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tread lightly on my ground -portuguese version

Summary:

"Não, essa é a parte trágica, a parte que faz Harry sentir que o universo está pregando uma peça cruel nele. O pai de seu bebê está correto, ele era exatamente com quem sempre se imaginou tendo filhos. Só que ele os imaginava casados, unidos. Felizes. Ele não imaginava que mal estariam conversando,
e pisando em ovos, porque nenhum deles parecia ser corajoso o suficiente para falar sobre o que aconteceu. Ele não imaginava que o pai de seu filho não o amasse de volta."

ou, onde Harry está carregando o bebê de Louis, mas Louis não sabe que é dele.

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escrito originalmente por fairytalelights no AO3. tradução autorizada pela autora.

Notes:

  • A translation of [Restricted Work] by (Log in to access.)

notas da autora [fairytalelights]: Esta é provavelmente a coisa mais auto-indulgente que já escrevi. Começou por eu ter lido quase todas as fics da tag "Omega Harry" - a maioria delas mais de uma vez - e decidindo que se eu queria mais, eu precisava escrever algumas. Acabou comigo colocando quase todos as minhas tropes a/b/o favoritas - touch starvation, mpreg, droping, nesting, essa fic tem tudo. Eu me diverti muito escrevendo isso, e espero que agora você se divirta lendo!

Mil agradecimentos ao chat "criar ou morrer", eu nunca teria terminado isso sem todas as nossas incríveis sessões de escrita !! Obrigada a Niki e Isa pela betagem, por darem uma chance a esta trope (friends to lovers) e por não ficarem irritadas quando tentei apressar vocês com a edição porque eu estava tão ansiosa para postar! Obrigada também Niki pelo moodboard! Obrigada Laura por sempre ser uma líder de torcida incrível!

Tudo sobre o universo deve ser explicado na história, mas não hesite em perguntar se tiver dúvidas! Além disso, tomei alguma liberdade criativa em relação à licença parental, mas isso é a/b/o, tudo funciona diferente de qualquer maneira.

Aproveitem a leitura!

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

HARRY

Harry olha para o teste de gravidez em suas mãos. Duas linhas. Positivo. Ele pisca algumas vezes, mas o resultado permanece o mesmo, a linha não desaparece magicamente novamente.

Por um momento, Harry não sente absolutamente nada. Então, suas mãos começam a tremer, primeiro devagar, depois tão forte que ele deixa cair o teste no chão.

Isso não pode estar acontecendo. Não com ele.

Não aos 23 anos, não quando ele acabou de sair da universidade para tentar fazer sua carreira de fotógrafo decolar, e tentando pagar tudo isso fazendo turnos dobrados na padaria.

Não sem um vínculo, não quando o pai está... Não, essa é a parte trágica, a parte que faz Harry sentir que o universo está pregando uma peça cruel nele. O pai de seu bebê está correto, ele era exatamente com quem sempre se imaginou tendo filhos. Ele apenas os imaginava casados, unidos. Felizes. Ele não imaginava que mal estariam conversando, e pisando em ovos, porque nenhum deles parecia ser corajoso o suficiente para falar sobre o que aconteceu. Ele não imaginava que o pai de seu filho não o amasse de volta.

2 meses antes

Harry realmente não sabe o que ele está fazendo ali. Ele sabe o que  deveria  estar fazendo. Ele deveria estar pegando um alfa aleatório enquanto ainda está há uma semana de seu cio, o bastante para ver se gosta dele o suficiente para passar o seu cio de verdade.

Em teoria, faz todo o sentido. Também fazia sentido duas horas atrás, quando Niall expôs todos os argumentos e depois o arrastou até aqui.

Agora, em um clube abafado, cercado por mil aromas diferentes, confrontado com a tarefa de realmente falar com um alfa, ele de repente duvida que seja uma boa ideia.

Ele não é o melhor em sexo casual, e ele também precisa de uma conexão mais frequentemente do que o contrário, e geralmente não é inteligente, ou mesmo possível, formar uma conexão com alguém que você conheceu em um clube.

"Harry, se você continuar parecendo que está prestes a entrar em uma câmara de tortura, ninguém vai querer transar com você." Niall interrompe seus pensamentos taciturnos.

"Vamos, vamos dançar, deixar você um pouco mais solto. Ou rola ou não rola, você não tem que fazer disso um bicho de sete cabeças."

Harry é grato pela natureza otimista de Niall, mas Niall também não entende. Ele é um beta. Ele nunca teve que lidar com um heat antes e, especificamente, nunca teve que lidar com um heat  sozinho  antes. Ele não sabe o quanto isso dói. Ele não sabe o quanto fica melhor com alguém lá, realmente não entende o que é sentir a diferença entre passar a semana na cama com uma gripe muito forte, que também é emocionalmente debilitante, ou estar com altas endorfinas sexuais e de toque para o semana inteira em vez disso. Harry tem certeza de que, dada a escolha, Niall escolheria as endorfinas também. E ele também temeria o pensamento de se mostrar vulnerável a algum alfa aleatório e lhe dar esse poder, tudo isso para praticamente salvá-lo da dor e do mal que um heat por si mesmo causaria nele.

Infelizmente, porém, Niall está certo. Ficar deprimido não vai fazer Harry transar, não esta noite, e especialmente não na próxima semana, quando seu cio começar.

"Há provavelmente mais que o dobro de alfas aqui do que ômegas, até eu posso sentir o cheiro disso," Niall aponta. "Isso é praticamente o equivalente a um buffet."

Harry faz uma careta. "Isso meio que torna as coisas piores, na verdade. Eu não quero ser a presa solitária de uma horda de alfas."

"Não? Eu pensei que era exatamente para isso que estamos aqui. Além disso," Niall o empurra para a pista de dança, "Quem disse que você é a presa? Eu apenas os comparei a um buffet. Se alguma coisa,  eles  são a presa. "

Dançar, pelo menos, acaba por ser divertido. Harry não sai há algum tempo e esqueceu o quanto adora isso, adora deixar a música vibrar em seus ouvidos, adora estar cercado por pessoas que não se importam se seus movimentos são particularmente habilidosos ou elegantes, adora se perder no seu próprio mundinho dançante.

Ele também é lembrado do quanto realmente gosta de dançar com as pessoas, gosta de se aproximar de alguém, gosta de sentir suas mãos nele ou senti-las pressionadas contra ele.

No começo são sempre pessoas diferentes, os cheiros girando em torno dele e mudando em segundos, mas então Harry percebe que um parece ficar por perto. Um cheiro de alfa, provavelmente pertencente à pessoa que está pressionada atrás dele no momento.

O primeiro instinto de Harry é afastar a pessoa, mas então ele engole a vontade. Ele está aqui para se jogar, acima de tudo. Quem sabe, talvez esse alfa misterioso seja sua alma gêmea, talvez eles voltem para casa juntos, tenham uma conexão e-

Harry quase não percebe, mas o homem está claramente começando a se esfregar nele. Não apenas dançando, não, isso tem um propósito agora. E Harry não é nenhum virgem inocente. Ele sabe, ele sabe que é assim que você leva um alfa em uma pista de dança para casa. Ele poderia deixá-lo se esforçar um pouco mais, e então se deixar ser levado para um boquete no banheiro, ou se virar para um beijo, talvez deixar o alfa levá-lo para casa.

Ele não faz nenhuma dessas coisas. Em vez disso, ele dá um passo instintivo para frente, para longe do alfa, e para um cheiro familiar e reconfortante que de repente apareceu na frente dele. Louis. Seu melhor amigo.

Niall nem havia mencionado que havia convidado Louis, então Harry não o esperava. É uma surpresa bem-vinda, especialmente considerando a situação em que ele se encontrou depois de menos de uma hora na pista de dança.

"Oi, o que você está fazendo aqui?" Harry diz, um pouco sem fôlego, tentando esconder seu óbvio alívio. Louis não olha para ele, em vez disso, ele olha por cima do ombro e solta um pequeno rosnado. Harry pisca. O outro alfa imediatamente dá um passo cambaleante para trás e levanta as mãos, e Louis deixa seu rosto relaxar novamente.

"Oi, desculpe o atraso", diz Louis. Ele soaria perfeitamente educado, calmo e composto, se não fosse pelo fato de que ele só rosnou para o parceiro de dança de Harry até agora.

"O que foi isso?" Harry pergunta, um pouco incrédulo. Ele não está zangado, propriamente falando, apenas... perplexo. Louis não é o tipo de alfa rabugento, pelo menos ele nunca o viu dessa forma.

"Desculpe," Louis parece um pouco envergonhado. "Acabei de sair de um rut. Provavelmente não deveria estar aqui ainda."

"Não, está tudo bem," Harry o assegura. Na verdade, está mais do que bem, está... quente. Harry percebe com um sobressalto que a voz de Louis causou uma leve camada de umidade em sua calcinha. Ele cora e jura ficar na pista de dança, onde é difícil escolher um único cheiro por causa de todos os cheiros se misturando.

"Ok, então me deixa te compensar por assustar seu parceiro de dança." Louis sugere e estende a mão. Harry sorri para ele, não pela primeira vez se maravilhando sobre como Louis sempre encontra a coisa certa a fazer ou dizer. Harry sempre teve um crush meio desesperado por seu melhor amigo, mas nunca foi tão ruim quanto nos últimos meses desde que Louis voltou para Londres, para seu primeiro emprego real desde que terminou a faculdade de direito.

Ter Louis por perto o tempo todo é a melhor, mas também a pior coisa que já aconteceu com Harry. Ele adora estar perto dele novamente, a amizade deles continuando de onde parou depois que Harry se mudou de Manchester, quando ele abandonou a universidade dois anos atrás.

Mas também é muito mais difícil esconder seus sentimentos agora, sentimentos que sempre foram um crushzinho irritante, mas que ultimamente havia se tornado algo que provavelmente deixará Harry com o coração partido mais cedo ou mais tarde. Ele é maduro o suficiente para admitir isso.

Dançar com Louis agora, porém, parece... diferente. Diferente de quando eles ficavam bêbados juntos em festas da universidade, principalmente porque os dois estão pelo menos meio sóbrios agora.

Ainda assim, Harry quase se sente bêbado. Talvez seja porque os diferentes aromas estão girando ao redor deles e quase criam um coquetel de feromônios, mas Harry não acha que é isso, porque o único cheiro que ele consegue focar é o de Louis. Talvez seja por causa da batida pulsante ou por conta das luzes tremeluzentes do clube que, acesas, dão ao momento inteiro uma sensação surreal, como se qualquer coisa que eles estivessem fazendo agora não fosse realmente real e, portanto, não teria nenhuma consequência real no mundo real.

"Eu não sabia que você era um dançarino tão bom!" Harry grita no ouvido de Louis, esperando que ele possa ouvi-lo sob a música alta. Ele não sabe por que de repente sente vontade de conversar, no meio de uma pista de dança, em um clube barulhento. Talvez porque ele e Louis não costumam fazer isso. Claro, eles já foram a baladas antes, mas nunca apenas os dois, nunca dançando tão próximos quanto estão agora.

Este é um cenário tanto dos sonhos quanto dos pesadelos de Harry. Um sonho, por causa de seus contínuos sentimentos não-platônicos em crescimento, um pesadelo pelo mesmo motivo.

Louis realmente não responde sua pergunta, apenas dá de ombros evasivo e oferece um sorriso, o que pode ser uma resposta ou significar que ele realmente não entendeu o que Harry perguntou em primeiro lugar. Harry desiste de tentar falar com ele e tenta apenas aproveitar o momento. Tenta não pensar demais na situação, tenta não pensar em enfiar o nariz no pescoço de Louis, onde seu cheiro é mais forte. O nariz de Louis se move perigosamente perto do pescoço de Harry também, fazendo Harry pensar – torcer, fantasiar – que talvez ele não esteja tão sozinho quanto pensava.

Depois de um tempo, tentar aproveitar o momento começa a funcionar. Talvez um pouco bem demais, porque de repente Harry não consegue se lembrar por que dançar tão perto foi uma má ideia, por que ele não deveria se perder no cheiro de Louis, por que é uma ideia estúpida arriscar a amizade deles por um momento impulsivo em um clube. Esses pensamentos parecem muito distantes agora, perdidos no calor do clube e substituídos pelo som de uma batida eletrônica.

Talvez seja por isso que, quando suas cabeças se aproximam cada vez mais uma da outra, seus olhos se fixam – e Harry não sabe como isso aconteceu, não sabe quando seus corpos se aproximaram tanto que quase não há lugar onde eles não estejam se tocando, não sabe quando suas tentativas de dançar se transformaram em uma lenta coreografia – Harry não tenta impedir.

No final, ele não sabe dizer quem iniciou o beijo, mas acha que isso não importa muito. O que importa é o seguinte: os lábios de Louis nos dele, um suspiro suave escapa de ambos enquanto eles se fundem, um momento que parece que o mundo para por vários longos minutos enquanto os dançarinos continuam se movimentando ao redor deles como se o mundo inteiro de não tivesse se deslocado de seus eixos.

Eles se separam e Harry olha para cima lentamente, com medo de ver rejeição nos olhos de Louis, mas em vez disso, ele apenas encontra a mesma excitação vertiginosa e falta de ar que sente no momento, então ele se inclina novamente.

"Harry," Louis fala, quase um gemido, antes de Harry começar a beijá-lo novamente. Louis o deixa por alguns segundos e Harry quase se perde no beijo novamente, antes que Louis gentilmente separe suas bocas, o resto de seus corpos ainda se tocando em quase todos os lugares, como se estivessem fundidos. Harry quase choraminga e mergulha de volta, não se importando com o quão desesperado ele parece, quando Louis pergunta, sem fôlego, "Então... Quer sair daqui?"

[...]

"Fora. Fora, fora, fora," Harry canta assim que ele abre a porta de seu apartamento, tentando simultaneamente pressionar Louis, enquanto também tira sua jaqueta.

"Ssh, eu tenho você," Louis diz, pegando as mãos agitadas de Harry, desacelerando-o um pouco. "Temos a noite toda."

Harry não pode evitar o gemido que escapa dele, mesmo que ele tente segurar. Ele não quer ser muito alto, muito escandaloso, mas Louis dá um gemido em resposta. "Quero ouvir você, baby, amo seus barulhos."

Harry acena com a cabeça, ainda um pouco frenético, mas apoiado pelas mãos firmes de Louis, pelo jeito que Louis vira os dois e o pressiona contra a parede, seus peitos colados. O fato de que não há nada a fazer por Harry a não ser se deixar abraçar e beijar, completamente cercado por Louis, ajuda a acalmar seus nervos.

Há uma sutil nota terrosa no cheiro de Louis que lembra a Harry que Louis acabou de sair de um rut, e agora, ele não apenas o acha atraente, ele anseia. Anseia por um rut passado com Louis, mesmo que eles mal tenham se despido, já prontos para o próximo momento, todos os momentos, uma vida inteira, mesmo que este ainda não tenha terminado.

"Você precisa sair da sua cabeça, querido," Louis murmura em sua boca, e Harry pensa,  sim , e  por favor , e  me obriga .

Harry não sabe quanto tempo eles ficam encostados na parede, mas depois de alguns minutos, Louis finalmente diz: "Okay, baby, vamos pra cama. Eu não vou te dar meu nó pela primeira vez contra uma parede."

Harry sente uma onda de habilidade própria com essas palavras. "Você poderia, se você quisesse."

Louis ri, mas Harry não perde a forma como suas pupilas se dilatam. Ainda assim, ele diz: "Você merece uma cama, meu amor."

Ambos estão relutantes em remover seus lábios um do outro, então eles tropeçam na direção do quarto de Harry, parando para se beijar e se livrar de mais roupas pelo caminho.

