma vontade. Chupava e lambia o mamilo devagar, traçando-o com a língua, saboreando, sugando e se deleitando com os arrepios da ômega…

Wonyoung empurrou os quadris contra a cama, sentindo a fricção através do tecido que ainda usava. Não havia nem tocado na buceta de Yuna ainda, mas só pelos feromônios dela, já estava louca de tesão, necessitada… O desejo dela havia aflorado o desejo em si, e precisava tanto de algum estímulo em seu pau…

Mordiscou suavemente o mamilo antes de soltá-lo, descendo os beijos entre as costelas e pelo abdômen plano e firme da ômega. Yuna tinha sido jogadora de floorball, sabia porque ela usava um jersey velho em casa com seu nome e número, e claramente os exercícios a fizeram bem, porque seu corpo era atlético e esplêndido, e havia fantasiado com aquelas costas fortes e largas e com aquele abdome firme por noites e noites. Wonyoung beijou, chupou, lambeu cada músculo como se se deliciasse, e a mão de Yuna torcendo e puxando seus cabelos… Só tornava tudo melhor ainda. Ao invés de soltar a mão da ômega, trouxe o pulso dela para baixo e o firmou contra o colchão.

Yuna choramingou.

— Wony…

— Impaciente, — Rosnou contra o umbigo dela. — Acha que eu vou perder a oportunidade de te chupar? Quando teu cheiro é bom assim?

Yuna rosnou de volta, e puxou o cabelo de Wonyoung, tentando atraí-la para si, para fazê-la montá-la logo… Sentia-se desesperada, necessitada e estava resistindo à vontade de compelir Wonyoung a comê-la logo. Até porque, droga, a ideia de levar uma linguada era tão boa…

A alfa desceu mais, mordendo o relevo do osso do quadril de Yuna só pra fazer graça, mas quanto mais ela se aproximava, mais aquele cheiro intenso a tomava, e mais Wonyoung se sentia, novamente, menos e menos racional. Seus quadris estocaram à frente cegamente, e ficou um pouco preocupada com o quanto conseguiria durar quando entrasse nela de vez.

Soltou o pulso de Yuna para agarrar as coxas dela e afastá-las mais ainda, abrindo espaço para se encaixar ali, e surpreendeu-se ao sentir a lubrificação dela espalhada até o meio de suas coxas. Ela estava tão molhada, e mesmo que ela estivesse no cio, não imaginava que ela estaria encharcada daquele modo… E sentiu ainda mais tesão com aquilo. E o cheiro, o cheiro dos feromônios de Yuna…

Não resistiu; lambeu uma das coxas dela, devagar e firme, indo até a virilha da ômega, provando o melado, e o sabor a fez rosnar; era tão bom, salgado, mas o cheiro de Yuna era tão forte que ela jurava que podia provar a canela, a tangerina, o doce desabrochando em sua língua. E o rosnado dela fez Yuna se derramar mais.

Wonyoung não tinha forças de provocá-la depois de sentir aquele sabor: mergulhou com tudo, lambendo firmemente da entrada ao clitóris de Yuna, saboreando, quase tremendo com a sensação do calor e do molhado. Parecia que era ela quem estava descontrolada no cio: enrolou os braços nas coxas de Yuna e a puxou contra seu rosto, sufocando-se nos lábios da outra, na lubrificação…

Yuna arqueou as costas, desesperada, arfando. Depois de tanta provocação, mesmo que já tivesse se tocado antes de Wonyoung chegar, sentiu os arrepios de prazer como ondas, arrastando-a devagar. Queria abrir mais as coxas, mas elas estavam firmes nas mãos da alfa que a devorava como se sua vida dependesse disso. Sem preliminares: a língua dela focava em seu clitóris e o massageava com lambidas firmes, e Yuna sentia-se no céu, finalmente. Agarrou as cobertas com ambas as mãos, tentando se ancorar enquanto era chupada como se fosse a melhor coisa que podia ser provada.

A língua de Wonyoung deslizou, desceu, indo para a entrada da ômega para circular, provocar. Empurrava lentamente, e Yuna começou a rebolar contra seu rosto, tentando fazê-la entrar logo nela… Mas Wonyoung resistiu, apertou os braços ao redor das coxas da ômega para imobilizá-la.

— Wonyoung, porra, — Ela fungou. Ainda tentava rebolar contra o rosto da alfa, e ver ela se esfregando no colchão… — Eu também, ah, eu também quero… Wony…

Demorou um pouco para a outra responder, focada como estava em provocar a entrada de Yuna, encantada com a sensação do líquido que escorria dela, grosso contra a pontinha de sua língua, mas quando as palavras dela eventualmente entraram em sua mente…

Ergueu os olhos para olhar para Yuna. Queria que ela repetisse o que tinha dito.

— Eu quero… Te chupar, também…

Wonyoung gemeu, sentindo aquelas palavras lançarem uma fisgada de prazer em seu membro. Quando conseguiu se fazer tirar a boca da buceta da outra, sentiu como ela havia lambuzado todo seu rosto.

Admirou um pouco o que havia feito. Delicioso. Yuna tentou erguer os quadris de novo, buscando a boca de Wonyoung, mas ela só estalou um beijo contra o clitóris rijo e molhado que fez a outra choramingar.

— Você quer me chupar também? — Perguntou, arrastando-se devagar até estar sobre a ômega de novo. Sorria como se fosse uma predadora, satisfeita, mas por dentro, não estava nem um pouco satisfeita. Sentia-se insaciável por Yuna… — Senta na minha cara, então.

Yuna se arrepiou inteira com a demanda de Wonyoung, mas melhor ainda foi o beijo em que elas se enlaçaram enquanto a alfa a puxava para cima, para que as duas ficassem de joelhos na cama. Línguas dançavam juntas, e Yuna ficaria assustada com o quanto o rosto de Wonyoung estava melado pela sua lubrificação se não achasse aquilo um tesão absurdo, se não estivesse morta de prazer. Agarrou o cabelo e a nuca da alfa desesperadamente, jogando-se nela…

Wonyoung sentia um carinho absurdo desabrochando em seu peito com os atos adoravelmente urgentes de Yuna. O desespero da loira era adorável… Fazia ela querer mimá-la. Seus instintos de alfa queriam adorá-la por horas a fio… com esforço, quebrou o beijo.

— Deixa eu deitar pra você subir no meu rosto.

— Hng, — Se Yuna já não estivesse tão vermelha, teria sido visível como ela ficou mais ainda. — Eu…

Wonyoung desceu os lábios em selinhos pelo rosto da ômega.

— Você o quê? — Aproveitou pra apertar e massagear aquela bunda linda de gostosa enquanto voltava sua boca às glândulas de cheiro, misturando seus feromônios com os dela de novo. Droga, queria tanto agarrar aquela bunda enquanto Yuna sentava nela…

— Eu nunca… Fiz… Isso…

— Nunca sentou na cara de alguém? Você não sabe o que tá-

— Não, Wony… Quer dizer, isso também, mas…

Wonyoung desacelerou as lambidas na pele quente da ômega. Pensando…

Ela havia dito que nunca havia precisado de uma alfa antes. Havia insistido que passaria o cio sozinha. Ela…

— Aaaah, — Wonyoung se afastou, olhando nos olhos de Yuna. — Unnie, você é virgem…?

Yuna fez que sim, subitamente envergonhada. Não tinha nenhum problema em nunca ter tido experiências sexuais, claro, mas diante de Wonyoung, que era aquela garanhão… Sentia-se tímida, de uma certa maneira. Queria fazer e ter tantas coisas feitas consigo e nem sabia como…

Wonyoung inclinou-se para beijá-la, dessa vez, devagar. Yuna não se afastou; avançou ela própria, fazendo os lábios delas se encontrarem em um beijo que iniciou desesperado, mas que Wonyoung guiou até ficar calmo e…

Yuna não ousaria pensar "romântico". Mas era como estava.

Wonyoung desceu as mãos até sua cintura, e guiou ambas até ela poder deitar, puxando Yuna para cima de si.

— Vem cá, — Wonyoung disse. — Como é sua primeira vez, vou te mimar.

— Mas… — Olhou para as boxers da alfa, o volume firme e enorme contra as listras de cores. Wonyoung estalou a língua.

— Não se preocupa comigo. Deixa que eu cuido de você.

E aquela frase fez Yuna ficar mais molhada ainda, mais necessitada ainda, e moveu-se para jogar uma perna por cima dos ombros da alfa e alinhar sua vulva com a boca dela. Abaixou-se devagar, nervosa, mas Wonyoung não queria saber de cuidado, queria ser sufocada pela buceta da ômega.

— Wony…

— Senta, — Ela demandou, lambendo com a língua plana, grunhindo ao sentir o acúmulo de lubrificação que praticamente escorreu pela sua língua. — Já fiz isso mais de uma vez. Senta.

Mais de uma vez. Claro, Wonyoung era uma playboy, comia qualquer ômega que lhe desse trela. Mas ouvir que a alfa que estava cuidando dela não era dela… Aquilo a enfureceu de um jeito sorrateiro e ilógico e a fez sentar no rosto de Wonyoung como ela queria.

A alfa grunhiu, satisfeita, e sua língua mergulhou entre os grandes lábios de Yuna, buscando e esfregando o clitóris em círculos firmes e gostosos. Yuna se inclinou para a frente, apoiando-se na cabeceira de sua cama para rebolar contra a boca de Wonyoung. Queria que ela não falasse mais de outras ômegas… Queria que ela focasse só em si, que ela fosse…

Yuna nunca havia sentido prazer daquele jeito, e de algum jeito, só Wonyoung estar lhe fazendo oral já havia acalmado um pouco o tesão do cio; ela sentia sua mente minimamente mais clara, e seus instintos não estavam mais furiosos e desesperados, apenas intensos. A sensação da língua de Wonyoung massageando seu clitóris era incrível, era… Tão melhor que sua própria mão…

As mãos da alfa agarraram suas nádegas, guiando seu rebolado, e Yuna gemeu, sentindo-se ficar mais molhada, e Wonyoung lambeu e consumiu cada gota que ela derramava em sua língua. Inclinou a ômega de um jeito que a permitiu penetrá-la com a língua, e Yuna-

— Wony! M-minha Deusa! — Ofegou, arrepiada com quão gostosa era a sensação da língua dela entrando e saindo de si… E sentiu ela rir embaixo de si, satisfeita.

Wonyoung massageou as nádegas da ômega, deliciando-se no sabor e no cheiro e na sensação que dominavam seus sentidos, e enfiou a língua o mais fundo que pôde, sentindo-se endurecer mais com a sensação dos músculos a massageando em espasmos deliciosos. Demorou-se ali, mantendo em mente que era a primeira vez da ômega, e queria que ela tivesse uma experiência incomparável, não só por ser a primeira, mas por ser a melhor.

Yuna rebolava devagar, mais se esfregando no rosto da alfa na tentativa de ser penetrada mais fundo do que provocativamente rebolando, e suspirou quando a língua de Wonyoung traçou seu caminho de volta a seu clitóris, selando os lábios ali para sugar lenta e ritmicamente enquanto dois de seus dedos desbravavam o caminho até a entrada apertada, que já havia sido penetrada por sua língua. O estímulo foi tanto que seu estômago revirou-se em nós de prazer, e Yuna gemia, chorava alto, perdendo-se cada vez mais no prazer. Apertava as coxas contra o rosto da alfa, e Wonyoung não poderia estar mais realizada. Não se importava que seu pau pulsasse, dolorido, que seu nó já estivesse meio inchado, ela só queria saber de fazer Yuna gozar de novo e de novo e de novo…

— Mais, — A loira implorou, o ritmo de seus quadris falhando com a escalada do prazer que sentia. — Mais, Wony, mais…

Sentiu mais um dedo deslizar para dentro de si, e arfou, as coxas fechando ao redor do rosto da alfa em resposta. Ia e vinha no rosto de Wonyoung, e só conseguia pensar no quanto ela ficaria marcada com seu cheiro, como nenhuma ômega ousaria se meter com ela quando ela cheirasse inteira a Yuna…