"Não é justo, estou quase nu e você ainda está vestindo jeans," Harry lamenta depois que eles finalmente chegam ao quarto. Louis ri, desabotoando-os lentamente. Ele está claramente exagerando no ritmo para ser engraçado, mas Harry não vê graça nisso agora.

"Nó, alfa", ele lamenta, mesmo sabendo que deve parecer desesperado. Neste momento ele não se importa.

A respiração de Louis fica mais afiada, e aparentemente a súplica de Harry tem o efeito desejado, porque, um momento depois, os jeans de Louis estão fora e ele está na cama com Harry.

"Paciência," Louis sussurra, mesmo que ele não pareça se manter paciente por muito mais tempo do que Harry. "Vou te dar o que você quer, não se preocupe. tudo o que você quer", e ele soa tão reverente, tão cheio de promessas, que Harry acredita nele sem dúvida. Tudo é uma palavra grande, porque Louis não sabe o que está prometendo, não sabe que Harry realmente quer  tudo .

Um instante depois, assim que Louis tira a calcinha de Harry, quase rasgando o tecido fino ao meio, ele para por um momento.

Harry começa a se contorcer na cama, sem se importar com o quão desesperado ele soa, "Por favor, me fode, por favor, por favor", mas Louis parece determinado a provocá-lo, a tomar seu tempo, porque ele apenas o segura por alguns segundos, com muito mais força do que Harry teria pensado, e apenas o encara. "Você é lindo," Louis sussurra, e mais tarde, Harry vai pensar sobre esse momento e se perguntar o que mudou, por que isso não foi suficiente, mas agora ele só sente que foi por causa do puro prazer que está sentindo. Então ele começa a pedir pelo nó de Louis novamente. Louis lhe dá os dedos, ao invés disso, começando com dois imediatamente, mas ainda assim, não é o suficiente, Harry precisa de mais.

"Estou molhado o suficiente, vamos, alfa, por favor," Harry começa a implorar, mas Louis não responde, apenas continua olhando para Harry e tomando seu tempo. Harry espera um sorriso provocante, mas em vez disso, ele recebe um sorriso, um que Harry não pode deixar de descrever como adorável.

"Vou te dar o que você precisa, baby, não se preocupe," Louis promete, mas ele ainda não acelera o ritmo, obviamente determinado a provocar Harry o maior tempo possível. Ou, ele quer fazê-lo-

Assim que Louis adiciona um terceiro dedo, ele começa a bater na próstata de Harry com cada movimento, cada curva de seus dedos, como se o corpo de Harry fosse um instrumento que Louis passou anos estudando. Harry percebe, pouco antes de gozar, que o objetivo de Louis não era prepará-lo para dar o nó – ele estava pronto horas atrás – mas tirar um orgasmo dele antes disso. Agora, flutuando pelo orgasmo, sabendo que Louis ainda não terminou com ele, ele não está reclamando.

"Muito bem, bom ômega, você já foi tão bom para mim," Louis mantém um fluxo constante de elogios agora, até que Harry recupere o fôlego novamente. Três dedos de Louis ainda estão dentro dele e ele não parece estar planejando tirá-los tão cedo.

"Alfa?" ele pergunta timidamente, e desta vez Louis realmente sorri, e então se inclina para beijá-lo. Harry arqueia as costas para encontrá-lo no meio, o que faz os dedos de Louis roçarem suas paredes novamente, ainda tão sensíveis. Ele estremece.

"Queria que você relaxasse antes de dar o meu nó," Louis sussurra e então vira Harry em um movimento rápido. Harry consegue o que Louis quer dele imediatamente e apresenta. Mais uma vez, Harry percebe os traços de rut ainda persistentes no cheiro de Louis, o que provavelmente explica sua preferência de posição, mas Harry não se importa, só quer dar a Louis tudo o que ele quer, quer satisfazer seu alfa.

Agora que Harry veio, porém, Louis parece ter terminado de provocá-lo. Harry pode vê-lo colocando uma camisinha pelo canto dos olhos antes que todo pensamento racional o abandone, enquanto Louis empurra em um único movimento. Harry suspira, tentando se aproximar, levá-lo mais fundo, e Louis ri, antes de finalmente dar a Harry o que ele quer. Ele fode Harry rápido e forte, mais forte do que provavelmente faria se não tivesse acabado de sair de seu rut, se não tivesse provocado Harry por tanto tempo. Agora, finalmente, ele parece tão desesperado quanto Harry, não mais no controle.

Harry não consegue pensar em nada melhor do que causar isso, fazer Louis se desfazer também enquanto ele está sendo desmontado.

Ele não sabe quanto tempo eles passam assim, porque Harry está sendo fodido em uma névoa inebriante, mas então, finalmente, ele pode sentir o nó de Louis inchar. Louis o fez gozar apenas com os dedos pela primeira vez e desta vez ele precisa apenas de alguns toques em seu pênis antes que Harry goze novamente, apertando em torno de Louis e finalmente fazendo com que ele goze também.

"Você parece tão perfeito assim, preso no meu nó", sussurra Louis. "Tão lindo, quero ter você sempre assim." Harry só consegue assentir fracamente.

"Você me fodeu estupidamente bem", ele murmura e Louis ri, antes de se ocupar em beijar o pescoço, ombros e costas de Harry, em qualquer lugar que ele possa alcançar sem se mover muito.

Ainda assim, Harry o sente puxando no lugar onde eles estão juntos e solta um pequeno gemido. "Sensível, Lou," ele fala, mas é engolido por um gemido.

"Sim?" Louis pergunta, provocando. "Sensível demais para ir de novo depois que meu nó acabar?"

E a resposta para isso é tão óbvia que Harry quase tem que rir. "Não. Eu nunca vou me cansar disso."

Louis não responde, em vez disso, ele dá outra estocada superficial em Harry, provavelmente dar ênfase ao ponto que Harry ainda o quer, mesmo depois de dois orgasmos. Harry pode apenas se curvar e deixar Louis mover seu corpo como quiser. Ele provavelmente vai se sentir dolorido pela manhã, mas seu ponto ainda permanece. Ele acha que nunca poderia se cansar disso.

Aparentemente, Louis também não pensa assim, porque dez minutos depois, quando seu nó se desfaz, ele move seus beijos pela espinha de Harry.

"Não se preocupe, baby, vou te dar o que você precisa", ele murmura, antes de começar a terceira rodada.

E foi isso. A noite em que todos os sonhos de Harry aparentemente se tornaram realidade.

Exceto que Louis foi embora na manhã seguinte e, de alguma forma, eles realmente não falaram sobre isso depois. Harry tentou tocar no assunto algumas vezes, mas Louis sempre mudava de assunto com a mesma rapidez. Ele claramente não quer falar sobre isso. Ele claramente não quer ficar com Harry, o que seria bom. Louis não precisava sentir o mesmo, ele nunca deu falsas esperanças a Harry, nunca fez nenhuma promessa, exceto alguns pedaços de palavrões ditos no calor do momento que não têm nenhum peso. Era culpa de Harry continuar querendo mais, sua própria culpa por ter uma queda por seu melhor amigo há anos. Sua culpa por interpretar demais aqueles apelidos carinhosos que Louis o chamava, por interpretar coisas demais em uma única noite de sexo. Estava tudo bem até... Isso acontecer.

Harry olha para o teste de gravidez novamente, agora a alguns centímetros dele no chão do banheiro. Ele pega novamente, mas largar o objeto não mudou o resultado. Ainda há duas linhas lá. Ele ainda está grávido.

Seu batimento cardíaco ainda não se acalmou, ele ainda está suado e pegajoso e ele pode sentir que seu corpo inteiro está começando a tremer, então antes que se esforce ainda mais, ele faz a única coisa racional que seu cérebro ansioso pode fazer, além de satisfazer o anseio de seu ômega interior por seu alfa. Ele liga para Niall.

Niall sempre foi a voz da razão de Harry, mas nos primeiros minutos, até ele só consegue olhar para o teste de gravidez positivo que Harry quase enfiou na cara dele. "Mas eu pensei que você tivesse passado seu heat sozinho? Você não me disse especificamente que sim?"

"Sim, eu passei," Harry murmura, temendo essa parte. "Não foi durante o meu heat, foi no fim de semana anterior."

"Na semana do clube para onde eu te arrastei? Mas você disse que era uma ideia estúpida, que você não gostava de ninguém o suficiente para ir para casa com eles naquela noite, é por isso que Louis te levou pra ca- Oh. Oh!" Niall exclama quando Harry faz uma careta à menção do nome de Louis. Ele não parece chocado, apenas feliz.

"Ah, o bebê é do Louis?" Niall sorri para ele. "Mas Harry, isso é tão empolgante! Eu estava cético quando você me disse que era apenas um alfa aleatório que engravidou você, mas... Louis. Você ama o Louis!"

Harry não sabe se já pode culpar os hormônios da gravidez, mas ele começa a chorar com isso.

"Sim", ele engasga e não consegue evitar os soluços que vêm depois disso. Niall o abraça, parecendo um pouco indefeso. "Pronto, pronto," ele diz algumas vezes, mas na maioria das vezes ele apenas dá um tapinha nas costas de Harry e o deixa chorar.

"Então, não é bom que seja de Louis?" Niall pergunta cansado depois que Harry se acalmou um pouco, obviamente com medo de que ele vai começar a chorar de novo a qualquer momento.

Harry faz uma pausa por um momento para realmente pensar sobre isso. Claro que é bom que seja o bebê de Louis, e não de um estranho. Se, em um mundo ideal, ele estivesse em um relacionamento amoroso e estável com alguém e eles estivessem planejando começar uma família, a pessoa que ele imaginaria como o pai das crianças, como seu marido, seu alfa, sempre seria Louis. Mas eles não vivem em um mundo ideal, e Louis não o queria depois que eles dormiram juntos. Ele deixou claro que era uma coisa de uma noite, e Harry não gostaria que um bebê fosse a única razão para ter essa mudança de qualquer maneira. Então essa fantasia perfeita não está acontecendo.

"Louis não me quer", ele confessa a Niall, uma verdade que soa ainda pior dita em voz alta do que todas as vezes que ele refletiu sobre isso em sua cabeça nas últimas semanas, quando seu único problema era ter sido rejeitado pelo seu melhor amigo. E não ter sido rejeitado pelo pai do seu filho.

Niall é uma pessoa sentimental, ou mais precisamente, expressiva, então Harry pode vê-lo passar por uma gama série de emoções rapidamente – surpresa, pena, raiva –, antes de finalmente se estabilizar. "Ok, anjo, está tudo bem. Você ainda pode fazer isso. Você sabe o que quer fazer a seguir?"

Sim. Me se esconder na cama com um pote de sorvete e, de preferência, nunca mais sair.

"Não", ele responde em vez disso, porque ele tem a sensação de que Niall não gostaria da opção de ficar na cama para sempre.

"Bem... você já sabe se vai manter ele?" Niall está falando com ele com uma voz suave, como se estivesse tentando não assustar Harry, como se o aborto fosse parar de soar assustador se Niall apenas mencionasse em uma voz doce o suficiente.

Harry não está assustado, porém, ele não pode negar que o pensamento não passou pela sua cabeça nas últimas horas. Ele sabe em seu coração que, por mais que não queira, sua escolha está definitivamente sendo influenciada pelo fato de que o ser em sua barriga não é filho de qualquer pessoa, não é filho de um estranho onde nenhum deles queria esse serzinho. É de Louis. E por mais que Harry não queira admitir para si mesmo, se esta é sua única chance de ter um filho com Louis, mesmo que não seja do jeito que ele sonhou que seria um dia, ele não consegue abrir mão daquele bebê.

Ele tem medo que esses pensamentos o façam parecer uma pessoa ruim, então ele não os expressa. No final, ele não sabe que escolha ele teria feito se esse bebê fosse filho de outra pessoa e não de Louis. Ele só sabe que escolha está fazendo agora e é uma que não precisa pensar por muito tempo, porque sabe que provavelmente já a fez quando viu o teste de gravidez positivo.

Em vez disso, ele apenas diz: "Sim, eu vou", em voz baixa.

Niall acena com a cabeça, como se esperasse isso. "Então você sabe o que fazer a seguir. Eu sei que você disse que ele não te ama de volta, mas você sabe que precisa superar isso agora. Pelo bebê."

"Sim," Harry repete baixinho. Por mais que ele não queira ouvir, essa é outra razão pela qual ele ligou para Niall. Ele não queria apenas conforto, ele sabia que Niall seria franco com ele. Não cruel, apenas honesto. "Eu vou dizer a ele. Amanhã. Eu prometo."

Em sua cabeça, Harry já está passando por todos os tipos de cenários de como Louis pode reagir às notícias, um mais horrível que o outro. Louis não quer um filho com Harry e já tem outro ômega em mente, Louis já está secretamente casado com esse ômega, Louis vai odiar Harry e acusá-lo de seduzi-lo para ter um filho, Louis vai obrigar Harry a fazer um aborto-

Harry força seu cérebro a calar a boca. Louis pode não amá-lo, mas Harry ainda conhece seu melhor amigo. Louis é uma pessoa boa e gentil. Ele adora crianças. Ele pode ficar chocado e assustado quando Harry lhe contar, mas ele não seria insensível, seria?

Harry tem que admitir que o que mais teme é acabar sendo uma mãe solo. Ele esperava ter mais sorte com sua fotografia freelancer agora, mas, ultimamente, ele não tem tido muito tempo para se concentrar nisso, esteve muito ocupado tentando sobreviver no trabalho da padaria. Ser mãe solo significaria desistir desse sonho de se tornar fotógrafo, possivelmente para sempre.

Como se estivesse lendo seus pensamentos, Niall agarra suas duas mãos e as aperta com força.

Harry quase começa a chorar novamente.

"Vai ficar tudo bem", diz Niall. "Vamos, repita depois de mim, como se você acreditasse."

"Vai ficar tudo bem," Harry ecoa fracamente.

Niall sorri para ele encorajadoramente. "É sobre isso," ele diz suavemente, mas provavelmente está apenas satisfazendo Harry. Harry sabe que ele não soou convincente.

Ele ainda repete as palavras em sua cabeça muito depois de Niall ter ido para casa naquela noite.




~*~


LOUIS

Louis não está esperando ninguém quando a campainha toca naquela noite. Por um momento ele pensa se deveria realmente abrir, porque seu apartamento está uma bagunça, ele está vestindo uma calça velha e uma camisa furada, e ele não pediu nada, então é improvável que seja o carteiro.

No final, ele abre a porta, principalmente porque seus vizinhos provavelmente ficarão gratos se ele receber seus próprios pacotes.

Mas não é correio. É Harry, parado ali com um aceno suave e um sorriso incerto. Louis fica tão surpreso ao vê-lo que o deixa entrar no apartamento sem questionar, apenas percebendo depois que Harry agora vai ver como tudo está bagunçado. Ótimo.

Harry, é claro, parece ainda mais radiante do que o normal, suas bochechas rosadas do frio, vestindo uma de suas blusas rosa suave com um laço na frente, e seus cachos estão perfeitamente penteados, batendo logo abaixo das orelhas. Louis resiste à vontade de puxá-los, mesmo tendo feito isso uma centena de vezes antes, sempre provocando com um suave,

"Ficando meio compridos de novo, não é, Curly?", só para ver Harry corar lindamente.

É diferente agora, no entanto. Desde que Louis perdeu o controle na noite após seu rut e eles transaram, as coisas ficam tensas quando estão juntos.