Wonyoung sentia o molhado de Yuna acumulando em sua boca, escorrendo por suas bochechas, e se deliciava. Não achava que havia nada melhor que estar coberta pela lubrificação de sua ômega — de novo isso — no cio. Chupou o ponto sensível dela com mais força, esfregou com mais foco, e seus dedos aceleraram dentro dela…

— Isso, isso, não para, Wony, não para…

Não ia parar. Redobrou seus esforços, e os gemidos quase gritados de Yuna foram sua recompensa. Queria que o dormitório todo soubesse que ela a estava fodendo, estava cuidando dela, e pela primeira vez ficou frustrada com o fato de que o apartamento das duas era relativamente grande, e portanto, os sons não vazavam fácil pro corredor. Deveria pegar Yuna no colo e prensá-la ao lado da porta, fodê-la logo ali para que toda e qualquer outra alfa soubesse que Yuna era dela…

Levou sua outra mão para entre as nádegas dela, para a outra entrada, e não tinha intenção de penetrá-la ali, mas estava tão molhada até mesmo àquela altura que massageou devagar, e entre aquilo, seus dedos indo e vindo e a língua talentosa que circulava seu clitóris, Yuna chegou ao limite e gozou, gritando, arqueando as costas, derramando mais do seu mel ao redor dos dedos de Wonyoung, suas coxas fechando contra o rosto dela, sua buceta contraindo contra as falanges que a fodiam…

Wonyoung não parou até que Yuna relaxasse e precisasse se apoiar de novo na cabeceira, guiando-a através do orgasmo. Desacelerou as carícias de sua língua só quando aquele aperto férreo ao redor de seu rosto relaxou, e suas mãos voltaram a massagear as nádegas com carinho, devagar. Yuna desmontou de seu rosto lentamente, sentindo o corpo trêmulo como nunca antes, e viu Wonyoung sorrindo como se tivesse acabado de voltar do paraíso.

— Wony, — A ômega sussurrou.

— Unnie. — Ela sorriu maior ainda. Não achava que já tinha tido tanto prazer dando uma linguada em uma ômega antes.

Yuna deitou-se ao lado da alfa devagar, avançando para beijá-la, provar seu próprio gosto na boca de Wonyoung enquanto descia sua mão pelo corpo dela, buscando os seios que tanto já havia admirado e se recusado a admitir. Ela gemeu prazerosamente contra sua boca, o que a deu coragem de aprofundar o beijo enquanto apertava a carne quente e macia antes de pinçar o mamilo…

Wonyoung suspirou contra os lábios da ômega. Ela aprendia rápido, e deixou que ela guiasse o beijo para que se envolvesse mais. Era sensível nos seios, particularmente, e arqueava as costas diminutamente a cada torção e pinçar na carne sensível. Quando a mão de Yuna continuou a descer, ela mesma se encarregou de continuar aquele estímulo.

E a mão dela desceu, desceu… Deslizou pelo abdômen plano e encontrou a barra da cueca que ela ainda usava, distendida pela sua ereção, e só então Yuna duvidou um pouco de seus próprios avanços.

Wonyoung sorriu, quebrando o beijo para olhar nos olhos da mais velha, sorrindo carinhosa e um pouco maliciosamente.

— Nunca mesmo, né?

— Hmm… — Não, nunca mesmo. Wonyoung tomou seu pulso e guiou sua mão espalmada lentamente. — Ah…

Era firme, e… Enchia bem a palma de sua mão. E quente. A mão de Wonyoung cobriu a sua e a guiou ao longo da ereção, pressionando a palma dela contra si, enquanto beijava sua mandíbula.

Yuna tentou seguir aqueles movimentos sozinha, apertando um pouco com os dedos. Sentia seu rosto queimando, mas Wonyoung não estava fazendo pouco dela. Deixava ela explorar seu corpo ao seu próprio ritmo.

— É maior do que eu pensava, — Murmurou, tomando coragem de deslizar as pontas dos dedos entre a pele e as boxers, ameaçando empurrá-las para baixo… Tinha vergonha, mas também tinha vontade.

— Você pensava no tamanho do meu pau?

— As ômegas que você come não calavam a boca sobre isso. — Não era inteiramente uma mentira. Sentiu arrepios quando Wonyoung beijou abaixo de sua orelha. — Me deixava curiosa.

— Então superei suas expectativas? — Vendo que Yuna hesitava, ela mesma tomou um dos lados de sua boxer em seus dedos e a empurrou para baixo, dando um vislumbre de seu membro. Yuna ofegou. — Realmente é maior do que você esperava?

Porra, e como era. Achava que era mais fino, porque Wonyoung era toda magra e alta, e não era nada como aqueles pornôs absurdos, mas… Com certeza era mais grosso do que ela esperava. O comprimento era justo o que ela imaginava. Levou a mão ao outro lado de sua boxer e, com a ajuda de Wonyoung, puxou-a para baixo, revelando completamente o membro que a deu água na boca.

— Porra… É, é sim…

Wonyoung sorriu, minimamente satisfeita, apesar de que seu ego não girava ao redor de seu pau igual outros alfas idiotas; guiou, lentamente, a mão de Yuna ao seu membro, deixando que ela tirasse sua mão se quisesse, mas ela não o fez.

E Wonyoung chiou quando a mão de Yuna tocou a pele de seu pau, tão duro e necessitado de atenção. A cabeça estava melada, gotejando, e quando Yuna enrolou os dedos ao redor da carne rija com mais firmeza e moveu seu punho cuidadosamente, o líquido escorreu.

— Porra… — A ômega a encarou, surpresa.

— Já?

— Eu tô de pau duro tem uns bons minutos, você não tem noção, — Wonyoung focou em voltar a beijar o ombro e o pescoço de Yuna enquanto era tocada. — Pode apertar mais… Ai, caralho…

Ouvir a reação de Wonyoung atiçou o cio em Yuna novamente. Fez como foi mandada, gostando da rigidez que sentia, do membro duro, do calor, de como a pele ainda era macia e gostosa de apertar, como sua mão deslizava… Afastou o cabelo de seu ombro para Wonyoung beijar mais, e ampliou seus movimentos.

— Seu cio acalmou, princesa?

— Hm-rm… Mas… — Mas ainda sentia ele ali, como uma cobra de fogo enrolada em seu ventre, esperando para dar o bote. — Mas eu ainda sinto…

— Eu sei. Só vai saciar totalmente com meu pau. — Yuna esguichou um pouco com aquelas palavras. — Quer montar em mim, princesa? Ou quer que eu te foda? Vou fazer como quer que você queira…

Yuna apertou mais o pau de Wonyoung, o que a fez dar um gemido alto e jogar a cabeça para trás em deleite. Desceu o punho firmemente até sentir o nó de Wonyoung e o massageou, fazendo a alfa reagir de um jeito desesperado que Yuna sentiu seu ventre esquentar só de ver.

— Ah, ah, ah… — Ela estocava em seu punho, instintivamente, engasgando nos próprios gemidos, e aquela sensação fez sua buceta reagir, molhando mais e esquentando de desejo. Não conseguia imaginar o que seria melhor, ser montada por Wonyoung ou cavalgá-la…

— Cuida de mim, alfa, — Pediu, manhosa. — É minha primeira vez…

— Porra. — Ela lambeu o lóbulo da orelha da outra. — Vou cuidar tão bem de você, princesa…

Yuna acelerou o punho e apertou mais, fazendo Wonyoung buscar com os quadris, foder-se no aperto firme da mais velha, mas logo ela retomou o controle e segurou o pulso dela, cessando os movimentos de ambas. Precisava se controlar, tanto pra durar quando entrasse em Yuna quanto para retomar o controle.

— Deita e abre as pernas, princesa, — Wonyoung sussurrou contra seu ouvido. — E só relaxa.

Yuna obedeceu, relaxando de volta em sua cama quando Wonyoung a deu espaço. Abriu as pernas como ela pediu, afastando as coxas, mas sentiu-se arder em vergonha como se não tivesse rebolado na cara daquela mulher minutos atrás.

Porém, mais quente que seu rosto, estava sua buceta.

Wonyoung engatinhou até estar entre as coxas de Yuna e deslizou as mãos por baixo destas, apoiando seus joelhos e os empurrando na direção do peito de Yuna. Ela ofegou com a mudança de posição, e logo se viu presa, com os joelhos apoiados nos ombros de Wonyoung enquanto ela tomava seu pau em uma mão e guiava a pontinha pela sua vulva.

— A-ah, Wony-

— Shhh. Não é gostoso assim? — Os dedos dos pés de Yuna se enrolavam quando a cabeça do pau de Wonyoung esbarrava em seu clitóris. Revirava os olhos, suspirava, arqueava as costas… — Só relaxa e aproveita…

— P-porra, Wony… — O membro deslizava entre os lábios de sua vulva, e Yuna sentia que ia ficar louca. O calor de seu cio estava aumentando de novo, e ela ergueu a cabeça para tentar alcançar o pescoço da alfa. — V-vai, me fode…

— Tudo no seu tempo, princesa… Eu esperei tanto por isso, não vou apressar. — Inclinou-se mais para perto só para Yuna ter acesso ao seu pescoço e marcar sua cereja com a canela dela, sua laranja com a tangerina dela. — Você tem meu cheiro favorito…

— Wony… — Droga, talvez Wonyoung também tivesse seu cheiro favorito. Yuna odiava admitir aquilo para si mesma, mas era verdade.

Ela moveu os quadris de forma a guiar sua cabeça para a entrada molhada de Yuna, e a mais velha choramingou de necessidade ao sentir a mais leve pressão fazer menção de penetrá-la. Seus músculos contraíram, e Wonyoung chiou com a sensação na ponta de seu membro.

— Relaxa, princesa… Senão vai doer…

— Desculpa, eu tô nervosa… — Wonyoung se afastou só o suficiente para beijar sua testa, o que fez o coração de Yuna apertar com um afeto que ela nunca tinha sentido pela alfa antes.

— Não precisa se desculpar. Me beija.

Wonyoung não precisava pedir duas vezes. Yuna levou seus lábios aos dela, e elas se beijaram devagar, ganhando tempo para o coração de Yuna desacelerar enquanto Wonyoung voltava a esfregar seu pau ao longo da buceta dela, só para mantê-la estimulada, molhada. Beijaram-se por tanto tempo que seus lábios estavam dormentes, formigando, mas Wonyoung não se importava, só precisava sentir que Yuna havia relaxado quando fosse empurrar seu pau para dentro dela…

Uma de suas mãos apoiou-se num dos joelhos da ômega, e a outra deslizou entre elas para achar o clitóris dela. Yuna choramingou, tentando erguer os quadris em resposta, e Wonyoung sorriu contra a boca dela ao sentir que ela estava mais receptiva.

Começou a pressionar-se devagar, sem errar os círculos que massageava naquele ponto sensível dela, e Yuna tremia de prazer embaixo de si. Quando sentiu a glande deslizar para dentro de si, quando sentiu sua entrada abraçando aquela saliência, gemeu e agarrou os ombros da mais nova em desespero.

— Wony-

— Doeu? — Yuna sacudiu a cabeça. Não, não tinha doído, tinha sido incrível. A sensação era tão nova, tão diferente de dedos ou língua dentro de si… Wonyoung continuou entrando, e Yuna se sentia tão cheia…

— É tão grande, Wony…

Porra, o jeito que Yuna falou, manhosa e gemendo… Pausou seus movimentos antes de tentar bombear devagar, e sua unnie gemeu alto, jogando a cabeça para trás.

— Unnie!

— Alfa! — Ela repetiu o movimento, e o jeito que os olhos de Yuna se arregalaram, surpresa com o próprio prazer, foi estímulo o suficiente pra Wonyoung continuar. — Minha Deusa, ah, meu, Wony!

— Isso, unnie… Deixa eu te foder…

A mais velha se viu boquiaberta, sobrecarregada de prazer quando Wonyoung aprofundou suas estocadas, chiando entredentes para não se deixar levar tão rápido. Ela mesma não era nenhuma virgem, mas não achava que já tinha comido uma buceta tão gostosa quanto a de Yuna. E não era nada daqueles absurdos de virgens serem apertadas, era… Algo diferente. Era algo perfeito entre elas, como se seu pau fosse feito pra estar dentro de Yuna. Era algo em seu coração.