"Então, o que te trás aqui?" Louis pergunta depois que ambos se sentaram no sofá e Harry recusou a oferta de chá de Louis. Ele espera que essa abertura não soe tão rude quanto O que você quer?, embora seja quase exatamente o que ele quer dizer, ainda surpreso que Harry tenha acabado de aparecer.

Claro, ele já tinha feito isso antes, principalmente na universidade, onde as coisas eram apenas diferentes – e mais fáceis – em geral. Antes de Louis arruinar tudo.

"Podemos... não, quero dizer, eu preciso... precisamos conversar." Harry soa como se tivesse que forçar fisicamente as palavras. Só agora Louis percebe que ele parece nervoso, muito nervoso. Suas mãos tremem um pouco e ele as passou pelo cabelo pelo menos cinco vezes seguidas agora, um hábito nervoso que Louis tem certeza que nem percebe mais neste momento.

Imediatamente, a mente de Louis vagueia para as piores conclusões possíveis. Harry está aqui para confrontá-lo sobre a noite deles juntos? Ele está prestes a repreender Louis por quase se jogar em cima Harry, confirmando o medo de Louis de que eram apenas restos de feromônios e o heat próximo de Harry que o coagiu a dormir com ele?

"Estou grávido", diz Harry em vez disso, e Louis fica tão desconcertado pelo fato de não ser a direção que ele pensou que essa conversa tomaria, que o significado de suas palavras leva alguns segundos para ser registrado por seu cérebro.

"Você é... o que... mas como?" Louis sabe que ele parece um idiota agora, que em uma lista de Piores maneiras de reagir a uma gravidez, essa reação pode estar no topo da lista, mas ele acha que não sabe como lidar com essa informação, nunca pensou em se preparar para algo assim.

"Eu sinto muito, você sabe que meu heat estava chegando, e-" Oh. Oh. O heat de Harry.

Louis vacila. Por um momento, ele realmente pensou, talvez até esperasse, que o bebê fosse dele. Mas Harry não estava no cio quando eles transaram, ainda faltava cerca de uma semana. Então, se ele ficasse com alguém durante o heat real, é claro que faria sentido para Harry acabar grávido.

Louis não perguntou sobre seu cio antes, mas ele sabe que Harry não ligou para ele depois que eles dormiram juntos e, especialmente, não ligou para ele antes do cio. Ele definitivamente não pediu a Louis para passar com ele, o que Louis se lembra de realmente magoá-lo naquela época, mas ele disse a si mesmo que estava tudo bem, que mesmo que Harry quisesse que algo mais acontecesse entre eles, um heat era algo grande e Harry nunca se apressaria em algo assim.

Mas ter confirmado dessa maneira que Harry deixou outro alfa ajudá-lo em seu cio, apenas uma semana depois que ele esteve com Louis e decidiu que não o queria, dóia de um jeito que Louis nunca se deixou doer tanto antes. Huh, ele pensa distante, enquanto sente sua dor se instalar em suas costelas, quase como uma dor física, Isso é algo novo.

Ainda assim, eles dormiram juntos e agora Harry está grávido, então eles precisam ser honestos sobre o que aconteceu. Eles têm que falar sobre o que tiveram, Harry precisa confirmar que sua noite com Louis foi um erro e ele não o quer, que está grávido do filho de outro homem. Caso contrário, ele não acha que eles serão capazes de superar isso.

"Então isso significa que eu não sou..." Louis começa, embora seja como outro chute em seu orgulho, reconhecendo o que eles tinham e deixando Harry rejeitá-lo novamente. Ainda assim, ele precisa ter certeza.

Harry o interrompe, as mãos ainda enterradas em suas mãos, a frase de Louis cortada por um soluço. Por um momento, Louis se pergunta se Harry realmente o ouviu.

"Louis, eu sinto muito," Harry começa a chorar. Ok, claramente ele estava ouvindo. Louis achava que ser rejeitado era doloroso, mas Harry se desculpando por rejeitá-lo, por ter o bebê de outro homem, parece quase demais para suportar. "Não sei como isso aconteceu. Eu sei que é não o que você queria."

Não, pensa Louis, o que eu queria era você, só você.

"Está tudo bem", ele força para fora. "Nós vamos superar isso. Ainda somos amigos, certo? Não quero perder nossa amizade por causa disso. Eu ainda estarei aqui para você." Vai ser doloroso, Louis sabe, ver Harry grávido do bebê de outro homem, incapaz de tocá-lo ou cuidar dele do jeito que ele sabe que vai querer, mas ele pode fazer isso.

"Amigos?" Harry sussurra, olhando para Louis com seus grandes olhos verdes, ainda cheios de lágrimas. Louis não consegue ler seu tom.

"Sim", Louis divaga nervosamente. Se Harry não quer isso, se ele decide que não quer Louis em sua vida, Louis não sabe o que faria. Ele não seria capaz de lidar com isso.

Ele preferia ser amigo de Harry, se dar bem com o pai do bebê, do que não tê-lo. Louis sabe que é estranho que ele e esse outro alfa tenham dormido com Harry ocasionalmente, mas tem que haver uma maneira de consertar isso.

"Por favor, Harry. Não podemos deixar isso ficar entre nós, certo?" ele sabe que parece patético, mas já se despiu de qualquer orgulho completamente durante esta conversa. Todos os seus sentimentos estão entregues, não há mais nada para Harry tomar de si.

"Sim," Harry diz suavemente, balançando a cabeça, mesmo que ele ainda pareça abalado, como se ele não soubesse exatamente com o que ele está concordando. Seu cheiro cheira... confuso. Louis supõe que mudou devido à gravidez, mas ele não consegue captar uma única emoção, os diferentes aromas girando juntos e rápido demais para isso. O pensamento o deixa triste, porque ele costumava ler os cheiros de Harry tão bem, melhor do que os de qualquer outra pessoa, melhor do que qualquer um de seus ex-namorados.

"Você está certo," Harry adiciona então. "Temos que fazer isso funcionar. Somos melhores amigos." Ele soa mais determinado do que antes, sem mais tremores em sua voz.

Louis pode sentir o alívio passar por ele. "Eu estarei lá para você e para o bebê, Harry. Não importa o que aconteça. Você sabe disso, certo?"

"Sim", e agora por alguma razão, há uma pitada de tristeza na voz de Harry. "Eu sei disso, Lou."



~*~


HARRY

3 meses depois

"Harry, você já guardou os documentos que eu coloquei na mesa? Não consigo mais encontrá-los!"

A voz de Louis soa muito abafada pela porta do banheiro, então Harry relutantemente levanta a cabeça do azulejo frio onde ele descansou por um tempo, joga água fria no rosto e então, lentamente, volta para a sala de estar.

Harry pode ver que Louis já passou pela sala em sua missão de encontrar os documentos que eles precisam para a ultrassom hoje, porque parece que eles foram roubados. Não, não eles, Harry se corrige rapidamente, ele. Porque, apesar da incrível fantasia em que Harry se permitiu viver nas últimas semanas, ainda era apenas o apartamento dele. Louis não mora ali.

Na verdade, não importa o quanto Harry dê insinuações e desculpas e quase, quase mesmo, implore a Louis para ficar, pelo menos uma vez, pelo menos para que Louis fique na cama para que seu cheiro se apegue aos lençóis no dia seguinte, Louis ainda insiste em sair para seu próprio apartamento todas as noites. Harry tenta não levar isso a sério, não levar para o lado pessoal, mas a lista de coisas que ele está tentando não levar a sério tem crescido cada vez mais ultimamente, e agora Harry apenas entende cada pequena dica de que Louis não o quer, e ele deixa que isso o machuque e o corte. Ele não tem mais forças para falar, para tentar negar que não faz mal que Louis não deixe Harry se aproximar, não o toque, não o cheire, e geralmente que não pareça querer estar lá às vezes.

"Não, desculpe, a menos que eles estejam na pasta verde que eu vi na cozinha mais cedo?" Harry responde distraído e se joga no sofá, tentando não mostrar que ainda está se sentindo horrível. Tem piorado nos últimos dias, mas ele tenta não mostrar muito a Louis. Porque Louis vai se preocupar, mas, na verdade, não vai fazer o que Harry precisa que ele faça para tirá-lo da pequena privação que ele às vezes sofre. Então é melhor que Louis não saiba que Harry está se sentindo mal.

"Obrigado, querido, era isso! Acho que temos tudo, você está pronto para ir?" Louis diz enquanto sai da cozinha com a pasta verde na mão. Seu sorriso cai quando ele vê Harry, uma carranca marcando seu caminho entre suas sobrancelhas.

"O que há de errado?" ele pergunta, e Harry quase quer rir. Não é óbvio?

Em vez disso, ele diz: "Só estou um pouco tonto e com dor de cabeça. Nada de ruim."

A carranca de Louis se aprofunda.

"Você tem tido muitas dores de cabeça ultimamente, eu pensei que elas estavam melhorando?"

"Sim, eles estavam," Harry murmura, mas ele não diz a Louis que é porque Niall teve alguns dias de folga do trabalho na semana passada e poderia dar a Harry toque e conforto. Não é o mesmo de um beta, mas em grandes quantidades quase compensa a falta de toque de um alfa.

Ele não pode contar a Louis, porque ele não pode contar muitas coisas a Louis ultimamente.

Louis, apesar de estar mais presente na vida de Harry do que nunca, nunca esteve tão distante. Ele nunca teve tanto medo de tocar em Harry antes, nem mesmo quando ambos estavam namorando outras pessoas na universidade. Ele sempre assegurou a Harry que queria estar ali, queria cuidar dele durante a gravidez, mas nunca parecia se divertir quando estava lá, sempre parecendo triste ou distraído, mantendo pelo menos dois metros de distância entre eles em todos os momentos.

Há outros momentos, porém, momentos que mostram a Harry que Louis ainda não é um idiota, ele só não quer estar com ele romanticamente. Ele ainda é surpreendentemente fácil de conversar, mesmo que Harry tenha que se impedir de ser honesto demais sobre seus sentimentos às vezes. Ele está claramente tentando ser um bom pai para seu filhote, sempre estando lá, levando Harry para onde ele precisa ir, organizando consultas médicas, sempre tendo refeições nutritivas prontas para Harry apesar de suas habilidades culinárias limitadas, e geralmente apenas, confusamente, agindo como o alfa de Harry às vezes.

O ômega interior de Harry aparentemente não consegue entender o fato de que Louis é um alfa perfeito, uma combinação perfeita, o pai de seu filhote, mas ele não é o alfa de Harry.

Harry está sempre cercado pelo cheiro de Louis de uma forma ou de outra, mas não de uma forma que realmente acalme seu ômega, apenas de uma forma que o estressa ainda mais, porque seu ômega reconhece claramente que ele está sendo rejeitado mil vezes ao longo do dia, tendo mil pequenos toques negados.

"Vou lhe trazer um copo d'água", Louis decide e desaparece na cozinha. Harry quase suspira. Louis continua fazendo isso, tentando cuidar de Harry sem dar a ele o que ele realmente precisa e Harry sente que já passou por isso tantas vezes, a dor de acontecer de novo é apenas um latejar distante neste momento.

"Aqui está", diz Louis, e estende o copo de água para ele. Harry cuidadosamente o pega e registra o que está prestes a acontecer, provavelmente milissegundos antes de Louis. Se Harry tocar este copo, ele tocará a mão de Louis também. O que não seria grande coisa, normalmente, antes de Harry estar grávido. Antes, quando eles eram simplesmente amigos e Harry ainda não tinha arruinado tudo com seus sentimentos estúpidos.

Mas Louis está claramente com tanto medo de dar falsas esperanças a Harry agora que ele não deixou, nem mesmo o mais simples toque, acontecer desde que Harry lhe contou sobre sua gravidez. Nem mesmo um roçar de suas mãos.

Por um momento, Harry acha que Louis vai superar esse comportamento ridículo. Ele apenas entregará o copo a Harry, deixará suas mãos escovarem sua pele e então continuará. Talvez ele supere essa coisa estranha entre eles. Mas então, no último segundo, assim que ele percebe o que está prestes a acontecer, Louis realmente se encolhe e puxa a mão para trás como se Harry tivesse uma doença infecciosa. O vidro cai no chão e se estilhaça em mil pedaços entre eles.

Por alguns longos momentos, ambos o encaram, congelados. Então Louis murmura alguma coisa, provavelmente um pedido de desculpas, e se afasta, presumivelmente para pegar uma vassoura.

Harry não é tão rápido para descongelar. Ele continua olhando para o vidro quebrado, tentando entender o que acabou de acontecer, mas assim como o vidro, não importa o quanto ele tente, há muitos pedaços quebrados. Ele não pode remendar o vidro. Uma parte dele quer cair no chão, soluçando, mas a maior parte dele parece estar chocada demais para chorar. Ele ficou chocado com sua própria negação.

O que quer que Harry tenha tentado dizer a si mesmo antes sobre Louis não querer lhe dar falsas esperanças, sobre Louis querer continuar amigo, sobre Louis ainda pelo menos gostar de Harry, tudo parece tão falso agora, não é mais suficiente para parar as espirais de pensamentos negativos. A única verdade que Harry sabe agora é esta: Louis não acha que ele é bom o suficiente para sequer lhe tocar. Louis acha que ele é um ômega ruim.

Não importa o quanto ele tente, esse pensamento permanece em sua cabeça mesmo depois que Louis pegou o vidro quebrado e eles estão a caminho da consulta médica.



~*~


LOUIS

Embora Harry nunca tenha dito isso diretamente, Louis começou a supor que o pai do bebê de Harry não estivesse por perto. Ele sabe que é um pensamento estupidamente esperançoso, que pode voltar para comer seu cu e sua dignidade se ele não for cuidadoso, se isso o fizer baixar a guarda. Ele sabe que Harry não é dele. Ele sabe. Então, por que ainda é tão bom quando Harry chega em casa para ver ele – porque na maioria das vezes, Louis vai ao apartamento de Harry logo depois do trabalho – todos os dias, não aquele outro alfa estúpido, o idiota que o abandonou?

Louis é quem vive neste mundo de fantasia todos os dias, aquele onde ele e Harry são felizes. Ele não pode tocá-lo, porque ele não é o pai da criança, então ele tenta mostrar que se importa de outras maneiras: trazendo água para Harry e fazendo chá para ele sempre que ele não o vê com uma bebida há algum tempo, dirigindo para a mercearia 24 horas por dia assim que Harry menciona ter um desejo, e basicamente assumindo todos os aspectos logísticos da gravidez de Harry. Ele é o único que acompanha cada compromisso de Harry através do calendário pendurado na cozinha, embora ele saiba todos de cor de qualquer maneira, então o calendário é principalmente para o benefício de Harry e seu cérebro de gravidez esquecido.

É por isso que Louis assumiu que ele vai ser o único a acompanhar Harry em seu exame esta manhã, mas, a julgar pelo quanto ele surtou quando Louis quase o tocou mais cedo hoje, ele está começando a pensar que pode não ter sido a melhor ideia. Louis sabia que era um erro se deixar chegar tão perto, mas não esperava que Harry parecesse tão assustado quando quase o tocou. Como se Louis fosse fazer alguma coisa para prejudicá-lo ou ao bebê.

Já que Louis é o único que pode dirigir temporariamente, Harry terá que aguentar e lidar com o constrangimento que ele criou. Louis se arrepende do pensamento quase assim que passa por seu cérebro. Não é culpa de Harry que Louis esteja tão estranho com essa coisa toda de gravidez e tenha problemas para manter as mãos para si mesmo. Harry não merece aturar sua estúpida possessividade fora da casinha e seu estúpido alfa interior que pensa que Harry está carregando seu filho, ou pelo menos um filho que ele vai criar.