Apoiou as mãos ao lado da cabeça da loira e acelerou, revirando os olhos de tesão, sentindo os músculos estimularem seu nó, e só a ideia de estar atada naquelas paredes gostosas fez seu pau fisgar, o que por sua vez fez Yuna arquear as costas e gritar de prazer, o que fez Wonyoung acelerar… O que havia sido uma tentativa de começar devagar logo tornou-se quente e desesperado entre as duas. Nunca que o orgulho de Yuna a teria deixado se imaginar naquela posição, quanto mais adorando o tanto que estava, e nunca, nos seus sonhos mais devassos, Wonyoung imaginou que sentiria tanto prazer assim.

O cheiro das duas com certeza já estava tomando além do quarto, o apartamento inteiro; quiçá os desejos de Wonyoung haviam se tornado realidade, e agora todo o andar delas sabia que elas estavam juntas. O que havia começado com o desejo de fazer Yuna ser tão humana quanto ela, tirá-la de seu pedestal, estava rendendo Wonyoung completamente. Seus instintos nunca estiveram tão satisfeitos, devotos, ela precisava fazer Yuna gozar, de novo e de novo e de novo, até ela estar cheia de sua porra, de seus filhotes, atada a ela, e seus cheiros marcados uma com a outra…

Abaixou o rosto e voltou a beijar e marcar a glândula de Yuna com seu cheiro, sentindo mais e mais prazer quanto mais ela gemia e chorava com os estímulos naquela pele delicada, e Yuna, já não sabendo mais onde se ancorar, agarrou os ombros e costas de Wonyoung com suas unhas, arranhando-a como um animal, segurando-se nela como um bote salva-vidas, e quanto mais ela estocava, quanto mais sentia os testículos de Wonyoung acertando suas nádegas com a força de suas investidas, mais Yuna era reduzida àquele seu lado base, instintivo: seu eu lobo, que não tinha raiva da personalidade de Wonyoung, que não tinha barreiras mentais, orgulho ou preconceitos, que só via a alfa poderosa pelo que ela era: sua parceira, a mãe ideal de seus filhotes, sua mais fiel protetora…

— Não para, — Nem se ouviu demandar. Não podia, não aguentaria se Wonyoung parasse. — Goza dentro de mim…

O rosnado que a alfa deixou escapar fez sua buceta contrair e molhar mais ao redor do membro dela. A cama começou a bater na parede com a força de seu vai-e-vem. Wonyoung também não aguentaria parar, só se Yuna pedisse, mas agora que ela tinha pedido justo pelo contrário…

— Não fala assim, eu não aguento, — Mordeu o lóbulo da orelha de Yuna, e ela gemeu alto. — Goza no meu pau, ômega.

Wonyoung montou um pouco mais nela, fazendo seus joelhos irem mais para baixo, erguendo os quadris de Yuna contra os seus, e o ângulo novo a fez gritar, o choque de prazer sendo demais, e Yuna gozou, gozou forte e intensamente, contraindo ao redor do membro de Wonyoung como se tentasse tirar cada gota dela. Wonyoung travou a mandíbula, fodendo-a sem perder o ritmo e tentando desesperadamente não gozar; por muito pouco, aguentou, continuando através do orgasmo de Yuna e arrancando dela cada gota de prazer, sentindo como ela havia esguichado contra seu púbis, como ela estava deixando a pele de suas costas em carne viva de tanto arranhar.

— W-Wony, minha Deusa, é demais… — Yuna soluçou.

— Não é não, unnie, você aguenta, princesa, — Beijou o rosto dela repetidamente, por toda parte, enquanto mantinha seu ritmo, arrepiada de prazer. — Vou te fazer gozar de novo.

Yuna sentiu lágrimas descerem pelo seu rosto; não sabia que era possível sentir tanto tesão, tanto prazer, tanta vontade assim, de uma vez só. Mas o ritmo de Wonyoung começava a falhar, e se ela a havia feito gozar uma vez…

— Wony-yah, — O jeito que sua voz retumbou em cada osso de Wonyoung a fez entender, na hora, o que Yuna estava fazendo. — Deita.

A voz de nobre.

Wonyoung parou suas estocadas na hora, sentindo-se comandada a obedecer à loba mais forte, porque era exatamente aquilo que estava acontecendo: a voz de nobre fazia qualquer lobo plebeu que ouvisse a obedecer, qualquer que fosse o sexo secundário, qualquer que fosse a ordem, mesmo contra a sua vontade. Travou os dentes: não era totalmente oposta a mudarem de posições, mas sentia-se estranha sendo controlada.

— Não precisava me compelir, — Resmungou, mas até que foi um tesão ver seu pau duro e todo molhado de Yuna. Deitou-se, e valeu tudo à pena quando a ômega montou em seus quadris. — Eu teria deitado de qualquer jeito.

— Desculpa, — Pediu sinceramente. — Foi meio impulsivo…

Guiou o membro até sua entrada de novo, e quando desceu, deslizou facilmente, fazendo as duas gemerem alto de tesão. Wonyoung só conseguiu segurar os quadris de Yuna antes de ela começar a rebolar, quicar, ofegando e engasgando de prazer com a sensação. A posição nova fazia parecer que ela sentia a alfa em seu estômago, tão fundo…

— Puta que pariu, — Os olhos de Wonyoung assistiram os seios de Yuna quicarem com cada sentada. — Ômega, você é tão gostosa…

— Alfa… — Yuna acelerou; agora que sentava totalmente, até a base, sentia o volume do nó se anunciando deslizando para dentro e fora de si, e era tão gostoso... — Goza dentro de mim…

— Só depois que você gozar de novo…

Yuna jogou o cabelo para trás e, ok, aquilo quase fez Wonyoung gozar de vez. Gemeu e estocou, investindo contra as sentadas da ômega, e as duas gemiam com gosto, nem parecia que eram rivais, inimigas antes daquilo. Wonyoung só conseguia ver sua ômega em cima de si, e Yuna só conseguia ver sua alfa.

Uma das mãos da mais nova deslizou até seu polegar encontrar seu clitóris, e Yuna arfou, as coxas tremendo e falhando com a intensidade. Sentia seu próximo orgasmo se aproximando como uma onda, como…

— Você é a ômega mais gostosa que eu já vi, — Wonyoung elogiou, e a ideia de ser a única ômega dela, insuperável, fez Yuna acelerar, quicar com mais e mais força, e-

— Wony! — Tombou à frente, suas mãos apoiando-se nos seios da alfa, apertando com força enquanto seu orgasmo a atingia, e mesmo assim Yuna não parou, fodendo-se no membro de Wonyoung, arqueando as costas enquanto sua lubrificação esguichava contra a carne rija dentro de si, e todas aquelas sensações foram demais: as mãos de Yuna, os gemidos de Yuna, a buceta de Yuna, tudo fez Wonyoung, enfim, atingir seu próprio ápice, agarrando os quadris dela e estocando para encontrá-la enquanto rosnava de prazer, jorrando jato atrás de jato de sêmen dentro de Yuna.

— Isso, unnie, isso! Não para! — A mais velha mudou o sentido de suas reboladas, e o nó da alfa já começava a inchar dentro dela; a sensação de suas virilhas rebolando contra os quadris de Wonyoung era tão molhada, deslizava tão bem, e ela sentia a porra dentro de si, enchendo-a… Apertou os seios da mais nova, que gemeu, e em reação, seu pau fisgou e jorrou mais um tantinho enquanto seu nó inchava dentro de sua entrada apertada…

A exaustão enfim tomou ambas, e aos poucos, Yuna se deitou sobre Wonyoung, acomodando sua cabeça sobre o ombro dela, a boca bem ao alcance das glândulas primárias, que focou em beijar distraidamente enquanto o nó atava dentro de si pra garantir que nem uma gotinha de sêmen escaparia.

Ficaram ali, deixando o momento acalmar e passar, os hormônios do cio enfim abatidos, acalmando em Yuna, deixando ela pensar claramente de novo enquanto lambia a glândula ao seu alcance preguiçosamente. Enquanto isso, Wonyoung acariciava suas costas, satisfeita… tão satisfeita.

Havia conseguido o que ela sempre quis: comer Yuna. Havia provado que ela não era melhor do que ninguém, que era tão loba quanto a si própria. Mas… Não era vitória que Wonyoung sentia. Era algo bem mais profundo e misterioso e assustador. Estava feliz, sim, e parte de sua satisfação vinha, sim, de estar certa, mas… Era uma parte tão pequena. Minúscula, quase inexistente. Insignificante. Irrisória. Talvez nem existisse, e seu orgulho a impedia de admitir que aquilo não era um fator.

O que Wonyoung mais sentia… Era o quanto aquela transa havia mudado dentro de si. Sabia que nunca esteve tão cheia de prazer, de tesão, tão satisfeita após o sexo quanto naquele momento. Estava satisfeita consigo mesma por ter feito tão bem a Yuna, como se houvesse cumprido uma missão de vida, e tinha uma sensação expansiva em seu peito, quente e formigante e fofo, que a fazia querer ficar de conchinha com Yuna enquanto a beijava, acariciar a barriga dela enquanto sussurrava o quanto ela tinha sido perfeita. Deveria colocá-la abraçada a si, e deitar na cama de forma a vigiar a porta. A ômega, agora, precisava descansar, enquanto Wonyoung guardaria a toca delas e cuidaria da mais velha, tão deliciosa, tão poderosa, tão…

Sentia-se… Encantada. Diria até apaixonada, se não fosse uma palavra assustadora demais.

Inspirou fundo: cereja e canela e laranja e tangerina. Era tão… Tão bom.

Mas, quanto mais a mente de Yuna limpava da névoa do cio, mais um pânico crescia. Ela e Wonyoung estavam presas uma à outra, agora. Literalmente. Ela estava atada com aquela alfa arrogante que se achava melhor que todo mundo, e que comia ômegas como se fossem quitutes num self-service. Ela só seria a próxima a ser descartada, e pior, Yuna já sentia algo em si querer rejeitar a rejeição. Haviam acabado de fazer aquele sexo, como poderiam só… Seguir em frente? Como Wonyoung poderia só sair de dentro dela, quando o nó desinchasse, e seguir sua vida como se nada? Era assim para todas as ômegas que davam pra Wonyoung? E se fosse o caso… Teria sido tão ordinário para ela quanto foi especial para Yuna?

Cessou as lambidas no pescoço dela, e Wonyoung logo sentiu. Mas não deu muita bola de início, achava que a ômega só estava relaxando. Estendeu uma mão para fazer carinho nas costas dela com as pontas dos dedos.

— Acho que eu nunca fodi tão gostoso, — Riu consigo, e o som reverberou no seu peito. Yuna sentiu-se gelar de nervoso com como Wonyoung falava tão despretensiosamente. — Foi demais, Yuna unnie. Você deveria se deixar ir com mais frequência.

— Não sou de sexo sem compromisso, — Conseguiu dizer.

— Então outros alfas não têm ideia do que estão perdendo? Sorte a minha. — Deu um tapinha brincalhão na bunda de Yuna. — Não acredito que foi sua primeira vez. Você foi incrível, e seu cheiro… Não sei o que eu gosto mais, a canela ou a tangerina.

Yuna não conseguia responder. A ansiedade do possível fantasma futuro do que havia acontecido avultava-se mais e mais. Agora, ela seria a ômega que sairia do quarto dela para nunca mais ser olhada por Wonyoung duas vezes… E Yuna estava percebendo que aquilo a aterrorizava. Deixava-a nauseada de medo.

Porque não conseguia mais ignorar quão fortemente se sentia pela alfa. Não conseguiria mais ignorar os cheiros compatíveis delas (ainda mais com Wonyoung falando sobre, merda) e o quanto seus instintos de loba já colocavam Wonyoung numa posição tão importante, tão única. E sabia que ela conseguiria ignorar qualquer coisa. Era isso que gelava seu estômago. Yuna não queria ser rejeitada, não queria estar naquela posição humilhante… Não queria ser rejeitada pela…

Tentou erguer seus quadris para tirar a alfa de si, mas o nó ainda estava dolorosamente inchado, e gemeu ao sentir o puxão doloroso que ele deu dentro de si.