Harry merece ter um melhor amigo que o coloque em primeiro lugar e não pense apenas em si mesmo o tempo todo. Louis só precisa se acostumar a não poder tocá-lo por mais alguns meses. Se Harry pode lidar com uma gravidez inteira, Louis pode muito bem lidar com isso.

21 semanas é a grande varredura, pelo menos é o que todos os livros sobre gravidez que Louis leu ultimamente dizem, e ele leu muitos deles. Neste ponto, ele sabe quase exatamente o que o médico vai fazer, até mesmo o que ela está procurando durante o ultrassom e para quais marcadores genéticos o sangue de Harry precisa ser coletado para teste.

"E como você está se sentindo ultimamente, Sr. Styles? Alguma coisa fora do comum?" Dra. Martin pergunta, sorrindo gentilmente para os dois. Harry parece contemplar a pergunta por um momento, antes de dar um sorriso, e Louis pode dizer que ele provavelmente está se preparando para mentir, pelo menos um pouco. Harry tem um hábito nervoso de passar os dedos pelo cabelo sempre que não está sendo totalmente sincero.

"Me sentindo grávido," Harry responde. "Mas fora isso, tudo ótimo", ele acrescenta com uma piscadela para a médica, o que a faz rir.

Louis não ri, ao invés disso, ele franze as sobrancelhas e lança um olhar para Harry. Ele sabe que Harry tem se sentido muito tonto, suas dores de cabeça são quase constantes e seu enjoo matinal, que parecia nunca ter desaparecido completamente mesmo depois que o primeiro trimestre passou, voltou mais forte do que nunca ultimamente. Mas ele não quer ser o tipo de alfa que não deixa um ômega falar por si mesmo, então ele fica quieto.

"Ok, isso é bom de ouvir!" Dra. Martin diz com uma voz alegre. "Então eu vou cobrir o básico novamente, mesmo que já tenhamos falado sobre isso em nossa última consulta, mas eu só quero algumas atualizações! Como está o movimento, você está fazendo suas caminhadas regulares?" Ela faz algumas perguntas inofensivas e Louis sente que começa a relaxar. Harry pode não se sentir bem às vezes, mas parece que eles têm suas necessidades básicas cobertas, sua nutrição é boa, ele está dormindo o suficiente, ele está se movendo o suficiente, mas não muito, e-

"Ômegas também precisam de muito toque e cheiro de um alfa durante a gravidez, você sabe disso, certo?" o médico pergunta com uma voz séria, o que tira Louis de seus pensamentos. Ela está apenas olhando para Harry enquanto diz isso, mas Louis ainda sente as palavras como uma facada. "De preferência do pai do bebê", ela olha rapidamente na direção de Louis, "Mas se você sente que não está recebendo o suficiente no momento, alguém que vai agir como uma figura paterna ou um de seus familiares pode ajudar também."

Louis deseja tanto que fosse ele ali, fornecendo a solução perfeita para tudo isso. Uma figura paterna. Ter um filho com Harry seria um sonho realizado, mesmo que a criança não seja necessariamente dele. Ele sabe que poderia amar essa criança como amaria a sua própria, mas Harry nunca pareceu considerar a possibilidade, nunca pediu a Louis para tocá-lo ou cheirá-lo. Claro, Harry provavelmente acha que isso deveria ser reservado para um parceiro romântico, alguém que poderia não apenas agir como pai para seu filho, mas também acasalar com ele. E Harry deixou bem claro que não quer Louis nesse papel.

"Sim, minha família pode ajudar às vezes," Harry responde. Louis gostaria de poder parar de franzir a testa para tudo que Harry diz, mas ele se sente fazendo isso de novo. A irmã de Harry, a única que é alfa na família de Harry, pelo menos a que Louis conhece, mora em Manchester e o percurso é de mais de uma hora ida e volta. Ele sabe muito bem que Harry não pode vê-la regularmente. Ele tem outra família por perto que Louis não conhece? Ele tem que ter. Harry disse a Louis que estava bem toda vez que Louis tentou perguntar cuidadosamente sobre seus níveis de toque, quase ficando mal-humorado às vezes, então Louis parou de falar tanto sobre isso.

Pelo menos isso confirma que Harry não está visitando secretamente o pai do filhote o tempo todo, mas parece uma pequena vitória, considerando que ele também não quer que Louis ocupe esse papel.

Finalmente, a Dra. Martin parece ter feito todas as perguntas que ela poderia pensar e eles passam para o ultrassom real. Eles ouviram os batimentos cardíacos do bebê antes, na consulta anterior, mas ainda é um momento especial quando ela aumenta o som.

"Aqui estão os pezinhos, aqui a cabeça, e olhe, as mãos estão apontando para nós!" Louis e Harry olham para a foto com admiração. Os olhos de Harry parecem vidrados, e Louis deseja poder segurar sua mão, porque ele pode se sentir engasgado também.

"Você quer descobrir o sexo?" Dra. Martin pergunta, sorrindo. Quase em uníssono, ambos acenam com a cabeça, embora Louis saiba que não é realmente sua decisão.

"Você ainda pode ser do gênero que quiser," Harry assegura ao filhote, falando com seu estômago, e Louis sorri carinhosamente para ele. Parece que Harry será uma ótima mãe antes mesmo do bebê nascer.

Dra. Martin olha por um tempo, antes de finalmente olhar para cima com um sorriso e anunciar: "Parabéns, vocês vão ter uma menina!"

Harry não diz nada a princípio, ele apenas se vira para olhar para Louis e olha para ele com um sorriso ofuscante. Louis está sorrindo tão brilhantemente, já imaginando uma garotinha com os olhos e cachos de Harry.

"Uma menina," Harry repete suavemente, então mais alto, "Oh, isso é tão maravilhoso, nós vamos ter uma menina!" E então, inesperadamente, ele pula da mesa de exames e se joga nos braços de Louis.

Por um momento, Louis não consegue respirar, não porque Harry está cortando seu suprimento de ar, - mesmo que ele esteja lhe abraçando com muita força - mas porque ele está de alguma forma convencido de que se ele não respirar, o mundo não vai continuar. Harry vai ficar em seus braços, onde ele se encaixa perfeitamente, para sempre.

Mas é claro que, em algum momento, Louis precisa respirar, e o mundo continua. Ele inala o suave perfume floral de Harry por alguns momentos antes de se forçar a se soltar.

Este não é o seu ômega, ele lembra seu alfa interior com força.

Harry, por alguma razão, parece um pouco atordoado, mas quando Louis dá alguns passos para trás ele pisca várias vezes seguidas, e então seus olhos ficam claros e há um sorriso em seu rosto novamente, tão convincente que Louis se pergunta se ele imaginou a coisa toda. Seu cérebro também está preso no momento em que Harry disse "nós" ao falar sobre ter uma menina, mas agora que Louis está pensando com clareza novamente, ele percebe que significa apenas que Harry ainda está pensando nesse outro alfa, aquele que não está ali.

A Dra. Martin limpa a garganta, mas ela está sorrindo. "Acho que terminamos agora, vou dar a vocês um pouco de privacidade por um momento, vamos nos encontrar do lado de fora, onde você pode pegar sua nova receita, Harry." Ela pisca antes de ir.

É estranho agora que a Dra. Martin os deixou sozinhos. Por um lado, porque ela claramente pensa que eles são um casal e querem ter um momento privado para comemorar a notícia, mas também porque Louis não sabe como se dirigir a Harry depois daquele abraço.

Harry, depois daquele rápido momento de euforia, parece estar de volta ao seu estado de espírito quieto e introspectivo que ele tem estado com mais frequência nas últimas semanas. Ele nunca ficava assim, tão quieto, antes da gravidez, então Louis não sabe muito bem como lidar com ele quando isso acontece. Tudo o que ele pode fazer é oferecer seu apoio silencioso, mas isso não parece suficiente na maioria das vezes.

Louis pode sentir sua própria euforia lentamente se esvaindo, o humor mudando claramente na forma como Harry voltou a si mesmo.

Há um novo sentimento no peito de Louis agora. Vergonha. Harry claramente não queria ser tocado por um alfa que ele não considerava dele e Louis não respeitou esse limite.

"Desculpe," Louis oferece fracamente, mas Harry não responde, apenas coloca o resto de seu documento de volta na bolsa.

Louis não sabe o que mais pode dizer, então ele apenas leva Harry para fora silenciosamente, o leva para casa, e então faz a única coisa que ele pode pensar para sair dessa situação. Ele liga para Liam e Zayn. Eles saberiam o que fazer.



~*~


HARRY

"O que há de errado?" Niall pergunta assim que Harry entra pela porta. O cheiro reconfortante do apartamento de Niall já parece um cobertor quente, reconfortante após o longo dia de brigas e consultórios médicos e rejeição.

"Nada," Harry responde, a conversa sendo uma dança a ser praticada, algo que eles já fizeram milhares de vezes antes.

Como sempre, Niall balança a cabeça em descrença, mesmo que sua preocupação habitual tenha um lado diferente esta noite, provavelmente sentindo que algo mais está acontecendo além do pequeno caso de privação de Harry.

Harry se deixa levar para o sofá por Niall e se dobra o mais pequeno possível, então Niall envolve seus braços ao redor dele e coloca um cobertor sobre os dois. O cheiro de Niall pode não ser tão útil para seus níveis de energia, mas é familiar e mantém o pior de sua privação à distância. Harry sabe que não pode vir com muita frequência, ou então Niall vai se preocupar demais, mas ele se permite a cada duas semanas, apenas para sobreviver às próximas duas. Ele provavelmente poderia ir ainda mais longe, mas seu filhote – sua filha, sua filha – está sempre em primeiro lugar em sua mente agora, culpando-o a ponto de tentar pelo menos obter a quantidade de toque que ela precisa para crescer.

"Harry," Niall diz suavemente. "Eu não sei o que aconteceu hoje, mas eu não acho que você pode continuar assim por muito mais tempo."

Harry não responde. Ele sabe. Niall não precisa dizer a ele. Privação nunca foi um problema para ele antes; ele sempre poderia se jogar, tentar namorar, ou até mesmo ir dançar quando o desejo por um toque alfa ficasse muito forte. Mas ele não acha que pode deixar um alfa, além de Louis tocá-lo, agora, e Louis rejeitou seu toque mais vezes do que ele pode contar.

"Por que ele não me quer?" Harry pergunta baixinho, o que talvez seja uma resposta em si.

"Oh, coração,", diz Niall. "Eu não sei."

Eles ficam quietos por um tempo. Harry pode sentir-se lentamente começando a se recuperar, já se sentindo um pouco melhor, mas não tanto quanto normalmente depois de abraçar Niall. Ele ainda pode sentir o tremor em suas mãos, mesmo estando enrolado no cobertor, e no cheiro, e no toque de Niall há pelo menos dez minutos. Ele também ainda está dolorido, seus músculos estão constantemente doloridos e cansados agora. Isso provavelmente é apenas parte da gravidez no entanto, ele não deveria reclamar.

"Não está funcionando, está?" Niall pergunta depois de um tempo, e Harry não responde, apenas balança a cabeça em silêncio. Ele tem uma ideia do que está errado, porque seu ômega interior está praticamente ansiando pelo toque de Louis agora. Louis o deixou provar da coisa, mas não o suficiente, nunca o suficiente, e agora seu ômega está entrando no que provavelmente poderia ser melhor descrito como abstinência.

"Por que você está pesquisando sintomas de abstinência?" Niall pergunta, olhando por cima do ombro para o telefone de Harry, onde ele está percorrendo os resultados da pesquisa.

"Harry, estou tentando te dar espaço," ele começa, preocupação em sua voz. Harry bufa para isso, considerando o jeito que eles estão abraçados agora, "Mas isso parece sério. Por favor, me diga o que aconteceu."

Harry suspira e relembra a história, conta a Niall como Louis o abraçou e depois se afastou como se não pudesse suportar dar a Harry seu toque por mais um segundo, como se estivesse com nojo dele.

Niall franze a testa. "Você sabe que eu não sou tão próximo de Louis como você é, mas eu o conheço há um tempo também. Eu não sei, algo simplesmente não parece certo aqui. Isso não parece algo que Louis faria, eu esperava mais dele. Ele nunca teve problemas em tocar em você antes, por que ele não pode fazer isso agora pelo bebê?"

A questão é que Harry conhece esse argumento. Ele conhece, porque ele já mesmo teve essa conversa em sua própria cabeça um milhão de vezes antes, e ele sempre chega à mesma conclusão.

"Porque dormimos juntos e isso mudou tudo. Ele viu como meus sentimentos por ele eram profundos. Ele queria fazer sexo casual, mas depois percebeu o quanto eu já estava apegado, e agora ele não quer mais me tocar, porque ele está desconfortável com esses sentimentos, ele não quer que eu interprete mal esses toques. Ele não quer me dar falsas esperanças."

Niall pisca algumas vezes. "Sim, pode ser isso."

O coração de Harry afunda. Não importa quantas vezes ele tenha dito a si mesmo a mesma coisa, nunca encontrando outra resposta para a relutância de Louis em tocá-lo além desta óbvia, por algum motivo ele esperava que Niall magicamente tivesse uma.

"Mas," Niall começa. "Também pode haver um milhão de outras razões. Talvez ele esteja apenas com medo, talvez ainda não esteja pronto para ser pai. Talvez ele realmente não saiba o quão ruim está sendo para você sem o toque dele. Ele parece querer estar lá pelo bebê, certo?"

Harry assente.

"Então você deveria dizer a ele que isso não é bom para o bebê! Certamente ele vai entender."

Harry acena com a cabeça novamente, mas o problema é que ele acha que ainda não está ao ponto em que se vê podendo implorar a Louis para tocá-lo, mesmo que pelo bem do bebê. Se Louis não quer tocá-lo, de alguma forma parece errado forçá-lo a isso. Harry saberia o tempo todo que Louis estava fazendo isso contra sua vontade.

Ele sabe que se sua filha estivesse realmente em perigo, ele faria isso, engoliria seu orgulho e apenas pediria a Louis que lhe desse um pouco de carinho.

"E Gemma? Você pode ligar para ela? Você a viu durante a gravidez, tenho certeza que ela está ansiosa para visitar?" Niall considera. Harry sabe que Niall está apenas tentando ajudar, mas ele está realmente pegando cada um dos assuntos delicados de Harry hoje para discutir.

"Sim, boa ideia," Harry repete novamente, mas ele sabe que provavelmente não vai ligar para Gemma tão cedo. Ele não disse a Niall que ainda não contou à sua família sobre a gravidez. Ele tem certeza de que eles o apoiariam, mas ele não sabe como dizer a eles que seu alfa não o quer, que ele é um ômega ruim. Sem companheiro, sem amor, mãe solo aos 23 anos, quando ainda não terminou a faculdade, e nem trabalha com fotografia. Ele sabe que esta não é a vida que eles queriam para ele.

"Harry, eu só quero que você fique bem," Niall diz a ele, naquela voz séria que ele tem. Harry continua evitando seu olhar, porque ele sabe que só encontraria preocupação ali e não quer que Niall se preocupe.

Ele sabe que se ele realmente admitisse que estava em apuros, realmente dissesse a Niall o quão ruim sua privação de toque tinha ficado, ele encontraria uma solução e a consertaria para ele.

Mas Harry ainda não está nesse ponto. Ele pode gerenciar isso. Ele lidou sozinho com 21 semanas de gravidez, passou pelo que já são considerados os meses mais difíceis, e sua filhote está perfeitamente saudável. Ele pode passar pelo resto disso também, e então seu bebê pode receber seu toque diretamente de seu pai, quando Louis não precisa se preocupar com o quanto ele não quer mais ser o companheiro de Harry.