— Ei, calma, unnie, cuidado. Você vai se machucar assim, — Wonyoung disse, cuidadosa, segurando os braços de Yuna. — Relaxa, princesa.

Yuna não queria relaxar.

— Eu tenho que ir, — Disse, nervosa. — Não deveríamos ter transado.

Wonyoung travou.

— Quê?

— Você me ouviu, não deveríamos ter feito isso. — Suas mãos sentiram os braços de Yuna, tensos como se ela fosse pular da cama a qualquer segundo, no instante em que seu nó desinchasse. — Eu não queria ter entrado pra sua lista.

A raiva que Wonyoung sentiu foi um pouco descomunal. Esquentou seu peito e seu estômago de uma forma reativa, ofendida.

— Lista? É sério, unnie? — O honorífico acabou passando batido pras duas. — Depois de tudo que a gente fez, é nisso que você pensa? É isso que você pensa de mim?

— Acha que eu não sei? Tipo, obrigada pela ajuda, mas… Eu sei como você é, Wonyoung, e todo seu direito, mas não é o que eu quero. Não é o que eu queria.

A irritação fez ela sair daquele espaço relaxado e seu nó desinchar mais rápido, o que soltou Yuna, que se retirou de cima de Wonyoung e engatinhou para fora da própria cama, mas a alfa não toleraria aquilo. Jogou-se, praticamente, na direção da ômega, e conseguiu segurar um dos pulsos dela.

— Não, nem fudendo! A gente faz o sexo mais espetacular que eu já tive e você quer meter que eu vou te enxotar como qualquer uma? É sério?

— Por que eu deveria achar que vou ser diferente? Você não precisa me tratar diferente porque me comeu no cio, Wonyoung. Você é solteirona, não vai abrir mão da sua vida por que qualquer mulher, e eu não vou me iludir pensando que eu que vou te mudar.

O queixo de Wonyoung caiu, e ela ficou estupefata o suficiente pra Yuna livrar seu pulso e rumar ao seu guarda-roupa, pegando mudas atrás de mudas de roupa e enfiando todas na mala de mão mais próxima que achou. Se ficasse ali, seus instintos a fariam rastejar atrás de Wonyoung, e isso seria pior que a morte. Porque não era possível que a alfa realmente tivesse um ponto fraco por ela.

Mesmo que fossem parceiras, almas gêmeas.

— Não é possível, — Wonyoung ecoou. — Eu tô achando que eu que não signifiquei nada pra você. Caralho, Yuna, a gente tava junta, ao mesmo tempo? Você realmente não sentiu o que acabou de acontecer? Não sentiu o que tinha entre a gente?

— Não, — Yuna mentiu. — E eu realmente devo acreditar que você não vai sair no próximo fim de semana pra traçar mais uma?

O nó que apertou a garganta da mais nova foi… Não novo, mas inesperado. Estava morrendo de raiva, mas mais do que isso, uma parte de si estava lentamente partindo ao meio pela rejeição, e…

E Wonyoung não acreditava que ela estava sofrendo com rejeição. Não porque se achava a gostosona irresistível (mesmo que soubesse que era gostosona), cada qual com seu gosto, mas porque… Yuna estava meio certa. Wonyoung sempre prezou sua liberdade e sua individualidade acima de tudo, então, que foda tinha sido aquela que a estava deixando triste de estar sendo rejeitada, quando geralmente era esse tipo de desprendimento que tanto gostava em uma parceira sexual?

— Acho que você que gosta mais de ser solteira que admitir que o que a gente acabou de fazer significou algo…

— Por que você quer que tenha significado? — Yuna gritou, a voz ficando aguda com o pânico que lhe subia. — Por que você quer que eu me rasteje atrás de você? Só porque você foi a primeira alfa com quem eu fiquei? Pra você me colocar no meu lugar?

— Vai se fuder, Yuna! — Wonyoung levantou, batendo o pé. — Porra, você tinha que arruinar tudo? Tinha que ser uma babaca? Você tem cada ideia torta minha, eu que tô arrependida de ter te comido!

— Então sai do meu quarto!

— Não! — Wonyoung ficou de pé, o sangue totalmente quente, e o aroma incrível que antes havia tomado o quarto agora era substituído por algo terroso e amargo, desagradável. — Não, porque eu não sei o que você tá tentando fazer, nem porque tá tentando negar o que a gente teve! Você tá tentando me rejeitar por idiotice, e eu não vou deixar!

— Não pode me obrigar a te aceitar.

— Não, mas eu posso te fazer admitir. — Cruzou os braços e deu uns passos à frente. — Porque você sabe que teve algo especial entre a gente.

— Como eu vou saber? — Yuna arrancou umas cinco calcinhas de sua gaveta e as enfiou na bolsa; pegou mais uma e a vestiu às pressas. — Foi minha primeira vez. Poderia ter sido assim com qualquer alfa.

— Não poderia! — Wonyoung rosnou, realmente rosnou, como se estivesse brigando com outro alfa pela sua ômega. Por ela. — Por que você só não admite que gostou de ficar comigo, Yuna? Que foi, caralho, a coisa mais perto de perfeita possível? Por que só não admite que nós podemos ser boas juntas, podemos ser… Sei lá, boas o suficiente pra sermos parceiras?

A palavra fez Yuna engasgar e lagrimar.

Não.

Aquilo, não.

— Por que você não quer admitir?

— Você lá acredita nisso?

Wonyoung bufou. Puta que pariu, como aquela ômega era irritante. E pior que não acreditava, não… Até uma meia hora atrás.

— Você é arrogante, egoísta e autocentrada, — Yuna tirou um vestido pra botar no corpo. Quanto mais rápido estivesse pronta pra sair dali, melhor ainda. — Você só tá com oxitocina no corpo. Depois que passar a euforia de ter me comido, vai voltar ao normal.

— Caralho, eu quero te dar um sacode, — Resistiu à vontade de realmente agarrar a ômega pelos ombros e sacudi-la. — Tá difícil de acreditar que eu quero me aninhar com você e vigiar você pelos próximos dias do seu cio? Que eu quero cuidar de você? Que…

— Tá difícil, sim! — A ômega gritou, ficando em pé e quase tremendo de raiva. — Tá difícil de acreditar que eu vi o suficiente do teu comportamento de piranha pra confiar que você vai ser diferente comigo?