Harry sorri ao pensar em Louis segurando sua filha. A imagem desse futuro mais brilhante é suficiente para acalmar sua ansiedade a ponto de seu cansaço vencer, fechando os olhos.




~*~


LOUIS

Louis se encontra com Liam e Zayn no bar de sempre. Ele deve ter soado tão lamentável ao telefone que ambos concordaram em vir sem mencionar quaisquer outros planos que já tinham feito para uma noite de sexta-feira. Louis sabe que eles às vezes saem à noite, nos fins de semana, então espera que ele não tenha estragado um deles.

"Então," Zayn começa com cuidado, assim que eles se acomodam com suas bebidas. "O que está acontecendo?"

Louis pode vê-lo lançando um olhar rápido na direção de Liam depois que ele pergunta. Eles provavelmente falaram sobre ele antes de virem aqui, decidindo que Zayn deveria ser o único a quebrar o gelo. Louis sabe que eles estão apenas preocupados com ele, mas ambos têm o hábito de agir como seus pais. Ficou ainda pior desde que eles se casaram um ano atrás, agora eles parecem quase ler os pensamentos um do outro.

"Nada", Louis responde instintivamente, mesmo sendo ele quem pediu a ajuda deles. É apenas difícil admitir isso, admitir o quanto ele está lutando. Ele suspira e brinca com o rótulo de sua cerveja. "Eu só queria poder tocar o Harry."

Tudo se resume a isso realmente, essa única coisa.

Ele acha que poderia lidar com todo o resto, o fato de que Harry não o ama, o fato de que ele está tendo um bebê de outro alfa, o fato de que as coisas mudaram irreparavelmente entre eles desde que cruzaram a linha naquela noite. O olhar de Liam quando ele diz isso é tão cheio de sua típica preocupação gentil e compreensão que Louis tem que desviar o olhar novamente depois de alguns segundos.

"Então, o que aconteceu hoje?" Claramente Zayn está tentando não forçar, mas seus dois melhores amigos estão olhando para ele como se estivessem tentando muito ser pacientes com ele. Louis sabe que ele não contou muito da história até agora, só disse a eles, através de Liam, que Harry estava grávido do bebê de outro cara, mas Louis deliberadamente não mencionou o quão envolvido ele está na história toda, ainda. Ele está dividido entre precisar de seu apoio e conforto e não querer lidar com pena. Mas talvez, em algum momento, ele tenha que engolir seu orgulho.

"Eu fui ao exame com Harry," ele pode ver seus amigos trocarem outro olhar, "E nós dois ficamos tão felizes quando descobrimos que era uma menina... eu só abracei ele."

Louis suspira. Agora que ele teve tempo para pensar sobre isso, imaginando o abraço mil vezes, ele está convencido de que, embora Harry possa ter se aproximado dele, o abraço em si era algo que Louis havia iniciado.

"E Harry não me afastou nem nada, mas eu sei que não deveria ter feito isso. Eu sei que pode não ser bom para o bebê ficar confuso com cheiros e toques diferentes antes do nascimento. Eu acho que foi mais para mim do que qualquer coisa, e isso não está certo."

Tudo, é claro, também volta ao fato de que não era certo tocar em Harry em primeiro lugar, todas aquelas semanas atrás, quando Harry estava no pré-heat e provavelmente não estava pensando com tanta clareza. Provavelmente não com clareza suficiente para perceber que fazer sexo com Louis significaria realmente fazer sexo com seu melhor amigo, incluindo todas as consequências embaraçosas. Mas isso é algo que Louis não pode contar a seus amigos, não esta noite.

Ele conhece Liam desde a infância, eles passaram pela puberdade juntos, e ambos se apresentaram como alfas juntos e depois ficaram amigos durante a faculdade, onde Liam conheceu Zayn. O que foi bom, porque a essa altura Louis já havia encontrado Harry, e por um momento Louis achou que eles poderiam... Mas não, essa é uma linha de pensamento que ele não quer seguir.

Ainda assim, a vergonha que ele sente pela vez em que fizeram sexo ainda está tão fresca, tão presente em sua mente, que ele acha que não é capaz de compartilhá-la ainda, nem mesmo com Liam.

"Louis," Zayn começa, gentil como sempre, "Por que você foi ao encontro com Harry em primeiro lugar?" Louis pisca.

"Porque ele é meu melhor amigo", ele envia um olhar de desculpas na direção de Liam. "Ele não tinha ninguém para levá-lo. Eu prometi a ele que estaria lá para ele quando ele me contasse sobre a gravidez. Eu prometi a ele que nada mudaria entre nós." Ele suspira, então olha para Zayn. "Você não acha que estou fazendo a coisa certa, ajudando um ômega sem companheiro, que estaria sozinho de outra forma?" Ele sabe que é um pouco injusto jogar essa carta com Zayn só porque ele é um ômega, mas assim como ele esperava, Zayn relutantemente balança a cabeça.

"Claro que acho que ajudar Harry é uma coisa boa, é só-"

"Olha," Liam finalmente diz. Louis pode dizer que ele está tentando se conter, deixando Zayn lidar com essa conversa de forma mais diplomática, mas ele sabe que Louis precisa de um amor duro às vezes. "Talvez você precise pensar sobre o que seria melhor para você em algum momento também. Não pode ser bom passar todos os dias na casa de Harry, especialmente com você... Você sabe... Estando tão emocionalmente envolvido assim. Você mesmo disse que isso está corroendo você por inteiro. Talvez seja hora de você se distanciar um pouco."

"Ele é meu melhor amigo", Louis repete fracamente.

"Ele também está esperando um filho de um outro alfa, e você está apaixonado por ele," Liam retruca.

Louis quase se encolhe com a honestidade brutal. Ali, no instante em que ele e Liam apenas se encaram, Louis quase está pronto para atirar de volta algumas palavras duras, mas então ele apenas olha para baixo e balança a cabeça, como se isso o fizesse se livrar da sensação de aperto que as palavras de Liam causaram em seu peito.

"Bem, mais uma razão para ficar bêbado esta noite, o que vocês me dizem, rapazes?" Louis tenta rir e levanta o copo de cerveja para dissipar a tensão. "Para uma grande noite!"

Liam volta a se sentar em sua cadeira, suspirando, mas ele e Zayn levantam seus copos obedientemente em resposta. "Para uma grande noite!" ambos ecoam.

"Então, o que você faz?" um ômega masculino aleatório que Louis encontrou no bar, e que considerou uma distração digna de seus problemas de Harry, pergunta a ele meia hora depois. Louis tem que suprimir a vontade de revirar os olhos para a pergunta genérica que obviamente é apenas uma conversa fiada forçada.

"Acabei de terminar a faculdade de direito, e me mudei de Manchester para Londres para meu novo emprego", Louis responde roboticamente.

"Interessante", o homem responde, seu tom indicando que ele não poderia se importar menos. Ele não se oferece para falar sobre seu próprio emprego e Louis não pergunta. Ele não está aqui para conhecer a história de vida deste homem, ambos sabem o que procuram.

Depois que os dois terminam a bebida, Louis se aproxima do homem – ele tenta se lembrar de seu nome, talvez algo como Brian? Ou Ryan? – e põe a mão em sua coxa. Normalmente ele se preocuparia sobre estar indo muito rápido, ser muito óbvio, mas desta vez ele não se importa. É muito mais fácil fazer uma jogada quando não há nada para apostar, nada para Louis perder, exceto uma noite de diversão esperançosa.

Ele dá ao ômega tempo suficiente para afastá-lo, e quando a rejeição não vem, ele se inclina para um beijo.

Imediatamente, algo parece fora. O cara é um beija bem, e claramente tem entusiasmo suficiente, claramente ele está ali pelas mesmas razões que Louis, para obter um orgasmo rápido com um estranho.

Louis simplesmente não consegue parar de pensar na última vez que ele fez isso, beijou alguém em público com a intenção de se tornar algo a mais. Pensar demais nessa situação, durante esse beijo medíocre, só leva Louis a perceber o quão diferente é desta vez.

Por um lado, ele está significativamente mais bêbado esta noite. Não parece importante ficar sóbrio desta vez, o ponto é uma conexão bêbada. Além disso, ele não conhece essa pessoa. Ele entrou nisso sem construção, sem sentimento. Não há faísca.

E o mais importante, como ele percebe depois de mais cinco segundos, da última vez que ele fez isso, ele não teve que pensar em mais ninguém. Não havia ninguém no fundo de sua mente, todos os seus sentidos estavam concentrados em Harry apenas, completamente, consumindo tudo. Desta vez, é quase o mesmo de certa forma. Harry ainda é a única coisa em que ele consegue pensar. Louis está tão concentrado em tentar não pensar em Harry, que quase não percebe quando o cara para de beijar e se aproxima do pescoço de Louis, antes de exalar e sentir o cheiro dele. É isso.

"Eu não posso fazer isso." Louis empurra o cara para longe com um suspiro e imediatamente limpa a boca com as costas da mão, querendo apagar todos os vestígios do outro ômega. Ele pode sentir seu alfa vibrando sob sua pele com desconforto e isso o faz querer limpar todo cheiro que não pertence ao seu ômega o mais rápido possível.

O cara olha para ele com os olhos arregalados, mas Louis pode ver que é um movimento destinado a ativar os instintos protetores de um alfa.

Louis não tem vontade de lhe dar uma explicação e ele não acha que esse estranho se importaria muito com isso de qualquer maneira. Em vez disso, ele apenas oferece um curto: "Desculpe, estou mais bêbado do que pensava", o que é verdade, mas não é o motivo real.

Ele tropeça de volta para a mesa de Liam e Zayn, apenas para encontrá-la deserta há muito tempo. Ele suspira, e então chama um Uber para voltar ao seu apartamento frio e solitário. Sem nenhum sucesso para tanto esforço em busca de uma noite de sexo sem sentido para esquecer Harry.

~*~


HARRY

A noite com Niall tirou Harry do pior estado de privação, pelo menos o suficiente para dar a Harry energia renovada para formar um novo plano de ação. Se Louis não quiser tocá-lo, tudo bem. Ele pode se dar bem com os toques de Niall e, uma vez que se aproximar mais da data do parto, ele pode visitar sua família novamente, para que Gemma possa fornecer pelo menos um pouco de feromônio alfa para acalmar o bebê. Ele vai ter que dizer a eles sobre isso de qualquer maneira, só que talvez não naquele momento.

Enquanto isso, ele vai mostrar a Louis o quão bom ômega ele pode ser apesar de tudo, que ele não precisa do carinho de Louis para ser uma pessoa gentil e um bom amigo. Então, como um gesto de boa vontade, ele está trazendo doces e café da padaria em que trabalha para a casa de Louis. Mesmo que Louis não aprecie sua companhia ou ache irritante que Harry esteja sempre por perto ultimamente, Harry sabe que Louis pelo menos ficará grato por comer algo mais do que seu café da manhã habitual, uma simples tigela de cereal.

Ele nem está mais nervoso quando chega ao prédio de Louis, apenas resolvido. Esta situação já é tão ruim quanto poderia ficar. Não pode ficar pior, então Harry não tem nada a perder. Não há necessidade de ficar nervoso. Estranhamente, essa linha de pensamento realmente ajuda.

Ele respira fundo antes de tocar a campainha.

Harry não pode acreditar como ele pode estar tão errado. Claro que poderia ficar pior, claro que sempre havia outra possibilidade que até mesmo suas espirais de pensamento mais catastróficas não incluíram até agora. Louis, quando abre a porta, cheira distintamente a outro ômega, um cheiro cítrico. E Harry ignora normalmente, mas ele sabe que o cheiro não pertence a uma das irmãs de Louis – que cheiram como o irmão mais velho – ou a Zayn, o marido de Liam, cujo cheiro é distintamente mais terroso. Além disso, o cheiro fica ao redor, segue Louis por todo caminho que ele faz quando leva Harry para a sala do apartamento, o que significa que Louis deve ter passado muito tempo próximo a ele, ou... Harry pode sentir uma bola de fúria quente percorrendo seu estômago, ele está quase chocado com a intensidade disso.

"Eu trouxe o café da manhã", ele diz fracamente, e Louis sorri para ele, mas parece um pouco forçado.

"Obrigado", ele responde, não de forma indelicada, mas também não soa feliz.

Há um outro espaço entre eles agora, um que não existia antes – metafórica e literalmente – e Harry quase pode sentir a situação de ontem e o cheiro estranho de ômega pairando ao redor deles como uma nuvem estranha, somando-se à pilha de assuntos que eles não falam sobre. O café da manhã deveria ser uma oferta de paz, uma chance de limpar o ar, em vez disso, Harry tem a sensação de que acabou de piorar tudo.

Mau ômega, um pensamento ecoa em sua mente. Ele ignora, como sempre, mas está ficando cada vez mais difícil ultimamente. Ele se afunda um pouco mais em seus pensamentos, resistindo ao movimento instintivo de envolver os braços em volta de si mesmo. Alternativamente, ele tenta se concentrar na comida à sua frente, ignorando a sensação avassaladora de solidão que está se espalhando em seu estômago, mesmo que Louis esteja sentado bem na frente dele.

Harry está quase feliz quando eles chegam ao fim de seu estranho café da manhã. Eles não conversaram muito enquanto comiam, além de alguns comentários casuais de Louis sobre como os doces são bons, e Harry se viu não querendo admitir que ajudou a assá-los, com medo de que, se soubesse, Louis retirasse o elogio. Ele sabe que é irracional, que Louis nunca fez isso antes, que ele sempre elogiou sua culinária, mas seu ômega interior, dependente de toque e elogios, parece controlar cada vez mais suas ações ultimamente.

Louis então limpa a sua garganta, olhando para Harry pelo que parece ser a primeira vez hoje.

"Estamos bem, certo?" ele pergunta, e soa tão sincero que Harry pode sentir as palavras torcendo em seu peito. Harry se pergunta se ele está se referindo à situação geral ou se ele sabe que Harry pode sentir o cheiro desse outro ômega nele, se ele está realmente pedindo a permissão de Harry, sua bênção.

Ele pode sentir Louis olhando para ele com cuidado, obviamente preocupado com sua resposta. Harry engole em seco. Ele não vai surtar, não tem o direito de negar que Louis esteja com outro ômega.

Não importa o quanto ele esteja sofrendo por dentro, não importa o quanto ele tenha medo de ser substituído, ele não será aquele ômega clichê que quer desesperadamente unir um alfa que não o quer. Louis é uma boa pessoa, um bom alfa, e ele quer estar lá para seu filho. Harry não tem o direito de pedir mais nada dele.

"Sim, estamos bem," Harry o tranquiliza e tenta sorrir de forma convincente. Pela expressão no rosto de Louis, Harry sabe que não funcionou, mas não sabe mais o que fazer. Ele sente outra dor de cabeça chegando, a terceira em três dias.

Por favor, não me deixe, seu ômega quer implorar. Por favor, não nos deixe. Por favor, toque-me.

Ele odeia o quanto está ficando mais difícil ignorar ultimamente.


~*~


LOUIS

Louis se sente um idiota. Mesmo que Harry tenha insinuado que o perdoa, as coisas ainda parecem tensas entre eles, e sua tentativa estúpida de pedir desculpas esta manhã não melhorou nada.

Principalmente porque não foi um pedido de desculpas adequado, tudo porque Louis não conseguiu dizer a verdade em voz alta, para realmente dizer que ele sabe que Harry só quer ser amigo e que ele sabe o quão inapropriado é para um alfa para tocar em seus amigos ômega durante a gravidez.