O nó na garganta de Wonyoung apertou, mas antes que ela pudesse falar qualquer coisa, Yuna abriu a boca, e aquele poder retumbante alojou uma nova ordem na medula de seus ossos, nos axônios que corriam por dentro de sua coluna vertebral:

— Não vem atrás de mim. Eu vou embora, e você vai deixar. Não quero que você me procure. — E, com o poder da voz de nobre escapando, Yuna continuou: — Você não pode ser minha parceira, porque você não seria parceira de ninguém. Você é incapaz de amar alguém.

A ordem pareceu paralisar seus músculos, cimentar seus pés no chão. Ela não poderia buscar Yuna…

Sua parceira.

Wonyoung nunca pensou o suficiente em parcerias pra ter alguma ideia em particular sobre o assunto. Acreditava na coisa da compatibilidade genética, e que algumas pessoas deviam registrar aqueles sinais feromonais como uma atração quintessencial e mística, coisa de alma. Wonyoung não particularmente pensava nisso, mas aqui e ali sempre tinha um casal que fazia você pensar é, se almas gêmeas existem, esses aqui são a prova. Mas nem uma, nem outra evidência a fazia tender a um lado ou ao outro.

E, ainda assim, agora sentia seu coração partindo com a rejeição da sua colega de apartamento.

Tremia com a força que estava fazendo para resistir à voz de realeza de Yuna, mas era mais forte do que ela. Ainda assim, o pânico e o ódio e o desespero que sentia estavam prestes a enlouquecê-la, vendo sua ômega fazer as malas para fugir dela, de sua alfa, como se ela tivesse falhado em satisfazê-la e protegê-la. Wonyoung estava ficando enjoada, desnorteada. Sentia seus músculos tremendo como se pudessem abandonar os ossos dela e segurarem Yuna sozinhos. Queria gritar, uivar, vomitar, agarrar o pulso da ômega, chorar.

— Sua filha duma puta, cretina, desgraçada, — Rangeu entredentes. Nenhum das palavras que saiu da sua boca eram verdade: — Eu te odeio tanto. Eu te odeio tanto, eu te quero morta. Sua vagabunda, se é isso que você pensa de mim, então é o que você vai ter…

Yuna também resistia à vontade de chorar. Agia por medo, por pânico, porque tinha medo de ser a única sujeita ao poder das parcerias. Tinha medo de que nem aquele laço fosse amarrar Wonyoung, fazê-la ceder e desistir de sua promiscuidade. Não conseguia acreditar que tinha se apaixonado por alguém que poderia destruir seu coração. Não conseguia acreditar que Wonyoung estaria tão rendida assim por ela…

Fechou o zíper de sua bolsa e, pegando um par qualquer de sandálias, deu as costas para a alfa. Deu a volta nela para pegar seu celular e seu carregador às pressas, e apertou os passos para sair logo de seu quarto, do apartamento, e ir para o mais longe possível de Wonyoung, que continuava nua e travada e sentindo como se fosse enlouquecer.

Yuna correu para a porta da frente, abrindo-a com as mãos trêmulas, e apertou os passos ao descer o corredor em direção ao elevador para o térreo. Só quando estava dentro deste que conseguiu pegar o celular, ainda tremendo, nem sentindo as lágrimas que lhe escapavam o rosto, sentindo-se fraca e tonta e…

Ligou a esmo, instintivamente, para a única pessoa que poderia salvá-la naquele momento.

— Oppa, — Engasgou, falando antes mesmo do outro ter a chance de dar oi. — Oppa, por favor, vem me buscar. Por favor…

Ei! — Kai soava nervoso só de ouvir Yuna alterada. — Ei, ei, o que aconteceu? Tá tudo bem?

Mesmo com as perguntas, ela conseguia ouvir o barulho de chaves ao fundo. Ele não deveria estar na faculdade? Soava quieto demais pra um lugar público.

— Eu, — Yuna fungou; as portas do elevador se abriram, e ela não teve nem forças de dar dois passos à frente depois de sair do elevador antes de suas pernas falharem e ela cair de joelhos, dramaticamente, no carpete do corredor que levava ao lobby. — Eu fiz uma merda tão grande, oppa, me ajuda…

Tá no dormitório?

Tô…

E Kai não precisou de mais nada. Ele desligou, deixando Yuna sozinha com seu silêncio, seu medo, seu arrependimento e seu choro.

E sua alfa, furiosa, que só conseguiu se mexer quando a sua intenção deixou de ser ir atrás de sua ômega e passou a ser ir para seu quarto. Wonyoung sentia os músculos duros, respondendo a seus comandos com atraso, como se agora eles tivessem uma nova mestra, sob novas ordens…

Ela se arrastou para seu quarto. Foda-se, foda-se, foda-se. Ela não seria idiota de sofrer por rejeição. Yuna não a queria? Muita gente queria. Alfas, ômegas e betas a queriam. Yuna tinha sido babaca com ela? Então ela não merecia um segundo a mais de seu tempo ou atenção. Quem aquela filha da puta pensava que era?

Wonyoung fechou a porta atrás de si, e liberou toda a adrenalina acumulada destruindo seu quarto em um rompante de fúria.

Gritou e atirou todos os seus perfumes no chão, arrancou as roupas de cama de seu colchão, atirou um sapato em seu espelho, arrancou o colchão de cima do estrado, abriu o guarda-roupa e arrancou roupa a roupa de seus cabides, e depois arrancou os cabides da vara, abriu as gavetas, não; arrancou as gavetas dos trilhos e as jogou no chão, tudo enquanto berrava, se esgoelava, protestava.

Odiava quem estava sendo naquele momento. Odiava estar descontrolada. Odiava que estava descontrolada por estar de coração partido.

Odiava que não conseguia não estar de coração partido.

Caiu de joelhos no meio da própria bagunça e, desolada, uivou e uivou e chorou, chorou copiosamente, ignorando até as batidas em sua porta, só conseguindo pensar que ela enfim tinha uma resposta pra coisa mais importante do universo pra muita gente: parceiras de alma existiam, e a sua tinha acabado de rejeitá-la.