Em vez disso, eles continuam rodeando o assunto e Louis quase pode sentir o quão desapontado Harry está com ele, Louis pode sentir a distância crescendo entre eles ultimamente, não importa quanto tempo eles passem juntos.

Talvez Liam e Zayn estejam certos. Talvez Louis devesse se afastar dessa coisa toda agora, antes que ele não apenas tenha seu próprio coração partido em ainda mais pedaços, mas também continue a ultrapassar os limites de Harry. Como se estivesse lendo sua mente, seu telefone acende com uma notificação de texto.

Ei, eu queria saber se você estava a fim de pintar o quarto do bebê esta semana! Você poderia até me ajudar a escolher as cores!! ;)

Louis suspira. Aí está. A razão pela qual ele não pode se afastar, a razão pela qual ele não pode colocar alguma distância entre Harry e ele. Essa sensação estúpida e trêmula que ele ainda tem em seu peito, a sensação que pode ser parte de seus instintos de querer cuidar do ômega que seu alfa interior vê como seu futuro companheiro, mas provavelmente é só mais do amor estúpido que Louis tem completamente entregue ao seu melhor amigo.

Além disso, há outra razão pela qual se afastar agora nem parece uma opção. Louis tem a estranha sensação de que pode haver algo errado com Harry.

Ele tenta não deixar que todos os seus pensamentos girem em torno de Harry e do bebê, mas eles têm passado tanto tempo juntos ultimamente, que Louis não pode deixar de notar pequenas mudanças em Harry. Como o quanto ele ficou mais cansado, que está ficando tonto com mais frequência e que está com mais mal-estar do que no início da gravidez. Claro, todos os livros que ele tem lhe dizem que a gravidez fica mais difícil no final às vezes, mas algo ainda parece estranho. Alguns de seus sintomas simplesmente não parecem se encaixar.

"Cada corpo é diferente, então deixe seu ômega dizer o que ele precisam", é o conselho que seu livro lhe dá, mas Louis se pergunta se isso se estende a mudanças no cheiro, porque às vezes ele tem certeza de que o de Harry está mais forte ultimamente, mais tingido de limão.

Além disso, eles mal falam sobre coisas profundas, e Louis mal pode imaginar como uma conversa sobre algo tão profundamente pessoal quanto mudanças de cheiro não pode ser profunda. Em vez disso, ele para de pensar demais e apenas responde ao texto de Harry.

Sim claro! Amanhã?

Louis nem se preocupa mais com o fato de a mensagem parecer muito desesperada. Harry tem que saber o quão patético Louis é neste momento, o quão apaixonado ele está, embora Harry só queira ser seu amigo. Mais uma mensagem com um pouco mais de entusiasmado não importará na grande lista de coisas em sua mente.

Depois que ele envia, ele percebe que há outra mensagem não lida em seu telefone, esta é de Liam.

A fim de beber depois do trabalho esta semana? Eu sei que você disse que queria colocar alguma distância entre você e Harry e eu pensei que um pouco de distração poderia ajudá-lo a superar o pior!

Louis ignora isso.

~*~


HARRY

A semana seguinte quase o faz parecer que estão na estaca zero. Objetivamente, nada mudou desde as primeiras semanas de gravidez de Harry.

Ele ainda está grávido, e se sentindo muito grávido, a exaustão constante e as dores de cabeça piorando em vez de melhorarem. Louis também ainda se recusa a tocá-lo, mas se faz presente de todas as outras formas, atencioso e adorável como sempre, cozinhando e limpando e ajudando Harry a pintar o quarto do bebê de uma cor amarela bem suave.

Ele até traz uma grande quantidade de roupas de bebê, e quase timidamente diz: "Eram de Ernie e Doris quando eles eram pequenos. Minha mãe queria que você as tivesse. Você pode dar uma olhada e ver se gosta de algumas delas."

Harry sente uma leve mortificação com a ideia da mãe de Louis, de todas as pessoas, saber que seu filho o engravidou por acidente, mesmo que ela seja uma pessoa adorável e que nunca o julgue por seus atos. Louis nunca sugeriu que visitassem sua família juntos, o que Harry entende, mas ainda assim causa outra onda de vergonha parece se desenrolar em seu estômago. Ele tem certeza de que a família de Louis vai querer conhecer sua filha quando ela estiver lá.

Harry tira as roupinhas uma a uma, enquanto Louis observa, obviamente esperando algum tipo de julgamento de Harry sobre querer ou não as roupinhas. Ele não pode deixar de inalar profundamente quando os pega na mão, apalpa o material macio. Eles cheiram tanto a bebê, mas também a Louis, e de repente, sem perceber o que vai acontecer, Harry começa a chorar.

Ele tenta ficar em silêncio sobre isso no início, mas quando ele olha para cima, e apenas vê Louis parado ali, parecendo indefeso, mas não se aproximando, ele não pode deixar de começar a soluçar.

"Não se preocupe, são apenas hormônios da gravidez", ele tenta dizer entre soluços, mas Louis não parece convencido. Harry também não está convencido. Ele sabe que os hormônios fazem parte disso, mas também sabe que as outras partes são sua privação de toque, e o fato de que seu ômega interior está ficando cada vez mais desesperado por estar sendo privado do toque de seu alfa durante a gravidez, um momento em que seu corpo precisa de mais toque do que habitual, não menos.

"Tem certeza?" Louis diz, ainda enraizado no local. Ainda se recusando a tocá-lo.

A coisa é, algo que Harry reprisa o tempo todo, em algum momento Louis deve ter gostado dele o suficiente para terem tido relações sexuais. Ele nunca havia ficado tão desgostoso por tocá-lo, nem sempre se esquivava mesmo com a insinuação de um toque antes da gravidez.

Harry se lembra da noite em que eles estiveram juntos, não em detalhes exatos, mas em emoção. Ele se lembra do sentimento constante de ser apreciado, adorado, feliz, talvez até amado. Ele sabe agora que foi uma ilusão, mas é o que ele sentiu na época.

Os últimos meses de solidão contrastam fortemente com esse sentimento, então Harry às vezes se perguntava se isso realmente existiu. A mente humana tem a tendência de romantizar o passado, de enfeitar qualquer memória negativa, então talvez as dicas de sentimentos de repulsa de Louis sempre estiveram lá, Harry é que simplesmente não tinha visto.

"Tenho certeza," Harry diz depois de mais um minuto. Louis pegou lenços de papel para ele, fez chá e deu um cobertor, mesmo que Harry esteja com muito calor, ao invés de com muito frio. Mesmo assim, Louis lhe tocou.

Harry inspira profundamente. Alguém precisava ceder, e Louis claramente não deveria ser único a fazer isso. Ele está tentando ser uma boa pessoa, estar por perto para seu filhote, mas pela primeira vez, Harry sente que a presença de Louis, sempre lá, mas fora de alcance, pode estar piorando as coisas.

"Você deveria sair." Harry quase sente que é outra pessoa que diz as palavras, como se não pudesse ter sido ele, mas ele foi. E as palavras estão pairando no ar agora.

"O que?" Louis parece chocado. Harry também está um pouco chocado, mas é tarde demais para voltar atrás agora.

"Louis, eu não posso continuar assim. Isso não é bom para mim, ou para o bebê. Não agora. Eu não posso lidar com isso... Só tendo as coisas pela metade, quando eu quero a coisa toda, o tempo todo. Você tem que ver como isso é difícil para mim."

Parece que é Louis quem foi nocauteado nessa luta, como se as palavras de Harry o tivessem drenado e o deixado vazio.

"Sim, se você... Se você acha que é melhor. Claro." Ele parece triste. Que direito ele tem de soar tão triste, quando Harry é quem está sofrendo? Quando é Harry quem teve que pedir ao pai de seu filho para deixá-lo sozinho por um tempo, só porque Louis é quem não acha que vale a pena tocar nele?

"Sim, eu acho que pode ser," Harry pode ouvir sua voz começando a tremer de novo, e ele sabe que vai começar a soluçar novamente em alguns segundos, então ele abre a porta antes que Louis tente fazer outra xícara de chá para ele. de abraçá-lo.

Louis não o abraça. Em vez disso, ele apenas encara Harry por um longo momento, como se quisesse memorizar seu rosto, sua expressão, como se ele fosse o ferido nesta situação.

Talvez Louis se preocupe que Harry esteja tirando seu filho dele, mesmo que essa nunca tenha sido a intenção de Harry.

"É só por agora, você sabe," Harry acrescenta rapidamente, como uma última tentativa de fazer suas palavras anteriores parecerem menos duras. "Sabe, depois do nascimento, podemos-"

"Sim," Louis o interrompe, a tristeza anterior substituída pelo que soa como raiva. "Entendo."

Então ele sai. Ele não se vira novamente.

[...]

"Oi, Gemma, é o Harry. Eu sei que você está de férias agora, e provavelmente não vai verificar sua caixa postal, mas se você receber isso... Sei lá, me liga de volta talvez? Só para conversar." Harry se encolhe com a falsa felicidade em seu tom, antes de desligar o telefone.

Ele sabe que não é culpa de Gemma não ter conseguido ler os pensamentos dele e sair de férias para Ibiza bem quando ele mais precisava dela. Não é culpa dela que ela seja a única alfa em sua família da qual ele seja próximo. E, especialmente, não é culpa dela que Harry ainda não tenha contado a ninguém de sua família sobre o bebê, sobre Louis... Sobre toda a situação dos últimos meses.

Talvez seja o karma agindo agora de forma que, quando ele precisa de um favor dela, Gemma não esteja disponível. Se ele tivesse contado a ela sobre o bebê, ele sabe que ela teria lhe visitado mais cedo e não teria deixado suas ligações irem para o correio de voz. Ela não teria deixado toda a situação se agravar assim, teria falado com ele há muito tempo.

Harry suspira, discando o número de Niall em seguida. Ele terá que trabalhar com o que tem e terá sorte se Niall quiser vê-lo, mesmo que tenha passado menos de uma semana desde a última vez que Harry precisou de sua ajuda. É um tempo mais curto do que ele costuma durar comparado com antes, e Harry sabe que não tem o direito de exigir tanto de seu amigo. Muito, muito carente, sua voz interior fornece.

Pelo menos Louis não poderá mais dizer isso sobre ele. Deste ponto em diante, Harry não exigirá mais nada de Louis. Ele pode fazer isso sozinho.


~*~

LOUIS

Louis realmente não sabe como ele chegou em casa, só que, em um ponto ele estava na frente da porta de Harry e, no segundo seguinte, ele estava em seu próprio sofá, olhando fixamente para a parede. Ele sente quase como se estivesse em transe, como se a última hora de sua vida tivesse acontecido com outra pessoa, e não ele.

Você deveria sair, enfiar na cabeça de um jeito ou de outro a verdade. E, pior ainda: Não consigo lidar com isso... Só tendo as coisas pela metade, quando eu quero a coisa toda, o tempo todo.

Claro, Harry quer tudo aquilo, ele quer que o verdadeiro pai de seu bebê esteja lá. Louis sabe que essa é a única coisa que ele não pode dar a ele, mesmo que ele tente dar a ele tudo o que ele pode precisar. Mas ele deve ter notado o quão envolvido Louis já estava, o quão carente, o quão desesperado para passar tempo com Harry ele estava, a necessidade que tinha em cuidar dele.

Louis sabe que ele se envolveu demais, Liam e Zayn lhe disseram isso o tempo todo e agora até Harry disse a ele.

Mas ele não pode se arrepender de tudo isso, não pode se arrepender de ter tentado estar lá para Harry, mesmo que ele nunca pudesse ser o verdadeiro pai de seu bebê para ele.

Harry deve saber que Louis tem sentimentos românticos por ele, isso provavelmente é parte da razão pela qual ele precisava de espaço. Louis provavelmente o sufocou demais, usou sua amizade existente para se aproximar de Harry durante esse tempo, acidentalmente assumindo um papel que Harry nunca quis que ele assumisse.

No entanto, se ele está sendo honesto consigo mesmo, ele sabe que não há muito que pudesse ser feito para esconder seus sentimentos. Louis é um livro aberto e não deixar seu amor – e ele sabe disso agora, ele sabe que é amor, provavelmente tem sido amor há anos – por Harry explícito e nítido nunca teria funcionado.

Era apenas uma questão de tempo até que isso ficasse algo grande demais para Harry.

Louis suspira e tem que reprimir a vontade de ligar para Harry para tentar consertar as coisas. Ele precisa de espaço, Louis precisa respeitar isso.

Ele verifica o aplicativo de gravidez que instalou há algumas semanas. O bebê agora é do tamanho de uma berinjela. Ele quase fica abalado por isso também, porque não importa o que Harry diga, ele sabe que essa nova distância entre eles significa que Louis vai ter que parar de se envolver tanto na vida desse bebê.

Já havia tantos planos, tantas vezes ele ou Harry disseram: "Devemos ir lá depois que o bebê nascer", e estava quase implícito que eles fariam isso juntos.

Claro, Louis ainda poderia visitar, mas com a mesma frequência que um amigo casual normal pode visitar. Ele não pode substituir o pai deste bebê, Harry não poderia ter deixado isso mais claro.

Algumas horas depois, não há mais episódios de Gogglebox no DVR de Louis e ele volta a olhar para o telefone novamente.

Ele sabe que é meio masoquista, mas ele se vê percorrendo antigas conversas de texto entre ele e Harry, tentando encontrar momentos em que ele foi intendo demais, onde Harry poderia ter enviado sinais para Louis não ser um alfa tão autoritário, para apoia-lo mais passivamente.

Ele não consegue encontrar nada assim, mas talvez seja porque ele ainda está vendo através de uma lente cor de rosa, romantizando seu tempo com Harry.

Ele sabe que nem sempre foi ótimo, especialmente ultimamente, principalmente porque Harry sempre parecia tão triste, tão exausto. Louis tentou culpar a gravidez antes, mas claramente era porque Harry estava sentindo falta de seu alfa, o pai do bebê.

Ele deveria ter deixado de lado seus próprios sentimentos e perguntado sobre ele. Talvez ele pudesse ter sido um amigo de verdade ali, diferente do alfa ciumento que tentou tomar aquele lugar.

Antes que Louis possa se perder nessa espiral de dúvida e arrependimento, seu telefone começa a tocar em sua mão. Ele quase o deixa cair em choque, e por um momento, uma faísca de esperança passa por ele, antes que ele perceba que não é Harry o chamando. É Niall. O sentimento de esperança é substituído pelo pavor imediatamente. Niall nunca liga para ele.

"Niall? Está tudo bem? Há algo errado com Harry ou o bebê?" Louis sabe como parece estar em pânico, mas neste momento não pode evitar.

"Sim, não, não se preocupe," Niall responde rapidamente. "Embora... há um assunto sobre o qual eu queria falar com você, mas ninguém está no hospital nem nada." Ele provavelmente está querendo tranquilizar, sem perceber o quão não tranquilizador ele soa.

"Ok, deixe-me começar de novo," Niall solta uma risada seca. "Harry estava aqui. Ele parecia chateado, mas ele não queria ficar por muito tempo, nem mesmo me disse o que está errado. E eu estou preocupado com ele apesar disso tudo, e também estou supondo que ele não falou com você sobre o quão mal ele tem estado ultimamente?"

"Não", Louis respira. "Não, ele não tem. Quero dizer, eu notei que há algo acontecendo, é claro, mas eu pensei que era... Bem, a coisa sobre a qual conversamos hoje."

"Ah, então você o viu hoje? Ele apresentou algum sintoma então? Eles estavam piorando?"

"Sintomas?" Louis repete, confuso. "Do que você está falando? Você disse que não havia nada de errado com o bebê!"

"Oh," Niall responde, então ele fica quieto por alguns segundos. "Oh. Então você não sabe absolutamente nada, né?"

Louis não sabe como responder a isso. "Aparentemente não, não", ele diz com os dentes cerrados, se sentindo ficar irritado com Niall. "Olha, por que você não me conta todas as coisas que eu aparentemente não sei?"

Niall não responde por um tempo novamente. Então ele suspira. "Eu não posso. Não é meu segredo para contar. E eu sei que ele me mataria por dizer isso, mas acho que também pode ele ficar agradecido. Então, na verdade, a única coisa que você precisa saber agora é que Harry não está bem e você precisa ir até ele. O mais rápido possível."

"Oh não, Niall, eu não posso, ele me pediu para dar espaço a ele, eu não posso simplesmente aparecer de novo depois que ele me pediu para sair."

"Ele pediu para você ir embora? Ele não me contou sobre isso. E não soa como ele. O que você fez?" Agora Niall parece suspeito.

"Nada. Eu dei a ele algumas roupas velhas de bebê de Dottie e Ernie, e então ele começou a chorar e de repente ele apenas... Disse que eu não era o suficiente para ele. Me pediu para sair," Louis pode ouvir sua própria voz diminuindo no final. É doloroso contar a história assim, admitir que Harry o machucou. Quase parece muito vulnerável admitir isso para Niall, que a priori é amigo de Harry e provavelmente concorda com ele, provavelmente também não acha que Louis é bom o suficiente para Harry.

Por outro lado, Louis sente que não pode ficar pior. Ele já se sente esfaqueado, então o que é mais uma ferida?

Niall não diz nada maldoso, em vez disso, ele apenas solta outro ruído confuso em reação.

"Honestamente, eu acho que vocês dois só precisam conversar. Eu não acho que Harry tenha todas as cartas na mesa, mas agora que eu falei com você, eu acho que você também não. Então, por favor, só cuida dele. Eu sei que ele precisa de você."

"Mas ele acabou de me pedir para-"

"Sim, eu sei que ele pode estar bravo com você e normalmente eu sou a favor de respeitar limites e deixar as pessoas se acalmarem depois de uma briga, mas isso é diferente. Harry está com problemas."

E não importa mais o que aconteceu antes entre ele e Harry, essa frase sempre significará apenas uma coisa para Louis. Ele se despede de Niall, pega as chaves do carro e vai embora.


~*~


HARRY

Harry não está se sentindo bem. Ele ficou com Niall por pouco mais de uma hora, antes de ter que sair novamente porque sentiu que não estava funcionando. Normalmente, antes de sua gravidez, ele começava a se sentir melhor imediatamente quando estava sendo abraçado, quase como se pudesse sentir seus níveis de energia recarregando. Durante a gravidez, era mais demorado e não era tão intenso assim, mas ainda havia sempre aquela sensação inicial de alívio, de conseguir pelo menos alguma coisa.

Hoje não aconteceu nada. É quase como se o corpo de Harry tivesse ficado imune ao toque de Niall, seu ômega interior se recusando a ser acalmado por alguém que não fosse Louis. E essa era a única coisa que Harry não pode dar ao seu ômega, não depois que ele acabou de pedir a Louis para sair, não quando Louis acha que não vale a pena tocar em Harry, nem mesmo quando está carregando seu filho.

Ele não tem mais energia para ficar bravo com Louis.

Agora, ele apenas fica lá, com enrolando os próprios braços em volta de si. Na frente dele, ele acha que sua TV congelou no você ainda está assistindo? na tela, mas Harry não consegue nem reunir energia suficiente para pegar o controle remoto e desliga-la. Em vez disso, ele continua sentado ali, deixando-se consumir por seus sentimentos ruins. Eles parecem uma nuvem escura se abrindo sobre sua cabeça.

Harry perde toda a noção do tempo, então quando ele é despertado de seu transe pelo barulho repentino da porta se abrindo, ele não sabe quanto tempo faz. Pode ter sido apenas alguns minutos, mas talvez horas. Sua garganta está seca, como se precisasse de um copo d'água.

Ele olha para cima e não consegue evitar a sensação de alívio que o atravessa quando vê quem é. Louis. Harry esqueceu que tinha a chave deste apartamento.

Ele não diz nada, não sente que tem energia para dizer nada, apenas continua olhando para Louis. Seu ômega assumiu quase completamente, então ele não pode evitar quando sua cabeça automaticamente se inclina para o lado, expondo seu pescoço para Louis. O gesto universal de rendição, ou, neste caso, o sinal universal para um alfa de que o ômega à sua frente precisa de ajuda.

"Oh, baby, você está em privação," Louis diz, sua voz suave e triste, finalmente parecendo perceber o que Harry está tentando dizer a ele. "Você não me disse que era tão ruim assim."

Pena, Harry reconhece através de sua névoa. Louis está com pena dele. Ele pode sentir a raiva abrindo caminho de volta através da névoa pesada em sua mente. Louis não tem o direito de ter pena dele. Não quando foi ele quem causou isso.

Harry também percebe que Louis ainda não o toca. Ele está muito perto dele, mais perto do que esteve em meses, quase como se estivesse tendo uma batalha consigo mesmo. Harry era tão repulsivo assim? Tão repulsivo que Louis tem que se forçar a chegar mais perto, mesmo sabendo que Harry está em privação?

Essas não são as palavras que saem da boca de Harry. O que sai primeiro é apenas um pequeno gemido, seguido por "Louis". Harry não tem mais vergonha de si mesmo, ele tem tempo para sentir vergonha mais tarde. Agora ele precisa de seu alfa.

Aquele gemido parece fazer Louis entrar em ação, mas ainda não tocar em Harry. Em vez disso, ele começa a correr pela sala freneticamente, aparentemente procurando por algo. Ele volta com alguns cobertores macios, alguns travesseiros do sofá e uma jaqueta.

Harry reconhece a jaqueta como sendo de Louis, uma que ele roubou para seu ninho antes, mas sempre devolvia sob falsos pretextos, para que Louis pudesse usá-la novamente e renovar o cheiro. No momento, a peça está encharcada pela essência de avelã e cheiro de grama fresca, porque Louis acabou de usá-lo, mas Harry não sabe se é o suficiente. Não sabe se seu ômega pode suportar a rejeição repetida que a jaqueta representa agora. Parece um presente de pena agora, aqui, pegue minha jaqueta porque não suporto tocar em você.

Algo em Harry quebra. Ele não aguenta mais. Foda-se o orgulho dele, foda-se toda essa situação. Seus instintos ômega estão consumindo tudo agora, fazendo de tudo para proteger seu filho.

"Louis, por favor. Por favor, me toque. Eu faço qualquer coisa, apenas... por favor."

A última coisa que ele vê é o rosto chocado e ferido de Louis, antes de correr em sua direção. Porque assim que os braços de Louis o envolvem, o mundo se transforma em estática.

Harry acorda cercado de calor e conforto. Por um momento, ele se sente como antes de sua gravidez, lúcido e leve.

Com um sobressalto, ele percebe que o que está percebendo é a ausência de dor. A dor incômoda que ele carregava com ele nos últimos meses, tão constante e consumindo tudo que ele nem percebeu mais, nem percebeu que era dor que ele estava sentindo, apenas deixando isso se tornar uma parte de si mesmo. Até agora.

Agora que se foi, Harry se pergunta como ele pode ter deixado isso continuar por tanto tempo, como ele conseguiu suportar quando a alternativa era essa, essa doce sensação de alívio.

Depois de um momento, ele percebe que o alívio da dor não é a única coisa que está sentindo. Há braços em volta dele e um nariz em seu pescoço o segurando com força. O cheiro é o mesmo cheiro maravilhoso que sempre foi, grama recém-cortada, avelã, o cheiro depois da chuva, e algo que é muito distintamente Louis.

Por um momento, Harry finge que esta é uma manhã preguiçosa de domingo, talvez depois de alguns anos de casamento. A filha deles ainda estaria dormindo, mas Harry acordaria cedo, sorrindo para Louis. Talvez acordá-lo com um beijo, talvez brincando sobre quem tem que se levantar para fazer o café da manhã e quem tem que preparar a filha para começar o dia.

Ele pisca e o sonho se foi. A respiração de Louis não está nem mais atrás dele, então ele definitivamente não está dormindo, provavelmente esteve acordado o tempo todo que Harry esteve inconsciente dentro de seu bolha interior.

Porra. Ele se deixou cair.

O que Louis deve pensar sobre ele, para ver que Harry não conseguiu nada sozinho, para vê-lo tão fraco. Louis pode tê-lo feito passar por essa queda, pode ter feito a coisa certa, porque Louis sempre fará a coisa certa, mas nada mudou. Harry ainda está apaixonado por um alfa que não o quer de volta, que o tocou apenas por pura necessidade. Ele ainda está esperando um bebê com ele. Sua mente não está mais nublada pela privação, Harry percebe que algo tem que dar. Ele precisa falar com Louis.

Louis deve ter notado que Harry acordou, porque ele começa a se preocupar com as roupas e cobertores em volta deles. Harry percebe que construiu um ninho improvisado com eles e sente uma onda de afeto correr por ele ao pensar em Louis fazendo isso por ele, apenas para que Harry se sinta confortado e cercado por suavidade e aromas depois que ele voltou de sua queda. Esse é o Louis que ele sempre conheceu.

"Aquele idiota poderia pelo menos ter dado a você alguns itens com o cheiro dele ou algo assim," Louis murmura, antes de se levantar e colocar um cobertor sobre Harry e então, cuidadosamente, começar a reorganizar os outros, empilhando os travesseiros cuidadosamente ao lado deles. Ele parou de tocar em Harry, que quase chora com a perda.

"Qual idiota?" Harry pergunta, desviando seu foco do jeito que Louis está mexendo no ninho, coçando com o desejo de apenas dar um tapa na mão dele e fazer isso sozinho.

Louis vacila, deixando cair o travesseiro que acabou de pegar. "Erm..." ele começa. "Eu sei que você não gosta de falar sobre ele, mas você sabe... O pai do seu bebê. Aquele que te abandonou."

Harry pisca para ele. "Ninguém me abandonou." Pelo menos não realmente, não no sentido que conta em relação ao bebê. Louis pode não querer tocá-lo, mas ele está claramente determinado a estar lá para a filha deles. Ele também esteve presente em todos os marcos importantes da gravidez de Harry. Um pouco negligenciado, talvez, mas não abandonado.

Louis aperta os olhos de um jeito que Harry o viu fazer milhares de vezes antes, é a cara que ele faz quando está tentando entender alguma coisa. "O que você quer dizer com ele não abandonou você? Você ainda está em contato com ele?"

"Eu o que?" Mesmo durante a privação, quando parecia que todos os sentidos de Harry estavam lentos, ele nunca teve tanta dificuldade em acompanhar uma conversa antes.

Louis começa a pronunciar cada palavra, como se Harry fosse um idiota. Ou uma criança. "O alfa com quem você fez sexo. O pai do bebê. Você acabou de dizer que ele não abandonou você? Você ainda está em contato com ele?" Sua voz fica mais profunda no final da frase, quase rosnando.

Harry não consegue evitar. Ele solta uma risada surpresa, embora tenha um tom quase histérico. "Você está brincando agora? Sobre isso? Quando eu acabei de sair de uma queda? Depois que eu entrei em privação porque você se recusou a me tocar?"

Louis não ri. Ele parece horrorizado. "Não? Sobre o que eu estaria brincando? E você sabe por que eu não podia tocar em você, Harry, eu não queria confundir o filhote. Não seria certo. O pai do filhote ou é o único alfa permitido a te tocar, fora os parentes, durante a gravidez, você sabe disso. Você não iria querer que eu te tocasse!" Ele faz uma pausa. "Sinto muito por fazer isso de qualquer maneira. Eu sei que você pediu no momento, mas talvez você se arrependa agora que está sem a privação, e eu estou tão-"

"Mas você é o pai, Louis!" Harry explode. Ele se senta, agradecido por ter tido sua queda, por mais inconveniente que seja, e o toque subsequente de Louis ter pelo menos preenchido seus níveis de energia o suficiente para que ele não se sinta tonto com o movimento rápido.

"Este é o seu filhote! O que você sabe muito bem, porque eu estava lá quando eu disse a você e você me rejeitou. Então eu não sei que piada cruel você está fazendo comigo agora, mas não é engraçado!" Sua voz vai vacilando no final da frase. Harry sempre foi um chorão raivoso, mas ele nunca odiou isso como naquele momento, quando ele já parece tão fraco na frente de Louis.

Harry está tão ocupado lutando contra as lágrimas que não percebeu que Louis ficou quieto diante dele, olhando para ele no que parece ser um choque absoluto.

"Eu sou o pai?" Louis sussurra. "Você tem certeza?"

Harry o encara de volta, igualmente incrédulo. Ele está percebendo que Louis, de fato, não está fazendo uma piada.

"Sim", ele diz, seus esforços para segurar as lágrimas, finalmente falhando. "Claro que você é. Quem mais seria?"

"Mas nós só fizemos sexo uma vez! E eu usei camisinha! Seu heat ainda nem tinha começado!" Louis exclama.

Harry olha para ele incrédulo.

"Eu estava praticamente em heat. Você estava há uma semana sem rut. Fizemos muitas coisas naquela noite em que você não estava usando camisinha, mesmo que não fosse durante o sexo com penetração. Essas coisas acontecem!" Ele está começando a ficar histérico no final.

"Eu disse a você que não fazia sexo há muito tempo antes de a gente acontecer. Como você pode pensar que eu iria dormir com mais alguém depois disso? Você sabia sobre meus sentimentos por você!" Harry tenta não soar acusador, mas toda a raiva, toda a frustração, os hormônios – ele pode sentir tudo explodindo dele.

"Eu não sabia," Louis sussurra. "Eu tinha esperanças, mas depois que você disse... Ou pelo menos eu pensei que você disse... Que eu não era o pai... Eu realmente não questionei isso. Fazia sentido na minha cabeça que eu não era bom o suficiente para você. Você nunca me pediu para tocar em você. Nunca."

"Eu pensei que você não queria me tocar. Teria sido humilhante perguntar."

Harry ainda não entende o que aconteceu, mas claramente há muitas coisas que ambos deveriam ter falado há algum tempo. Ele pode ver isso agora.

"Louis," Harry sussurra. É difícil ficar com raiva dele quando Louis está olhando para ele com uma expressão tão sincera. Ele pode ler o arrependimento claro em seus olhos. Esse Louis é finalmente a pessoa que ele conhece de novo, aquela que faz sentido para Harry. Aquele que ele sempre conheceu. Harry se arrepende de não ter lhe dado a chance de se explicar antes.

"Louis, por favor, me deixa ser absolutamente claro desta vez. Você é o pai desta criança. Este é o nosso filhote. E eu preciso de você... Me desculpe se isso parece ser pedir demais, mas por uma questão de saúde da nossa criança, eu preciso que você me toque novamente. Eu não acho que posso lidar com isso por muito mais tempo." Harry quase engasga com as lágrimas quando sai a última parte. É difícil dizer isso, difícil admitir essa fraqueza depois de tanto tempo mantendo-a, depois de tanto tempo sendo boa. Mas a queda foi seu ponto de ruptura. Ele não pode mais fazer isso. Parece que ele foi esfolado e todas as suas partes, cada pequeno pensamento que ele manteve escondido nos últimos meses, estão todos aparentes, ali para Louis ver e fazer com eles o que quiser.

"Sim," Louis sai. Ele soa engasgado também. "Sim, claro, baby, qualquer coisa." O primeiro toque dos braços de Louis ao redor dele parece mais um suspiro de alívio. Harry sente que vai depender de grandes quantidades de toque por um tempo ainda.

Harry sabe que eles ainda têm muito o que conversar, mas neste momento, tudo o que importa são os braços de Louis, quentes e seguros ao redor dele. Ele então volta a dormir.

Mais tarde, depois que eles finalmente se levantam e Louis faz uma das cinco refeições que ele pode fazer perfeitamente agora, ovos e torrada, eles acabam no sofá novamente, abraçados. Louis passa os dedos pelo cabelo de Harry.

"Você me chamou de baby, mais cedo," Harry diz, quase com reverência. "Você me chamou assim na noite em que... você sabe", ele faz um gesto vago em direção ao estômago.

"Você não gosta?" Louis pergunta com uma risada nervosa. Ele ainda parece inseguro em como agir perto de Harry, com medo de errar outra vez.

"Não," Harry balança a cabeça rapidamente. "Eu amo isso." A próxima pergunta é mais difícil. "Então o que isso quer dizer?"

Harry tem que se virar nos braços de Louis para ver seu rosto para essa conversa. Louis parece confuso. "O que você quer dizer?"

"Bem, eu sei que descobrimos toda a coisa do toque e o fato de que você vai ser pai, mas o que isso significa para nós? Você sabe, eu sei que você não queria falar comigo depois daquela nossa noite juntos, e eu não quero que você se sinta obrigado só porque estamos esperando um bebê, e-"

"Harry," Louis o interrompe rapidamente. Ele parece estar respirando fundo. "Eu te amo. Não apenas por causa do bebê. Eu te amei o tempo todo, eu só estava sempre com muito medo de dizer qualquer coisa."

Harry quer dizer o mesmo de volta, mas a parte dele que foi rejeitada por Louis várias vezes nas últimas semanas ainda o impede. "Mas você nem me ligou depois. Você nunca quis falar sobre isso quando eu tentei trazer isso à tona."

"Eu sinto muito," Louis sussurra. "Eu pensei que tinha forçado a situação toda. Eu não estava tão lúcido quanto eu pensava que estava, foi só uma noite depois do meu rut. Eu pensei que talvez seu pré-heat te tornasse mais vulnerável aos meus feromônios do rut. Eu fiquei com medo que você se arrependesse do que fizemos e eu não queria te dar a chance de expressar essa rejeição em voz alta."

"Então você saiu primeiro."

"Então eu saí primeiro," Louis acena com a cabeça. "Eu sinto muito mesmo. Pela dor que causei a você por não ser honesto sobre meus sentimentos em primeiro lugar."

"Acho que nós dois somos culpados", diz Harry. "E pelo que eu entendi, eu não era o único com dor. Para deixar claro, eu também quero estar com você. Como o pai do meu filho, como meu alfa, como meu companheiro. Eu não deixei mais claro que era seu bebê. Mas eu achei que sim. Eu estava convencido da minha versão da história."

"Nós dois estávamos. Eu tentei estar lá para você como um amigo, você sabe. Eu sempre quis tocar em você."

E mesmo que Louis lhe dissesse que o amava antes, isso, de alguma forma, era dessa confirmação agora que seu ômega precisava ainda mais. Harry pode sentir que está segurando suas lágrimas de novo.

"Oh," Louis solta e o abraça mais perto. "O que há de errado?"

"Não, nada," Harry tenta rir em meio às lágrimas. "São lágrimas de felicidade, eu prometo."

"Ok," Louis sussurra. E então ele finalmente o beija novamente. Harry acha que pode sentir um pouco de sal nos lábios também.

3 meses depois

~*~


LOUIS

Louis não sabe o que é, mas tem a sensação de que Harry tem agido estranho nas últimas duas semanas. Não necessariamente de uma maneira ruim, porque as coisas estão bem entre eles desde que esclareceram seu mal-entendido e confessaram seus sentimentos um ao outro. Era só algo... estranho.

Louis sabe que Harry fica mais animado, mas também mais nervoso a cada dia mais próximo da data do parto. Faltam duas semanas, o que significa que o bebê pode nascer a qualquer momento.

Seu nervosismo aparece em todas as suas manias habituais, como limpar e cozinhar excessivamente, reorganizar o quarto do bebê a cada duas horas e andar pelo apartamento nervosamente. Louis não tem certeza se foi isso que o médico quis dizer quando disse que exercícios leves podem induzir o parto, mas ele não quer criticar os mecanismos de Harry.

Outra coisa que ele notou, porém, é que Harry continua desaparecendo ao longo do dia. A princípio, ele não tinha percebido, provavelmente porque estava trabalhando a maior parte do dia, mas agora que sua licença parental solicitada também começou, e ele se mudou oficialmente para a casa de Harry, ele não pode deixar de notar seus estranhos desaparecimentos. Ele sabe que Harry está no telefone com Gemma e sua mãe de vez em quando, agora que finalmente contou a verdade sobre a gravidez, mas ele nunca esconde essas ligações e as atende na sala de estar a maior parte do tempo.

Todas as revistas de gravidez dizem que tirar um tempo para si mesmo de vez em quando é importante em um relacionamento, mas Harry nunca precisou de tanto espaço antes, e também, Louis não teve muita sorte com conselhos em revistas de gravidez antes.

Então, uma noite, depois que Harry foi dormir cedo, mas insistiu que Louis não poderia perder o jogo do Man U por ele, Louis desliga a TV após o primeiro tempo.

Ele não sabe por que se sente tão nervoso em confrontar Harry sobre isso. Talvez ele tenha percebido que ter Louis tão perto o tempo todo não é o que ele quer, talvez ele queira que ele passe mais noites em sua própria casa. Pode ser-

A visão que o espera quando ele abre a porta do quarto faz com que seus medos pareçam ridículos. Porque ali, no meio da cama, está Harry, sentado serenamente no meio de uma grande pilha de roupas. Quase todas elas pertencem a Louis. Um ou dois são cobertores de bebê que ele já perfumou para serem colocados no berço do filhote. Ele realmente chegou a se perguntar para onde eles foram, porque eles não estavam no berçário. Ele também se perguntou por que ele sempre parecia ficar sem camisetas ultimamente. Isso explica muita coisa.

"Oh," Harry diz quando olha para Louis. Ele não parece defensivo, apenas um pouco cuidadoso. Seus olhos parecem vidrados.

"Baby, que ninho lindo," Louis arrulha e deve ter sido a coisa certa a dizer, porque Harry solta um som feliz. Louis sabe que ômegas grávidos ficam meio chapadas enquanto fazem ninho, mas ele nunca viu isso pessoalmente. As bochechas de Harry estão coradas, seu cabelo está despenteado e ele parece absolutamente radiante.

"Alfa, por favor?" Harry pergunta, quase timidamente, piscando para ele, como se fosse difícil para ele formar palavras em seu estado atual. Ele estende a mão. Louis respira trêmulo, sabendo que é uma honra poder entrar no ninho de um ômega. Que é um privilégio ser permitido no ninho de Harry.

"Você tem certeza que eu posso entrar, baby?" Louis pergunta, mantendo sua voz gentil e suave. Os ômegas não precisam ser cuidados durante o aninhamento como fariam durante uma queda, o ato em si já é bastante calmante, mas ainda é importante não perturbá-los ou ao ninho. Isso poderia realmente levar a uma queda, uma queda ruim.

Mas Harry apenas balança a cabeça, estendendo as duas mãos para ele. Louis os pega, com cuidado, e se deixa puxar para dentro do ninho. Ele se acomoda atrás de Harry, que se enrosca em seu peito imediatamente, não se preocupando mais com o ninho, em vez disso, respirando o cheiro de Louis, o deixando acalmá-lo. Louis move seu nariz até o pescoço de Harry muito lentamente, para dar a Harry tempo suficiente para reagir, antes que ele sinta o cheiro dele.

"Eu te amo, alfa," Harry murmura. Louis quase esquece de respirar com isso, com medo de fazer um movimento errado, mas Harry não parece notar sua reação, apenas o cheira de volta antes que ele se concentre no ninho novamente.

Louis começa a relaxar. Pelas próximas horas ele só tem que ficar sentado ali, passando os dedos pelo cabelo de Harry, e sussurrar incentivos e elogios em seu ouvido. Ele acha que é um dos momentos mais felizes que ele já experimentou.

Na manhã seguinte, Harry acorda cedo para fazer seu ioga matinal, então eles não têm chance de conversar até que Louis desça para o café da manhã algumas horas depois.

Harry já saiu para passear, trazendo doces da padaria em que trabalha para casa – ele ainda fala com seus colegas de trabalho, apesar de estar de licença maternidade há algumas semanas – e Louis é dolorosamente lembrado de seus café da manhã estranho juntos algumas semanas atrás, quando Harry trouxe doces também e eles aparentemente conversaram sobre absolutamente nada importante, ainda conseguindo machucar um o outro no processo.

Louis jura que este café da manhã não será assim. Eles aprenderam a se comunicar ultimamente, ele está pronto para testar isso.

"Você não tinha que esconder seu ninho, você sabe," Louis começa com cuidado, depois que eles comeram em silêncio por um tempo, tentando não soar acusador, apenas curioso.

Harry cora e olha para seu colo. "Eu sei", ele apenas diz, mas não elabora.

Louis recomeça. "Você tem certeza que está tudo bem eu ter estado lá, então? Ou você queria ficar sozinho? Você poderia ter me dito que estava montando um ninho, e queria espaço. Eu teria entendido, juro que sim."

Ele não está mentindo. Ele sabe o quão importante é o aninhamento, que é um grande passo compartilhá-lo com alguém. Louis nunca culparia Harry por não estar pronto para isso ainda, especialmente depois de tudo o que aconteceu.

Harry suspira, parecendo infeliz por Louis estar realmente lhe fazendo falar sobre isso, mas já que ambos prometeram ser mais abertos sobre seus sentimentos, ele parece perceber que não há como escapar disso.

"Antes... você sabe, durante o meu segundo trimestre..." Harry começa.

Oh. Esta seria realmente uma daquelas conversas. Uma difícil.

"Meu ômega ficava me dizendo todas essas coisas, sobre o quão inútil eu era," Harry admite calmamente. "Principalmente porque você não me tocava. Continuava piorando à medida que eu ficava mais carente de toques."

Ambos estremecem com as palavras, mas Louis sabe que eles têm que falar sobre isso em algum momento, ou Harry pode nunca mais confiar nele novamente.

"Meu lado racional sabia que não era minha culpa, é por isso que eu pedi para você sair em um ponto, eu meio que sabia que era injusto que eu estivesse sendo tratado assim. Mas depois de um tempo, meu ômega simplesmente assumiu. Eu não conseguia mais pensar com clareza."

"Eu sinto muito," Louis sussurra, mesmo que Harry tenha pedido repetidamente para ele parar de se desculpar por algo que ele já havia perdoado várias vezes. Neste momento, ele não pode evitar. Há muita culpa ainda na boca do estômago, e ele precisa expressá-la de alguma forma.

"Lou, não foi sua culpa," Harry diz. Isso também é uma frase repetida. Louis se pergunta quando eles vão parar de ter a mesma conversa várias vezes. Provavelmente apenas quando ambos realmente passarem por isso, então não por um tempo ainda.

"Só estou tentando explicar a você, meu ômega ainda é um pouco... cauteloso às vezes. Meu cérebro racional sabe que tivemos um mal-entendido horrível que causou muita dor a nós dois. Mas esclarecemos isso, e isso parte do meu cérebro sabe que nenhuma de suas ações indica que eu não posso confiar em você. Você ainda é meu melhor amigo, e agora meu namorado," Harry manda uma piscadela para ele, fazendo Louis rir e quebrar a tensão um pouco. pedaço.

"Mas meu ômega tem mais dificuldade em deixar de lado os instintos aprendidos. Porque você também é", e ele começa a sorrir com isso e sua voz fica um pouco mais baixa, "meu alfa." Louis sorri de volta.

"E meu ômega ainda sabe que meu alfa escolhido me rejeitou, uma e outra vez. É só," Harry dá de ombros. "Vai levar algum tempo para eu superar isso, para aprender a confiar nos meus instintos novamente. Confiar em você. Mas vai acontecer. Provavelmente mais cedo ou mais tarde, a julgar por quão bom foi aninhar ontem à noite, com você ali, cuidando de mim," Harry cora novamente com isso, um lindo tom de rosa agora cobrindo suas bochechas.

"Eu também achei ótimo," Louis admite facilmente, sorrindo de volta para Harry. Parece de repente, apenas por este breve momento, que era como se fossem apenas duas crianças, recém-apaixonadas, tontas com o sentimento. Ele está feliz que eles ainda tenham essa espécie de fase de lua de mel, mesmo que já estejam esperando um filho e já tenham passado por vários obstáculos para chegar lá.

"Eu ainda sinto muito", diz Harry. "Vou tentar me comunicar melhor no futuro sobre como eu estou me sentindo, sobre como meu ômega está se sentindo. Ainda estou aprendendo."

"Eu também," Louis diz de volta. "Está tudo bem, desde que estejamos aprendendo juntos, certo?"

Harry sorri e assente.

"Você..." Louis começa com um pequeno sorriso. "Você também me disse que me ama."

"Eu disse, não é?" Harry responde em um tom de provocação. Eles estavam sentados à mesa da cozinha no início da conversa, mas Harry se aproximou cada vez mais dele durante a conversa. Agora, ele aparentemente está abandonando todo o senso de etiqueta na cozinha e subindo no colo de Louis, o mais cuidadoso que pode fazer ao gerenciar a colisão entre eles.

Louis apenas acena com a cabeça em resposta à pergunta de Harry, seu sorriso crescendo.

"Me desculpe por não ter feito isso antes," Harry sussurra, enterrando o nariz no pescoço de Louis. "Eu estava apaixonado por você o tempo todo. Eu só ainda estava com medo de te contar."

"Tudo bem", diz Louis. "Passos pequenos, certo?" Ele tenta puxar Harry para ainda mais perto, mas os dois percebem ao mesmo tempo que uma cadeira de cozinha não é feita para muito carinho, assim Harry desce da cadeira antes que ambos caiam. Então ele sorri e estende a mão para Louis.

"Então, é domingo, eu ainda não estou mostrando nenhum sinal de trabalho de parto e nós dois estamos de licença parental, então você não precisa estar no tribunal amanhã e eu não tenho que me levantar cedo para a padaria. O que você acha de voltarmos para a cama?" Seu tom é mais tímido do que sugestivo, mas Louis não precisa ser perguntado duas vezes.

"Comece a correr", ele grita e pula imediatamente. Claro, Harry normalmente não teria a menor chance, estando tão grávido quanto está agora, mas se, por acaso, Louis fizer um desvio e Harry vencer a corrida, bem, de qualquer maneira, isso é problema dele.

Porque se os últimos meses lhe mostraram alguma coisa, é que, a partir de agora, ele sempre fará tudo o que estiver ao seu alcance para deixar seu ômega feliz.

Notes:

notas finais da autora [fairytalelights]: Obrigado por ler! Título retirado de "Andante, Andante" do Abba.

Você pode deixar comentários ou kudos (votos) aqui, ou reblogar o post da fic, se gostou!(Eu tô no Twitter e no Tumblr, se quiser dar um oi.)

 

notas finais da tradutora [masterlarrypiece]: muito obrigado por terem lido até aqui! eu demorei um pouco para realmente traduzir e postar, mas o fato é que eu me debulhei em lágrimas em cada linha dessa fic e é por isso que eu recomendo ela COM TODAS AS FORÇAS!

se você da história e da minha tradução, não esquece de votar na fic e deixar suas reações nas suas partes favoritas!

até a próxima!

xx

Lah <3

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